quinta-feira, Janeiro 23, 2014

Conflito na Ucrânia salta fronteiras de Kiev


No momento em que escrevo estas linhas, as conversações entre o Presidente da Ucrânia, Victor Ianukovitch, continuam, mas se terminarem sem resultados reais, o mais provável é que a situação saia de sob o controlo e o conflito se alastre a todo o país.
Na realidade, o conflito já ultrapassou as fronteiras de Kiev e manifestantes da oposição começaram a ocupar os edifícios dos governadores de algumas regiões ucranianas: Lvov, Rovno. Ternopol. Na cidade de Tcherkass, a polícia conseguiu desalojar os manifestantes do edifício onde se encontram os órgãos de poder desta região ucraniana.
Estes movimentos de ocupação têm lugar na parte ocidental e central da Ucrânia, onde a oposição tem forte influência e, a continuarem, poderão pôr em perigo a unidade territorial do país.
A Ucrânia independente, com as actuais fronteiras, existe deste 1991 e os dirigentes do país não conseguiram ou não souberam criar um Estado capaz de resistir a crises como a actual. O Leste e o Sul continuam virados para a Rússia, enquanto que o Ocidente olha para a Europa Central. Caso não se chegue a um consenso sobre a saída da crise, a Ucrânia poderá simplesmente deixar de existir, claro que esse processo não será pacífico, mas poderá ser semelhante ou pior ao que aconteceu na Jugoslávia.
As autoridades e a oposição ucranianas compreendem perfeitamente isso, daí haver alguma esperança de que consigam travar esta espiral de violência. O presidente do Parlamento da Ucrânia já convocou uma reunião de emergência para analisar as propostas da oposição pró-europeia, mas tendo em conta o seu teor, é difícil que obtenham a maior. A oposição pretende a demissão do Presidente e do Governo, a realização de eleições gerais antecipadas e a revogação do pacote de leis aprovado na semana passada que limita seriamente a liberdade de expressão e manifestação.
Nesta situação, toda a pressão internacional, venha ela de Moscovo, por um lado, ou de Bruxelas e de Washington, por outro para que se chegue a um acordo que ponha fim à violência, é bem-vinda, pois será um grave erro diplomático, para não dizer crime, se a situação conduzir à divisão do país.
Alguns analistas consideram que Vladimir Putin aposta na divisão da Ucrânia em conformidade com o princípio do “dividir para reinar”, fazendo paralelos com a situação na Ossétia do Sul ou a Transdnistria. Não creio, pois as dimensões da Ucrânia e a situação no continente europeu tornam os jogos com a divisão deste país muito mais perigosos, com consequências imprevisíveis para as relações entre a Rússia e a UE e a Rússia e os Estados Unidos.
A situação derrapa para o pior dos cenários, mas há tempo para evitar o pior e devemos ter presente que a Ucrânia não fica tão longe como a Líbia ou a Síria, mas é parte integrante da Europa. Por isso, todos os inspiradores das forças em confronto não devem continuar a viver no mundo das lutas geopolíticas, transformando este drama é mais um jogo de xadrez. Esses jogos são interessantes nas discussões académicas, mas, na realidade, custam centenas, milhares de vítimas.


3 comentários:

Pippo disse...

Entretanto, JM, o que é que acontece no Leste e no Sul? Há calmaria, há ânimos acirrados, há espectativa, há rumores de reacção, há o quê? É que nada se sabe, e eu cá acho isso muito estranho.
Uma pessoa até seria levada a pensar que só nos dão a saber o que "interessa"...

Anónimo disse...

Nunca pensei assistir a manifestações pró-capitalistas pelo que algo deve ser repensado ou estaremos no inicio de uma 3.ª Guerra Mundial?.
Só não sei se estas manifestações representam uma parte substancial da Ucrânia ou se são movimentos sem profundidade popular consistente. O Milhazes é que nos pode informar.
Máximo Gorki

Anónimo disse...

NÃO HÁ MANIFESTAÇÕES SEM MOTIVO E SE O MOTIVO É IR PARA O EURO, NÃO É COM MANIFESTAÇÕES QUE SE CONSEGUE. AGORA, PARA DERRUBAR UM GOVERNO É NECESSÁRIO ISTO QUE ESTÃO FAZENDO. NÃO SÃO MANIFESTANTES, SÃO FANTOCHES DE GOLPISTAS FINANCIADOS E PATROCINADOS PELOS ESTOS UNIDOS!