quarta-feira, setembro 04, 2013

Arquivos da PIDE ajudaram KGB a detetar "toupeira" da CIA


Texto publicado na Lusa por Pedro Sousa Pereita:

    

 "Os arquivos da PIDE-DGS sobre as relações entre a polícia política portuguesa e os serviços secretos ocidentais foram retirados de Portugal pelo KGB com a colaboração do PCP, escreve o historiador José Milhazes num livro sobre a revolução.
O autor de “Cunhal, Brejnev e o 25 de Abril” escreve que os arquivos da PIDE-DGS que foram levados para Moscovo permitiram aos serviços secretos soviéticos não só aceder a informação sobre Portugal mas também identificar uma “toupeira” da CIA no KGB.
A trama explicada por Milhazes, historiador e correspondente da Lusa em Moscovo, no livro que vai ser lançado no dia 13 na Póvoa de Varzim, indica que, em meados dos anos 1970, quando em Portugal reinava o “caos revolucionário”, o PCP, com a ajuda dos “correligionários nos serviços de segurança”, roubou parte dos arquivos da PIDE.
Milhazes escreve que, ao analisar as fichas dos agentes dos serviços secretos norte–americanos contidas na documentação da PIDE, o general Oleg Kaluguin, antigo agente do KGB, descobriu o apelido de “uma dama” (Pilar Suarez Barcala) que conseguiu, na Colômbia, envolver numa história de amor, e, depois, de espionagem, o diplomata soviético Ogorodnik, mais tarde desmascarado em Moscovo como espião da CIA (página 38).
José Milhazes conta ainda o episódio vivido por um agente soviético, Guenrikh Borovik, que, passando por jornalista, em maio de 1974, entra com “facilidade” na sede da PIDE em Lisboa, na companhia de um português, tendo “roubado” o próprio cartão de identidade de Silva Pais, o diretor da então polícia política, apesar de ter sido revistado pelos militares do Movimento das Forças Armadas que guardavam o edifício.
“A tentação de desviar os arquivos da polícia política portuguesa para a URSS, com a ajuda do PCP, podia ter surgido devido a relatos” como esse que demonstram a facilidade com que “se entrava nas instalações da PIDE em Lisboa ou na prisão de Caxias”, escreve Milhazes no livro “Cunhal, Brejnev e o 25 de Abril”.
“Os arquivos (da PIDE) continuam em Moscovo, apesar de a Rússia dizer que não tem nada, o que é fácil de compreender porque a Rússia naquela altura fez um ato ilegal. Porque foi um roubo. Eu no meu livro apresento elementos que mostram que, efetivamente, os arquivos foram para Moscovo e que foram utilizados pelos serviços secretos soviéticos. A parte que falta dos arquivos da PIDE - aquela que foi levada para Moscovo - diz principalmente respeito aos contactos internacionais da polícia política portuguesa”, disse José Milhazes.
“Cunhal, Brejnev e o 25 de Abril – Como a União Soviética não quis a revolução socialista em Portugal” de José Milhazes (Editora D. Quixote, 205 páginas) é apresentado na Póvoa de Varzim no dia 13 e no dia 24 em Lisboa."

9 comentários:

praianorte disse...

Comprei o seu livro, já fiz referencia no face, publicando a face do mesmo. Alem de um comentário sobre as contradições da atual direção do pcp sobre o fracasso do regime soviético. Não aprendem nada com os erros. Venham mais livros. Abraço
PS. Tenho aí um filho em Moscovo a trabalhar na Adecco.

praianorte disse...

Comprei o seu livro, já fiz referencia no face, publicando a face do mesmo. Alem de um comentário sobre as contradições da atual direção do pcp sobre o fracasso do regime soviético. Não aprendem nada com os erros. Venham mais livros. Abraço
PS. Tenho aí um filho em Moscovo a trabalhar na Adecco.

Anónimo disse...

Aqui estão as fontes do genial José Milhazes:

E é assim que, desta vez a pretexto de umas fantasias constantes do livro de um ex-arquivista do KGB que resolveu fazer-se pagar-se em dólares ou libras pela sua conversão, aí está a reposição no essencial da revoada de caluniosas acusações contra o PCP e os comunistas portugueses que, para não ir mais atrás, tiveram largo curso mediático no Outono de 1994, então em torno das alegadas «revelações» contidas no livro do espião Oleg Kaluguin, também ele convertido em assalariado das campanhas anticomunistas.
JM

José Milhazes disse...

Anónimo, a velha táctica comunista. Não leu ainda o livro e já está a caluniar, não aprendem mesmo nada.

Antonio Martins disse...

Ha muitos anos que sigo e leio o seu blog e tenho aprendido imenso. Aprecio a sua objetividade e analise.
Dia 13 estarei na Povoa.
Cumprimentos

A. Martins

Anónimo disse...

Não faça verdades a partir de pressupostos. A velha tese de que os arquivos da PIDE foram para Moscovo é uma falsidade. A leitura do livro nunca pode transformar uma mentira numa verdade.
Para quem se fez à conta do Partido Comunista o que pretende agora na qualidade de arrependido? Renegar o passado? Pode fazê-lo sem se arvorar em "historiador".
JM

Anónimo disse...

No seu livro está datada a operação de transporte dos arquivos de Lisboa para Moscovo? Tenho a informação de que foram da António Maria Cardoso, em duas camionetas, para o aeroporto de Lisboa, onde embarcaram num avião da Aeroflot. Ao dispor
Manuel Bernardo

José Milhazes disse...

Caro Manuel Bernardo, não tenho datas precisas, mas penso que teria sido logo a seguir ao 25 de Abril: Maio ou Junho.

Anónimo disse...

Caro José Milhazes:

A minha fonte (grande credibilidade) diz que foi de facto no fim da primavera, princípio do verão, mas de 1975.

Poderá ver aí em Moscovo, se as suas fontes podem confirmar a chegada dos referidos arquivos?

De facto, em 1975, o PCP tinha mais força do que em 1974, sendo assim possível que tal operação tivesse maior êxito neste ano.
Para qualquer contacto mais sigiloso pode usar este meu email:
manuel.bernardo.258@gmail.com
Ab
Manuel Bernardo