terça-feira, julho 17, 2012

O Exército Vermelho no dealbar da 2ª Guerra Mundial - 3





Texto enviado pelo leitor Pippo:

"3ª Parte – Equipamento e treino



Durante este período, o investimento material e tecnológico foi notável, nomeadamente ao nível dos carros de combate e da aviação (BT-7, T-26, T-28, T-34 e KV-1; Polikarpov I-16 e Yak-1). Ao longo dos anos, com um incremento a partir de meados dos anos 30, as unidades receberam cada vez mais material pesado, como metralhadoras, morteiros e artilharia, contudo, persistiram dois problemas: não só a distribuição do equipamento era irregular, isto é, continuou a haver deficiência de meios (havia material suficiente para equipar a maioria das Divisões permanentes, mas não as de reserva), como o material em si não compensava a qualidade do pessoal que o manuseava. Neste campo o Exército Soviético continuou a sofrer os efeitos de vários factores: os níveis de consumo de álcool eram tradicionalmente elevados; havia bastante indisciplina nas fileiras, motivada, quer pela incapacidade dos oficiais, quer pela pouca vontade dos soldados em cumprir o serviço militar; o nível de instrucçção dos soldados era baixíssimo (a maioria dos soldados eram camponeses incultos, e enquanto que na URSS um soldado que só soubesse assinar o nome era considerado semi-iletrado, no Exército Britânico o mesmo “grau” era atribuído a um soldado com menos da 4ª Classe); as directrizes políticas do Partido determinavam que uma elevada percentagem dos soldados participasse em actividades de cariz económico como, por exemplo, nas obras públicas ou nas campanhas agrícolas. Quanto aos técnicos especialistas, essenciais para a eficácia de um Exército moderno, estes eram frequentemente utilizados para reforçar os efectivos de unidades fabris.

Como é fácil de se perceber, era difícil, nestas circunstâncias, proporcionar um treino adequado aos soldados.

Ora, da mesma forma que se neglicenciava o treino individual, também não era dada grande ênfase ao treino em pequenas unidades, com as consequentes baixas prestações do Exército Vermelho, pelo menos até meados de 1942. Felizmente para a URSS, havia alguma capacidade na condução de operações em grande escala pelo que, estrategicamente, as operações do Exército Vermelho acabavam por ter algum sucesso, não obstante as conhecidas falhas na sua execução táctica.

Como se disse atrás, nos anos 30 o Exército Vermelho melhorou consideravelmente em termos de qualidade de equipamento. O exemplo acabado deste progresso é o icónico carro de combate T-34. Produzido a partir de 1940, e não obstante padecer de uma deficiente ergonomia e de falhas mecânicas iniciais, em 1941 o T-34 poderia ser justamente considerado o melhor carro de combate do Mundo, superior ao nível da blindagem e armamento a todos os carros alemães. Empregue concentrado em grandes quantidades, o T-34 poderia ter rompido as linhas alemãs com facilidade, alterando assim o rumo da Barbarossa. Contudo, como este carro foi empregue em pequenos agrupamentos, misturado com carros mais lentos ou menos blindados, as suas vantagens eram diluídas e descompensadas pelas fraquezas dos outros veículos que o acompanhavam.

Como forma de espelhar toda a questão do equipamento e treino, podemos referir as perdas de carros de combate soviéticos em 1941, que ascenderam a 20.500 veículos, dos quais cerca de 2300 eram os novos T-34 e 900 eram do tipo KV. Estas baixas resultaram num rácio desfavorável de 7 carros soviéticos perdidos por cada carro alemão.

Ora, cruzando esta informação com os relatórios germânicos, verifica-se que pelo menos metade daquelas perdas foram devidas, não aos combates (isto é, a destruição causada pelo inimigo), mas sim a falhas mecânicas, falta de combustível, ou simples abandono dos carros por parte das tripulações, o que denota, por um lado, o grave estado em que, no início da guerra, se encontrava a logística soviética e os serviços de apoio (recuperação de veículos), bem como, por outro lado, o deplorável nível de treino, e correspondente moral, das tripulações de carros.


4 comentários:

Anónimo disse...

Fala bem a verdade quando aponta a logistica como um dos problemas da derrota sovietica por inicios da operaçao Barbarossa. A meu ver foi precisamente ai que os Estados Unidos ganharam a guerra para os aliados (quem nao ouviu falar da famosa Red Ball express ou dos Sea Bees?)Outra falha do exercito Sovietico foi o de ter utilizado a guerra civil Espanhola como um teatro politico ao contrario da Alemanha que testou as suas taticas e estrategia de guerra Relampago!

Pippo disse...

Não há a mínima dúvida de que foi a logística, magnificamente bem preparada, diga-se de passagem, que permitiu a vitória na Frente Ocidental. Os exemplos acabados da competência dos anglo-americanos são os portos flutuantes Mulberry e o pipeline que se estendia do Reino Unido até França (e depois, no território francês), que permitia abastecer as forças aliadas quase na linha da frente.

http://en.wikipedia.org/wiki/Mulberry_Harbour

http://en.wikipedia.org/wiki/Operation_Pluto

Quanto à falha soviética na GC Espanhola, na verdade eles até testaram o seu material (Polikarpov, BT-5, etc.), mas não testaram tácticas, o que lhes valeu apenas o terem tirado algumas lições quanto ao material e nada mais.

Gilberto Mucio disse...

Tudo isso se aplica a partir da perseguição do EV por parte do Pulitbiro.

Dezenas de milhares de oficiais rofa afastados, relocados, etc... e isso
antes dos expurgos acontecerem de facto.

Ponha isso na conta de Stalin.

Na virada dos anos 20 para os 30, e até o começo dos anos 30, o EV era o exército mais poderoso do mundo.

E em ampla modernizações, com espetaculares e inovadores projetos em andamento... como o das divizões panzer(projeto abortado pela burocracia).

Gilberto Mucio disse...

Tudo isso se aplica a partir da perseguição do EV por parte do Pulitbiro.

Dezenas de milhares de oficiais rofa afastados, relocados, etc... e isso
antes dos expurgos acontecerem de facto.

Ponha isso na conta de Stalin.

Na virada dos anos 20 para os 30, e até o começo dos anos 30, o EV era o exército mais poderoso do mundo.

E em ampla modernizações, com espetaculares e inovadores projetos em andamento... como o das divizões panzer(projeto abortado pela burocracia).