segunda-feira, abril 02, 2012

Cidadãos de países lusófonos atacados à facada no centro de Moscovo

Dois cidadãos de países africanos de expressão portuguesa e um nigeriano foram atacados por jovens russos armados com facas numa passagem subterrânea do centro da capital russa.
As vítimas da agressão, que ocorreu na noite de domingo, ficaram feridas, tendo um deles, cidadão moçambicano, sido internado num hospital devido à gravidade dos ferimentos.
“Seguíamos a conversar na Nova Arbat [uma das principais artérias de Moscovo] e entrámos num subterrâneo. Inesperadamente, fomos atacados pelas costas por quatro russos”, contou à Lusa, Dério, cidadão cabo-verdiano que dirige um centro de estudo da língua portuguesa em Moscovo.
“O meu amigo nigeriano foi o primeiro a cair depois de ter sido agredido nas costas. Eu levei um murro na cara e caí de joelhos. Quando me consegui levantar, desferiram-me um murro na vista, mas consegui escapar”, continua ele.
Gabriel, moçambicano que estuda medicina na capital russa, foi golpeado com faca pelos atacantes.
“Deram-me uma facada numa das orelhas, tentaram cortar-ma, mas não conseguiram. Deram-me murros na cara”, declarou Gabriel por telefone à Lusa.
“Estou com um olho inchado e não consigo abrir, tenha também a boca inchada e um dos dentes abana, os médicos suturaram a orelha”, acrescentou ele.
Segundo Dério, a salvação veio de dois russos e de uma russa que entraram na passagem subterrânea e tentaram travar a fúria dos atacantes.
“Os dois russos defenderam-nos dos quatro jovens que nos atacaram, um deles levou alguns golpes nas mãos, mas obrigaram os atacantes a retirar-se”, conta o cabo-verdiano, e continua: “a russa começau a telefonar para a polícia e o pronto-socorro, pois Gabriel sangrava muito e estava inconsciente”.
A polícia chegou ao local e tomou conta da ocorrência e o pronto-socorro transportou Gabriel para um dos hospitais de Moscovo.
Quanto aos motivos dos atacantes, os cidadãos dos países lusófonos não têm dúvida de que se tratou de mais um ataque racista, fenómeno muito frequente em Moscovo.
“Não nos tentaram roubar nada, apenas queriam agredir-nos. Claro que se trata de um ataque racista, contra pessoas que têm outra cor da pele”, considera Dério.
O moçambicano Gabriel é da mesma opinião.

7 comentários:

Bruno disse...

E pronto é este o preço que temos de pagar pela dita "democracia e liberdade" do sistema capitalista. O regime soviético podia ter muitos defeitos, mas era impensável que uma situação destas ocorresse.

Jose Milhazes disse...

Bruno, na era soviética, ocorriam crimes racistas, o problema é que havia censura.

PEDRO LOPES disse...

A Rússia tem de acabar de vez com essa praga dos Neo-Nazis racistas xenofobos.

O paradoxo da extrema-direita é que eles são os primeiros a manchar a sua própria pátria.
Pois um pais onde ocorram frequentemente ataques racistas desse tipo é sempre mal visto internacionalmente.

Europeísta disse...

Pedro e Bruno,

É meio difícil as autoridades acabarem com essa mentalidade se ela está enraizada nos mais altos escalões do estado - o Kremlin. A sociedade russa é extremamente racista e totalitária. O nazi-facismo encontrou terreno fértil pra se desenvolver ali.

PEDRO LOPES disse...

"essa mentalidade se ela está enraizada nos mais altos escalões do estado - o Kremlin"

Não será bem assim.
São grupelhos que actuam por conta própria ou são pagos por alguém para desenvolver essas actividades.

É o mesmo fenomeno que existe nos paises europeus, mesmo nos mais desenvolvidos.

Na Rússia inclusive existem governadores de Republicas que são muçulmanos.
Pelo menos no caso da Tchechénia o seu presidente é muçulmano.
Seria estranho ser o próprio poder Russo a apoiar esses bandalhos.

Anónimo disse...

Eu me divirto neste blog do Milhazes a ler os comentários dos comunistas inocentes, que acham que a Rússia é uma reserva das virtudes humanas. Quando não são estes, são os mais nostálgicos que imaginam que a URSS eta o verdadeiro paraíso na terra. Mal soubessem eles que o racismo aqui visceja em terreno fértil. O que é mais desagradável é constatar que aqui não há reação indignada de setores da sociedade contra o racismo. Autoridades pronunciam-se na TV com slogans racistas, candidatos presidenciais manifestam-se de forma racista, e o Kremlin incentiva bandos de jovens como o movimento NASHI, nacionalistas e com pendores racistas. Esses comunistas que acompanham o Blog deveriam passar um tempinho de suas vidas no "paraíso" russo!

Nicolau Mieszko disse...

Qual não foi minha surpresa pelos três russos qu entraram na briga para proteger as vítimas. Essa ação corajosa eu não esperava dos russos modernos.

Ps.: não estou sendo irônico.