terça-feira, fevereiro 22, 2011

Quem serão "eles"?



O Presidente da Rússia, Dmitri Medvedev, que realizou hoje uma visita inesperada ao Cáucaso do Norte, declarou que existe o perigo de desintegração em “pequenos estilhaços” de uma série de países do Médio Oriente e de chegada de fanáticos ao poder.
“Olhai para a situação criada no Médio Oriente e no mundo árabe, ela é gravíssima, virão dificuldades muito grandes”, declarou ele numa reunião extraordinária do Comité Antiterrorista Nacional, realizada em Vladikavkaz, capital da Ossétia do Norte.
Segundo ele, “em alguns casos, pode tratar-se da desintegração de grandes Estados densamente povoados, da desintegração desses países em pequenos estilhaços”.
“E esses Estados são muito complexos, é bem provável que ocorram acontecimentos muito complicados, incluindo a chegada de fanáticos ao poder. Isso significará conflitos prolongados e a disseminação do extremismo, é preciso olhar para a verdade de frente”, acrescentou.
Dmitri Medvedev sublinhou que “eles antes prepararam esse cenário para nós, tanto mais irão tentar realizá-lo agora. Em qualquer dos casos, esse cenário não passará”.
Medvedev não precisou quem são “eles”.
O dirigente russo exigiu dos serviços secretos “o extermínio dos bandidos através do desferimento de golpes preventivos”.
“Esses monstros não fazem cerimónia com mulheres e crianças e não devemos ter dó deles”, disse ele, defendo a necessidade de continuar a “desferir golpes contra as suas tocas”.
“Não se trata de ações de vingança em relação aos terroristas. É preciso julgá-los, mas se oferecerem resistência, devem ser implacavelmente destruídos”, precisou.
“É preciso levar esse trabalho até ao fim, não se pode parar”, frisou.
Medvedev recordou que, em 2010, “foram liquidados 320 bandidos, incluindo mais de 40 cabecilhas, e mais de 600 foram julgados”.
O Presidente russo deixou também claro que a redução de agentes da polícia prevista não irá afetar o Cáucaso do Norte, região da Rússia onde atua uma guerrilha separatista islâmica.

12 comentários:

Anónimo disse...

A Rússia, Belarus e Cuba deverão ser o próximo alvo da fúria do povo.


Tomara que estes regimes criminosos não demorem muito a cair...

MSantos disse...

Todos nós sabemos quem são "eles".

O problema é que nenhum chefe de Estado se deveria expressar nestes termos.

De vez em quando o amadorismo e ingenuidade gritantes de Medvedev vêm ao de cima.

Cumpts
Manuel Santos

Anónimo disse...

"Rússia critica uso da força contra a população civil"


O Ministério de Assuntos Exteriores da Rússia tachou nesta quarta-feira de "inaceitável e merecedor de condenação" o uso da força contra a população civil em uma declaração sobre as revoltas no Oriente Médio e no norte da África.



A RÚSSIA, A CIVILIZAÇÃO QUE MAIS MASSAROU O PRÓPRIO POVO (DEPOIS DOS CHINESES, É CLARO) CONDENANDO VIOLÊNCIAS ESTATAIS CONTRA CIVIS?

kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk



Em tempo: Em Angola a coisa já começou a feder.

Rússia, tua hora chegará...

Jose Milhazes disse...

O leitor António Campos, desvendou a questão juntando às declarações de Medvedev às de Igor Setchin, vice-primeiro-ministro russo, que acusou o Google de estar por detrásI dos acontecimentos no Egipto. Igor Sechin disse ao Wall Street Journal: "Vejam o que fizeram no Egipto, aqueles gestores de topo do Google, as manipulações da energia ..."

Pippo disse...

JM, duvido que quem esteja por detrás destas revoluções sejam os "Administradores do Google".
Poderemos, sim é responsabilizar os senhores que têm gerido as economias nacionais e internacionais que originaram as presentes recessões económicas e que levaram as pessoas à rua protestar.

A questão discutida por Medvedev é outra. Ele anuncia aos eventuais aspirantes a revoltosos, estilo Maria José Nogueira Pinto ("eu sei que você sabe que eu sei que você sabe que eu sei"), que não só ele não terão sorte nehhuma como "ele sabe" quem está por detrás dese pessoal.

Ora, a oposição anti-Putin, e sobretudo a oposição anti-Lukashenko, recebe fortes apoios, nomeadamente económicos, do Ocidente.

Claro que isto não se trata de ingerência nos assuntos internos de outros países! Longe de mim sugerir tal coisa!
Ingerência seria, por exemplo, se a Rússia apoiasse um candidato na Ucrânia. Isso seria ingerência da mais condenável!
Em contrapartida, se forem países da UE, ou os EUA, a apoiar determinados partidos políticos na Ucrânia, Bielorrússia ou Rússia, a isso chama-se "promoção da Democracia".

E como nós sabemos, mesmo em Democracia, não há almoços grátis.

Anónimo disse...

hehehe... Eles estao morrendo de medo! Todos os tiranos do mundo estao estremecendo com as revolucoes que ocorrem no mundo árabe, eles sentem que está chagando sua hora! Viva a Liberdade! Viva a Democracia Ocidental!

Jose Milhazes disse...

Caro Pippo, se Medvedev tiver em vista a oposição liberal, isso é mais concreto do que o Google, não sei se é mais perigosa.
Quanto ao apoio financeiro externo, eu estou de acordo consigo que ele existe, mas é muito mal empregue.

Pippo disse...

Claro que existe apoio financeiro externo, mas a questão é se deveria existir. Na minha opinião, tal deveria ser terminantemente proibido, seja em que país for, pois a isso dá-se um nome: ingerência.

Ora, todos nós sabemos que de boas intenções está o inferno cheio, e os apoios externos às "democracias" deram no que deram, veja-se o belo exemplo do "mui democratico" Saakashvili.

Relativamente à circulação da informação, tanto quanto sei cada vez mais russos têm internet. Ora, eu não sei é se, apesar disso, eles querem voltar à tal democracia dos anos 90. Penso que não. Gato escaldado...

E penso ser por isso que o Putin tem tantos votos: não por controlar os meios de comunicação, mas por não haver alternativas credíveis e que não "beneficiem" de "apoios internacionais" (ou seja, que não sejam meros clientes do estrangeiro).

António disse...

Daron Acemoglu, professor de economia no MIT, está a produzir um artigo que promete ser extremamente interessante sobre o efeito das redes sociais em problemas de acção colectiva. A sua opinião é a de que “e uma questão de coordenação de pontos de vista. […] O protesto contra um regime autoritário é um exemplo perfeito deste tema, uma vez que os oponentes de um ditador precisam de saber que os seus pontos de vista são partilhados por muitos e que um número suficiente de indivíduos estão dispostos a juntar-se a eles para fazer com que a oposição valha a pena […] “Preciso saber se outros concordam comigo e estão dispostos a agir”[…] O que realmente impede as pessoas oprimidas por um regime de protestar é o medo de fazerem parte de um protesto falhado. Quando se vive num regime deste tipo, o medo das consequências de se participar em protestos e o regime não mudar é enorme.”

Aliás, a Bielorrússia tornou-se num exemplo clássico desta mecânica, e os meus contactos no país confirmaram-mo de forma bastante vocal.

É por isso que gente como Lukashenka e Putin concentram tantos esforços em atomizar os protestos e os opositores, agindo de forma certeira sobre a necessária coordenação dos mesmos, uma vez que sabe que na descoordenação dos descontentes reside a chave para a sua eliminação.

Ao final do dia, a internet está a tornar-se numa espécie de “sociedade civil virtual” em países onde os governos totalitários tudo fazem para que esta não exista ou tenha qualquer poder. Daí que os Siloviki estejam borrados de medo que esta forma de coordenação, que acaba por ser um substituto da sociedade civil, mine os seus esforços de estilhaçar qualquer oposição.

Já agora, segue o link da entrevista completa de Sechin, que vale a pena ler, quanto mais não seja para testemunhar em primeira mão comentários tão ou mais hipócritas e pegajosos do que vai sendo habitual ler neste blog. Bastante educativo.

http://online.wsj.com/article/SB10001424052748704476604576158140523028546.html?KEYWORDS=Igor+Sechin

António Campos

MSantos disse...

Como habitualmente subscrevendo a 200% os comentários do Pippo apenas acrescentaria que estaremos cá para ver as "maravilhosas e esperançosas democracias liberais" que os Twitters, Facebooks e afins vão trazer aos árabes, patrocionadas por esses grandes "visionários, iminentes catedráticos, Think tanks" e outros donos da verdade, que moldando o nosso pensamento, nos conveceram desde há 20 anos atrás que hoje viveríamos no melhor dos mundos possíveis.

Seria só rir.
Se não fosse caso de chorar...

Cumpts
Manuel Santos

Pippo disse...

Em complemento do comentário do António, saliente-se que a internet já se tornou a verdadeira “sociedade civil virtual”, a nova forma de contra-poder, a nova Assembleia política, nos países "democráticos" onde os partidos, em conluio com o poder económico, transformam a soberania popular em império partidocrático e por isso perdem, a cada dia que passa, a sua legitimidade.

A diferença em relação aos países onde não há liberdade de expressão, como boa parte dos do Médio Oriente e Norte de África, é que nas democracias as pessoas "libertam pressão" ao discutir e protestar, enquanto que naqueles países a pressão acumulou-se durante anos. Essa é uma das razões das revoltas explosivas que se iniciaram com uma auto-imolação pelo fogo por parte de um desempregado tunisino a quem foram negados os direitos básicos à sobrevivência...

Francisco Lucrecio disse...

Algumas questões mais que desejo colocar sobre este assunto.

Mas os tiranos, ditadores, déspotas, opressores que reduziram as populações desses países à miseria, injetaram-lhe o fanatismo religioso, que torturaram e assassinaram opositores, mantinham(mantém) milhares de presos politicos nos carceres, desses países do Medio Oriente e Magreb hoje em convulsão. Não eram todos membros da I N (Internacional Socialista? Não eram recebidos de braços abertos nos congressos dessa tal IN?

Kadafi não montou sempre a tenda onde muito bem lhe apeteceu?
Parte do roubo e saque que esses dirigentes praticavam nos seus países não eram muito bem aceites como investimentos na economia Europeia?

Portanto hoje antes de se repudiar a actuação desses tais dirigentes há que fazer um acto de mea culpa da parte daqueles que os apoiaram e sustentaram nos seus lugares durante tantos anos como nada de anormal se estivesse a passar.

Por isso aqueles que na Europa assobiavam para o lado também são responsáveis por esta situação.

Quanto à Rússia não creio que venham a acontecer protestos idênticos da parte da população Eslava. A suceder , o perigo reside no Cáucaso e nas etnias que professam o Islamismo, ou talvez ainda no Trans-Balkhash , onde já começaram a aparecer sinais de separatismo sérios.

No entanto os actuais dirigentes Russos têm sabido gerir essa questão com alguma habilidade, atirando umas etnias contra outras, o caso do Cáucaso . Vamos ver por quanto tempo mais conseguem controlar a situação.

Porque o conflito “longínquo” dentro das fronteiras Russas absorve imensos recursos, e o dinheiro começa a escassear, na medida em que já foi atingido o limite para a exploração dos recursos naturais. E a economia Russa está totalmente dependente da venda de matérias primas, além disso a produção interna estagnou, enquanto a procura tem aumentado, por esse facto os bens produzidos no país já não cobrem 50% do consumo interno sequer.

Portanto a conclusão a tirar daqui. Primeiro; os dirigentes Russos actuais nunca vão deixar de encaminhar o grosso das receitas para as áreas onde reside a sua base de sustentação, como têm feito até aqui, Moscovo e região adjacente (onde já ficam cerca de 80% das receitas deixadas no país).
Segundo; com esta politica de abandono das regiões periféricas as condições de vida das populações continuam a degradar-se e os conflitos em vez de acalmarem agravam-se, aumentando ainda mais o descontentamento.

Depois muito bem pode vir Medvedev alardear que mata os “bandidos” onde se encontrem, porque o que ele está a fazer é a assassinar inocentes que não aguentam a miséria e a exclusão em que vivem.

Cump.....