domingo, janeiro 17, 2010

Ianukovitch e Timochenko passam à segunda volta!

A quatro horas do encerramento das urnas, as sondagens à boca das urnas dão a vitória de Victor Ianukovitch com 36,7% dos votos, ficando Iúlia Timochenko em segundo lugar com 26,5%. Estes dois políticos disputarão a segunda volta, marcada para 07 de Fevereiro. O banqueiro Serguei Tiguipko ficou em terceiro local com 12,5%. O quarto lugar foi para Arseni Iatseniuk, antigo dirigente do Parlamento da Ucrânia, com 6,6% e o actual Presidente, Victor Iuschenko fica em quinto com 5,5%.
Segundo uma das sondagens, 43,1% dos inquiridos tencionam apoiar Ianukovitch na segunda volta, enquanto que Iúlia Timochenko poderá chegar aos 37,4%.
No entanto, o resultado da segunda volta continua a ser uma incógnita, pois dependerá das coligações que forem feitas. Fala-se de que Timochenko poderá conquistar o apoio de Tiguipko, oferecendo-lho o cargo de primeiro-ministro. Fala-se também que existe um acordo entre Ianukovitch e Iuschenko contra Timochenko. Ou seja, aqui estaremos para ver.

18 comentários:

Anónimo disse...

Se Ianukovitch vencer, haverá uma grande festa no Kremlin.

Pobre Ucrânia !

PortugueseMan disse...

...Fala-se também que existe um acordo entre Ianukovitch e Iuschenko contra Timochenko...

Hum? Não acho isso possível...

Seja como fôr, já sei quem prepara champanhe. A Rússia.

A Ucrânia afasta-se a passos largos da Nato. E a Geórgia vai também perder um importante apoio.

Jose Milhazes disse...

Caro PM, não se precipite. O Kremlin ainda vai pensar muito antes de abrir o champagne. Você é mesmo um grande optimista!

PortugueseMan disse...

Caro JM,

Neste caso não me pode apelidar de optimista. Apenas realista.

Não interessa qual o candidato que vença. Seja qual for o vencedor a questão da NATO vai ser afastado com mais ou menos alarido dependendo do candidato que ganhe.

De seguida é urgente renegociar os preços de gás, porque a Ucrânia não pode continuar assim.

Possivelmente vamos assistir a um pedido de empréstimo adicional não ao FMI, mas à Rússia.

Meu caro, como já tinha dito anteriormente (e mantenho) a posição negocial da Ucrânia é péssima e vai ter que ceder muita coisa à Rússia.

E a questão da UE..., com as asneiras feitas nos últimos anos, na minha opinião ainda ficaram mais longe de atingir este objectivo.

Pippo disse...

Há que esperar antes de cantar vitória.

Anónimo disse...

Com a vitória das correntes pró Rússia podemos ter esperança de, passo a passo, restabelecer a nossa AMADA União Soviética.

Anónimo disse...

a teoria da aliança entre os 2 Victors está esplanada aqui: http://blog.taraskuzio.net - por um apoiante da Julia, convém notar.

de facto ainda quase nada está decidido.. nesta altura ainda me permito pensar que o equilíbrio que se tem verificado entre os vários blocos seja um augúrio de um mandato mais atento à divisão étnico-linguística que atravessa o país e que não perca de vista a a aproximação à UE. acho muito bem que a Ucrânia normalize as relações com a Rússia, não para que o urso lhe meta a pata em cima (como alguns leitores parecem fantasiar) mas porque essa normalização é no melhor interesse do próprio país - que não pode viver eternamente de costas voltadas para os seus vizinhos - e da UE, que assim terá na Ucrânia um parceiro e intermediário de maior valor estratégico!

um abraço e obrigado pela excelente cobertura caro JM,
Joao B.

António Campos disse...

As inclinações de Yanukovich dependerão fundamentalmente da forma como o Ocidente irá organizar as suas relações com o governo ucraniano. Os apoiantes directos de Yanukovich não são parvos e sabem que têm muito mais a ganhar virando-se para oeste. Em primeiro lugar, a base financeira do apoio ao previsível futuro residente são os oligarcas que controlam as indústrias dos metais e das minas. Estes não vêem grandes vantagens numa vassalagem à Rússia: não têm nada para vender que a Rússia não tenha já de sobra e ficam vulneráveis a takeovers hostis por parte dos grandes conglomerados do vizinho. Em segundo lugar, os apoiantes com algum sentido pragmático sabem que, se quiserem modernizar de facto o país, terão que contar com a assistência e o financiamento ocidentais, em muito grande escala.

Afirmando que um dos seus objectivos é a adesão à UE em 5 anos, que é necessário renegociar os contratos de trânsito de gás e que a Rússia tem que pagar “preços de mercado” pela base naval de Sebastopol, Yanukovich, sedento de prestígio internacional, está de facto a piscar o olho ao Ocidente. Caso este não se distraia com os seus próprios problemas e não vire as costas ao presidente ucraniano, tal como fez com Kuchma há uns anos, poderemos assistir no futuro a uma maior integração da Ucrânia com a Europa, frustrando as expectativas dos kremlinófilos, que poderão ter começado a babar-se antes do tempo.

António Campos

Jose Milhazes disse...

Caro António, estou plenamente de acordo consigo, mas olhe que o PM não...

António Campos disse...

Who cares?

PortugueseMan disse...

Claro que não estou de acordo caro JM.

O objectivo principal da Rússia já foi atingido com estas eleições. Parar a expansão da NATO.

O resto são problemas ucranianos que vão ter que ser eles a resolver.

Adesão à UE vai ser atirada para muito longe, pois a UE vai ter que pensar muito bem em que condições pretende aceitar um país problemático de grandes dimensões.

Problemas na Ucrânia vão manter-se por muitos anos pois o mal já está feito.

A realidade é só uma hoje. A Ucrânia ficou completamente dependente de gás subsidiado russo e isto tem um preço a pagar.

Somando isto com o facto de serem os políticos de sempre a ganhar as eleições, os ucranianos vão ter um longo caminho a percorrer.

Ítalo Tavares disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
anónimo russo disse...

António Campos disse...


1."As inclinações de Yanukovich dependerão fundamentalmente da forma como o Ocidente irá organizar as suas relações com o governo ucraniano. Os apoiantes directos de Yanukovich não são parvos e sabem que têm muito mais a ganhar virando-se para oeste. Em primeiro lugar, a base financeira do apoio ao previsível futuro residente são os oligarcas que controlam as indústrias dos metais e das minas. Estes não vêem grandes vantagens numa vassalagem à Rússia: não têm nada para vender que a Rússia não tenha já de sobra e ficam vulneráveis a takeovers hostis por parte dos grandes conglomerados do vizinho."


O sr. Campos finge ser um grande economista e, parece, inventa razões que não existem. Eu não sou um grande especialista em metalurgia, mas me parece que é exatamente essa área que precisa de gas mais barato para sobreviver, tendo custos de produção elevados (claro que se alguem teve tempo de modernizar a produção, de que duvído muito, as questões de gas se tornam menos vitais). Tambem não me parece que possa haver alguma "vassalagem". Esses oligarcas, se não me engano, já existiam durante a presidéncia de Kutchma, quando a Rússia subsidiava muito a Ucrânia, mas, pelos vistos não se tornaram "vassalos" nem foram vitimas da astúcia moscovita.


2."Em segundo lugar, os apoiantes com algum sentido pragmático sabem que, se quiserem modernizar de facto o país, terão que contar com a assistência e o financiamento ocidentais, em muito grande escala."



Hahaha. Parece que a população da Ucrânia entendeu o que são "a assistência e o financiamento ocidentais em muito grande escala" (especialmente americanos). Na ucrània, sr. Campos, apenas 5.5% das pessoas votaram no marido fiel de uma mulher, que tem relações excelentes com antiga administração norte'americana. E os oligarcas, eu acho, são muito mais realistas neste aspecto. Tambem, o leste da Ucrânia tem, segundo eu saiba, a indústria quimica que depende muito do gas russo. Mesmo que fosse modernizada, seria muito bom para eles ter um gas mais barato. Só há uma coisa: não estou certo de que a Rússia pretenda subsidiar muito a quem quer que seja, mas seria muito mais saudavel ter parceiros normais do lado ucraniano, do que ter a sabotagem constante de Iuschenko.


Quanto ao tema. Não se sabe aínda quem vai vencer, mas eu pessoalmente espero muito que toda essa histeria com golodomor mítico, com a condecoração de antigos membros da UPA que combatiam contra o exercito vermelho na segunda guerra Mundial, recebendo por vezes armas do exercito nazi, exterminando polacos e judeus (enquanto a maioria de ucranianos combatia no exército Sovietico) , enfim, essa cultivação artificial de hostilidade entre russos e ucranianos (enquanto a maioria da população na Ucránia, se não me engano, é russófona) pare e se torne um pesadelo que ninguem quer lembrar.
Ao meu ver, com Ianukovich, que dizem, só aprendeu a falar mais ou menos "mova" ucraniana nos últimos anos, a parceria entre a Rússia e a ucrânia pode ser mais natural. È muito provavel que a Ucrania vai oscilar entre Ocidente e a Rússia, mas isso é lógico para esse país recem nascido (sim, nas fronteiras de hoje é a 100% fruto da União Sovuietica).

anónimo russo disse...

O sr. Milhazes num dos temas anteriores disse que Ianukovitch foi julgado por violação de uma menor. Devo dizer que nunca ouvi tal coisa, nem daqueles que odeiam mortalmente esse político ucraniano (pessoas como aquele que subscrevia como Jest neste blog). È que (para quem não sabe) há muitos ucranianos na internet russófona que exprimem os mais diversos pontos de vista sobre a politica e têm opiniões diferentes sobre Ianukovitch. Pois, muitas vezes na internet alaranjados e outros gostam indicar o passado criminal deste politico, mas até hoje nunca ouvi de pedofilia. Seria bom ver a fonte.

MSantos disse...

Independentemente de quem venha a ganhar entre os dois e seja qual for a política externa que irão seguir (pró Rússia ou pró EUA) as perspectivas são muito negativas dado ambos já terem demonstrado o seu arrivismo, falta de ética e competência além dos monstros que os rodeiam que são a corrupção, oligarquias, crime organizado, imobilismo, tal como na Rússia. Provelmente a situação do país ainda irá piorar mais.

A Ucrânia poderia progredir com políticos que soubessem explorar o seu "petrólio": o establecimento de pontes comerciais, culturais e de desenvolvimento, entre a Europa (e porque não a ala progressista americana) e a Rússia contribuindo para o seu desenvolvimento económico, defesa dos SEUS verdadeiros interesses e em última análise contribuir para mudança de mentalidades e aproximação de ambos os lados da barricada. Obviamente isto não entra nem é admissível para aquelas criaturas "digitais" (2 estados apenas) que entendem que ao se confrontar um tem de se prestar vassalagem a outro e vice-versa.

O afastamento da NATO será positivo para a Rússia, dado dispensar esta de maior mobilização militar (tal como foi o escudo antimíssil), mas mesmo sem NATO, a Ucrânia continuará a ser provavelmente uma grande dor de cabeça kremliniana e a frota do Mar Negro é um bom exemplo, de modo que não se considerará uma vitória. Mesmo que se aproxime à Europa, será uma dor de cabeça (dispendiosa) para esta também.

Será sim uma derrota clara (por agora) para o movimento neoconservador do lado de cá e de lá do Atlântico pois provavelmente além da Ucrânia, vai pôr uma pedra nos planos schakashvilianos de adesão à aliança e o seu alargamento será congelado.

Relativamente aos financiamentos ocidentais em grande escala, isso nos dias que correm é uma quimera. A Ucrânia não é uma Estónia, Eslovénia ou mesmo uma República Checa e a única nação de grande dimensão que foi limitadamente ajudada (sem financiamentos em grande escala) foi a Polónia e foi no tempo das vacas gordas.

Obviamente o objectivo do movimento conservador americano na adesão à UE é que seja esta a pôr o dinheiro pois as suas aventuras imperiais dos "gloriosos anos Bush" deixaram a própria América com problemas internos gravíssimos, sendo ela própria agora a necessitada de novos planos Marshall.

Cumpts
Manuel Santos

António Campos disse...

Pois.

Interessante será referir que Yanukovich tem na sua folha de salários Paul Manafort, estratega da campanha de John McCain de 2008, e Rick Davis, o próprio director dessa mesma campanha (e também da de 2000) e conhecido lobbyista republicano. A empresa destes senhores mantém estreitas ligações com o zoo político de Washington.

Ah, Davis organizou também um famoso encontro em 2006 entre John McCain e o nosso velho conhecido Oleg Deripaska.

Curiosamente, uma peça da ABC News refere que as ligações entre Davis e Yanukovich não começaram exactamente ontem, existindo mesmo antes dos tempos da revolução laranja.

Não é possível deixar de escapar uma risada, quando se pensa nas acusações de a laranjada ter sido não mais do que um complô dos Estados Unidos para depois vermos um famoso lobbyista republicano envolvido até ao pescoço com Yanukovich e o Kremlin.

Isto está cada vez mais engraçado.

http://abcnews.go.com/Blotter/story?id=5063617&page=1

António Campos

anonimo russo disse...

Jose Milhazes disse...
"Um leitor anónimo enviou um comentário que não consegui descobrir a que post, mas afirma desconhecer a acusação que foi feita a Victor Ianukovitch de tentativa de violação de menor. Como o leitor parece saber russo, pode ler várias biografias de Ianukovitch onde se fala desse episódio, que foi muito discutido em 2004"



Acabo de tentar procurar a informaçao sobre a tentativa de violaçao e, claro que nao encontro nada. A sua segunda pena de prisao Ianukovich compriu por "ter produzido danos fisicos" a uma pessoa (ou como traduzir melhor a seguinte frase :
"В 1970 году осужден по ст. 102 УК УССР (нанесение телесных повреждений средней тяжести) на 2 года лишения свободы"). O facto que eu ouvi muitas vezes. Mas nao ouvi nada nem da tentativa de violaçao, nem tanto mais de uma menor. E por enquanto nao consigo encontrar nada sobre isso. Mas vou procurar de proposito, nao se preocupe.

Anónimo disse...

Tomara que a Rússia vença as eleições.