terça-feira, fevereiro 21, 2012

Grupo punk feminino invade e atua na Catedral de Cristo Redentor





 Fotos do jornal Novaya Gazeta

Cinco jovens conseguiram hoje entrar, disfarçadas de crentes, na Catedral de Cristo Redentor, montar aparelhagem junto do altar e interpretar canções contra Vladimir Putin e a direção da  Igreja Ortodoxa Russa.

A correspondente do jornal Novaya Gazeta, que assistiu a esta manifestação, descrê que, depois de descobrirem roupas coloridas e extravagantes, os membros do grupo Pussy Riot começaram a cantar a canção “Mãe de Deus, expulsa Putin”, ao mesmo tempo que dançavam desenfreadamente junto das “Portas do Paraíso”, parte central do altar nos templos ortodoxos.

Elas entoaram também: “Batinas negras, galões de ouro [alegação à estreita colaboração entre a Igreja Ortodoxa Russa e os serviços secretos soviéticos KGB]. O fantasma da liberdade está no Céu. A parada Gay foi enviada, acorrentada, para a Sibéria…”.

As cantoras não pouparam críticas ao ensino da religião ortodoxa nas escolas, aos automóveis de luxo dos prelados e à fé que o Patriarca Kirill I tem em que Putin vencerá as presidenciais à primeira volta.

Na semana passada, num encontro do candidato Vladimir Putin com os líderes religiosos da Rússia, Kirill I fez grandes elogios dele, apresentando-o como o único garante da estabilidade no país.

“Que vergonha, meu Deus!”, soava no refrão.

Os guardas do templo começaram a arrastar as jovens do altar, mas as jovens continuavam a gritar “Mãe de Deus, torna-te femininista!”.

“Estão possessas!”, comentou um dos guardas, enquanto arrastava a solista, ajudado por paroquianas ortodoxas que diziam: “Não têm medo da ira divina!”.

As jovens do Pussy Riot tiveram de abandonar o templo debaixo de maldições e pragas, mas conseguiram escapar das mãos dos guardas e não serem detidas pela polícia.

A Catedral de Cristo Redentor é um dos templos ortodoxos mais bem guardados de Moscovo, pois é nele que o Patriarca Kirill I celebra as festas mais importantes da Ortodoxia.

P.S. Acho que a juventude deve ser inconformista, mas tratou-se claramente de um exagero. A liberdade de uns não pode prejudicar os direitos dos outros.

9 comentários:

PEDRO disse...

"Acho que a juventude deve ser inconformista, mas tratou-se claramente de um exagero. A liberdade de uns não pode prejudicar os direitos dos outros."

Tem toda a razão Sr Milhazes.
Muitas vezes este tipo de pessoas faz estas coisas apenas para aparecer, e porventura nem sequer base ou ideal politico por trás.
É apenas para se sentirem importantes. Para se poderem gabar a outras amigas que fizerem algo realmente com impacto mediatico.

Anónimo disse...

Estas mulheres ridículas são as ucranianas do Femen? Pois tal protesto está em estilo ao delas.

Europeísta disse...

Não vi exagero algum, temos que considerar o grau de repressão e autoritarismo que as pessoas sofrem em países como a rússia. As novas gerações de países autoritários não se conforma mais em aceitar tudo calado. Elas estão reagindo em todos esses lugares. Vide a primavera árabe.

Jose Milhazes disse...

Estas jovens são russas e nada têm a ver com o grupo ucraniano.

Europeísta disse...

*conformam

Anónimo disse...

Alguem náo deve saber contar. Eu vejo QUATRO punks. Há um homem que depois sai. Deve ter ido ligar os microfones. É sempre assim: o quinto elemento desaparece de cena antes do tempo e não faz parte do grupo. Até há um ditado que diz: o quinto é infiltrado. Eu se fosse aos padres verificava se não terão por lá alguma escuta, debaixo do altar. Cheira-me a esquema KGB para controlar o divino na Terra. Acho que o patriarca não vai cair na esparrela, cá por coisas...

Soturno disse...

Há lugares mais propícios para se protestar. Mas que foi criativo foi.

Jest nas Wielu disse...

Ai, gandas Pussy Riot, vejam mais:
http://pussy-riot.livejournal.com

Fernando Negro disse...

O que toda a gente aqui deve perguntar é como é que o "Novaya Gazeta", conhecido pela sua posição anti-Putin, sabia antecipadamente desta intervenção e estava lá a tempo de tirar umas muito boas fotografias do acontecimento e, deste modo, pôde testemunhar os acontecimentos em 1ª mão e escrever um bom artigo, tão bem ilustrado, sobre o sucedido... (A mim, ninguém me convence que, só após uma coisa destas ter início, dava tempo de algum órgão de comunicação saber do facto e lá chegar a tempo de fotografar isto...)

Assim como, perguntar também se queriam estas desordeiras, desrespeitadores dos locais de culto e reunião dos outros, convencer algum dos fiéis lá presentes a juntar-se à sua causa, ou se foi tudo isto feito apenas para quem lá oportunamente estava para reportar o sucedido.

E, já agora, que história é essa destas "Pussy Riot" darem um concerto de apoio ao blogger Alexei Navalny, que é apoiado pela Universidade de Yale, dos EUA, e também financiado pelo ONG National Endowment for Democracy que, por sua vez, é financiada pelo Congresso norte-americano?