terça-feira, janeiro 14, 2014

Rússia continua “ofensiva energética” na Europa



Hoje, Vladimir Putin, Presidente da Rússia, e Viktor Orban, primeiro-ministro húngaro, encontraram-se em Moscovo, onde foi dado mais um importante na realização do projeto energético russo na Europa do Leste e Central.
O dirigente húngaro garantiu ao Kremlin que o seu país vai cumprir todos os compromissos relativos à construção do gasoduto “Corrente do Sul”, tubo que irá transportar gás da Ásia Central para a Europa através do Mar Negro.
Este gasoduto está a ser construído contra a vontade da direcção da União Europeia, mas é verdade que alguns dos seus membros preferem receber da Rússia um pássaro na mão do que ver outros pássaros a voar em Bruxelas.
Enquanto que a UE não poupa epítetos para definir a política de Victor Orban, que alguns consideram ser um dirigente muito próximo da extrema-direita do seu país, outros até lhe apelidam de fascista, Moscovo ganha o seu apoio para mais um grande projeto energético prometendo ao governo húngaro um empréstimo, que poderá ir até aos 10 mil milhões de euros, para a construção de dois novos blocos na Central Nuclear de Paks.
Pragmatismo é o que não falta na política externa russa.
Escusado será dizer que essa empreitada irá ser realizada com a participação de empresas russas.
Como é sabido, a União Europeia prometeu a construção de um gasoduto Nabuco para concorrer com a “Corrente Sul”, mas, até agora, só se ouve falar das obras do segundo, que começaram há alguns meses e estão a avançar a toda a força na Sérvia, um candidato à entrada na UE que não pretende perder os frutos das boas relações com a Rússia. 
Moscovo continua a utilizar a sua política energética utilizando as contradições cada vez maiores no seio da União Europeia.
Hoje, Bruxelas propôs a Moscovo que a cimeira entre a Rússia e a UE se realize num só dia, a 28 de janeiro, e não em dois, como era tradição.
Isso foi feito a pedido da União Europeia, que fez semelhante proposta a parte russa concordou, nomeadamente por essa cimeira irá decorrer no território da UE”, comentou Kirill Ivanov, porta-voz da embaixada russa junto da UE.

Não será isto mais um sinal do enfraquecimento do diálogo entre Moscovo e Bruxelas? 

8 comentários:

Anónimo disse...


Carrega Putin.

Mostra a essas osgas da UE com quantas tábuas se faz uma canoa.

V.Orbán, é dos melhores PM em toda a zona Euro. É patriota, nacionalista.

Mandou o FMI pró-ca.......
Em consequência disso a economia do pais começou logo a melhorar.

Uma boa jogada de Moscovo. Bom para ambos.
Bom para todos aqueles que estão fartos das garras da alta finança dos Rostchilds, Morgans e afins.

Carrega neles, Putin.

Fernando Negro disse...

Se não estão alinhados com o Ocidente, são "ditadores", são "fascistas" e afins...

Se servem os interesses do Ocidente, oh... São o "Gandhi dos Balcãs", a "Joana d'Arc da Ucrânia" e outros termos ridículos - ainda quando desrespeitam a ordem democrática dos seus países...

E aqueles bombardeamentos e invasões da Líbia, por parte de países da UE, para se apoderarem dos seus recursos naturais, não são condizentes com (e não fazem lembrar) o mencionado "Fascismo" de outros tempos?

E o imensamente inteligente público ocidental a engolir esta propaganda de treta toda...

Anónimo disse...

Afinal foi bom remodelar a União Soviética que só estava a roubar a visibilidade à luta contra o capitalismo. A União Soviética alocava em si mesma toda a crítica negativa na evolução para o comunismo e os capitalistas agora já não têm uma referência para se justificarem.

Anónimo disse...

Fernando Negro então diga-me, a Rússia é democrática? A China é democrática? A Líbia era democrática com K. no poder? A Síria é um país democrático? Não são. São ditaduras semelhantes e maior parte delas até piores que a nossa. O que me parece é que estejamos a viver o 1984 de George Orwell(geopolíticamente), mas mesmo assim o povo ainda tem poder de se articular para evitar o pior, o mal é que o povo ou muitos poucos têm no seu meio eleitoral partidos que sejam a reflexão do seu pensamento.

Pippo disse...

É o que dá ter-se uma política realista baseada em interesses reais, em lugar de uma política fantasiosa baseada em muito de nada e pouco de alguma coisa.

Em todo o caso, é bom que a Rússia se apresse a revitalizar a sua economia produtiva pois se continuar a basear-se apenas na extracção, a situação actual poderá ser insustentável a médio prazo.

PortugueseMan disse...

Como já venho a dizer há uns anos, a Europa cada vez mais precisa de energia, a Europa preciso de muita energia e a Rússia é um fornecedor gigante.

A Europa vai ter que engolir uns sapos, ou então que trate de arranjar energia de outra maneira.

Mas até agora não conseguiu e isso fortalece a posição russa.

Picas Cruz disse...

Caro José Milhazes não consigo adquirir o seu livro: "Angola - o princípio do fim da União Soviética". Está esgotado. Porque não publica em e-book?

José Milhazes disse...

Picas, estou a tratar precisamente da reedição do livro. Prometeram para breve.