segunda-feira, dezembro 02, 2013

Pode não se gostar de Putin, mas esperemos que ainda não tenha enlouquecido.




Ontem, surgiu a notícia de que no Aeroporto de Borispol, em Kiev, teriam aterrado polícias russos para ajudar os seus colegas ucranianos a pôr fim às desordens na capital da Ucrânia.
Hoje, Serguei Smolianinov, deputado municipal de Sevastopol, cidade do sul do país onde se encontra uma base militar russa, exortou o presidente da Federação Russa, Vladimir Putin, a enviar tropas russas para a Ucrânia.
De acordo com Smolianinov, “serviços de espionagem ocidentais e seus agentes empreenderam uma tentativa de derrubar o governo legítimo” do país.
Neste contexto, ele pede que o presidente russo “chegue a um acordo com o governo da Ucrânia para a entrada no território nacional das forças armadas da Federação Russa, para proteger (a Ucrânia) contra o exército dos EUA e os agressores da NATO”.
Teoricamente, essa proposta pode parece real, mas, na prática, terá consequências tão funestas não só para a Ucrânia, mas também para a Europa e a própria Rússia, que dificilmente se poderá tornar realidade.
Pode não se gostar da política externa e interna de Putin, mas daí concluir que o Presidente russo enlouqueceu...
Mesmo que se aceite como ponto assente que a NATO, os Estados Unidos e a UE não irão responder com o envio de tropas, mas apenas com o fornecimento de armas à oposição ucraniana, isso não facilitaria muito a vida aos militares russos, pois o envio de polícias e tropas russas para a Ucrânia provocaria uma divisão no seio das forças de segurança ucranianas, o que apenas iria atear ainda mais rapidamente o fogo da guerra civil no coração da Europa.
As tropas russas até poderiam ocupar a Ucrânia, que, depois da Rússia, é o maior país da Europa, mas poderiam ver-se numa situação semelhante à que as tropas soviéticas enfrentaram no Afeganistão.
Além disso, não se pode esquecer que o envio de polícias e tropas russas para o país vizinho desencadearia uma forte onde de protesto da própria Rússia. Se, actualmente, os jovens russos fazem tudo para fugir ao serviço militar obrigatório, passariam a fazer muito mais para evitar participar numa guerra contra os ucranianos, povo irmão.
Não se pode desprezar a onda de protesto que se levantaria na Rússia contra a intervenção militar. Essa talvez fosse a melhor prenda que Putin poderia oferecer à oposição russa. Ele não só violaria as mais elementares normas do Direito Internacional, mas os esforços de guerra poderiam dar um golpe de misericórdia na já débil economia russa.
Intervenções da URSS em Angola, Etiópia, Moçambique, Afeganistão, etc. foram uma das causas principais da derrocada desse país; a intervenção militar da Rússia poderá ser o fim desse Estado.
Por isso, Moscovo insiste em “comprar” a Ucrânia com promessas económicas. Ainda hoje, Igor Chuvalov, vice-primeiro-minstro russo, prometeu diminuir o preço do gás russo vendido à Ucrânia, bem como outras facilidades económicas, incluindo a concessão de créditos, caso Kiev se aproxime da União Aduaneira.


7 comentários:

Anónimo disse...

Como vc falou, pura loucura!

PortugueseMan disse...

...Ontem, surgiu a notícia de que no Aeroporto de Borispol, em Kiev, teriam aterrado polícias russos para ajudar os seus colegas ucranianos a pôr fim às desordens na capital da Ucrânia...

Meu caro,

Qual a fonte desta notícia? é que assim à primeira vista, parece que anda a ouvir tudo o que por aí dizem, seja ele verdadeiro ou não. E isto parece-me aldrabice do tipo notícias fabricadas para a internet.

Quanto ao resto do artigo, meu caro, parece haver um pouco de imaginação a mais.

Lá porque alguém grite pelos russos, não quer dizer que estes venham.

Não faz sentido absolutamente nenhum uma intervenção externa, você não vê os russos a andarem por aí a invadir, só por dá cá aquela palha.

E pare para pensar um pouco, a Rússia já tem a Ucrânia aos seus pés, não precisa de nenhum tipo de força militar para forçar o país virar para o seu lado.

E nada na actuação russa faz pensar nisso, a Rússia não demonstra querer anexar países pela força militar.

A Rússia não demonstra ser um bicho papão.

Tem é uma política externa cada vez mais forte.

E em vez de usarem a arma militar usam a arma económica.

Eles não têm nada que intervir. Das duas uma, ou este governo aguenta e faz recuar os protestos, ou o governo cai.

Se cair, temos que esperar por aqueles que não concordam que o governo seja afastado se manifestem.

Aqui é que vamos ver como a coisa vai ficar.

Mais depressa a Ucrânia entra numa guerra civil, do que os russos pensem sequer meter lá os pés.

José Milhazes disse...

Caro PM, essa notícia foi publicada no sítio em português da Voz da Rússia ontem e depois difundida por outros meios de comunicação. EStou de acordo que no artigo há imaginação a mais, pois a intervenção militar russa na Ucrânia seria uma catástrofe e escrevi para explicar porque é que se trata de um cenário pouco real ou até mesmo irreal.

PortugueseMan disse...

Infelizmente eu até equaciono um cenário desses. Mas não como o está a imaginar.

Se a Ucrânia como um todo não se entender, uma das hipóteses é partirem para a violência.

Vamos imaginar que mudamos agora de políticos e de orientação politica.

Os próximos serão hostis para a Rússia e ainda ficará para saber a situação da NATO.

Mas serão de certeza hostis para com a Rússia e muito virados para a UE.

Nesta situação é que não haverá flexibilidade por parte da Rússia. Quem vai pagar as dívidas da Ucrânia? vamos ficar na mesma situação que agora. E a Rússia estará sempre a exigir pronto pagamento do gás fornecido.

É preciso dinheiro ou é bancarrota.

Quando estivermos de novo neste cenário e que será muito em breve, seja com estes ou outros políticos, novas manifestações surgirão e receio que de ódio uns com os outros, atirando culpas mutuamente.

Existe a hipótese de um conflito interno e num cenário destes, depois de anos de mortandade, os russos (e outros) terão que entrar para criar barreiras para separá-los.

E aqui teremos um novo país europeu, com novas fronteiras, uma vez mais.

Infelizmente com muitos mortos para ficarem na história.

everardo disse...

"Derrocada da URSS??" Meu caro Milhazes, deves estar a brincar. Dinto em dizer, mas seu pensamento está ainda nos tempos de Boris Yeltin. Abraço.

Anónimo disse...

Eu tb estou temendo uma intervenção russa.

Pippo disse...

Não antevejo uma intervenção russa nesta altura em que tudo não passa de protestos, mais ou menos violentos, mas apenas isso.
Nem sequer antevejo uma intervenção russa caso o actual governo/presidente sejam depostos via golpe de Estado. Nesta situação, a Ucrânia sofreria as sanções habituais, a "benigna" UE teria de trocar os pés pelas mãos para justificar a sua postura face aos acontecimentos (fosse ela qual fosse), etc.

Contudo, antevejo uma intervenção russa caso a Ucrânia, porventura, mergulhe numa guerra civil a qual oporá inevitavelmente o Leste e o Oeste, com os russos a proteger os ucranianos de cultura e fala russa que vivem no Leste.

Na iminência dessa intervenção, restará saber:
1 - qual a posição das FA ucranianas e se se manterão ou não unidas;
2 - qual o nível de intervenção (muito ou pouco violento; com os sem mandato territorial específico; com características de manutenção de paz ou de imposição de paz, etc.);
3 - Reacção da população do Leste e do Oeste a tal intervenção;
4 - Consequências regionais (por exemplo, cisão da "Fronteira" em dois Estados independentes; federalização do país; etc.)

Nem refiro a reacção da "comunidade internacional" pois essa será a do costume...