quarta-feira, abril 04, 2012

Vozes russas insurgem-se contra possível prisão perpétua para "mercador da morte"

  
A decisão da Procuradoria de Nova Iorque de pedir prisão perpétua para Victor But, também conhecido como “o mercador da morte”, está a irritar o Kremlin e parte da elite política russa, que vê neste processo um grave precedente.
But foi acusado pela procuradoria de "tentar vender de 700 a 800 mísseis a uma organização terrorista [Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia] para matar americanos" e a sentença será lida na quinta-feira.
A sua fama de vendedor de armas é, porém, muito anterior a este episódio, tendo início na altura em que ele esteve em Angola e Moçambique como tradutor e conselheiro militar nos anos 1980 e 90 do século XX.
Depois da queda da União Soviética em 1991, utilizando os seus contactos no continente africano, But criou na África do Sul uma empresa de aviões de transporte, que, segundo a imprensa russa e internacional, transportava não só mercadorias civis, mas também armamentos para movimentos políticos que não podiam ter acesso legal a eles devido a embargos internacionais. Um dos beneficiados foi a UNITA, então dirigida por Jonas Savimbi.
Este antigo militar soviético, nascido no Tajiquistão (Ásia Central) em 1967, passou a tornar-se famoso não só pelo excelente domínio de numerosas línguas estrangeiras, incluindo o português, mas pela envergadura dos seus negócios com a guerra, mas sem cores políticas.
Hollywood fez dele o protótipo do principal herói do filme "Senhor da Guerra", protagonizado por Nicolas Cage. Alguns dos aviões russos Antonov que desapareceram em Angola durante a guerra entre o MPLA e a UNITA foram utilizados na rodagem do filme.
But considera que o processo que enfrenta em Nova Iorque é um caso de demonização: "O meu julgamento é político, e não criminal."
"Como diz Fidel Castro, a história dar-me-á razão. Eu era um empecilho para os americanos porque era uma figura real em África, onde fazia negócio, tentava fazer alguma coisa. Nós transportávamos feridos, salvávamos pessoas, fornecíamos medicamentos e equipamentos para hospitais, sistemas de purificação de água", declarou numa recente entrevista à agência Ria Novosti.
"Tivemos mesmo de transportar elefantes da África do Sul para Angola. Os presidentes diziam-me: "Transporta esta carga necessária para Roma, Paris, leva o ouro para ali. Eu mantive a boca fechada, porque esses segredos não são meus", justificou-se.
"Pessoas estranhas pediam-me para trocar informação, cooperar, mas eu recusei. Penso que a caça que me fizeram começou por isso, eu comecei a ser um empecilho”, considera.
Moscovo colocou-se do lado de But e empreendeu esforços para o libertar desde a sua detenção na Tailândia em 2008, de onde foi extraditado dois anos depois para os EUA.
A imprensa russa, em vésperas da leitura da sentença, voltou a falar da possibilidade de But vir mesmo a ser trocado por Mikhail Khodorkovski, antigo patrão da petrolífera russa Yukos, que se encontra a cumprir uma pena de prisão de sete anos por "fuga ao fisco" e roubo de petróleo".
Alguns analistas consideram que, se But aceitar revelar parte do seu passado a troco da suavização da pena, poderá pôr a descoberto segredos pouco agradáveis para alguns dirigentes russos.
Por isso, Alexei Puchkov, deputado do partido pró-Kremlin Rússia Unida e dirigente do Comité da Duma (câmara baixa do Parlamento Russo) para Assuntos Internacionais, propõe que Moscovo responda com sanções se a sentença for prisão perpétua.
"But vai ser condenado a prisão perpétua. Mas ele é um cidadão nosso. Os Estados Unidos criam um precedente. A partir de agora, os americanos que cometam crimes em território da Rússia devem responder aqui e não serem repatriados", escreveu no Twitter.
De uma coisa os analistas não têm dúvidas: a condenação de But à prisão perpétua certamente não irá contribuir para o melhoramento das relações entre Moscovo e Washington, que, neste momento, passam por um período difícil devido a divergências face à situação na Síria e no Irão, ou face ao escudo de defesa antimíssil que os norte-americanos tencionam instalar na Europa.

10 comentários:

Fernando Negro disse...

Bout está a ser usado como peão num jogo político entre os EUA e a Rússia. É essa a verdadeira razão para todo este caso.

"there was not even a single case ever recorded that Victor was noticed smuggling or selling any kind of arms".
--- Dimitri Khalezov, ex-agente dos serviços secretos militares russos

Leiam o que o Sr. que aparece vestido de rosa-choque nesta fotografia tem a dizer no seu blogue (em inglês e castelhano).

trunks.s.s disse...

Os norte-americanos são os maiores hipócritas do mundo, para eles qualquer pessoa que não se submeta aos seus interesses é considerado um terrorista, mas quando eles fazem o mesmo ou mil vezes pior já são os "salvadores da humanidade".

PS: Desde quando as FARC-EP são uma organização terrorista ? Se as FARC são terroristas então o que é a CIA que comete os mais horrorosos crimes ?

Anónimo disse...

No final de 2011, o piloto russp Vladimir Sadovnichy foi detido no Tadjikistão, acusado de contrabando. Os russos usaram de toda a sua truculência, chegando a ameaçar de deportação pobres trabalhadores tadjukes que vivem na Rússia. Intimidou e constrangeu o governo do Tadjikistão, e conseguiu a liberação do piloto. Agora, com o caso But, os russos estão de cabeça baixa para os EUA, humilhados e subestimados. Com os tadjikes eles rugiram como leões, contra os EUA parecem filhotinhos de gato.

Anónimo disse...

No final de 2011, o piloto russp Vladimir Sadovnichy foi detido no Tadjikistão, acusado de contrabando. Os russos usaram de toda a sua truculência, chegando a ameaçar de deportação pobres trabalhadores tadjukes que vivem na Rússia. Intimidou e constrangeu o governo do Tadjikistão, e conseguiu a liberação do piloto. Agora, com o caso But, os russos estão de cabeça baixa para os EUA, humilhados e subestimados. Com os tadjikes eles rugiram como leões, contra os EUA parecem filhotinhos de gato.

Europeísta disse...

Esse cara é um assassino! Cadeia nele! Há até um filme sobre ele. Esse canalha é responsável pela morte de milhoes de pessoas! Espero que seja trancafiado e nao saia nunca mais! A Rússia acoberta ele pq, afinal, ele vende armas russas, por sinal para um bando de assassinos e genocidas ao redor do mundo. Para a indústria suja de armas na Rússia ele traz lucro!

Голос революции disse...

Os norte-americanos estão condenando um civíl russo por financiar a morte em outros países, como se a América não fizesse isso financiando a Al Qaeda nos anos 80, as forças guerrilheiras da América Central entre outros. Existem vídeos de Donald Rumsfeld cumprimentando Saddan Hussein nos anos 80... A América financiou o Iraque, o Taleban, a Aliança do Norte (Afeganistão) e agora financia a milícia de oposição da Síria, para derrubar o governo de Damasco e implantar no poder sírio um governo que atenda suas vontades no Oriente Médio!!!

A América é a nação "mercadora da morte"!!!

Pippo disse...

Como é que o Victor Bout sabia que as FARC estavam a comprar material para "matar cidadãos norte-americanos"?

E se o soubesse, isso deveria impedi-lo?

Acho que os camaradas de Washington abriram a Caixa de Pandora. Depois, eles que não se admirem se cidadãos norte-americanos começarem a ser presos por esse mundo fora. E não estou a ver os EUA a fazerem pressão sobre a China ou a Rússia e estas ficarem cheias de medo.

Anónimo disse...

Provavelmente Bout andava a fazer concorrência à Blakewater

Manuel Goncalves disse...

Por muito menos ja se matou na propia Russia alguns jornalistas que pareiam estar a chatear alguem do Kremlin , nao sei o que sera pior se matar se condenar a prissao perpetua .

Manuel Goncalves disse...

Por muito menos ja vi serem assassinados a sangue frio sem do nem piadade , sem qualquer tipo de defesa alguns jornalistas que pareciam estar a chatear alguem la do Kremlin talvez ate o big boss nao sei , agora o que sera pior matar ou condenar a prissao perpetua ? Acho que Charles Monson ficou bastante feliz quando viu a sua pena de morte ser alterada para prissao perpetua a ultima da hora .