quinta-feira, agosto 19, 2010

Incêndios causam prejuízos da ordem dos 12 mil milhões de rublos

Os prejuízos financeiros provocados pelos incêndios florestais até hoje na Rússia rondam os 12 mil milhões de rublos (cerca de 300 milhões de euros), declarou aos jornalistas Serguei Choigu, ministro para Situações de Emergência.
“Os gastos com a superação dos incêndios, somando os meios para a construção de casas e outros recursos, nomeadamente para o combustível, constituem hoje 12 mil milhões de rublos”, disse ele.
“A isso deve-se juntar as florestas afetadas. É difícil que as madeiras ardidas tragam proveito à indústria”, acrescentou.
Os incêndios florestais, provocadas por altas temperaturas inéditas e pela seca, provocaram a morte de 53 pessoas, deixando mais de 3 500 sem teto.
As autoridades falam em cerca de 800 mil hectares de área ardida, mas a organização ecologista Greenpeace fala em mais de 15 milhões de hectares.
Peritos citados pela agência Ria-Novosti calculam que os prejuízos totais dos incêndios poderão ir de cinco a dez mil milhões de euros.
Serguei Choigu assinalou que as causas do avanço rápido das chamas deveu-se ao fato de “as autoridades competentes não terem prevenido desse perigo, a fraca viguilância, a falta de deltaplanos, bem como de aviões sem piloto”.
O ministro para Situações de Emergência aconselhou os dirigentes das regiões ardidas que inspecionem as organizações que ganharam os concursos para proteger as florestas dos incêndios.
“Na região de Nijni-Novgorod venceu uma organização constituída por 56 almas vivas e dois veículos. Sabem o que aconteceu depois!”, sublinhou.
A região de Nijni-Novgorod foi uma das mais atingidas pelas chamas na época de incêndios de 2010.
“Eu compararia o combate às chamas com a guerra, tivemos vitórias e derrotas, falhas nas operações de reconhecimento”, acrescentou.
Segundo ele, cerca de 166 mil bombeiros combateram os incêndios florestais.
“Não pedimos ajuda aos parceiros estrangeiros, mas recebêmo-la com gratidão. Participaram 449 bombeiros estrangeiros, aviões e helicópteros, que cumpriram as tarefas colocadas. O último grupo estrangeiro deve deixar a Rússia a 21 de Agosto”, concluiu.

13 comentários:

Jorge Almeida disse...

Doutor Milhazes,

os incêndios na Rússia não causaram prejuízos somente à Rússia.

Lembram-se da proibição de exportar cereais por causa das plantações de cereais queimadas?

Uma medida que se entende perfeitamente. Se estivesse no lugar de Putin, faria o mesmo. Primeiro, há que fazer que não falte cereal à população do país normalmente exportador.

No entanto, essa decisão está a causar enormes dificuldades noutras paragens, senão veja o seguinte vídeo:

http://www.youtube.com/watch?v=c6LGPXYKyFE

Jose Milhazes disse...

Caro Jorge Almeida, a decisão russa está a provocar problemas no mercado interno, pois o preço dos produtos derivados dos cereais está a subir, não obstante as ameaças do Governo de castigar os especuladores.
Há especialistas que afirmam que a Rússia cometeu um erro ao suspender as exportações de cereais, vamos ver os resultados reais...

Anónimo disse...

Caro Dr. Milhazes.

Antes deta vaga de incendios na rússia passou aqui uma reportagenm em Portugal, na RTP, em que se denunciava uma peça jornalistica emitida na Rússia em que se dizia aos russos para não virem para Portugal porque nno verão Portugal estave sempre a arder e não era seguro.

Obviamnete que os incendios não chegam ás praias algarvias, mas a notoicia fez eco em portugal, e memso na russia ouve quem não gostasse, alias as agencias de viagens russas que promovem Portugal como destino de ferias disseram isso mesmo ao correspondente da RTP na russia, o Evgueni Mouravitch.

Isto é a prova que por vezes não se deve falar demais, visto que agora é arussia que esta a braços com este probelama.

Masa russia tem um primeio ministro em condições, o putin, que vai oa terreno e diz presente,assim portugasl tivesse um primeio moinistro, que fosse patriota e preocupado com o pais como putoin.

Infeliemente estamos a léguas de distancia entregues a um iberista traidor, que nem sequer equipa o pais comodeve ser para o combate aos fogos.

Para alem de ter os bombeiros à espera de 95 viaturas de combate aso fogos à 3 anos, ainda por cima em 2005 renunciou a um contrato de aquisição de 6 canadair's, para agora termos que andar sempre apediar canadair's aos estrageiro, frança, itália, e es+asnha, então a esdtes ultimos é uma vergonha, deve ser para o povo começar apensdar que os espahóis são amiguonhos dos portugueses e que ate nos emprestam canadair's, é para fazer o mind game do povo, para este penar que ate nos incendiso já estamos entregues aos espanhóis, começou copm as maternidades e serviços de saude, e agora parec que o iberismo já chegou ao combate aos fogos.

Cumprimentos, e que issomse resolva rápido.

Jorge Almeida disse...

O problema do preço dos cereais nem é tanto da proibição russa, mas do facto das colheitas terem ficado queimadas, para não falar nos especuladores (claro está).

É um claro caso de redução da oferta, perante uma procura que se manterá (mais ou menos) nos mesmos níveis de quantidade (kg).

Putin iria cometer um erro grosseiro se não fizesse o que fez. É que, aí, a dificuldade de obter cereal ir-se-ia reflectir na própria Rússia, que é onde estão os eleitores que elegem a ele e aos dele ... Teria muito maiores dificuldades, sem dúvida.

Jose Milhazes disse...

Caro leitor anónimo, pelas informações que tenho, o número de turistas russos para Portugal continua a crescer.
Quanto ao que fazem as autoridades portuguesas face aos incêndios, as medidas devem ser insuficientes, pois as chamas continuam a devorar o nosso lindo país. Mas ainda bem que nem o primeiro-ministro, nem o Presidente da República tiveram a ideia de se sentarem ao comando de um avião!

PortugueseMan disse...

...Há especialistas que afirmam que a Rússia cometeu um erro ao suspender as exportações de cereais, vamos ver os resultados reais...

Confesso não perceber como é que se pode cometer um erro ao fazer a suspensão. Se a produção foi afectada primeiro estão os russos.

Os únicos que decerto não gostam de medidas destas são os exportadores, que vão ser sem dúvida afectados.

Existe algum artigo que se possa consultar e ver que razões apontam para dizer que foi um erro?

PortugueseMan disse...

...Mas ainda bem que nem o primeiro-ministro, nem o Presidente da República tiveram a ideia de se sentarem ao comando de um avião!

Caro JM,

Vamos ao nosso eterno "copo meio cheio ou copo meio vazio".

Retirando toda a propaganda que óbviamente Putin tira com estas acções, seria bom pensarmos que este tipo de coisas são o que os políticos fazem e não é só na Rússia.

Mas neste caso, o nosso Primeiro Ministro e Presidente da República não tiram grandes dividendos porque Portugal não possui nenhum avião de fabrico nacional.

Agora com a Rússia a situação é diferente. Se por um lado existiu propaganda, por outro lado existiu publicidade. Publicidade a um avião que a Rússia anda a tentar vender ao mundo, o Beriev-200 que é óbviamente de fabrico russo.

O Be-200 apareceu em órgãos de informação por todo o mundo, sejam eles jornais, seja televisão.

As imagens não mostram apenas Putin. As imagens e as noticias indicam que Putin esteve aos comandos de um BE-200, que é o mais recente avião de combate a chamas no mundo e que já esteve a operar em Portugal.

Quanto custaria a Rússia, enfiar publicidade e tempo de antena ao seu avião de combate às chamas nos
orgãos de comunicação de todo o mundo?

Penso que neste caso Putin "matou dois coelhos duma cajadada". Propaganda e Publicidade.

MSantos disse...

Sobre o embargo às exportações é apenas uma acção de proteccionismo.

Ultimamente esta palavra, proteccionismo, tem tido uma conotação negativa, no entanto cada vez mais muitos pensadores advogam que apenas reflecte a defesa do interesse nacional e mesmo as nações mais adeptas dos mercados sem freio adoptam medidas proteccionistas mesmo que sejam não assumidas.

Cumpts
Manuel Santos

MSantos disse...

Sobre o episódio "Top Gun, starring Vladimir Putin" dias antes tinha saído uma sondagem que apresentava os mais baixos níveis de popularidade quer para Putin quer para Medvedev.

Oportunisticamente, Putin aproveitou a situação para aparecer.

Cumpts
Manuel Santos

MSantos disse...

...e aliás, aos comandos do avião e tendo andado de Harley dias antes, a Putin só falta a Kelly Mcgillis.

E claro, um pouquinho de cabelo a mais.

Cumpts
Manuel Santos

António disse...

Seja qual for a razão subjacente, os embargos são sempre, no médio a longo prazo, nocivos para a reputação comercial de uma nação e têm normalmente consequências negativas que se alastram no tempo.

Um excelente exemplo: em 1973, a procura nos mercados internacionais por soja disparou devido a condições climáticas anormalmente desfavoráveis que prejudicaram a pesca de anchovas no Peru e a produção de amendoim na África central. Estes materiais são componentes importantes das rações animais. Os preços da farinha de soja, um substituto destas matérias-primas, duplicaram. Como a indústria pecuária americana estava a sofrer com este aumento violento nos preços, Nixon impôs um embargo às exportações americanas de soja. Os preços nos Estados Unidos baixaram substancialmente, mas em contrapartida, os preços nos mercados internacionais dispararam. O Japão, que importava 92% da soja nos Estados Unidos, foi particularmente afectado por esta medida.

Em resposta, este país, juntamente com muitos países europeus, procuraram fontes alternativas do produto e identificaram o Brasil como fonte mais atractiva.

Em suma, para além de afectar seriamente as relações políticas entre os Estados Unidos e o Japão na altura, esta medida acabou por prejudicar o país que impôs o embargo e, ao mesmo tempo, beneficiar largamente um país terceiro, o Brasil, que se tornou num dos mais importantes exportadores mundiais de soja e, no médio prazo, um importante concorrente dos Estados Unidos.

A reputação de fiabilidade da Rússia em termos de comércio internacional já não vale grande coisa, como toda a gente sabe. Esta medida só servirá para a agravar ainda mais.

António Campos

António disse...

Segundo o jornal Guardian, o partido Rússia Unida foi apanhado com a boca na botija a falsificar uma foto publicada no seu website, de apoio a uma informação na qual propagandeava o facto de estar a organizar acções de voluntariado para combater as chamas.

Segundo a publicação, um blogger mais atento detectou que uma fotografia onde apareciam "voluntários aparentemente em luta com um pedaço de madeira num bosque cheio de fumo tinha sido tirada em 2008 e alterada no Photoshop no passado sábado. O fumo, disse, foi adicionado para aumentar o efeito. O Rússia Unida removeu imediatamente a fotografia, mas não respondeu a pedidos de comentário".

Ora digam lá se a sociedade civil não dá um jeitão...

http://www.guardian.co.uk/world/2010/aug/06/russia-fires-moscow

António Campos

Cristina disse...

Sobre o tema da foto, quem quiser ler mais (em russo)

http://www.vedomosti.ru/newspaper/article.shtml?2010/08/25/244293

http://www.lenta.ru/news/2010/08/25/away/