terça-feira, maio 24, 2011

Corrupção no complexo militar industrial russo - apenas alguns números

Segundo Serguei Fridinski, principal Procurador-Geral Militar da Rússia, um em cada cinco rublos, ou seja 20% do dinheiro investido no complexo militar-industrial russo, desaparece nas areias da corrupção.
Estas declarações foram feitas por ele ao diário Rossiskaia Gazeta ao comentar as razões do falhaço no cumprimento do programa de modernização dos armamentos russos.
Uma das formas é desviar meios para outros fins. Por exemplo, a Fábrica de Rádio de Sarapulski, na Udmutria, não cumpriu quatro contratos porque dos 120 milhões de rublos investidos, 80 % foram para "gastos correntes". Por isso, a produção que devia ter sido entregue em 2009 apenas foi fornecida nos finais de 2010.
Outra forma é o fornecimento de peças "piratas" ou usadas em vez de peças originais e novas.  
Fridinkski pormenoriza: "nos últimos dias, a Procuradoria Militar terminou a inspeção de 275 fábricas de manutenção de aviões, onde os diretores-gerais e seus subordinados, em concluio com os fornecedores, utilizavam, na reparação de aviões, peças e mecanismos velhos e até avariados. Os documentos técnicos foram falsificados. O prejuízo causado foi superior a 90 milhões de rublos e claro que isto não tem  nada a ver com a capacidade de combate ou a segurança dos voos".
Mais um exemplo: "Há vários anos que se viola a lei numa das fábricas de torpedos. Antes, era fornecida produção usada como nova. Estamos a investigar. Agora descobrímos que, quando do fabrico de torpedos, foram utilizadas peças importadas com o prazo de validade ultrapassado e a sua importação era feita sem autorização".

33 comentários:

anónimo_russo disse...

E o que significa tudo isso? Sifnifica que está a acontecer uma reforma militar, onde muitos generais vão perder cargos que ocupam (segundo eu entendo, recentemente alguns já foram demitidos). Ouvi, que alguns analistas consideram que o atual ministro da defesa faz realmente prosseguir a reforma militar e age na direção correta.

Jose Milhazes disse...

Bravo, anónimo russo, Vladimir Putin não teve tempo antes de fazer a reforma militar e travar a corrupção nas forças armadas? Já lá vão 11 anos.

Anónimo disse...

Eu acho que o anónimo russo se deveria chamar anónimo_ pro_soviético...
De certeza que trabalha na embaixada... sempre tãoooo parcial...

anónimo_russo disse...

"Blogger Jose Milhazes disse...

Bravo, anónimo russo, Vladimir Putin não teve tempo antes de fazer a reforma militar e travar a corrupção nas forças armadas? Já lá vão 11 anos."


Eu até esperava, que o sr. Milhazes mensionasse Putin, Putin, Putin... Não podia ser de outra maneira. Mas na Rússia muitos aínda lembram a desordem total dos anos 90, quando inclusive os militares vendiam as armas aos tchetchenos durante a guerra na Tchetchénia. Pelos vistos, fazer alguma coisa é mais dificil que falar na internet.

anónimo_russo disse...

Me refiro à primeira guerra na Tchetchenia, porque no tempo da segunda guerra notava-se já a vontade politica de terminar tudo definitivamente.

PortugueseMan disse...

Caro JM,

Combater a corrupção não é pêra doce e não é só a Rússia que padece disso.

E quanto mais dinheiro existe para determinado sector, mais complicado a coisa se torna e a Rússia tem injectado quantidades crescentes em vários sectores.

Criticar é fácil, resolver as coisas já é outra coisa.

E por muita corrupção que exista, as coisas estão a avançar.

Nem você, nem ninguém pode parar um país, limpar toda a corrupção existente e arrancar de novo. Um país limpinho e a brilhar.

Isso não existe meu caro, em lado nenhum.

Na minha opinião você está a ser demasiado negativo, mas isto já é uma velha questão entre nós.

Jose Milhazes disse...

Caro PM, essa é a justificação dada pelos corruptos. O problema não é a existência de corrupção, pois ela existe em toda a parte, mas o aumento brusco durante os 11 anos em que Putin se encontra no poder. A corrupção na Rússia não diminui, mas aumenta, e isso é reconhecido por muitos dirigentes russos.

PortugueseMan disse...

Volto a discordar consigo.

O aumento da corrupção é porporcional ao aumento do dinheiro disponível.

Quanto mais dinheiro existe disponível, maior é o desvio causado pela corrupção.

Mostre um gráfico sobre a quantidade de dinheiro que está a ser canalizado para os militares por ano e meta um ao lado com os dados da corrupção.

Se quer associar isso à governação de Putin então deve dizer de modo diferente:

"Durante os 11 anos de governação de Putin, ao longo dos quais tem injectado somas cada vez maiores de dinheiro no sector militar, temos assistido a um crescimento dos valores da corrupção"

E meu caro, dizer que a justificação que dei é a justificação dada pelos corruptos, não considero uma afirmação feliz da sua parte.

Jose Milhazes disse...

Caro PM, quanto mais dinheiro há, maior é a corrupção, isso é o que dizem os corruptos. Se assim fosse não existiriam países própsperos, Na Noruega, por exemplo, há muito dinheiro, mas a corrupção é muito baixa. O seu princípio funciona em países terceiro-mundistas, onde a lei não funciona.

António Campos disse...

Mas alguém com uma réstia de honestidade pode ter a desfaçatez de dizer que no Kremlin há uma pessoa que seja interessada em combater a corrupção? Isto até parece uma piada de mau gosto. O advogado Sergei Magnitsky conseguiu reunir provas de que o estado russo estava a ser descaradamente defraudado em centenas de milhões de dólares, dando de mão beijada às autoridades um caso fundamentado que poderia ter desenraizado e punido dezenas de altos funcionários da administração, caso existisse realmente uma “luta contra a corrupção”. Em vez disso, foi encarcerado em condições abjectas, foi-lhe negada assistência médica, o que levou à sua morte, e, opróbrio dos opróbrios, ainda acusado de fraude fiscal depois de morto. No entretanto, ocorreu a maior fraude fiscal da história russa, os criminosos continuam alegremente a enriquecer e a serem promovidos, os funcionários prisionais que causaram a morte de Magnitsky foram condecorados e o caso não suscitou o menor interesse nem de Putin nem de Medvedev, os supostos “paladinos” do combate à corrupção.

Das duas uma: quem tem o descaramento de afirmar que existe uma réstia que seja de combate à corrupção na Rússia ou é totalmente idiota ou pensa que o resto do mundo o é. O que também não faz dessa pessoa alguém particularmente brilhante.

António Campos

PortugueseMan disse...

Meu caro,

O complexo militar russo pela sua dimensão e natureza, quem mais se aproxima dele é o sistema americano.

São dois mastodontes e ambos padecem do mesmo problema.

Há uns anos atrás o GAO (US Government Accountability Office) deu com um buraco de mihares de milhões de dólares no sector militar. Um dos problemas era e é a questão da corrupção, onde muita coisa desaparece, é vendida, perdem simplesmente o rasto.

Nós aqui até a compra de 2 submarinos está a ser alvo de escrutínio, por suspeita de? sempre o mesmo.

A corrupção não é coisa de terceiro-mundista. A maior corrupção é feita com gravata meu caro.

Jose Milhazes disse...

Caro PM, pode-se encontrar justificação para tudo. Continuem assim, vão longe.

Pippo disse...

Para além do óbvio, importa saber o seguinte: esses direCtores-gerais (e subordinados), e os respectivos fornecedores, já foram acusados pela Procuradoria russa?

Quando um alto funcionário da Administração (militar) profere essas declarações, sustentadas em provas, a justiça não pode ficar de braços cruzados. E neste caso, também o poder político, por mais conivente que possa ser, tem de levar o respectivo "safanão". Caso contrário acontece o mesmo que o nosso "caso dos submarinos", que não ata nem desata, com o correspondente descrédito para a classe política envolvida.

anónimo_russo disse...

"Blogger António Campos disse...

Mas alguém com uma réstia de honestidade pode ter a desfaçatez de dizer que no Kremlin há uma pessoa que seja interessada em combater a corrupção? Isto até parece uma piada de mau gosto. O advogado Sergei Magnitsky conseguiu reunir provas de que o estado russo estava a ser descaradamente defraudado em centenas de milhões de dólares, dando de mão beijada às autoridades um caso fundamentado que poderia ter desenraizado e punido dezenas de altos funcionários da administração, caso existisse realmente uma “luta contra a corrupção”. Em vez disso, foi encarcerado em condições abjectas, foi-lhe negada assistência médica, o que levou à sua morte, e, opróbrio dos opróbrios, ainda acusado de fraude fiscal depois de morto."



Se não me engano, depois do caso de Magnitski, foram demitidos vários funcionários altos do sistema penitenciário rússo. Não sei se alguns foram para o tribunal, mas não excluo.

anónimo_russo disse...

" Jose Milhazes disse...
Caro PM, essa é a justificação dada pelos corruptos. O problema não é a existência de corrupção, pois ela existe em toda a parte, mas o aumento brusco durante os 11 anos em que Putin se encontra no poder. A corrupção na Rússia não diminui, mas aumenta, e isso é reconhecido por muitos dirigentes russos."




È um pouco estranho ouvir isso de uma pessóa que viveu na Rússia nos anos 90, especialmente quando se fala do setór militar. Talvez realmente não houvesse simplesmente na altura dinheiro para ser roubado, mas duvido que a corrupção era menor. E admito facilmente, devido ao caos total, que era maior.
Quando Putin aínda era um funcionário desconhecido, coisas misteriosas aconteciam na Tchetchenia que por vezses pareciam muito uma traiçao. Resta saber qeum estava por detras: ou alguns dos generais (claro que havia generais honestos, alguns perderam a vida naquela guerra), ou algum Berezovski (o famoso oligarca, verdadeiro oligarca que estava muito próximo ao poder na altura).

Anónimo disse...

Dr Milhazes,

A corrupção perece ser um câncro no meio militar russo.

Tem este caso, onde tropas do ministerio do interior russo estavam a comer comida de cachorro, segundo o ex-major Igor Matveyev, que provavelmente foi demitido por causa da denúncia:
.
.
http://noticias.uol.com.br/
ultimas-noticias/internacional
/2011/05/20/ex-major-diz-que-
tropas-russas-foram-alimentadas-
com-comida-de-cachorro-para-economizar.jhtm

anónimo_russo disse...

Pippo disse...
"Para além do óbvio, importa saber o seguinte: esses direCtores-gerais (e subordinados), e os respectivos fornecedores, já foram acusados pela Procuradoria russa?"




Se aínda não foram acusados, serão em breve. Segundo eu entendo, começou uma campanha contra a corrupção e ineficácia no ministério da defesa. Se não me engano, Medvedev demitiu recentemente alguns dos generais responsaveis pelo rearmamento do exercito.
Só que o dono do blog por vezes apresenta os dados que mais lhe convêm, e nem sempre descreve a situação em geral.

PortugueseMan disse...

Caro PM, pode-se encontrar justificação para tudo. Continuem assim, vão longe.

Caro JM,

Também lhe posso dizer que se estiver sempre a olhar apenas para as ovelhas negras do rebanho, você nunca vai reparar nas outras. Mas elas estão lá, você só não vê porque não quer.

Não vou falar do "falhanço" do GLONASS, não lhe vou falar da indústria aeronáutica civil russa, não lhe vou falar da "falência" da Gazprom, não lhe vou falar do "falhanço" do Bulava, não lhe vou falar da nanotecnologia, não lhe vou falar da Rússia líder em lançamentos para o espaço, não lhe vou falar de como a Rússia se livrou do FMI, não lhe vou falar das reservas de dinheiro que a Rússia tem, não lhe vou falar de como a Rússia atravessou a última crise económica mundial, não lhe vou falar do dinheiro que ainda tem para enterrar na Ucrânia.

Vou apenas falar num tópico que foi focado aqui em 2009. Internet na Rússia.

Em 2008, 39 milhões de utilizadores (algo próximo de zero para alguns...), em 2010 voltei a referir este tópico com dados mais actualizados, 45 milhões em 2009 (http://darussia.blogspot.com/2010/05/e-se-for-mesmo-verdade.html - post 23:05), um crescimento de 6 milhões num ano e passou a 3º maior utilizador da Europa.

Vamos actualizar novamente estes dados. Os dados para 2010 indicam 60 milhões! um crescimento de 15 milhões num ano! passou para 2º lugar no ranking europeu e a esta velocidade os dados de 2011, vão indicar a Rússia como o maior utilizador de internet na Europa.

Você está a imaginar a quantidade de postos de trabalho que foram/estão a ser criados para manter uma infrastrutura destas? você está a imaginar a quantidade de material que tem que ser fornecido para todos estes milhões de utilizadores? pessoas que vendem, pessoas que instalam, pessoas que fabricam, pessoas que transportam, lojas de atendimento, serviços de atendimento, serviços de manutenção, etc, etc, etc.

Sabe quantos utilizadores havia há 11 anos atrás? 3 milhões! num país de 145 milhões.

11 anos depois? 60 milhões, quase metade da população.

Isto é corrupção? isto é sinal de que as pessoas não têm dinheiro nem para comer? isto é sinal de que não estão a ser criados postos de trabalho? isto é sinal de pioria de condições de vida na Rússia?

Se calhar para si é.

Para mim é um indício de modernização.

fonte dos dados:
http://www.internetworldstats.com/euro/ru.htm

Sergei Korolev disse...

Com esse dados de corrupção(problema MUITO antigo mesmo) e com os sucessos recentes, eu fico imaginando como a maquina Russa poderia trabalhar muito melhor sem esses parasitas a come-la por dentro.

Ricardo disse...

É como eu digo, a Rússia se abrasileirou, pra desfazer isso são necessários decádas.

Cristina disse...

PortuguseMan
Sobre os lados negativos e positivos da Rússia: a imprensa livre existe genericamente para denunciar as coisas que estão mal e ser um contrapeso aos poderes instituídos. Para falar das coisas boas temos as agências de viagem e os jornais financiados pelo governo.

anónimo_russo disse...

Blogger Cristina disse...

" PortuguseMan
Sobre os lados negativos e positivos da Rússia: a imprensa livre existe genericamente para denunciar as coisas que estão mal e ser um contrapeso aos poderes instituídos. Para falar das coisas boas temos as agências de viagem e os jornais financiados pelo governo."


Se voces fossem um jornal rússo isso seria válido. Mas voces trabalham para os lusófonos, que muitas vezes não sabem nada da Rússia. Seria mais honesto para com esses lusófonos se voces fossem "um pouco" mais imparciais.

Pippo disse...

Cristina, tenho de discordar da sua posição.
A imprensa livre serve para noticiar o que se passa, ou seja, tanto as coisas boas como as más, em suma, divulgar a verdade dos factos.

Ao seleccionarmos e publicarmos apenas as más notícias, estamos a distorcer os factos e, como tal, a verdade.

Cumprimentos,

Cristina disse...

Pippo
Tem razão quando diz que a imprensa deve informar. Mas sempre achei que a imprensa não deve SÓ informar de forma aséptica e mecânica.
Para mais, estamos num blog, logo, julgo que podemos ir além das restritas normas jornalísticas.

Vou parafrasear um professor universitário, Miguel Morgado, que escreveu em 2010:
"Por alguma razão, talvez por experiência dolorosa, muita gente ali nos inícios do século xix começou a perceber que a divisão dos três poderes tradicionais - legislativo, executivo e judicial - era bem capaz de não ser suficiente. Haveria sempre a possibilidade de os três, apesar de formalmente separados, agirem em conluio.
A hipótese era grave e exigia uma solução teórica. Em grande medida, a afirmação da imprensa como um quarto poder decorreu desta preocupação. Um dos homens que se ocuparam desta articulação entre a opinião publicada, a organização do poder político e a sempiterna ameaça do seu exercício abusivo foi Jeremy Bentham.
O homem nem era muito dado ao fervor revolucionário, mas nem por isso deixou de reconhecer que diante do abuso do poder, ou da eventualidade do abuso do poder, o retorno à normalidade exigia a mobilização de um outro poder. O da imprensa, claro. E o que cabia à imprensa fazer para cumprir a sua tarefa de quarto poder e assim reequilibrar os outros três? Cultivar uma certa disposição, ou uma certa disciplina, entre os cidadãos. Aquilo a que mais tarde se chamou a eterna vigilância.
Em concreto, o que faz a imprensa? Informa, evidentemente. Mas a sua informação é, desde logo, uma forma de instrução. Além disso, a imprensa agita - opiniões e ânimos. A discussão pública que a imprensa permite não se faz com a solenidade própria das academias. À imprensa cabe agitar. Quando deixar de fazê-lo, terá ainda utilidade. Mas deixará de ser a imprensa com a função política que lhe foi reconhecida. Será uma coisa diferente".

Wandard disse...

O grande problema da imprensa nos dias atuais é a parcialidade ou o partidarismo de alguns jornalistas ou de seus patrões, ou particularmente dos interesses financeiros ou políticos destes. A mídia hoje veicula informações que tanto pode ajudar , melhorar e até salvar vidas como destruir imagens púplicas, privadas e até reputações. Além de muitos jornalistas redigirem seus textos com o direcionamento de sua ótica ou ideologia, por muitas vezes levando à distorção fatos e à manipulação do entendimento por parte do público leigo.

Pippo disse...

Cristina, a chave do texto é "Quando deixar de fazê-lo, terá ainda utilidade. Mas deixará de ser a imprensa com a função política que lhe foi reconhecida."

Ora, dizer que a imprensa tem por função actuar politicamente, denunciar as coisas que estão mal e ser um contrapeso aos poderes instituídos é estar a dar-lhe uma função política, mormente anti-governamental, isto é, oposicionista. Isso é uma característica da imprensa livre? Discordo. A imprensa LIVRE, como a palavra indica, tem é a liberdade de noticiar sem restrições, noticiar o bom e o mau.

Se a imprensa tiver por função a acção política anti-governo (e não a informativa), então torna-se um agente manipulador da realidade, pois omite umas coisas para sobrevalorizar outras, isto é, o que a sua direcção editorial acha mais importante - sob o ponto de vista político - publicar.
E assim, deixa de ser imprensa livre (e isenta) e passa a ser partidária. E como tal, deixa de ser livre.

Já agora, se esse Miguel Morgado falou dessa questão, então obrigatoriamente terá referido que no séc. XIX e inícios do XX, a esmagadora maioria dos jornais, sobretudo europeus, estava afecta aos partidos políticos, ou seja, a imprensa não só não era verdadeiramente livre como estava sujeita aos ditames do partido que a financiava e veiculava as "notícias" que interessavam.
Portanto, nem aí a imprensa se tornou um verdadeiro 4º poder independente pois era um instrumento do poder político e económico. Tal como acontece nos dias de hoje.

Por fim, ou falamos dos atributos da imprensa (que foi o que a Cristina referiu em resposta ao PM) ou dizemos que “estamos num blog”. Nada de misturar as coisa por favor.
Num blog cada um diz o que quer (como se vem constatando); na imprensa… bom, pelos visto, também, dependendo da concepção de “imprensa livre” que cada um tiver! :o)

Cump.

anónimo_russo disse...

Anónimo Pippo disse...

"Cristina, a chave do texto é "Quando deixar de fazê-lo, terá ainda utilidade. Mas deixará de ser a imprensa com a função política que lhe foi reconhecida."

Ora, dizer que a imprensa tem por função actuar politicamente, denunciar as coisas que estão mal e ser um contrapeso aos poderes instituídos é estar a dar-lhe uma função política, mormente anti-governamental, isto é, oposicionista. Isso é uma característica da imprensa livre? Discordo. A imprensa LIVRE, como a palavra indica, tem é a liberdade de noticiar sem restrições, noticiar o bom e o mau etc."




Aqui o problema não é exatamente esse que referiu. O problema principal, ao meu ver, é que a imprensa ocidental costuma fazer da Rússia um bicho-papão onde "está tudo mau". Confesso que ultimamente quase não tenho acompanhado outras publicações ou traduções alem deste blog, mas desconfio que pouco mudou nesse sentido. Não se trata das criticas do governo por parte da imprensa rússa, mas trata-se de uma maneira de apresentar a Rússia aos leitores do estrangeiro. E isto quando, segundo eu vejo, muitas vezes as pessoas muito pouco sabem da Rússia.
Por outro lado, isto é apenas um blog onde o autor pode escrever o que quiser. Mas se fosse apenas o problema deste blog...

PortugueseMan disse...

Sobre os lados negativos e positivos da Rússia: a imprensa livre existe genericamente para denunciar as coisas que estão mal e ser um contrapeso aos poderes instituídos. Para falar das coisas boas temos as agências de viagem e os jornais financiados pelo governo.

Minha cara,

Confesso que considero esta sua maneira de ver as coisas um pouco chocante.

Não vou acrescentar muito mais, pois o Pippo, já disse tudo o que há para dizer, ou pelo menos o que eu teria que dizer.

Portanto quanto à questão da imprensa estamos conversados.

Quanto à questão do blogue, deste blogue, o que se está aqui a mostrar são o que eu considero duas faces da mesma realidade.

O autor do blogue tem uma visão demasiado negativa, na minha opinião sobre o país, e o autor acha que eu tenho uma visão demasiado optimista acerca do estado das coisas. Coisa já constatada por ambos há muito tempo.

Algures no meio deve estar a verdade.

Eu esforço-me para mostrar o meu ponto de vista e tento sempre mostrar o porquê das minhas ideias. Gosto de me basear com dados concretos e não gosto muito de misturar política pelo o meio.

Qualquer pessoa pode questionar-me o porquê das minhas afirmações, desde que exista CIVISMO na troca de palavras e eu farei sempre um esforço para explicar o melhor possível o porquê das minhas ideias.

Portanto quando o JM, coloca a suas críticas, umas concordo, outras não e são mais as que não...

Eu contraponho e coloco outra questões, porque as considero válidas.

Com isto, eu penso que o blogue fica mais enriquecido. Uma pessoa está sentada a olhar para o computador e reflecte no que as várias pessoas vão dizendo, sobre o assunto. Eu faço isso. temos posts que não valem nada, temos posts com ataques gratuitos e temos coisas interessantes para ler.

Todos nós aprendemos.

Desde que queiramos.

MSantos disse...

Embora não tenha formação na área, acho que o código deontológico do jornalismo assenta em que a informação a transmitir deverá ser isenta, imparcial sem focar apenas alguns pontos de vista que moldem esse mesmo sentido abstracto da notícia.

Em geral concordo com o Pippo e PM e também me choca esse dito "jornalismo" influenciador e moldador do qual e infelizmente temos muitos tristes e recentes exemplos.

Outra coisa bem diferente são os artigos de opinião ou espaços como este blogue onde após a notícia transmitida, cada um debate o seu ponto de vista.

Isso sim será jornalismo imparcial e isento, uma coisa cada vez mais rara hoje em dia.
Seja na Rússia ou nas "democracias".

Cumpts
Manuel Santos

Cristina disse...

Depois desta nossa discussão sobre a imprensa, queria apenas pedir desculpa ao JM por estar a opinar sobre uma área na qual não sou especialista, digamos que são apenas opiniões de uma cidadã comum.
Acho que o JM nos artigos que publica na imprensa portuguesa,nomeadamente na agência LUSA, é bastante objectivo e isento e que algumas das nossas palavras aqui no post podem ter sido injustas para com ele.
Peço também desculpa aos leitores se eventualmente fui inconveniente em relação a alguém.

Pippo disse...

Cristina, da minha parte não a desculpo pois não me sinto de alguma forma insultado :o)

Cump.,

Pippo disse...

Já agora, e para terminar sobre o jornalismo "de causas", interventivo e agitador de opiniões e ânimos, cumpre-me recordar-vos que foi graças à imprensa, mais concretamente aos jornais do William Randolph Hearst e do Joseph Pulitzer (esse mesmo!) que, através da publicação consciente de mentiras, a opinião pública norte-americana obrigou o seu governo a declarar guerra à Espanha em 1898.

Portanto, cuidado quando falamos dos média, da sua liberdade e das suas funções. Eles têm por obrigação dizer a verdade. Quando são interventivos, deixam de ser instrumento informativo e passam a ser instrumento político.

MSantos disse...

Poderia falar de milhentos exemplos actuais sobre a dita imprensa interventiva, de como estão a levar ao poder nos vários países, os partidos com as ideologias responsáveis pela crise, culpando bruxas por essa mesma crise ou até silenciando os exemplos politicamente incorrectos como é o caso da Islândia.

Mas creio que já todos sabem o que eu penso e o que iria referir.

Vou apenas falar do José Milhazes.

Antes de participar neste blog, ouvia e lia as notícias dele e não conseguia discernir a sua orientação política.

Obviamente que depois de andar por aqui passei naturalmente a conhecê-las, embora seja evidente que não concordo com a grande maioria delas.

No entanto quando ouço uma notícia redigida por ele continuo a não encontrar nenhuma tendência.

As suas opiniões estão reservadas para foruns deste tipo ou páginas pessoais

E assim é que deve ser o jornalismo. E não como até directores de semanários que fazem gala dos seus ódios políticos ou ditos "jornalistas" de investigação que focam as suas "investigações" em determinada área política deixando passar todos os podres das restantes.

Cumpts
Manuel Santos