quinta-feira, fevereiro 18, 2010

Moscovo acorda instalação de base militar na Abkhásia

A Rússia e a Abkhásia assinaram hoje dez acordos de cooperação, entre os quais um sobre a instalação de uma base militar russa no território dessa região separatista da Geórgia.

“Trata-se apenas do início do trabalho”, declarou o Presidente russo, Dmitri Medvedev, depois do encontro com o seu homólogo abkhase, Serguei Bagapcha, no Kremlin.

Segundo ele, as direcções fundamentais da cooperação entre as duas partes são “transportes, comunicações, grandes projetos energéticos e cooperação técnico-militar”.

O acordo sobre a instalação da base militar russa, que foi assinado por 49 anos com a possibilidade de prolongamento automático por mais 15, define o estatuto dos militares russos e suas famílias na Abkhásia, o funcionamento da base e a utilização conjunta dela “para a defesa da soberania e segurança da Ankhásia, incluindo o combate a grupos terroristas internacionais”.

A Abkhásia proclamou a independência em relação à Geórgia em Setembro de 2009, depois de uma breve guerra em que tropas russas entraram em território georgiano a pretexto da defesa dos seus cidadãos.

Ao comentar os documentos assinados, Medvedev declarou: “eles correspondem às nossas conceções sobre o desenvolvimento da cooperação com a Abkhásia. Estão de acordo com os nossos compromissos internacionais”.

“O principal é que eles lançam a base para o desenvolvimento pacífico da Abkhásia enquanto Estado independente”, acrescentou.

Dmitri Medvedev aproveitou a oportunidade para reafirmar que o seu colega georgiano, Mikhail Saakachvili, é “persona non grata na Rússia”, precisando: “não desejo ter qualquer tipo de relação com ele”.

“O povo georgiano deve, no quadro dos processos constitucionais existentes, decidir quem deve governo o Estado e quem é capaz de levar a Geórgia ao progresso e às relações de amizade normais com os vizinhos: Rússia e Abkhásia”, concluiu.

7 comentários:

Jorge Almeida disse...

Caro Dr. Milhazes,

imagine que o sucessor de Saakachvili, em Tiblisi, é considerado amigo do Kremlin (ou seja, cede em relação aos assuntos petrolíferos), mas insiste em reaver a Ossétia e a Abkhásia.

O que fará o Kremlin nesse cenário?

Abandonará os Ossetas e os Abkhases nas mãos dos Georgianos, conforme o direito internacional? Ou não cederia aos desejos de TIblisi, arriscando-se a criar um Saakachvili II?

PortugueseMan disse...

imagine que o sucessor de Saakachvili, em Tiblisi, é considerado amigo do Kremlin (ou seja, cede em relação aos assuntos petrolíferos)...

E que assuntos petrolíferos a Geórgia tem para ceder?

Duvido que exista a possibilidade de recuar.

Oblonsky disse...

Ao meu ver a questão territorial em torno de Ossétia e Abkhásia estão resolvidos. O "ocidente" que engula o sapo.

MSantos disse...

Na minha opinião, caso se estableça em Tiblissi um governo que não hostilize a Rússia, esta tentará convencer as províncias rebeldes a retornarem à Georgia.

Penso que será um trunfo de peso que Moscovo guarda para vir a ter um governo georgiano aliado.

Cumpts
Manuel Santos

Pippo disse...

Dado que o Direiro Internacional é o Direito de quem tem a força para o impor, quer-me parecer que, no que diz respeito à Geórgia, a questão da Abkházia e da Ossétia está resolvida.

ALONE HUNTER disse...

A Rússia tem que instalar uma base-aérea com seus bombardeiros estratégicos na Abkhazia, com uns 30 TU-22M BACKFIRE e mísseis com ogivas nucleares em seus Weapons Bay!!!

E várias, várias baterias de mísseis ISKANDER... Olhem no mapa... A Abkhazia é um ponto extremamente estratégico para a Rússia. A Frota Russa do Mar Negro deveria colocar alguns meios lá, pois não faria da Frota russa tão vulnerável em Sevastopol!!! Tomando-se em consideração o fato de que a Frota está atualmente toda disposta em Sevastopol, abrir uma nova base na Abkhazia implica uma imensa vitória geopolítica para a Rússia. A Frota estará mais dispersa e menos vulnerável.

Causa-me preocupação a Marinha Russa possuir só um submarino no Mar Negro!!! O problema em sí é a Turquia, que autoriza a entrada de navios militares americanos pelo Estreito de Bóforos... Um submarino, silencioso como os da classe KILO fariam a diferença, pois fariam interdição naval para os navios americanos!!!

O Mar Negro é de importância primária para a Rùssia, pois é a porta de entrada para forças inimígas, ao longo de 340 Km de costa russa margeando o Mar Negro!!!

É talvez mais importante que o Mar Báltico, e ali deveriam ser empregados muitos meios para inibir qualquer tipo de hostilidade contra a Federação Russa!!!!!

Jest nas Wielu disse...

se calhar, o Kremlin também pretende instalar os mísseis nos territórios controlados pelos amigos de Hamas e Hezbollah (que também reconheceram Abcasia e Ossetia).