sexta-feira, junho 18, 2010

Governo provisório do Quirguistão procura legitimação a todo o custo


Rosa Otunbaeva, primeira-ministra interina do Quirguistão, declarou hoje que o referendo sobre a nova Constituição do país irá realizar-se a 27 de Junho "custe o que custar".
“Queiram ou não, o referendo é necessário para sair deste caos. É possível que haja regiões onde não seja possível realizá-lo. Mas organizaremos muitos lugares onde possa ser realizado”, declarou Otunbaeva, que se encontra no sul do país.
O principal objetivo da consulta popular consiste em legitimar o poder criado em Abril passado, depois do derrube do presidente Kurmambek Bakiev, bem como aprovar a nova Constituição que fará do país uma república parlamentar. O governo interino quirguize prometeu também realizar eleições parlamentares logo após o referendo.
Na véspera, o executivo introduziu alterações no decreto sobre o referendo constitucional que permitem cancelá-lo caso seja imposto o estado de sítio em todo o território nacional.
Alguns líderes políticos quirguizes defendem que é impossível realizar o referendo nas condições existentes.
Claro que é compreensível a rapidez com que o governo quirguize se quer legitimar, mas esta pressa poderá sair cara ao povo no futuro. Na próxima crise - e não duvido que ela irá acontecer -,  a oposição irá lembrar que o referendo não foi universal e não representou a vontade do povo, abrindo assim portas a novas manifestações, levantamentos, golpes de Estado, etc.
O mais sensato seria estabilizar a situação no sul do país e, dentro de algum tempo, realizar o referendo e, mais tarde, eleições presidenciais.
Pelo que entendo, as autoridades provisórias consideram que, obtido o resultado pretendido no referendo, ou seja, a redistribuição dos poderes a favor do Parlamento e em prejuízo do presidente, a comunidade internacional aumente a ajuda.  
Por exemplo, elas renunciaram ao pedido de intervenção de tropas russas ou da Organização do Tratado de Segurança Colectiva, mas insiste no pedido a Moscovo para que envie tropas para "guardarem edifícios e locais estratégicos".
Não acredito muito que o Kremlin aceite a avançar sozinho na satisfação desse pedido.

7 comentários:

PortugueseMan disse...

...O mais sensato seria estabilizar a situação no sul do país e, dentro de algum tempo, realizar o referendo e, mais tarde, eleições presidenciais...

Isso seria o desejável. Mas para quem?

Se esta situação toda foi gerada, por apoiantes do presidente deposto, e se adiarem o referendo então significa que atingiram os objectivos.

Ao adiar, significa que este governo interino está no limbo e permite aos opositores obter mais tempo para realizar acções de maior envergadura.

A situação não é nada boa. Porque as hipóteses estão em aberto para o presidente voltar.

Podemos muito bem ter o rebentar de uma guerra civil.

PortugueseMan disse...

...mas insiste no pedido a Moscovo para que envie tropas para "guardarem edifícios e locais estratégicos"...

Caro JM,

Ainda não tinha visto isto. É interessante. Mencionaram algo em específico?

Anónimo disse...

JM
Eu sei que a situação no Quirguistão é perigosa e tem implicações na Rússia, mas e se falássemos de outras coisas para desanuviar?

Pippo disse...

A situação é complicada, precisamente porque temos em lados opostos duas realidades incontestáveis.

Se por um lado, a realização de um referendo às pressas pode servir de mote a mais contestação, o facto é que adiar indefinidamente esse referendo adia também a legitimização do governo.

Na minha opinião, o governo tem de usar todos os meios para impor a ordem. De preferencia, sem ajuda externa, se necessário, com essa ajuda (nomeadamente no norte, para libertar efectivos quiguizes para actuar no sul). Com a situação minimamente estabilizada, o referendo tem de se realizar de imediato.

O estarem já a apontar uma data pode servir de meta temporal para a acção das forças da ordem.

Jose Milhazes disse...

Caro PM, as autoridades quirguizes pedem aos russos a guardar de centrais eléctricas, albufeiras, aeroportos, etc.

Pippo disse...

Ou seja, JM, os russos assegurarão a segurança (passe o pleonasmo) dos locais estratégicos, libertando efectivos para dominar os revoltosos.

Ora, QUEM, efectivamente, é que são os revoltosos, e PORQUÊ a sua revolta? Será uma questão meramente interna, ou há mão externa neste assunto? Estas são questões que não são muito discutidas por aqui.

Jest nas Wielu disse...

A fita bicolor é para agradar o império energético...