terça-feira, março 01, 2011

O homem que mudou o mundo faz 80 anos



O 80º aniversário de Mikhail Gorbatchov, primeiro e último Presidente da União Soviética, que se celebra no dia 02 de Março, é mais uma vez motivo para a discussão do papel desse político na história russa e mundial.
A principal cerimónia: “Mikhail Gorbatchov, o homem que mudou o mundo”, terá lugar no Royal Albert Hall Londres no dia 30 de Março, com a participação de Isabel II, raínha de Inglaterra, bem como conhecidas figuras do mundo artístico e musical ocidental. O preço do bilhete de entrada na festa varia entre 50 e 100 mil euros.
O próprio Gorbatchov anunciou que essa cerimónia visa juntar meios financeiros para ajudar crianças doentes com leucemia, doença que ceifou a vida de sua esposa, Raísa Gorbatchova.
Porém, os seus adversários na Rússia consideram que isso é feito para fugir do país que destruiu: a URSS.
“Essa iniciativa recorda uma vez mais que tudo o que ocorre de mal no país acontece quando as forças armadas e os serviços secretos ficam mais fracos. É pena que não haja nenhum patriota como Lugovoi, que lhe prepare um chãzinho”, declarou Serguei Abeltsev, deputado ultranacionalista do Partido Liberal-Democrático da Rússia.
Segundo a polícia britânica, Andrei Lugovoi, agente dos serviços secretor russos, envenenou com polónio dissolvido em chã outro antigo espião russo, Alexandre Litvinenko.
Os comunistas não lhe perdoam fatos como a “destruição da União Soviética”, a “dissolução do Tratado de Varsóvia”, o “fim do socialismo”.
Anatoli Lokot, um dos dirigentes do Partido Comunista da Federação da Rússia, afirma: “Ele, inicialmente, levou a uma crise económica e, depois, ao caos político. Não é por acaso que ele comemora o seu aniversário não em Moscovo, ou em Stavropol [terra natal], mas em Londres. Ele não faz falta a ninguém aqui”.
E nem sequer os liberais russos lhe poupam críticas, embora reconheçam que sem ele não existiria liberdade na Rússia.
Vladimir Milov, um dos dirigentes da organização liberal “Solidariedade”, recorda que foi Gorbatchov que “organizou as primeiras eleições livres, cuja maioria dos deputados foi imposta pelo Partido Comunista”,  que “não tinha vontade de realizar reformas económicas reais”.
“Porém -, acrescenta ele -, as mudanças de Gorbatchov ensinaram-nos a pensar e agir livremente. Isso vale muito e nenhum Putin conseguirá tirar-nos”. 
Mikhail Gorbatchov foi eleito secretário-geral do Partido Comunista da União Soviética em Abril de 1985 e deu início a toda uma série de reformas, que entraram na história com os nomes de “perestroika” (reestruturação) e “glasnost” (transparência), no plano interno, e “novo pensamento” no plano externo.
“Gorbatchov veio trazer-nos a liberdade e melhorar a nossa vida. Não é um fato que ele sabia o que fazia, mas o resultado não foi mau. Ele realizou um salto colossal, renovou o país sem sangue e violência”, considera Piotr Aven, antigo ministro e hoje presidente do Alfa-Bank.
Nos últimos tempos, o antigo dirigente soviético não tem poupado críticas do dueto Vladimir Putin/Dmitri Medvedev, acusando-os de tentarem eternizar o seu poder.

7 comentários:

MSantos disse...

Alguém que reune a antipatia de liberais, comunistas, oligarquia do poder, só poderia ter a minha simpatia mesmo.

Algo que já se sabia.

Cumpts
Manuel Santos

MSantos disse...

E já agora não terá sido Margaret Tatcher? Ronald Reagan? Karol Woitjola? Lech Walesa?

É que nos últimos 20 anos todos estes que aproveitaram os novos ventos da História têm sido anunciados como os grandes protagonistas.

Cumpts
Manuel Santos

Ruben disse...

É interessante notar que a opinião dos russos sobre Mikhail Sergeyevich Gorbachyov (Михаил Сергеевич Горбачёв) costuma ser diametralmente oposta àquela de pessoas de outros países.
Na Rússia ele é considerado por muitos como o responsável pela morte do comunismo, ie, o "Estado-Pai" de que todos cuidava e a ninguém deixava faltar trabalho ou dinheiro, por pouco que fossem ambos.
Mas é dele a frase: "Muitos de vocês consideram os mecanismos do livre mercado como a solução de seus problemas em lugar do planejamento [pelo estado]. Alguns de vocês consideram o mercado como um salva-vidas para a economia. Porém, camaradas, não devemos pensar em salvas-vidas mas sim na nave, e esta é o socialismo".

Anónimo disse...

Um agradecimento ao homem, por ter dado uma ajudinha a mais para o fim do comunismo genocida.

o russo disse...

Tal como acontece com o comunismo no papel, as sua intenções eram boas, mas na realidade foi o que se viu. Quis fazer alterações politicas, económicas e sociais, tudo ao mesmo tempo, e com isso acabou por deixar a Rússia pior do que na era comunista. E é devido a isso que o comunismo ainda mantêm muitos seguidores.

Roman disse...

Ruben disse...
É interessante notar que a opinião dos russos sobre Mikhail Sergeyevich Gorbachyov (Михаил Сергеевич Горбачёв) costuma ser diametralmente oposta àquela de pessoas de outros países...
É mesmo curioso, mas é assim porquê? Será que os russos são como crianças sem bom senso (em comparação com as pessoas de outros paises)? Ou têm pouca consciência? Ou são simplesmente burros? Não. Há mais uma hipótese. Ele realmente não fez nada de bom para o povo russo. Ou seja, tudo o que ele podia fazer de mal, ele fez. Independentamente das suas intenções. O facto de alguns conseguirem tirar as vantagens da política distrudora dele não o justifica. Mas para o Ocidente ele é heroi, claro! Quem teria dúvidas.

António disse...

Será que mudou?...