sexta-feira, janeiro 14, 2011

Parlamento retifica Tratado START-3 em segunda leitura, mas com emenda

A Duma Estatal (Câmara Baixa) do Parlamento da Rússia retificou hoje, em segunda leitura, o Tratado com os Estados Unidos sobre a redução dos armamentos estratégicos (START-3).

O tratado recebeu o apoio de 349 deputados, 57 votaram contra e dois abstiveram-se.

Antes, os deputados aprovaram uma emenda que prevê a introdução de seis novos artigos no documento retificativo.

Na emenda descrevem-se as condições impostas pela Rússia para se manter no quadro do tratado ou para sair dele.

Os deputados fixaram no papel a ligação entre o START-3 e o sistema de defesa antimíssil. Se os Estados Unidos realizarem unilateralmente a instalação de sistemas de defesa antimíssil que ameacem a segurança da Rússia, Moscovo abandonará o START-3.

O Congresso norte-americano, no processo de retificação do tratado, aprovou uma emenda onde se fixa não existir ligação entre a redução de armamentos estratégicos e a instalação de sistemas de defesa antimíssil.

“As conversações sobre a redução de armas nucleares táticas só poderão realizar-se tendo em conta a realização do Tratado START, bem como outros parâmetros que influem na estabilidade estratégica no mundo”, declarou Serguei Lavrov, ministro russo dos Negócios Estrangeiros, ao discursar perante os deputados.

Além disso, a emenda prevê, em conformidade com o nível das necessidades das forças nucleares estratégicas da Rússia, o financiamento de trabalhos com vista à manutenção da base de investigação e produção, à segurança durante a liquidação de armamentos estratégicos ofensivos e ao cumprimento do Tratado START.

A Duma Estatal encarrega o Presidente da Rússia de, após a entrada em vigor do tratado, elaborar um programa de desenvolvimento das forças nucleares estratégicas do país e o Governo de informar anualmente sobre o estado do complexo nuclear russo.

O Governo deverá também informar a Duma sobre a instalação de sistemas de defesa antimíssil por outros países, a sua influência no potencial das armas nucleares estratégicas da Rússia e as possíveis ameaças à segurança nacional da Rússia no caso de aparecimento de novos tipos de armas ofensivas de alcance estratégico, bem como da instalação de armas no Espaço.

A Duma Estatal retificou o START-3, em primeira leitura, no dia 24 de dezembro de 2010. A votação da terceira e última leitura está marcada para 25 de janeiro.

O Tratado de Redução dos Armamentos Nucleares Estratégicos foi assinado em abril do ano passado pelos presidentes russo e norte-americano, Dmitri Medvedev e Barack Obama.

Este acordo prevê a redução da quantidade total de munições nucleares em um terço, até 1 550, em comparação com o Tratado de Moscovo de 2002, e diminui duas vezes o número máximo de portadores estratégicos.

11 comentários:

Joao Freitas disse...

É pena que a notícia não informe mais claramente sôbre as medidas previstas no tratado que me parece importante ao traçar uma direcção sôbre o entendimento internacional em matéria de armamento nuclear.O assunto passa quase despercebido em Portugal.

FAB FLANKER disse...

Caros...
Este tratado - o START - é um tiro no próprio pé, tanto da Rússia tanto dos Estados Unidos.

Será uma excelente notícia para Pequim, que á partir deste tratado terá a sua frente as portas abertas para invadir Taiwan e impor todos os seus interesses no leste asiático, e que irá pavimentar a estrada para a China virar a mais nova super potência, impondo seus ideais comunistas em todo mundo!

Jose Milhazes disse...

Caro leitor João, se consultar o arquivo deste blogue, encontrar numerosos textos sobre o tema.

PortugueseMan disse...

Este tratado com estas emendas todas de ambos os lados, é um tratado condenado a morrer em breve.

Como ambos os lados não se entendem, o acordo não foi possível e em vez de dizerem ao mundo que não existe acordo para a redução de armas nucleares, fazem esta operação cosmética.

É um tratado sem validade nenhuma. O que só pode significar que ambos os lados vão investir em novas armas.

Enfim, caminhamos para um conflito entre grandes potências e as pessoas nem dão por isso.

Jose Milhazes disse...

Caro PM, estou plenamente de acordo consigo, só espero que se possível evitar um grande conflito.

PortugueseMan disse...

Caro JM,

À medida que os anos passam estou cada vez mais pessimista.

Ou a Humanidade encontra uma forma de energia que realmente possa substituir o petróleo, ou em breve (uma, duas décadas) teremos um conflito de largas proporções. Com as actuais taxas de crescimento a nível mundial, temos pessoas a mais e a consumir energia de uma forma assustadora, ambos vão necessitar de ser reduzidos e acho que vamos ver isso acontecer de forma trágica.

PortugueseMan disse...

Caro JM,

Mais um importante passo para a Europa/Rússia na àrea espacial:

2011 to be 'revolution' for Europe in space - ESA

Europe is set for a space "revolution" in 2011 when two new types of rocket join its launch pad in French Guiana, European Space Agency (ESA) boss Jean-Jacques Dordain said on Friday.

ESA's Ariane 5 heavy launcher is to be joined at Kourou this year by a tried-and-tested workhorse of space, Russia's medium-sized Soyuz, and by a new European-designed rocket, Vega, for small payloads.

"2011 will be the year of the launchers," Dordain said at a press conference at ESA headquarters.

"We will go from having one launcher to having three. It will transform our capacity."...

..."By the end of 2011, ESA will not look like it does today. It is a revolution for Europe."

The Ariane 5 can place up to 9.5 tonnes in low Earth orbit, while the capacity of Soyuz is rated at three tonnes and that of Vega at 1.5 tonnes...


http://www.google.com/hostednews/afp/article/ALeqM5gwDU5cLXziYBLuvpldnzvoov8UEA?docId=CNG.ae397daff87cc1e47b63c5af72d5b9ae.151

Para a Rússia é mais passo positivo, os foguetes Soyuz fazem parte da estratégia europeia e é interessante ver ser incluido os russos.

Os europeus vão ter uma gama de foguetões disponíves, para cargas pesadas (Ariane-5), médias (Soyuz) e pequenas (Vega).

E repare quem vai lançar os primeiros satélites do sistema GPS Europeu, os Soyuz russos.

Repare JM, é uma àrea onde ambos se estão a dar muito bem em parceria e é de facto positivo para todos.

FAB FLANKER disse...

E não se esqueçam da guerra que irá ocorrer pelos recursos no Ártico!

Irá ser de grandes proporções... Canadá, Estados Unidos, Dinamarca, Noruega e Rússia vão disputar estes recursos com tudo o que tem!

A Rússia precisa de novos navios quebra-gelo de propulsão nuclear, e submarinos de ataque de propulsão nuclear!

Somente com estes meios, a Rússia poderá garantir sua presença no Ártico...

Quem viver verá!

Pippo disse...

"A Duma Estatal retificou o START-3, em primeira leitura, no dia 24 de dezembro de 2010. A votação da terceira e última leitura está marcada para 25 de janeiro."

JM, a Duma "rectificou", de facto, mas antes disso havia "ratificado" o Tratado, e acho que foi isso que v. tentou escrever...

Quanto ao Tratado, da forma díspar como as parte o encaram, não lhe auguro um longo futuro. Ao primeiro deslize norte-americano (e é só esperar por umas próximas eleições), os russos rasgarão o papel.

MSantos disse...

A cimeira de Lisboa já era.

Palavras vãs e boas intenções levadas pelo vento.

Cumpts
Manuel Santos

Anónimo disse...

Enquanto isso a China vai somando pontos. Robert Gattes reagiu com arrogância, nada satisfeito ao saber que o caça de 5ª geração J-20 já está a equipar a Força Aérea Chinesa "equivalente ao F-22 Raptor, com melhor perfomance em tecnologia Stealth".
O segredo é a alma do negócio.