sexta-feira, agosto 26, 2011

Cáucaso do Norte continua a ser “tendão de Aquiles” da Rússia

Texto escrito para a Lusa a propósito do 10º aniversário do atentado terrorista de 11 de Setembro:
"A Rússia acordou mais cedo do que muitos países ocidentais para o terrorismo islâmico e, por isso, Vladimir Putin, Presidente da Rússia em 2001, foi o primeiro dirigente mundial a telefonar a George W.Bush para propor apoio na luta contra o inimigo comum.
Dez anos depois, não obstante todas as declarações do Kremlin de que controla a situação no Cáucaso do Norte, essa região continua a ser o “tendão de Aquiles” da segurança da Rússia, atuando aí fortes guerrilhas separatistas de índole islâmica radical.
Grupos de guerrilheiros realizam operações contra a polícia russa em praticamente todas as repúblicas do Cáucaso do Norte: Daguestão, Cabardino-Balcária, Karachaevo-Cherkéssia, Inguchétia, Ossétia do Norte e Chechénia. No ano passado, segundo dados oficiais, aí morreram 754 pessoas em combates entre a guerrilha e a polícia.
Por vezes, a guerrilha consegue mesmo organizar atentados terroristas noutras regiões da Rússia. O último ocorreu no Aeroporto Domodedovo de Moscovo em março deste ano, tendo provocado 37 mortos e dezenas de feridos.
Estas guerrilhas surgiram depois da desintegração da URSS, quando à superfície vieram os problemas nacionais congelados ou reprimidos na era soviética, e foram-se radicalizando com as duas guerras da Chechénia (1994-1996 e 1999-    ).
Com a chegada de Vladimir Putin ao cargo de primeiro-ministro russo, em 1999, as forças militares russas conseguiram expulsar os guerrilheiros das cidades e aldeias da Chechénia para as montanhas. Além disso, Moscovo apostou na “vietnamização” do conflito, colocando à frente dessa república dirigentes locais dispostos a cumprir a vontade das autoridades russas em troca do controlo total de um dado território e de vasto apoio financeiro.
Porém, as medidas de força são claramente insuficientes. Na primeira metade de 2011, a polícia russa liquidou 96 guerrilheiros no Daguestão, 53 na Cabardino-Balcária e 27 na Chechénia.
“Tu matas dois terroristas, mas no lugar deles aparecem quatro”, considera Magomedsalam Magomedov, Presidente do Daguestão.
A maioria dos peritos russos considera que as medidas militares são insuficientes para resolver o problema, defendendo que é necessário combater chagas sociais como o desemprego, a corrupção e o compadrio.
O desemprego é um problema particularmente grave entre a juventude, uma das fontes mais importantes de aumento das fileiras da guerrilha separatista islâmica.
Segundo dados do Partido Rússia Justa, “na Chechénia, oficialmente não trabalha 43 por cento da população activa, na Inguchétia: 21,8 por cento. O desemprego em massa provoca tensão social no Cáucaso do Norte, aumenta a influência dos grupos extremistas no meio juvenil, contribui para a saída da população russa”.
O Kremlin anunciou a realização de um grande programa de desenvolvimento social e económico do Cáucaso até 2025, que prevê, nomeadamente, na transformação dessa região numa zona de turismo.
Mas a corrupção, o compadrio e o terrorismo colocam em risco o cumprimento dos objetivos apontados.
“Quase diariamente matam pessoas, quantos casos de violência!.. Mataram o porta-voz do Presidente do Daguestão, mas que turismo se pode fazer hoje aí?”, interroga o líder nacionalista russo Vladimir Jirinovski.
As autoridades do Daguestão dizem não ter dinheiro para resolver os problemas da população, mas nessa república está o clube “Anzhi”, a equipa de futebol russa que mais dinheiro gasta no reforço das suas fileiras. Suleiman Karimov, magnata local, prefere investir na contratação de jogadores como Roberto Carlos, Zhirkov, Samuel E’to…”

6 comentários:

Ricardo disse...

Muito complicado resolver esse problema porque os separatistas querem a separação e nada mais, talvez as gerações futuras se cansem dessa luta inútil.

Pippo disse...

Pobres, incultos e desesperados poderão ser fontes de recrutamento, mas já está claramente provado que a falta de instrução e os problemas económicos não são a causa do extremismo islâmico. O estrato sócio-económico dos autores dos atentados do Metro de Londres comprovam-no cabalmente.

As razões puramente políticas e religiosas são o que move os terroristas caucasianos. Como o que eles pretendem não pode ser negociado e eles podem actuar em pequenas células desconexas, é muito difícil eliminar estes grupos.

Quanto ao problema do desemprego entre os jovens, isso deve-se, entre outras coisas, ao excesso de natalidade. Talvez o governo federal devesse impor uma política de planeamento familiar para certas repúblicas do Cáucaso...

Gilberto Mucio disse...

«Talvez o governo federal devesse impor uma política de planeamento familiar para certas repúblicas do Cáucaso...»

Era só o que faltava... :-)

E no mais "impor planejamento familiar" é um oxímoro.


Se é "imposto" não é "planejamento familiar", mas controle de natalidade, e de métodos nazistóides.

Você inventa cada uma, Pippo. rsrs

Zuruspa disse...

Com o petróleo todo que existe pelo Cáucaso Nortenho, se têm dinheiro a rodos para dar a UM-futebilsta-UM, gastassem esse dinheiro em salários, que chegava bem para mais de mil. Criem empregos, que ali näo há quase NADA de pé, logo näo há falta de trabalho para fazer.

Mesmo que estivessem parados, sempre eram mil que näo se juntavam aos separatistas.

Ah, mas os pacóvios de serviço väo já dizer que dar aqueles milhöes ao futebolista em vez de dá-los a mil pessoas é que está bem, ou entäo era... comunismo!

Pippo disse...

"Se é "imposto" não é "planejamento familiar", mas controle de natalidade, e de métodos nazistóides."

Olhe que não, Gilberto, olhe que não...

Na China faz-se esse tipo de política, e eles não são nazistóides.

Pippo disse...

"Se é "imposto" não é "planejamento familiar", mas controle de natalidade, e de métodos nazistóides."

Olhe que não, Gilberto, olhe que não...

Na China faz-se esse tipo de política, e eles não são nazistóides.