sexta-feira, maio 20, 2011

Blog do Leitor (A Rússia e a China desafiam a NATO)


Texto enviado pelo leitor Pippo:



19.Mai.11
A intervenção ocidental na Líbia poderia ser apenas a ponta do iceberg, e o que está em desenvolvimento poderá constituir uma geoestratégia orientada no sentido de perpetuar a dominação histórica do Ocidente sobre o Médio Oriente na era posterior à Guerra Fria. E interligado com este processo está o precedente extremamente preocupante de uma acção militar da NATO sem um mandato específico da ONU.
Esperava-se que as consultas do Ministro do Estrangeiros chinês Yang Jiechi em Moscovo, no decurso do fim-de-semana, preparassem a visita do presidente Hu Jintao à Rússia no próximo mês. Mas acontece que, afinal, se revestiram de um carácter de imensa importância para a segurança internacional.
Os continuados esforços russo-chineses para “coordenar” a sua posição sobre temas regionais e internacionais evoluíram para um nível qualitativamente novo no que diz respeito à situação em desenvolvimento no Médio Oriente.
A agência oficial de notícias russa utilizou uma expressão pouco usual –“estreita cooperação”- para caracterizar o novo modelo a que conduziu a sua coordenação de políticas regionais. Isto tenderá a colocar perante um forte desafio a agenda unilateralista do Ocidente no Médio Oriente.
A visita de Hu à Rússia tem lugar, em princípio, para assistir de 16 a 18 de Junho ao desenrolar do Fórum Económico Internacional, que o Kremlin está cuidadosamente a coreografar como um acontecimento anual no estilo de um “Davos da Rússia”. Ambos os países estão muito entusiasmados face à possibilidade de a visita de Hu constituir um momento crucial na cooperação energética entre China e Rússia.
O gigante russo da energia, Gasprom, espera bombear anualmente para a China 30.000 milhões de metros cúbicos de gás natural até 2015, e as negociações sobre os preços estão numa etapa avançada. Os funcionários chineses sustentam que as negociações, agora paradas, se concluíram com um acordo por ocasião da chegada de Hu à Rússia.
Naturalmente, quando a economia importante de mais rápido crescimento no mundo e o maior exportador de energia do mundo chegam a um acordo, o assunto tem maior alcance do que um acordo de cooperação bilateral. Haverá inquietação na Europa, que tem sido historicamente o principal mercado da Rússia para a exportação de energia, devido ao facto de que surja um “competidor” a Oriente e que o negócio energético do Ocidente com a Rússia possa ter a China como “sócio comanditário”. Esta mudança de paradigma potencia uma transferência das tensões Este-oeste acerca do Médio Oriente.


Posição idêntica


O Médio Oriente o Norte de África acabaram por ser o tema central das conversações em Moscovo de Yang com o seu anfitrião Sergei Lavrov. A Rússia e a China decidiram trabalhar juntas para enfrentar os problemas que decorrem da agitação no Médio Oriente e no Norte de África. Disse Lavrov: “Acordámos em coordenar as nossas iniciativas utilizando as capacidades de ambos os Estados com o fim de ajudar à estabilização mais rápida que for possível e à prevenção de mais consequências negativas imprevisíveis na zona”.
Lavrov disse que a Rússia e a China têm uma “posição idêntica” e que “qualquer nação deveria determinar o seu futuro de forma independente, sem interferência externa”. É presumível que os dois países tenham agora acordado uma posição comum de oposição a qualquer iniciativa da NATO no sentido de realizar uma operação terrestre na Líbia.

Até agora, a posição russa tem sido de que Moscovo não aceitará que o Conselho de Segurança da ONU atribua mandato à NATO para uma operação terrestre sem uma “posição claramente expressa” de aprovação desse mandato por parte da Liga Árabe e da União Africana (da qual a Líbia faz parte).
Existe, evidentemente, um “défice de confiança” neste caso, que se torna cada dia mais inultrapassável a menos que a NATO decida um cessar-fogo imediato na Líbia. Dito em poucas palavras, a Rússia já não confia em que os EUA e os seus aliados da NATO sejam transparentes acerca das suas intenções no que diz respeito à líbia e ao Médio Oriente. Há alguns dias Lavrov falou longamente sobre a Líbia em entrevista ao canal de televisão russo Tsentr. Exprimiu grande frustração face à ambiguidade e aos subterfúgios com que o Ocidente interpreta unilateralmente a Resolução 1973 da ONU, de modo a fazer praticamente tudo o que lhe apetece.
Nessa entrevista Lavrov revelou: “Chegam-nos relatórios acerca da preparação de uma operação terrestre [na Líbia] que sugerem que os planos correspondentes estão em desenvolvimento na NATO e na UE”. Deu a entender publicamente que Moscovo suspeita de que o plano dos EUA seria evitar a necessidade de um contacto com o Conselho de Segurança para obter mandato para operações terrestres da NATO na Líbia e, em vez disso, pressionar o secretário-geral da ONU Ban Ki-Moon no sentido de obter de que este “solicite” à aliança ocidental a disponibilização de escoltas para a missão humanitária da ONU, utilizando essa “solicitação” como cobertura para dar início a operações terrestres.
A posição pública da Rússia e da China impediria os funcionários do secretariado de Ban Ki-Moon de facilitarem sub-repticiamente, por portas travessas, uma operação terrestre da NATO. Ban visitou Moscovo recentemente e alguns relatos russos sugeriram que “levou uma descompostura” pela forma como dirige a organização mundial. Um perito comentador moscovita escreveu com contundente sarcasmo:
Há muitas maneiras de dizer politicamente a um convidado, por conta própria e por conta dos próprios parceiros internacionais: “Não estamos muito satisfeitos com o seu desempenho, estimado senhor Ban”. É usual que nem sequer sejam necessárias palavras nestes casos. É óbvio que o secretário-geral aprecia o romantismo revolucionário das guerras civis e que apoia os combatentes pela liberdade em geral. Em resultado disto, aparece com frequência ao lado dos arqui-liberais da Europa e dos EUA.


Todavia, o secretário-geral da ONU não deveria adoptar posições políticas extremas, e muito menos deveria alinhar com a minoria dos Estados membros da ONU no que diz respeito a este tema, como fez nos casos da Líbia e da Costa do Marfim. Não é para isso que foi eleito. A questão não reside em obrigar o senhor Ban a mudar de posição ou de convicções, mas em procurar que ajuste ligeiramente a sua visão no sentido de uma maior neutralidade.
Moscovo e Pequim parecem encarar o denominado Grupo de Contacto Líbia (formado por 22 países e seis organizações internacionais) com muitas reservas. Referindo-se à decisão de grupo, na sua reunião de Roma na 5ª feira passada, de disponibilizar de imediato um fundo temporário de 250 milhões de dólares como ajuda aos rebeldes líbios, Lavrov afirmou de forma cáustica que o grupo “intensifica os seus esforços no sentido de desempenhar um papel dirigente na definição da política da comunidade internacional em relação à Líbia”, e advertiu de que deveria evitar “tentar substituir-se ao Conselho de Segurança das Nações Unidas, ou tomar partido por uma das partes”.
Converteu-se em motivo de inquietação para Moscovo e Pequim que o grupo de contacto evolua gradualmente para um verdadeiro processo regional, marginalizando a ONU, com a finalidade de formatar o levantamento árabe em moldes que se ajustem às estratégias ocidentais. O grupo de Estados do Conselho de Cooperação do Golfo (e da Liga Árabe) que está presente no grupo de contacto permite que o Ocidente proclame que o processo constitui uma voz colectiva de opinião regional. (Ironicamente, a França convidou a Rússia a unir-se ao grupo de contacto).
Ponta do iceberg
Na conferência de imprensa com Yang em Moscovo na passada 6ª feira, Lavrov foi directo ao essencial: “O grupo de contacto estabeleceu-se por sua conta. E agora arroga-se a responsabilidade pela política da comunidade internacional em relação à Líbia. E não apenas em relação à Líbia, temos ouvido apelos a que este grupo decida o que fazer em outros Estados da região”. O que preocupa a Rússia no imediato é que o grupo de contacto poderia estar-se deslocando em direcção à Síria no sentido de realizar também nesse país uma mudança de regime.
A China tem sido até agora muito diplomática no que diz respeito ao tema da Líbia e tem deixado à Rússia o papel de por em respeito o gato ocidental, mas começa a tornar-se cada dia mais eloquente. Yang foi bastante directo na conferência de imprensa em Moscovo na sua crítica à intervenção ocidental na Líbia. Há apenas três semanas o Diário do Povo comentou que a guerra na Líbia estava em ponto morto; o regime de Muhamar Khadafi tinha mostrado a sua resistência e a oposição líbia foi sobrestimada pelo Ocidente. Comentou o jornal
“A guerra líbia converteu-se numa situação delicada para o Ocidente. Primeiro, o Ocidente não pode permitir-se a guerra, económica e estrategicamente… A guerra sai demasiado cara aos países europeus e aos EUA, que ainda não saíram completamente da crise económica. Quanto mais tempo dure a guerra, mais os países do Ocidente se verão em desvantagem.
“Segundo, o Ocidente vai deparar-se com muitos problemas militares e legais… Se o Ocidente prossegue o seu envolvimento será visto como tendo optado por uma das partes… No que diz respeito às operações militares, os países ocidentais vão ter que enviar forças terrestres para depor Khadafi… Isso vai muito para além do âmbito da autoridade das Nações Unidas, e é provável que repita os erros da Guerra no Iraque… Numa palavra, a solução militar para o problema da Líbia chegou ao limite e há que colocar a solução política na agenda.”
As conversações de Yang em Moscovo significam que Pequim já se deu conta que o Ocidente está determinado em aguentar, custe o que custar, a delicada situação, fazer com que se “tranquilize” seja a que preço for e depois consumir os resultados sem compartilhar com ninguém. Por conseguinte, parece haver uma revisão da posição chinesa e uma aproximação à da Rússia (a Rússia tem sido muito mais abertamente crítica em relação à intervenção ocidental na Líbia).


Moscovo poderia ter incentivado Pequim a perceber o que se avizinha. Mas o argumento decisivo parece ser o crescente sentimento de intranquilidade em relação ao que está em causa. A intervenção ocidental na Líbia poderia ser apenas a ponta do iceberg, e o que está em desenvolvimento poderá constituir uma geoestratégia orientada no sentido de perpetuar a dominação histórica do Ocidente sobre o Médio Oriente na era posterior à Guerra Fria. E interligado com este processo está o precedente extremamente preocupante de uma acção militar da NATO sem um mandato específico da ONU.
Desde então, Lavrov e Yang participaram em Astana numa conferência de ministros de Negócios Estrangeiros da Organização de Cooperação de Xangai (SCO) que negociará a agenda para uma cimeira do organismo regional a ter lugar na capital cazaque em 15 de Junho. A grande questão é se o acordo russo-chinês sobre “estreita cooperação” em relação aos temas do Médio Oriente e o Norte de África irá converter-se em posição comum da SCO. Parece que a probabilidade de que tal suceda é elevada.
*O embaixador M. K. Bhadrakumar foi diplomata de carreira do Serviço Exterior da Índia. Exerceu funções na extinta União Soviética, Coreia do Sul, Sri Lanka, Alemanha, Afeganistão, Paquistão, Uzbequistão, Kuwait e Turquia

18 comentários:

Anónimo disse...

Bravo! Uma peça decalcada de um pasquim online de quinta categoria com ligações ao PCP, que por sua vez o copiou de outro lado qualquer. Estes senhores, munidos do antiamericanismo mais boçal, ainda acreditam que os inimigos dos seus inimigos seus amigos são. Mas como dizia o saudoso Álvaro Cunhal, "olhe que não, olhe que não"...

FAB FLANKER disse...

A aliança dos sonhos! China e Rússia,compartilhando os músculos para nocautear o Ocidente...

Wandard disse...

Pippo,

Parabéns pelo post

Sua análise está corretíssima, afinal só os cegos por conveniência e/ou os eufemistas de carteirinha com as palavras bonitas de democracia, liberdade e proteção aos civis, extensamente vomitadas pela mídia ocidental, podem continuar entoando este cãntico balela. Os interêsses dos países da otan que atacam a líbia tem por objetivo se livrar de kadhafi e colocar a mão no petróleo líbio, antes disso estão destruindo a infraestrutura do país para depois deslocar para lá suas empresas para reconstrução ou seja roubar a Líbia de outra maneira, em breve a tradução da sigla Otan poderá ser feita de outra forma.

Francisco Lucrécio disse...

Anónimo das 19:30; Não estará a fazer uma caldeirada sem dar por isso?

Eu não estou inteiramente de acordo com o que está escrito no artigo, mas muito menos posso concordar consigo porque além de dizer pouco, confunde tudo. Pela sua opinião, mostra que dorme em lençóis com a bandeira Americana?

Por favor leia com atenção o que lá está escrito.

Jose Milhazes disse...

Leitor FF, a China não faz alianças com ninguém. A sua política consiste em utilizar as contradições entre os outros, mas não fazer alianças. Isto é dos livros de História.

MSantos disse...

Neste momento a dita aliança está centrada no seguinte parágrafo:

"Naturalmente, quando a economia importante de mais rápido crescimento no mundo e o maior exportador de energia do mundo chegam a um acordo, o assunto tem maior alcance do que um acordo de cooperação bilateral."

No entanto é provável que se siga um reforço mesmo que pragmático, noutros campos, em particular no campo militar, dado a China ter feito alguns desenvolvimentos neste campo nos últimos tempos e que reorientando o equilíbrio no Oriente, lhe mercerá a crescente hostilização da superpotência dominante.
Em contarpartida e pelos mais diversos motivos a própria Rússia também ela está a ser carregada para esta nova polarização, em particular com o reforço das posições conservadoras nos EUA.

A grande perdedora em todas as frentes mais uma vez é a Europa que vê fugir um gigantesco parceiro comercial que lhe poderia aliviar a crise em muito, a oportunidade de mais "europeização" da mentalidade russa, consequentemente ficando com um vizinho mais benévolo a Leste, um fornecedor próximo e estável de energia e ainda se arriscará a fazer fronteira com um imenso bloco antagónico polarizado por interesses geostratégicos alheios.

Cumpts
Manuel Santos

Francisco Lucrécio disse...

História é uma disciplina que os Chineses dominam na perfeição.

Ou já tivessem eles esquecido as agressões externas a têm sido submetidos. Em particular as humilhações sofridas nos últimos dois séculos.

Gilberto Mucio disse...

«Leitor FF, a China não faz alianças com ninguém. A sua política consiste em utilizar as contradições entre os outros, mas não fazer alianças. Isto é dos livros de História.»

Assino em baixo. Mais pragmática que a diplomacia chinesa não existe.

tomaz disse...

p/ Fab flanker

sonho meu, sonho meu,... hehehe

PortugueseMan disse...

Muito bem Pippo,

Artigo interessante, num tópico que gosto e traduzido para português.

Quanto ao artigo em si eu tenho uma visão ligeiramente diferente dos acontecimentos. Não vejo tanto como a Rússia e a China a desafiar a NATO, vejo sim a NATO a desafiar os avanços efectuados pela China e a Rússia no Continente Africano.

(E sim caro JM, existe uma aliança entre a China e a Rússia, agora depende ao que você considera uma aliança, mas existe de facto um entendimento entre duas grandes potências que partilham um adversário comum. Até onde vai esse entendimento? Só eles sabem.)

Nos últimos anos, tem havido avanços muito grandes por parte da China no acesso aos países energéticos, principalmente devido ao impacto das intervenções dos EUA no Afeganistão e Iraque.

Países energéticos que não se dão bem com os EUA, procuram alternativas que lhes permitam obter uma maior percentagem de ganhos sobre as suas riquezas naturais e não deixar tudo para as grandes companhias Ocidentais.

Ora a China apareceu com dinheiro e oferece melhores condições que o FMI, desde que passem a fornecê-la energeticamente.

A China entrou em força em África e ameaçou os fornecimentos Ocidentais.

A situação ficou mais grave com os recuos das posições Ocidentais ao acesso do Cáspio. A falha da abertura de um corredor através da Geórgia, impede o acesso aos recursos energéticos do Cáspio e Ásia Central, estando esse controlo a ser feito pela Rússia e ainda mais grave a energia está a ser desviada para a China com a abertura de novos pipelines.

Jose Milhazes disse...

Caro PM, a Rússia e a China são concorrentes em África e na América Latina. Veja o caso de Angola. Recentemente, os chineses adquiram um pacote significativo de acções à diamantífera CATOCA (Russo-amgolano-brasileira). O pacote foi vendido aos chineses pelo magnata israelita Lev Levaiev. Posso dizer-lhe que as autoridades russas ficaram furiosas quando souberam do negócio e pensam até recorrer aos tribunais para fazer gorar esse negócio.
A China não precisa de fazer alianças com a Rússia para realizar a sua política angolana. Em vários campos, por exemplo, na venda de armas, são concorrentes.

MSantos disse...

Caro JM

Os antagonismos que refere também se passam nos aliados clássicos ocidentais.
Num mundo de interesses tão diversos e intrincados é literalmente impossível ter alianças puras sem qualquer conflito. E estou de acordo com o que o PM referiu.

Cumpts
Manuel Santos

PortugueseMan disse...

Juntamente com a China a Rússia também avançou. A Rússia na última década cresceu, onde aparece com uma posição negocial mais forte, uma política externa tambem mais forte, uma Gazprom blindada e volta a ser um dos grandes fornecedores de armamento, dando garantias de fornecimentos estáveis. Mudar os fornecimentos para a China é perigoso. Os EUA são a potência militar mais forte do planeta e estão por todo o lado. É necessário fazer as coisas com cuidado, é necessário armas e muito dinheiro. Armas russas e dinheiro chinês são um factor dissuasor. A questão a saber é se são suficientes. A Venezuela foi um dos que enfrentou os EUA e as companhias ocidentais que estavam lá e o resultado foi o embargo de material americano. A força aérea venezuelana era composta por f-16 e acabou por ficar no chão por não ser possível a sua manutenção. Os russos foram rápidos a fornecer novos aviões topo de gama. Será suficiente? Veremos.

Relativamente à Líbia/África gostaria de referir partes de textos que fiz em 2009/2010:

Líbia Vai Gastar Um Bilião de Dólares Em Armas Russas

A Líbia é mais um produtor de energia que começa a investir sériamente no upgrade ao seu armamento. Com o aumento da procura de energia por parte dos países mais industrializados, a agressividade tem aumentado, vários são os países que neste momento estão envolvidos em guerras de modo a obter o controlo dos recursos energéticos. Em resposta, os produtores que ainda não foram envolvidos em conflitos, procuram protecção com grandes investimentos em sistemas defensivos de boa qualidade...

...A Líbia parece prosseguir o mesmo caminho e juntamente com a Algéria, estão a criar uma verdadeira barreira defensiva do outro lado do Mediterrâneo. Com armas russas.


http://portugueseman.blogspot.com/2009/10/libia-vai-gastar-um-biliao-de-dolares.html


China "ataca" mais um fornecedor dos EUA

A China pretende adquirir 6 Biliões de barris de petróleo à Nigéria ou seja um sexto das suas reservas. Esta jogada por parte da China irá uma vez mais colidir com os interesses das companhias ocidentais e mais importante irá perturbar o fornecimento aos EUA, dado que a Nigéria é o 5º maior fornecedor deste país.

E o mais interessante desta jogada é que a China pretende adquirir 23 licenças que estão neste momento nas mãos de companhias ocidentais como a Royal Dutch Shell, a Chevron, a Exxon Mobil e a Total, portanto a China não só obtem mais petróleo para si, como ainda por cima desvia esse mesmo petróleo, pois este actualmente está a ser explorado por companhias ocidentais.


http://portugueseman.blogspot.com/2009/10/china-ataca-mais-um-fornecedor-dos-eua.html

PortugueseMan disse...

Caro JM,

A NATO é uma aliança entre americanos e europeus. Mas isso não impede que exista concorrência. A "guerra" comercial entre ambos os lados do Atlântico é muito grande.

Você verá exemplos semelhantes do que refere entre outros países que têm alianças.

Os países podem fazer concorrência entre si, mas a sua política externa converge e no caso da Rússia/China ela está de facto a convergir, porque ambos ganham com isso. Os chineses precisam de energia e os russos de vender armas. Ambos ganham influência, ambos crescem a nível mundial, veja a posição da Rússia hoje no FMI e veja qual era uma década atrás, por exemplo.

Mesmo a Rússia e os EUA que apontam armas nucleares um contra o outro, que desconfiam um do outro, fazem negócios entre eles. A Boeing tem um departamento de desenvolvimento na Rússia por exemplo e no entanto fazem guerras entre eles usando pequenos paises como a Geórgia.

PortugueseMan disse...

Armamento E Energia: Rússia Avança Em África

Sairam recentemente novas notícias sobre os avanços da Rússia em África. Com o aumento da procura da energia deu início a vários tipos de movimentos, tanto por parte de países produtores como de países consumidores...

...África tem sido uma das àreas a que se tem assistido a várias mudanças, com a entrada em força da China pelo o acesso à energia, DESVIANDO esse energia de outros clientes. Mas estas mudanças são acompanhadas pela necessidade de protecção das opções política tomadas, de modo a tornar caro o assalto às riquezas de um país...

...Foi reportado pelo Stockholm International Peace Research Institute que a venda de armas russas aumentou consideravelmente com a Argélia a liderar o ranking. A Argélia passou a estar na lista dos 10 maiores importadores de armas, ficando em nono lugar.

Para o periodo de 2000-2004, quatro países (Argélia, Líbia, Marrocos e Túnisia) foram responsáveis por 3% do volume global de venda de armas e para o periodo de 2005-2009 assistiu-se a um aumento de 64%...


...Gazprom começou a operar na Argélia, resultado do acordo de 2006, na mesma altura em que se negociou o pacote de armas. A Rússia por troca de protecção, além dos lucros de venda de armas, obtem acesso às reservas energéticas deste país, aumentando ainda mais os lucros e influência russa.

A Argélia, com o aumento da presença russa e chinesa no continente, aumenta a sua capacidade de negociação e decisão o que afecta também os interesses europeus, pois existe o potencial da energia argelina ser desviada para um outro cliente que é o mesmo que dizer a China.

Isto mostra que claramente que a Rússia está a estender tanto seu braço armado como o energético e neste caso num país que é um dos fornecedores da Europa e que curiosamente aquando o conflito Rússia/Ucrânia que deu origem ao corte de gás, em Portugal se disse que não haveria problemas pois o nosso gás vem da Argélia.

Os russos agora, também já lá estão.


http://portugueseman.blogspot.com/2010/03/armamento-e-energia-russia-avanca-em.html


Neste momento estamos a assistir a uma contra-ofensiva por parte da Europa/EUA. África está a ser desviada para a China, Àsia Central também para a China, na América do Sul temos a Venezuela, Bolívia, Brasil, todos onde a China tem um envolvimento crescente. No caso da Argélia, Líbia temos problemas adicionais de segurança, ao serem fornecidos potentes sistemas defensivos e armas anti-navio russas, coloca um risco de segurança acrescido ás frotas que cruzam o Mediterrâneo.

A situação da Líbia poderá ser ainda uma grande incógnita. Penso que a China poderá ter ainda um papel relevante, embora discreto no desenrolar da situação. A China não pode envolver-se militarmente, mas tem dinheiro para financiar o quer que seja e não vai deixar que os seus fornecedores sejam levados sem luta. Guerras feias? temos o Sudão, um dos grandes fornecedores de petróleo da China e um país que só conhece guerras.

Até onde estarão a China e a Rússia dispostos a ir para defender as suas conquistas em terras africanas?

Até onde estarão os EUA e a Europa dispostos a ir para defender o mesmo?

O que sabemos de certeza? que a situação só pode piorar pois a cada ano que passa o mundo cada vez consome mais energia.

Jose Milhazes disse...

Caro PM, eu não questiono os dados que você publica, mas sim a afirmação de que entre a Rússia e a China existe uma aliança em África.

PortugueseMan disse...

Caro JM,

Ninguém falou de aliança em África.

Mas existe algo entre os dois, uma aliança, um acordo, um entendimento(o que lhe quiser chamar), nos países onde ambos têm interesses.

Agora itso não quer que andem de mãos dadas aos beijinhos, cada um tem os seus interesses, os seus objectivos.

O exemplo que você dá não serve para justificar que não existe aliança entre ambos.

Indique-me uma aliança que exista actualmente e arranjo situações semelhantes.

Pippo disse...

"Indique-me uma aliança que exista actualmente e arranjo situações semelhantes."

França - EUA.
São tão amiguinhos que até colaboram no Afeganistão, mas depois na África Negra até se comem!
E vamos lá ver se Portugal e Angola (tão amigos que são!) também não se vão começar a atropelar nos negócios e na política externa. É que Luanda já está a fornecer aconselhamento técnico-militar de primeira categoria à Guiné, e Lisboa a ver...

Portanto, bem entendido, aliança, sim, mas de interesses, e não aliança "formal". E no campo dos interesses, tanto os da China como os da Rússia convergem. E a NATO (EUA+UE) está a ficar para trás.