segunda-feira, janeiro 24, 2011

Moscovo foi mais uma vez alvo da barbárie terrorista

Caros leitores, como já devem saber, um suicida fez-se explodir no Aeroporto Internacional Domodedovo de Moscovo, matando pelo menos 35 pessoas e ferindo quase duas centenas. 74 dos feridos foram internados em vários hosospitais, encontrando-se 36 em estado grave.
Mais um crime gravíssimo sem qualquer tipo de justificação, que deve ser unanimamente condenado por todos. A minha solidariedade só pode ir para as vítimas deste crime hediondo e seus familiares. 
Ainda se desconhecem numerosos pormenores sobre o autor ou autores do atentado terrorista, apenas se diz que o suicida tinha, segundo algumas fontes, "o aspecto de árabe", mas para as pessoas que vivem na Rússia qualquer cidadão do Sul da Europa ou do Cáucaso pode ser confundido com um árabe.
A minha opinião é que se tratou de mais crime cometido pela guerrilha separatista islâmica do Cáucaso do Norte, que, não obstante todas as declarações dos dirigentes russos, continua activa e a fazer graves prejuízos.
Mas os especialistas chamam a atenção para o facto de este atentado ter ocorrido devido a falhas nos sistemas de segurança na Rússia. É incrível como num aeroporto como no Domodedovo conseguem entrar um ou vários homens com vários quilos de explosivos sem terem sido detectados. Como é sabido, as medidas de segurança são reforçadas, mas só depois dos atentados terroristas. Algumas semanas depois e tudo está esquecido. A polícia prefere extorquir dinheiros aos estrangeiros e estranhos.
Há muito que o Kremlin devia ter tomado medidas sérias para travar a corrupção e desorganização nas forças de segurança, mas não vai além de "medidas cosméticas". Os dirigentes russos preocupam-se mais em lançar a polícia contra os manifestantes liberais do que em  empregá-la no combate ao terrorismo e ao crime organizado, contra a corrupção.
Vamos esperar os resultados da investigação, mas certamente que não mostrarão uma boa imagem das forças de segurança.

32 comentários:

o russo disse...

aqui deu que tinha sido na sala com as malas de voos internacionais e que portanto a falha de segurança tinha sido do local de onde vieram.
De qualquer forma para quem perdeu a vida e familiares, pouco interessa, o que interessa é que mais uma vez pessoas sem coração tiraram a vida a pessoas inocentes

PortugueseMan disse...

...Mas os especialistas chamam a atenção para o facto de este atentado ter ocorrido devido a falhas nos sistemas de segurança na Rússia. É incrível como num aeroporto como no Domodedovo conseguem entrar um ou vários homens com vários quilos de explosivos sem terem sido detectados. Como é sabido, as medidas de segurança são reforçadas, mas só depois dos atentados terroristas...

"Especialistas" ou "Críticos", caro JM?

Confesso que não sei exactamente em que área do aeroporto aconteceu o atentado, mas você tem que ter em conta que é sempre mais fácil criticar do que chegar à conclusão de que é muito difícil de impedir estas coisas.

O facto de detonarem no Aeroporto e não num avião, pode significar que a segurança é demasiado apertada para entrarem num avião.

A zona do aeroporto também é importante, era uma zona de livre acesso? Existem zonas de livre acesso onde é bem mais difícil impedir uma coisa destas.

E vamos pelo reforço das barreiras, vamos enfiar barreiras à entrada de um aeroporto de grandes dimensões, vai haver concerteza filas e filas para passar o perimetro de segurança. Com uma segurança apertada destas, é claro que vai haver confusão para entrar no aeroporto. Se no espaço de uma hora estiver para levantar voo 10 aviões, com digamos 300 pessoas de capacidade cada um temos 3000 pessoas a querer fazer check-in. Temos 3000 pessoas a passar um perimetro de segurança que estará fora do edificio do aeroporto e possivelmente as pessoas estarão numa fila na rua, à chuva, à neve, com malas, crianças e sei lá mais o quê.

E pronto temos um aeroporto livre de terroristas.

Agora que os terroristas estão desesperados porque não conseguem entrar num aeroporto ultra-seguro, olham para aquela file de 3000 pessoas à espera que os seguranças verifiquem que não trazem bombas. Bom, eu não sei, mas o terrorista é capaz de ter uma ideia brilhante e fazer-se rebentar exactamente neste enorme amontoado de gente que está a congelar e a aguardar para entrar no raio do aeroporto.

Pergunte lá a esses "Especialistas" exactamente como é que eles fariam um sistema de segurança à prova de terroristas num aeroporto.

Sempre queria ver o que diriam, eu e se calhar muita gente espalhada por este mundo.

Raphael Tsavkko Garcia disse...

Milhazes, uma análise da gênese deste terrorismo islâmico no Cáucaso Russo e os reflexos em atentados terroristas. Foi publicado este mês na revista fórum - http://tsavkko.blogspot.com/2011/01/o-caucaso-norte-e-falencia-das.html

Jose Milhazes disse...

Caro PM, nos EUA, por muito que não se goste desse país, não ocorreu mais nenhum ataque terrorista de envergadura desde 11 de Setembro. O mesmo não se pode dizer da Rússia.
São especialistas em segurança sem aspas que falam da degradação do sistema de segurança em locais de risco, da desorganização e da corrupção das forças de segurança. Venha para cá viver, veja o que se passa e depois analise tudo à vontade.
A vertical de poder de Putin é um mito, repito, um mito que está a ficar muito caro aos russos.
P.S. Peço desculpa pelo tom do comentário, mas eu já vivo aqui há quase 34 anos.

Raphael Tsavkko Garcia disse...

Milhazes, não discordo do teu comentário em resposta ao PM, mas faço um adendo: A Rússia possui inimigos externos que os EUA ñ possuem. Este é um fator de extrema relevância e daí vem boa parte da fragilidade da segurança Russa.

Sim, os EUA tem fanáticos de direita e sua cota de fanáticos muçulmanos e cristãos, mas todos falam a mesma língua, a maioria é francamente identificada... E na Rússia?

PortugueseMan disse...

Caro JM,

Você escolheu um mau exemplo. Se os EUA em vez de ter APENAS 2 fronteiras, estivesse onde a Rússia está, a coisa seria ainda bem pior do que está a acontecer actualmente na Rússia.

Você concerteza não está a pensar que um pais envolvido no Iraque, Afeganistão e em mais algumas zonas, se estivesse FISICAMENTE, onde está a Rússia, a coisa seria uma carnificina.

Meu caro, a Rússia não tem como impedir uma coisa destas a 100%, nem ninguém tem essa capacidade.

Se não é num aeroporto, é num centro comercial, é num estádio, é num hospital, é em qualquer sítio onde esteja muita gente.

Agora poderá haver falhas na segurança, mas MESMO que não houvesse, são se pode garantir segurança a 100%.

Caro JM,

Relativamente ao tom do comentário, você está completamente à vontade de dizer o quer quiser e no tom que quiser.

Eu muitas vezes tenho usado um tom mais forte consigo e muitas vezes penso para mim próprio que também não o devo fazer, principalmente porque você tem a necessidade de refrear, mais que não seja porque fala com um anónimo.

Eu é que peço desculpa pelo tom do meu comentário.

Cumprimentos,
PortugueseMan

Jose Milhazes disse...

Caro PM, o Presidente russo disse que a segurança do aeroporto Domodedovo estava mergulhada na "anarquia". Não fui eu que disse, foi ele. Quanto aos exemplos, veja a Grã-Bretanha, Israel.
Quer dizer-me que a questão do terrorismo na Rússia não tem cura? Ou a Rússia está condenada a ser um Paquistão, Afeganistão ou Iraque?Tem cura, mas quando forem tomadas medidas a sério, tanto no centro, como nas regiões, incluindo o Cáucaso do Norte. Os serviços de segurança e polícia estão mais interessados em ganhar dinheiro, o problema está na corrupção total, no regime falhado criado por Vladimir Putin já lá vão mais de dez anos.

Jose Milhazes disse...

Caro Raphael, não sei de que inimigos não têm os EUA que a Rússia tem. Os EUA deixaram de ter inimigos depois de 2001?
Se for ao arquivo deste blog verá quanto vezes isto se repete e não são tiradas conclusões reais e eficazes. O Cáucaso do Norte reacendeu em 1991, já lá vão quase 20 anos e os problemas estão por resolver.

Jose Milhazes disse...

Caro PM, mais uma nota, ninguém está livre do terrorismo a 100%, mas a questão é a forma como as coisas acontecem, o que se faz para as impedir. Se canalizassem a ira contra Khodorkovski para a luta contra o terrorismo, talvez as coisas não tivessem chegado ao estado em que estão.

PortugueseMan disse...

Caro JM,

Dado que você focou os EUA, dê uma olhadela a estes dois artigos, ambos da imprensa americana:

By Nature, Airports Have Risks

How do you fully secure something as big and sprawling as an international airport against a terrorist bombing like the one on Monday at Domodedovo Airport in Moscow?

You cannot, security experts I spoke with on Monday say. Airports are by definition public places requiring relatively free access.

The experts have long contended that serious holes in security at airports have been neglected while most of the effort and money goes into looking for weapons on passengers at checkpoints.

But they have also warned that a sensational incident in one place can lead to widespread overreaction and demands for quick fixes.

“It always does,” said Bruce Schneier, a security technology consultant and author who has long argued that there is no such thing as perfect security, and that pretending otherwise is foolish...


http://www.nytimes.com/2011/01/25/business/25road.html


U.S. airport visitors vulnerable, security experts say

By midafternoon most days, hundreds of people gather just outside the security perimeter to wait for passengers coming in on international flights at Dulles International Airport.

Just like the dozens killed and injured at a Moscow airport on Monday, they are vulnerable to a terrorist who walks into their midst laden with explosives, said Rafi Ron, the former security chief at Tel Aviv's Ben-Gurion International Airport.

"That becomes a very attractive target to a suicide bomber," Ron said. "The attack in Moscow should draw attention to the need for increased security in these areas."..

..."It's necessary to reassess, rethink and, perhaps, reallocate aviation security resources," said Richard W. Bloom, an aviation security expert at Embry-Riddle Aeronautical University. "Why more of what happened in Moscow hasn't happened before is a good question to ask. This demonstrates how easy it is to do this, particularly if you have a suicide bomber."...


http://www.washingtonpost.com/wp-dyn/content/article/2011/01/24/AR2011012405133.html?wprss=rss_metro/dc

Ambos os artigos convidam à reflexão e mostram a preocupação do que aconteceu em Moscovo poderia ter acontecido noutro país qualquer.

Existem áreas onde é dificil haver segurança efectiva e não existe uma fórmula mágica para resolver o problema. um bombista suicida só requer um local com muita gente.

Milhões de pessoas andam no metro todos os dias, como exactamente é que se vai garantir a 100% a detecção de um suicida? não se vai.

Eu só coloquei uma parte de ambos os artigos, recomendo a leitura integral.

Raphael Tsavkko Garcia disse...

Caro Milhazes, os EUA tem mais inimigos do que nunca, a diferença é que são EXTERNOS. Antes de atacar, precisam entrar nos EUA. No caso russo eles estão dentro, não precisam passar pro fronteira alguma e, mesmo que precisassem, a porosidade do cáucaso faria o serviço.

Não se trata de dizer que serviço de inteligência ou de fronteira é melhor, e sim que a Rússia tem o "pequeno" problema de seu "inimigo" ser interno.

António disse...

Caro Zé, então? A ira contra Khodorkovsky é significativamente mais lucrativa do que a luta contra o terrorismo.

António Campos

Raphael Tsavkko Garcia disse...

Aliás, deixo claro uma coisa, não discordo de nenhum de seus argumentos para a constância de atentados, apenas aponto para um problema a mais. E, repressão, como aponto no artigo que linkei aqui, pelo visto não funciona sozinha. A resistência laica foi substituída pela islâmica que se mostrou muito mais radical e sangrenta. A Rússia e sua política de unicamente repressão são responsáveis diretas pela situação atual. Com o acréscimo do inimigo ser interno e não externo, como normalmente nos EUA.

PortugueseMan disse...

Presidente russo disse que a segurança do aeroporto Domodedovo estava mergulhada na "anarquia". Não fui eu que disse, foi ele

Palavras infelizes na minha opinião. Mas se já sabe que está tudo numa anarquia, então comece a demitir pessoas.

Embora eu acho que primeiro deveria era ser analisado primeiro a situação e depois abrir a boca.

Gra-Bretanha e Israel também são palcos de atos de terrorismo meu caro, repare nos exemplos que dá, um está no outro lado do mundo, outro está numa ilha e outro está barricado, mas mesmo assim actos de terrorismo também acontecem nessas bandas.

A questão do terrorismo não tem cura seja onde for. Pode-se é tentar minimizar.

Não será um Iraque, um Afeganistão, mas dada a localização geográfica, a Rússia terá sempre problemas.

E não há medidas a sério a tomar que consigam erradicar o terrorismo. O terrorismo é apenas uma das faces dos problemas existentes neste mundo.

Pippo disse...

Caro JM, a opção Khodorkovski ou luta contra o terrorismo não faz qualquer sentido pois são coisas totalmente distintas, nomeadamente no tipo de investigação que é preciso fazer-se.

O PM tem razão: para haver segurança no aeroporto é preciso haver bichas de entrada nas instalações. Os terroristas, por norma, atacam os alvos mais desprotegidos... Ou seja, haveria mortos, tantos ou mais dos que houve agora.

As ameaças aos EUA são quase todas externas, isto é, é preciso entrar-se nos EUA via aérea, marítima ou terrestre (Canadá, que via México é, no mínimo, difícil) para se cometer um atentado naquele país.
Já quanto à Rússia, basta atravessar a fronteira num local não vigiado o que, convenhamos, não é difícil.

Por fim, quanto a essa luta contra o terrorismo separatista e islâmico, não há fórmula de sucesso. Moscovo não lhes pode dar o que eles pretendem por isso só os pode combater.

Pedro disse...

Senhor Milhazes, como você viveu na Rússia na era Soviética e está lá há muitos anos, consegue entender de alguma forma o motivo porque durante a URSS não existiam estes atentados e agora é uma praga?

O que mudou nessas regiões do Caucaso?

É uma questão que gostava de ver analisada e eu não tenho qualquer ideia sobre o assunto, pois desconheço essa realidade.

Jose Milhazes disse...

Caro Raphael, estou completamente de acordo contigo.
Caro PM, pode-se minimizar as possibilidades de realização de actos terroristas e isso não é feito devido à anarquia e corrupção reinante na Rússia. Este é o principal problema. Volto a repetir, se você visse como as coisas são feitas neste país, compreenderia melhor a minha ideia. O regime não funciona!
Caro Pedro, na URSS também ocorriam atentados terroristas, mas em menor escala e menos divulgados ou escondidos pela censura. Por exemplo, um atentado à bomba no metropolitano de Moscovo realizado por nacionalistas arménios.
Além disso, na URSS existia um forte aparelho repressivo, que impedia a revelação dessas manifestações. Estaline tratou do assunto com a deportação de povos inteiros, por exemplo.
Caro Pippo, você sabe bem o que eu quis dizer com a tal comparação. Claro que são coisas diferentes, mas se as autoridades russas realizassem uma política antiterrorista com a mesma intensidade como julgam e condenam Khodorkovski, as coisas estariam bem melhores. Para já não falar dos
milhares de polícias que são lançados contra alguns centenas de liberais.

Gilberto Mucio disse...

Caro Milhazes,

Eu concordo com suas análises a respeito das questões do Cáucaso.

Porém acho estranho quando você fala coisa como:

«o problema está na corrupção total, no regime falhado criado por Vladimir Putin já lá vão mais de dez anos.»

Como se o governo Yeltsin não tivesse sido 500 vezes mais corrupto que esse, como se a corrupção -- que é um problema crônico russo -- tivesse começado "há 10 anos".

Tirando isso, sim, concordo com tudo de disse.

Que o governo é corrupto, que a polícia é corrupta, tudo isso... não é novidade para ninguém.

Mas "não começou há 10 anos".

Pippo disse...

"se as autoridades russas realizassem uma política antiterrorista com a mesma intensidade como julgam e condenam Khodorkovski, as coisas estariam bem melhores."

Que tipo de políticas?
JM, o terrorismo caucasiano tem dois vectores, o independentista e o islamista. Ora, se o primeiro pode ser mitigado por políticas económicas e sociais (pleno emprego, desenvolvimento económico, etc.), o segundo vector é muito mais difícil de se controlar.
É que o islão sunita não tem uma estrutura eclesiástica como o xiita pelo que um ulema pode tornar-se líder religioso de uma congregação autónoma, ou seja, sem ter de responder perante qualquer outro líder "superior".
Os muftis sancionados pelo Estado nunca serão tidos como "legítimos" pelos sectores mais radicais, e os radicais actuam em sistema de "rede transnacional" através da qual se podem recrutar estrangeiros para, por exemplo, cometer atentados suicidas.

Portanto, atenção às frases fáceis do tipo "se as autoridades russas realizassem uma política antiterrorista...". Só há políticas antiterroristas quando se podem quebrar as bases de apoio dos terroristas, afastando-se a população dos terroristas.
Neste caso, como as bases nutrem o desejo de independência e têm a religião como forma de afirmação étnica e motivador "espiritual", não há política que combata o terrorismo com eficácia. A não ser, é claro, que se façam as coisas "Stalin's style".

Assim sendo, reafirmo que as comparações com o caso Khodorkovski não são aceitáveis pois o terrorismo e os crimes económicos não têm nada em comum.

Jose Milhazes disse...

Caro Gilberto, Putin apresentou-se como o combatente contra a oligarquia, a corrupção, pela ordem, segurança, etc., etc., há mais de dez anos e foi esse período que eu avaliei. Nunca disse que a era Ieltsin foi um período de paz, liberdade, felicidade, etc., mas se as coisas continuarem assim na Rússia, não tardará os russos terem saudades dos loucos anos 90.

Jose Milhazes disse...

Caro Pippo, os problemas no Cáucaso ressuscitaram no início dos anos 90 do séc. XX e os movimentos de contestação eram puramente laicos. O Islão aparece como factor mais tarde,depois das tropas russas terem arrasado a Tchetchénia e o Kremlin não ter conseguido chegar a um acordo com o presidente tchetcheno Dudaev.
Claro que, agora, o problema é de mais difícil solução, pois o fator religioso radical aumentou bruscamente.
Eu não proponho que se façam milagres, mas que se comecem a resolver os problemas gradualmente, em vez de permitir o seu agravamento.
Ninguém põe um sinal de igualdade entre terrorismo e delitos económicos, mas você sabe do que falo eu porque viveu aqui e compreende a situação.

Pippo disse...

Já agora, numa pequena resenha dos sucessos da luta contra o terrorismo islâmico, que exemplos temos?

Argélia – a forma encontrada para eliminar os islamitas (FIS e GIA) foi a guerra pura e dura. O problema foi debelado mas mantém-se latente. A guerra custou dezenas de milhares de mortos. Entretanto, a Argélia islamizou a sua legislação para tentar agradar aos islamitas;

Egipto – a Irmandade Muçulmana (IM) foi perseguida e os seus membros são ocasionalmente julgados e executados. Contudo, é sabido que o Exército e a Marinha estão a ser infiltrados pela IM, nomeadamente aos níveis do oficialato. O Egipto tem vindo a islamizar a sua legislação, para descontento dos cristãos autóctones, mas o terrorismo islamita persiste;

Indonésia – os grupos islamitas mantém-se activos, nomeadamente os que têm ligações à al-Qaida. Apenas os independentistas de Aceh abandonaram a luta, mais por consequência do maremoto do que por acção das autoridades (o mesmo aconteceu aos piratas de Aceh, os quais, basicamente, desapareceram);

Magrebe (Marrocos, Mali) – os grupos islamitas não foram desorganizados e mantém-se activos sob o “guarda-chuva” da al-Qaida.

Líbano – o Hezbollah é “apenas” a formação político-militar mais potente do país. Não se trata de um “Estado dentro do Estado” mas sim de um “Estado acima do Estado”.

Europa Ocidental – tem havido várias tentativas de atentado, frustradas pelas autoridades. Contudo, o problema persiste, nomeadamente porque a maioria dos potenciais terroristas são cidadãos, alguns deles até recém-convertidos. Vive-se um clima de “auto censura” por parte da população e das classes políticas em que se evita criticar o Islão e os muçulmanos sob pena de anátema ou de “provocar reacções violentas” por parte da minoria muçulmana;

Índia (Caxemira) – mantém-se as actividades dos grupos terroristas e de guerrilha, patrocinadas pelo ISI paquistanês;

Xinjiang-Uigur (Turquestão Chinês) – os vários grupos independentistas e terroristas mantém-se activos, nomeadamente no exterior (Alemanha, por exemplo).

Pippo disse...

"Ninguém põe um sinal de igualdade entre terrorismo e delitos económicos, mas você sabe do que falo eu porque viveu aqui e compreende a situação."

O que eu compreendo é que é muito mais fácil perseguir e condenar um oligarca anti-governo do que um terrorista que prefere rebentar-se a ser preso.

Ou vai dizer-me que se as autoridades russas soubessem onde os terroristas se acoitam não iriam lá para os apanhar?

Jose Milhazes disse...

Caro Pippo, coloco a questão de outra forma: o regime de Vladimir Putin trouxe mais segurança à população da Rússia, menos corrupção na economia?
O que foi feito para mininizar os efeitos do terrorismo? Quantos dirigentes demitiram-se ou foram demitidos por terem permitido a chegada de terroristas Moscovo, etc.?
Que me lembre, apenas Ieltsin teve a coragem para dizer: Я ухожу! Eu vou/me embora.

Pippo disse...

Penso que segurança anti-terrorista e corrupção na economia não estão necessariamente interligadas (e neste caso até nem estão).
Quanto muito, poderia falar em corrupção social, apadrinhamentos e trocas de favores entre, por exemplo, os Kadirov.
Mas belos exemplos como esses temos nós por cá e nem por isso andam por aqui a explodir bombas no Metro.

Assim sendo, JM, proponho-lhe outro desafio:
Como poderia o regime de Vladimir Putin trazer mais segurança à Rússia?
O que poderia fazer para minimizar os efeitos do terrorismo?
Dê exemplos concretos e de eficácia comprovada, e não apenas os chavões do tipo "dar mais emprego e educação às pessoas" (lembro-lhe que os autores dos atentados de Londres eram médicos bem estabelecidos e integrados na sociedade londrina).

E responda em que medida é que Moscovo pode responder aos desejos de independência dos caucasianos sem dar a independência a esses territórios estrategicamente vitais.

Raphael Tsavkko Garcia disse...

Uma rápida análise da raiz dos atuais atentados, se me permite:
"O fracasso dos regimes "pan-arabistas" no período 1960-1980, culminou com o surgimento e crescimento de grupos de caráter islâmico militante como Hizbollah, Hamas e o crescimento acelerado da Irmandade Muçulmana até, enfim, Talibã e Al-Qaeda. Ou seja, a ideia de guerrilha com viés de esquerda, majoritariamente laica, não "funcionou", ou ao menos esta é a visão corrente e propagada.

Em segundo lugar, Txente Rekondo, do Gabinete Basco de Análises Internacionais (GAIN), na página do Rebelion.org em 2009, aponta “o desemprego, a corrupção, a brutalidade policial, todos eles temperados com grandes doses de impunidade, os importantes bolsões de refugiados e deslocados” como “alguns dos fatores locais que fornecem altas doses de desestabilização à situação”.

Juntando estes dois momentos, a falência da ideologia dominante nos anos 1960-1980 e o aumento da repressão em conjunto com problemas estruturais e também advindos dos anos de conflito, temos o campo perfeito para a disseminação de uma ideologia extremista que deturpa os ensinamentos islâmicos e os utiliza como arma de ódio para a criação não de uma república baseada não mais no componente étnico local, mas na religião.

Cabe ainda uma terceira razão ou elemento, reflexo da Guerra ao Terror criada pelos EUA, a globalização/internacionalização dos grupos terroristas com o objetivo de angariar maior apoio, melhorar a logística e conseguir maior visibilidade. Com o surgimento da Al-Qaeda e de grupos de caráter islâmico, a solidariedade e alcance entre eles cresceu de forma assustadora. Se até o começo dos anos 1990 mal se ouvia falar em "terrorismo islâmico" – ainda que por vezes o termo seja absolutamente mal empregado – hoje em dia esta é a única expressão que se ouve.

Para além do perigo real do fanatismo religioso – que não é exclusividade islâmica – existe uma enorme máquina de propaganda, controlada notadamente por Israel e pelos EUA. Em muitos casos torna-se difícil definir o que é exatamente o “terrorismo islâmico” e quando um determinado ataque pode ser caracterizado como “terrorista”.

A internacionalização do que se convencionou chamar de terrorismo, porém, não é nova. Já nos anos 1960-1970 a ETA, a Fração Exército Vermelho (Baader-Meinhof) e outros grupos treinavam lado a lado com grupos palestinos e deles recebiam financiamento. Guerrilheiros brasileiros treinavam em Cuba e assim por diante."

http://tsavkko.blogspot.com/2011/01/o-caucaso-norte-e-falencia-das.html

Jose Milhazes disse...

Caro Pippo, incrível! Como é que a corrupção na polícia e nos serviços secretos não tem a ver com o terrorismo? Como é que os terroristas conseguem os explosivos? Como os transportam no território russo, etc., etc.? O facto de a polícia e os serviços secretos estarem mais interessados em participar na divisão do bolo financeiro não influi no combate ao terrorismo?
Se assim é, Putin fez tudo. Até duplicou o PIB em dez anos, como prometeu, embora as estatísticas apontam que se ficou pelos 60%?
Pippo, está a precisar de voltar à Rússia.

MSantos disse...

Semhores

Tudo o que havia a dizer já foi dito e para mim a verdade anda algures no meio.

Mas não tenhamos qualquer dúvida: os principais culpados são os assassinos.

Cumpts
Manuel Santos

Wandard disse...

Caros,

O ataque terrorista ocorrido na Rússia foi um acontecimento lamentável em virtude das dezenas de vidas que foram ceifadas, dos sonhos que foram interrompidos e das famílias que estão sofrendo. Infelizmente como já é lugar comum entre os aliados dos Estados Unidos, qualquer ocorrência negativa na Rússia se torna alvo preferencial das críticas depreciativas quanto á estrutura e governo russos. Bem, o império de casas de madeira sofreu em 2001 o mais vergonhoso ataque terrorista de sua história, digo vergonhoso por mostrar a total ineficácia de sua formidável estrutura, extensamente vendida através de sua propaganda governamental e principalmente através de seu maior veículo de divulgação de sua cultura clichés e pieguices, sua indústria cinematográgica. 2 Aviões se chocaram contra o WT, 1 contra o pentágono,e outro caiu. A formidável força aérea americana não conseguiu lançar um único caça para interceptar as aeronaves e só souberam o que estava acontecendo graças as torres de controle civil dos aeroportos. Em situações posteriores não conseguiram nem reconstruir suas cidades devastadas por furacões, inundações......e tapar um poço no Golfo do México. Suas tropas invasoras a milhares de quilômetros de distância, apanham juntamente com seus aliados dos Talibãs e das Milícias Insurgentes do Iraque. Agora é só imaginar se os EUA, tivessem o tamanho da Rússia, um caldeirão de etnias com disputas seculares e fizesse fronteira com as nações muçulmanas que tanto os odeiam, e principalmente tivesse passado por um desmantelamento estrutural da proporção da União Soviética e recebido como ajuda a invasão silenciosa e interferência escandalosa como a que ocorreu nos anos 1990, como este e seus aliados fizeram com a combalida Rússia (Não faltaram filmes Hollywwoodianos como O
Pacificador)mostrando uma Rússia na qual os americanos entravam em seu território para recuperar ogivas nucleares desaparecidas "grande piada".

Em resumo o "gigante adormecido" do Almirante Yamamoto já mostrou suas falhas, incapacidades e incompetências inúmeras vezes, e isto representando "a nação mais poderosa do mundo", mas quando ocorre com a Rússia...................................

Pippo disse...

Caríssimo, não é por haver corrupção na polícia que os terroristas compram explosivos!
Não diga uma coisa dessas pois sabe muito bem que não é assim.

Como o comprovam as acções do ETA, basta haver pedreiras e gente disposta a vender gelamonite para os terroristas terem explosivos à disposição.
E se quiserem ser básicos, que comprem fertilizante fosfatado. Com mais uns elementos químicos fazem-se explosivos bem jeitosos.

Quanto a transportes, com um país tão extenso como a Rússia, basta-lhes não darem nas vistas ou pagarem o "stipendio" ao polícia de trânsito ocasional por causa da eventual "coima" para conseguirem passar. Se fosse aqui, nem isso seria necessário... como o comprovam os atentados em Madrid, Londres, etc. (ou seja, a mesma pergunta: "onde é que estes terroristas arranjaram os explosivos? Terá sido devido a corrupção policial?")

O problema da Rússia é que os países vizinhos não a auxiliam no combate aos terroristas caucasianos (no caso da Holanda, até lhes dão guarida), ao contrário dos países da UE que auxiliam a Espanha a combater o ETA e o RU a combater os radicais do IRA.

Mantém-se o desafio:
Como poderia o regime de Vladimir Putin trazer mais segurança à Rússia?
O que poderia fazer para minimizar os efeitos do terrorismo?

Dê-me exemplos concretos e comprovados.

PS - Numa coisa está certo: estou a precisar de voltar à Rússia! Infelizmente os meus superiores hierárquicos não vão na cantiga...

Jose Milhazes disse...

Caro Pippo, a conversa comigo faz lembrar o ditado russo: Iatebe o Fome, a ti mne po Ieromine, que se pode traduzir para português: eu falo-lhe de Pedro, mas você vem-me falar de Paulo.
Como você tem acesso à imprensa e ao mundo virtual russo, vá-se mantendo informado, para depois não ser surpreendido.

Jose Milhazes disse...

Caro Pippo, a conversa comigo faz lembrar o ditado russo: Iatebe o Fome, a ti mne po Ieromine, que se pode traduzir para português: eu falo-lhe de Pedro, mas você vem-me falar de Paulo.
Como você tem acesso à imprensa e ao mundo virtual russo, vá-se mantendo informado, para depois não ser surpreendido.