sexta-feira, abril 19, 2013

Droga livremente à venda no centro de Lisboa





Ainda não encontrei nenhum russo que tenha visitado Lisboa e tenha vindo desiludido. Não se cansam de dizer bem da própria cidade em cima, da hospitalidade dos lisboetas, da cozinha, vinhos, etc.
Aqueles que já visitaram várias vezes a capital portuguesa constatam que a Câmara Municipal de Lisboa, dirigida por António Costa, está a realizar um excelente trabalho de recuperação de edifícios degradados, na limpeza das ruas da Baixa e na transformação do Terreiro do Paço nu excelente local de lazer.
Mas todos os visitantes russos ficam intrigados com um fenómeno comum em Lisboa. Frequentemente, são abordados por pessoas que lhes tentam vender um “pó branco”. A forma descarada com que o fazem leva os turistas a perguntar-me se aquilo é droga ou não. Não acreditam que se possa vender droga de forma tão aberta e sem receio da polícia.
Eu respondo-lhes que não sei qual a constituição do “pó branco”, porque nunca recorri aos serviços dessas personagens, mas que os traficantes o tentam vender como droga. Se é pura e de boa qualidade, nada sei, nem nada posso garantir.
Mas o que me faz confusão é como criminosos atuam descaradamente, dia e noite, no centro da capital portuguesa, que ainda tem fama de ser uma das mais seguras cidade segura. Será que as autoridades policiais não podem pôr fim a esta nódoa? Não se trata de tráfico nalgum dos bairros problemáticos de Lisboa, mas no centro da capital!
Lanço aqui um apelo às autoridades competentes. O turismo é uma importante fonte de receitas para o país e, por isso, devem ser criadas condições para que as pessoas que nos visitam se sintam bem.
A não ser que o tráfico de droga traga mais dividendos ao erário público do que o turismo. Se assim é, isso não está expresso no Orçamento de Estado.

7 comentários:

Anónimo disse...

A droga leve é descriminalizada em Portugal. Esses pequenos traficantes não fazem mal a ninguém, e não causam problemas na ordem pública. Acredito que faça confusão aos turistas, mas não passará disso. Portugal até tem sido apontado a par da Holanda como um exemplo a seguir na política das drogas.

Abraço :)

Anónimo disse...

Esses ditos traficantes não o são verdadeiramente. Aproveitam-se de um vazio legal e da complacência da Polícia, que não os incomoda na execução do seu pequeno esquema.

Geralmente são ciganos que abordam os transeuntes, sobretudo turistas, oferecendo-lhes em pleno dia "haxixe" ou "cocaína", que não são. Não são estupefacientes mas substâncias lícitas que se confundem com drogas (caldo Knorr, sais minerais).

Não é crime de tráfico porque a acção de comprar ou vender não tem por objecto uma substância estupefaciente. Jurídicamente estamos perante uma tentativa impossível de crime por falta de objecto. E, uma vez que os agentes pseudo traficantes, conhecem essa falta de objecto, essa tentativa impossível não é punível.

Vender falsos estupefacientes também não é crime de burla porque o interesse do toxicodependente em comprar droga não é jurídicamente protegido, dado que é contrário à lei, à ordem pública (consumir droga é contra-ordenação ou crime, consoante a quantidade).

Resultados:

1.º -a polícia conhece os artistas e sabe que não vale a pena detê-los, apreender-lhes as substâncias, submetê-las a exame toxicológico, porque não dará em nada a não ser numa carga de trabalhos para o próprio polícia que não produz qualquer fruto.

2.º - os artistas andam impunemente pelas ruas de Lisboa a dar má imagem do nosso país, da nossa cidade, da nossa sociedade, da nossa cultura (ou falta dela) e da nossa justiça. São os seus amigos e todos os turistas que, em blogues e conversas, expressam a mesma estupefecção e indignação pela impunidade com que esses artistas oferecem drogas, no centro de uma capital europeia e em pleno dia, a quem passe. Essa impressão levam-na para os seus países sem que alguém lhes explique o que eu agora expliquei.

Já que a polícia não chateia esses supostos "traficantes", dificultando-lhes a vida, tenha o Sr. Milhazes a cortesia de explicar aos seus amigos o que deixei aqui exposto, a bem da imagem da pátria.

Agradecido

Pippo disse...

É exactamente como diz o Anónimo as 15:26: é "droga" da treta (e não, não costuma ser "pó branco".

Isto lembra-me um episódio engraçado ocorrido comigo há alguns anos.
Estava eu a mostrar a minha bela cidade a uma namorada estrangeira quando fomos ao Terreiro do Paço e sentamo-nos ao pé da Estátua de D. José. Acto contínuo fomos abordados por um desses jovens "artistas" que nos perguntou se queríamos comprar, ao que eu respondi "Não, obrigado", e ele foi-se embora.

Estávamos nós a ver as vistas quando, 5 minutos depois, apareceu outro vendilhão. "Amigo, quer comprar..." "Não, eu não uso, obrigado". E foi-se embora.
Estavamo-nos a levantar para ir para a rua Augusta e apareceu um terceiro. "Não!". E estavamos a chegar à passadeira para atravessar a rua quando surgiu outro a perguntar "Olhe, quer..." "OUTRA VEZ?!? JÁ É O QUARTO DE HOJE!" "É pá, peço desculpa...", escusou-se o rapaz...

Isto tudo ocorreu, talvez, em menos de 15 minutos.

NunoBento disse...

Caro José Milhazes,

Neste momento, fala-se muito do caso dos Tchetchenos em Boston.

Estamos curiosos para saber o que Putin pensa da morte de um dos suspeitos pelas autoridades americanas. Ou como este caso está a ser vivido na Rússia.

Estes assuntos não estão a ser muito divulgados na imprensa nacional. Será que é possível esclarecer-nos a partir deste blog?

Sinceros cumprimentos!
NB

Anónimo disse...

Vivo em Lisboa há cerca de 2 anos. Sou nortenho, de Viana do Castelo, e umas das coisas que me chocou na cidade de Lisboa foram esses mesmo artistas a vender droga (ou assim o enunciam) nas ruas da baixa. Acho incrível como isto só acontece em Lisboa... Nas outra grandes cidades como Porto, Braga, Coimbra, etc nunca vi nada igual! Porque será? Porque raio as pessoas não fazem nada? De onde venho as pessoas tem orgulho de onde são, falam das suas localidades de peito cheio e as defendem até à última. Já que a polícia não pode ou não quer fazer nada, o povo que o faça! Realmente a apatia reina em Lisboa...

Maria Manuel Monteiro disse...

Caros Senhores Anónimos

Estive a ler todas as vossas intervenções sobre como a droga é vendida livremente e impunemente no centro de Lisboa. Da minha parte, e pelo que tenho conhecimento, o que está a ser vendido não é droga, o que explica o facto de a polícia nada fazer, uma vez que nada estará a ser feito ilegalmente. O que se passa simplesmente é que esses "artistas" enganam não só os turistas mas todos as pessoas que visitam a cidade. Esses burlões teriam de ser apanhados em flagrante delito para serem considerados criminosos,uma vez que o que tentam vender às pessoas não passa de folhas de louro moído. Isto é, os visitantes compram gato por lebre, a um preço bem mais elevado.

Anónimo disse...

Verdade seja dita que só há oferta se houver procura. Havendo policiamento e agindo criminalmente sobre quem está a comprar pode retirar o incentivo aos vendedores.