segunda-feira, dezembro 20, 2010

Vitória de Lukachenko provoca forte contestação inernacional

 A vitória de Alexandre Lukachenko nas eleições presidenciais da véspera está a provocar um amplo leque de reações.

Os Estados Unidos foram dos primeiros países a reagir aos graves confrontos ocorridos na véspera entre a polícia e os milhares de opositores que saíram para as ruas de Minsk para contestar os resultados eleitorais.

“Estamos particularmente preocupados com o emprego demasiado da força por parte do poder, nomeadamente com o espancamento e detenção de vários candidatos a presidente e a violência contra os jornalistas e ativistas da sociedade civil”, lê-se num comunicado da embaixada norte-americana na capital bielorrussa.

A chefe da diplomacia europeia, Catherine Ashton, condenou a repressão de uma manifestação após a eleição presidencial na Bielorrússia e exigiu a libertação «imediata» dos opositores detidos pelas forças de segurança.

Ashton “condena o recurso à violência após a eleição presidencial na Bielorrússia, em particular o facto de se ter espancado e detido vários líderes da oposição, incluindo um certo número de candidatos à presidência”, declarou a sua porta-voz, Maja Kocijancik.

“Ela apela às autoridades para libertarem imediatamente aqueles que foram detidos”, precisou.

Posição semelhante foi tomada pelas diplomacias da Polónia, Lituânia, Itália e França, que revelaram particular preocupação face à onda de repressão que se estende à Bielorrússia.

Moscovo não teve uma posição de apoio inequívoco como acontece habitualmente.

O Presidente da Rússia, Dmitri Medvedev, considera que as eleições presidenciais na Bielorrússia são um assunto interno do país, mas espera que o país vizinho de desenvolva pela via da democracia.

“Espero que o resultado dessas eleições façam da Bielorrússia um Estado moderno, que continue pela via da criação de um Estado moderno, baseado na democracia e na amizade com os vizinhos”, declarou.

Desta vez, o Presidente Lukachenko insinuou que a oposição poderia ter recebido apoio não só do Ocidente, mas também da Rússia

As divergências face ao escrutínio são particularmente flagrantes entre os observadores da Organização para a Cooperação e a Segurança na Europa (OSCE) e da Comunidade de Estados Independentes (CEI).

A missão de observadores da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OCSE) considerou que as eleições presidenciais na Bielorrússia, que tiveram lugar na véspera, não podem ser consideradas “democráticas” e “transparentes”.

“A Bielorrússia ainda tem de percorrer um longo caminho para respeitar os seus compromissos no quadro da OSCE”, declarou Tony Lloyd, dirigente da missão de observadores da OSCE, numa conferência de imprensa.

Segundo ele, “a detenção dos candidatos a presidente e de representantes da sociedade civil, bem como a dispersão dura da manifestação são o pano de fundo para a avaliação destas eleições”.

“Gostaria de pedir ao Governo (da Bielorrússia) para esclarecer o futuro dos detidos”, sublinhou.

Serguei Lebedev, dirigente do grupo de observadores dos países da Comunidade de Estados Independentes, organização que reúne 11 das 15 antigas repúblicas soviéticas, anunciou que eles não só consideram democráticas as eleições presidenciais, como reconhecem legitima a atuação da polícia.

“O principal candidato teve uma vantagem significativa, o resto não tem importância”, declarou ele numa conferência de imprensa.




17 comentários:

Felipe Pinheiro disse...

Engraçado, não vi nenhum dos governantes desses países mostrarem preocupações com a violência policial contra as manifestações na Grécia, Irlanda, Inglaterra, Portugal, Espanha, França... Ah, estas são democracias! Então a polícia pode descer o cacetete! É engraçado, quando há manifestações populares em países onde o grande capital não tem controle absoluto é porque o povo está sendo reprimido pelo governo ditatorial. Mas quando estas manifestações ocorrem em países aliados do grande capital, é porque os manifestantes são um bando de baderneiros, desocupados, anarquistas...

Pedro disse...

É Evidente que provoca forte contestação internacional.

Então não dava jeito a Bielorrussia á NATO para colocar lá mais umas baterias de Misseis Patriot para nos defender a todos dos misseis do Irão.

Claro que dava jeito. Assim é uma chatice.
Estes tipos são uns ditadores que até prendem manifestantes. Algo que nunca vimos na Europa democratica.

Mas também podiam instalar os misseis no Japão para nos proteger dos misseis do Irão? Não seria boa ideia?

aferreira disse...

-Onde, onde ao vi nada nem ouvi.
-Não estará a confundir "Vitória de Lukachenko provoca forte contestação internacional" Com o WikiLeaks, Julian Assange eheheheheh!

António disse...

A imbecilidade destes e de outros comentários ultrapassa exasperante. E o insultuoso. Como se alguém no Ocidente, com um cérebro minimamente funcional, considerasse que existe nos seus países repressão, prisioneiros políticos, falta de liberdade de expressão, liberdade de assembleia, manifestação ou de greve. Na Europa toda a gente protesta a toda a hora sem medo de ir 15 anos para a cadeia e muitas vezes esses protestos têm resultados palpáveis. Podemos despedir os políticos. As eleições não são aldrabadas. Os partidos não são banidos. Os jornalistas e os activistas não são assassinados. O facto de vivermos em democracias imperfeitas dará alguém o direito de comparar a Europa ao Chile de Pinochet?

Quem é esta gente que se arvora o direito de tecer relativismos morais absurdos sem fazer a mínima ideia do que está a dizer, sem o menor conhecimento de causa, e, pior que tudo, sem uma pinga de respeito ou sequer consideração pelas pessoas que, tanto na Rússia como na Bielorrússia e noutros locais, sofrem diariamente as consequências e o medo de viverem em países que foram literalmente assaltados pelos seus governantes os quais foram mandatados para os proteger e não para os roubar, prender ou assassinar?

Estamos a olhar para estados que estão em guerra contra o seu próprio povo e há quem tenha o descaramento de tecer comparações com o ocidente? O que é isto? Pura estupidez ou a mais revoltante desonestidade intelectual?

São pessoas como estas que me fazem muitas vezes envergonhar-me de pertencer à espécie humana e admirar o meu cão mil vezes mais a cada dia que passa.

António Campos

Jorge Almeida disse...

Sempre leio cada uma ...

Por acaso, nas democracias ocidentais, alguém vai preso por manifestar opinião diferente?

Onde é que já se viu nas democracias ocidentais prenderem líderes políticos por estarem a participar em manifestações?

Por acaso, já viram nas democracias ocidentais órgãos como Gestapo, KGB, PIDE, Securitate, etc ... ?

Sempre vos queria ver a manifestar opinião contrária à do poder caso estejam em países como a Bielorússia, a ver se mantinham a mesma opinião sobre tudo isto.

Em relação aos observadores da CEI, que raio de moralidade têm eles para julgar se as eleições foram livres e justas? A julgar pelas habituais práticas eleitorais dos países donde eles vêem ... Sabem lá eles o que é a "transparência de processos". Criam estas organizações para fazer barulho, e para atrapalhar o trabalho de organizações minimamente sérias. Num autêntico estilo de "uma mão lava a outra".

Anónimo disse...

Esse ditador não vai sair tão cedo do poder. Pra que isso aconteça, muito sangue ainda vai rolar.

Tenho pena desse povo.

GAF disse...

pois claro, só é aceitável a violência dos opositores. Quanto à vitória clara de Lukachenko, não vale, não conta. Como também não contavam as vitórias claras de Chavez na Venezuela... Só conta quando são eles a ganhar, os pró-ocidentais. Querem tomar-nos por idiotas ou quê? Por que é que não falam das "vitórias" eleitorais na Geórgia e no Kosovo?

Jest nas Wielu disse...

Belarus em fotografias

O blogueiro georgiano Morielli (Vaja Diasamidze) visitou Belarus nas vésperas das eleições do último ditador da Europa, Aliaksandr Lukašenka (Aleksandr Lukashenko), onde fez essa interessantíssima reportagem:
http://morielli.livejournal.com/93348.html

Página charter97.org, todos os seus jornalistas estão detidos
http://charter97.org

Jest nas Wielu disse...

Tirano Lukashenka declarou guerra ao seu povo

Os belarusos que exigiram uma nova eleição democrática, sem Lukašenka, foram agredidos pelo exército e unidades especiais da polícia. Os candidatos presidenciais foram presos pela KGB.

Outra vez as eleições presidenciais na Belarus foram falsificados, mais uma vez a oposição não foi autorizada a participar na contagem dos votos, os observadores assistiram inúmeras violações, muitos eleitores foram forçados a participar da pré – eleição, os candidatos à presidência não tinham acesso à televisão e outras mídias – tal como durante os últimos 16 anos.

Ler em ingles & ver fotos:
http://charter97.org/en/news/2010/12/20/34834

Às 4h40 de manha do dia 20, o escritório da página charter97.org foi invadido à força pela KGB e a conexão com a página temporariamente interrompida. A editora, Natalya Radzina, conseguiu mandar uma única mensagem “Todos estamos presos pela KGB.” De momento, não existem as informações sobre o seu paradeiro, assim como de outros voluntários que trabalharam para a página naquela hora.

Francisco Lucrecio disse...

Não dão porrada aqui? Apanhassem vocês aquelas que um grupo de Anarquistas levou ali para as bandas do Chiado em Lisboa, que sabiam bem o que era serem tratados com carinho. Braços e costelas partidas, depois foram todos julgados e condenados em tribunal.

Crime? reunião na via publica não autorizada.

Francisco Lucrecio disse...

Qual o país da Europa em que existe uma taxa de participação nas urnas superior a 90%. As pessoas foram votar à frente de baionetas?

Houveram mais votos que eleitores?

Alguem foi intimidado para não votar?

Isto aconteceu na Europa recentemente.

Fazia-lhes jeito a Bielorrussia escancarar as suas riquezas ao banquete do grande capital?

A grande dor é essa.Nada os preocupa que Aliev tivesse herdado o poder das mãos do pai e que nas ultimas eleições legislativas a oposição fosse varrida do Parlamento.

Porque o petroleo está garantido, assim como as facilidades para utilização do seu espaço pelas forças militares da OTAN.


Lukaschenko não permite a colonização da Bielorrússia. Por ser insubmisso aos interesses do grande capital e do seu braço armado, é que aqui vai todo este alarido.

Jest nas Wielu disse...

2 Francisco Lucrécio

/Lukaschenko não permite a colonização da Bielorrússia/

Lukašenka não se importa com o tamanho do capital, o que importa é o seu poder absoluto. O grande capital estrangeiro se sente em Belarus mais que comfortavelmente…

Francisco Lucrecio disse...

JEST.

Hoje nenhum país pode sobreviver hermeticamente fechado aos investimentos e às trocas comerciais. Não sei até alguma vez aconteceu?

A Bielorrússia também não pode dispensar investimentos estrangeiros, a diferença reside apenas no facto de os sectores estrategicos da economia continuarem nas mãos nacionais (públicos ou privados).
Isso passa-se até na China, onde as empresas a partir de uma certa dimensão têm que ter uma participação maioritária de capital nacional.

E os maiores bancos da China que estão entre os primeiros 5 mundiais são controlados em 80% pelo Estado Chinês.

Por isso não confunda , investimentos externos, com submissão total aos interesses económicos das multinacionais.

Sabe distinguir a diferença entre uma coisa e outra?

Cumprimentos.

nuno disse...

Só para comparar...vejam que o Luka não está fazendo um bom trabalho

East Countries by GDP(PPP) per capita2010 IMF

01 Slovenia 27,899
02 Czech Republic 24,987
03 Slovakia 22,267
04 Poland 18,837
05 Hungary 18,815
06 Estonia 18,274
07 Croatia 17,608
08 Lithuania 16,997
09 Russia 15,807
10 Latvia 14,330
11 Belarus 13,864
12 Bulgaria 12,052
13 Romania 11,766
14 Serbia 10,808
15 Montenegro 10,432
16 Macedonia 9,350
17 Bosnia 7,751
18 Albania 7,381
19 Ukraine 6,665
20 Moldova 2,959

fabio disse...

"Por ser insubmisso aos interesses do grande capital e do seu braço armado, é que aqui vai todo este alarido."

Que ingenuidade, se informe melhor e veja que 80% da economia da bielorússia está nas mãos de russos e polacos.
O Luka não se importa com isso, o que ele quer mesmo é poder, é isso...
O mais engraçado de tudo isso é que o país que existem mais apoiadores do regime de Lukachenko é em Portugal. Será que essa é uma das causas (peso morto dessa grande parcela da população) que a grande nação lusa estar sendo deixada para trás no caminho da prosperidade européia nos últimos anos? É só comparar os dados economicos e sociais...o IDH desse ano mostrou que além da Rep. Tcheca, Eslovenia e Eslováquia, Portugal foi ultrapassado em qualidade vida pela Estonia, Hungria e Polônia!!!
Para onde caminha Portugal?

Jest nas Wielu disse...

Bem, o Fábio já respondeu por mim. Luka neste aspecto considera que qualquer Capital que o fortalece é um bom Capital lol

Visitem o Museu Global do Comunismo on-line: http://www.globalmuseumoncommunism.org

Francisco Lucrecio disse...

Fabio estamos a discutir a Bielorrússia ou Portugal?
Se os apoiantes de Lukaschenko estão em Portugal. Quem votou nele?

Sabe quem destruiu a economia Portuguesa?

Ou também está a pensar que os mais de 120 000 imigrantes Brasileiros que para aqui vieram trabalhar contribuiram para esses resultados que apresenta.


Tenha muito cuidadinho com aquilo que escreve se quer ser levado a sério.