sábado, março 15, 2014

Guerra civil ucraniana faz mais vítimas mortais



Confrontos entre manifestantes pró-Rússia e pró-UE na cidade de Kharkov, no Leste da Ucrânia, provocaram dois mortos e vários feridos encontram-se em estado grave.
Moscovo apressou-se a acusar as forças da extrema-direita ucraniana dos desacatos e reafirmou que reserva para si o direito de intervir em defesa dos “russófonos” e seus cidadãos. Para que estas palavras sejam levadas a sério, o Kremlin continua a concentrar fortes contingentes militares nas fronteiras com o Leste e o Sul da Ucrânia.
Tendo em conta o desenrolar dos acontecimentos, podem-se prever dois cenários: Putin apodera-se da Crimeia, desmonta todas as estruturas militares e civis ucranianas existentes naquela península e começa conversações com a UE e os EUA com vista a manter as posições conquistadas.
(A ocupação e anexação da Crimeia é um facto irreversível, e aqui não deverá haver ilusões, pois é difícil imaginar formas de pressão que levem Vladimir Putin a recuar).
Este cenário poderá ser o menos sangrento, visto que as forças armadas da Ucrânia parecem não ter capacidade de resistir, mas não se podem excluir acções armadas de grupos clandestinos contra a presença russa na Crimeia.
O outro cenário possível é a continuação da expansão do poderio militar russo ao Leste e Sul da Ucrânia e, neste caso, será inevitável não só uma guerra civil entre ucranianos, mas também uma guerra entre ucranianos e russos. A julgar pela correlação de forças militares, o Kremlin poderá vencer, mas com graves custos para ambas as partes do conflito.
Neste caso, não se pode excluir o apoio em armamentos por parte da NATO ao governo ucraniano de Kiev, o que poderá dar dimensões ainda maiores ao conflito.
Neste momento, o nível de popularidade de Putin entre a população russa é muito alto, mas estas coisas mudam muito depressa, quando os caixões com soldados russos começarem a chegar à Rússia.


N.B. A Rússia recebeu hoje o apoio da Coreia do Norte

17 comentários:

Anónimo disse...

ehehehhehehehe gostei em especial do " NB: " se o ridículo fosse Sarna você Milhares seria o rei do coça, coça .../...
AFerreira.

Nuno Rolo disse...

Bom dia,
Esse apoio da Coreia do Norte, poderá traduzir se de um alastramento do conflito a penisula Corieana?

chukcha disse...

A questão é sempre a mesma:
mas o que é que esta gente (a que deistribui bolinhos na praça bem como a nova nomenklatura golpista do Maidan, que os papava) estava à espera?

Que os Rússos, filhos de russos e netos de russos, daqueles de kaliningrado e dos urais, que por força da circunstância vivem na Ucrânia, são cidadãos ucrânianos, fossem fazer? Aprender Galaico e aceitar de bom grado a substituição do memorial ao soldado desconhecido (que é um memorial aos avós e bis-avós de muitos) pelas estatuas de Bandera e Melnyk?

O problema é que esta gente pôs-se a brincar com fogo e agora andam à deriva....
Concordo que a Criemia já lá vai, agora alternativas para o resto:

1. O ocidente desligitimiza os golpistas e promove a criação de um governo unitário (como estava no acordo e era o que a Rússia estava à espera, até reparar que ninguém lhe liga nenhuma, e por isso resolveu antecipar o referendo na Crimeia), realisa-se uma reforma constuticionaç, federalização e pode ser que isto ainda tenha salvação).

2. Fica tudo na mesma e o pessoal começa à batatada. A Rússia intervém e limpa o sebo uns milhares, ou a Rússia não intervém e uns milhares limpam o sebo a outros milhares e isto acaba numa guerra cívil.

3. Não acontece nada, vamos a eleições, ganham "os bons" (seja lá quem for, o exercito nacional(ista) é edificado sobre as milícias fascistas, e a Ucrânia passa a integrar o ocidente civilizado com uns delegados do FMI a mandar, o Svoboda têm 40% nas eleições, os ucrainianos orientais vão-se embora, a economia Ucrãniana floresce e as pessoas vivem felizes...

Pippo disse...

"A ocupação e anexação da Crimeia é um facto irreversível, e aqui não deverá haver ilusões, pois é difícil imaginar formas de pressão que levem Vladimir Putin a recuar"

Ora cá está! A Rússia interveio, adiantando-se a todos os outros, e agora está de pedra e cal a dominar o território. Imaginemos agora, JM, que a Rússia não tivesse intervindo, confiando no "Direito Internacional" e na boa vontade das novas autoridades ucranianas+NATO*UE para resolver estas e vindouras questões, o que é que acha que aconteceria? Exactamente o contrário, ou seja, seria a NATO e os nacionalistas ucranianos a dominar a Crimeia, e depois seria "um facto irreversível", e seria difícil imaginar "formas de pressão" que os levassem a recuar"...

Relativamente à "Guerra Civil Ucraniana", creio que tudo depende da atitude dos kievitas relativamente às regiões separatistas. Se eles atacarem ou obrigarem os ucranianos que lá vivem a submeter-se ao seu poder, certamente haverá conflito, recurso às armas, guerra. Os ucranianos do Leste sabem perfeitamente o que os do Oeste querem. Se eles quiserem juntar-se à Rússia, não será, nem a Costituição (já rasgada), nem o "Direito Internacional" que os irá impedir.

Já agora, quanto às questões da "legalidade" ou "ilegalidade" do referendo na Crimeia:
http://russeurope.hypotheses.org/2100

Europeísta disse...

Caiu por terra o mito de que o apoio a Rússia no Leste e no Sul é um consenso. Esses conflitos estão mostrando que não. A população está dividida. Se não estivesse não haveria tantos conflitos. Sem contar que há denúncias de que Moscou está pagando gente para atravessar a fronteira d Ucrânia para vir protestar no país. São os "turistas de prostestos", por exemplo, rapaz russo de Moscou que atirou fora a bandeira da Rússia da sede do governo em Karkiv. Ele estava hospedado num hotel naquela mesma praça. Tem check-in e tudo para comprovar. A Rússia está tentando separar e dividir a Ucrânia. A contagem dos votos no referendo será feita à portas fechadas, sem observadores internacionais, sem consenso com Kiev, tudo à revelia do Direito Internacional. Quem não duvida que as votações não serão tipicamente soviéticas com 99,99% dos votos favoráveis a secessão ilegal!

Anónimo disse...

Rússia perdou a dívida da C. do Norte no valor de 10 biliões de USD, Kim fez um ótimo negócio...

Governador de Kharkiv foi absolutamente direto: "a culpa das mortes está com as forças chauvinistas pró-russas"...

Anónimo disse...

Justino disse

A Crimeia russa vai, mais tarde ou mais cedo, obter reconhecimento por todos os países do eixo euro-asiático geograficamente próximos, além da China, Irão, Síria e outros países do golfo pérsico, alguns países africanos, e quase todos países latino-americanos exceptuados a Colômbia e o México.

Isto porque a nível planetário existe uma forte contestação das políticas unilaterais norte –americanas que deram o resultado que se vê no Iraque, para não falar no lixo tóxico que lançou do ocidente num descalabro económico. Bem revelador disto foi a “nega” que os americanos levaram de Cameron e dos Comuns em relação uma intervenção na Síria.

Estas palavras de Eisenhower proferidas há mais de cinquenta anos não poderiam ser mais adequadas ao momento presente :
“….devemos precaver contra a aquisição de influência indevida, se procurado ou espontaneamente, pelo complexo militar-industrial. O potencial para a ascensão desastrosa de poder equivocada existe e vai persistir. Nunca devemos deixar que o peso dessa combinação colocar em perigo as nossas liberdades ou os processos democráticos. Nós devemos tomar nada como garantido. Apenas um cidadão atento e experiente pode obrigar a malha adequada das máquinas enormes industrial e militar de defesa com os nossos métodos e metas pacíficos, de modo que a segurança e liberdade possam prosperar juntas”.

Ora, nenhum país do mundo investe tanto em defesa e bases militares no exterior como os EUA,quase em economia de guerra, de que é exemplo o custo do novo F-35 que, segundo a Reuters, pode ascender a 1,45 triliões de dólares, isto enquanto uma boa parte da população americana é “homeless”, Chicago faliu e a Califórnia vai pelo mesmo caminho, além de, só agora com o Obamacare se abriu o caminho a cuidados de saúde universais.

Diz também o conhecido princípio de Murphy que se um dos resultados possíveis de uma tarefa pode conduzir a um desastre é garantido que esse desastre fatalmente acontecerá.

Na Síria, os EUA já se encontram em guerra com a Russia por interpostos pessoas tendo os americanos optado pelos extremistas islâmicos fiéis da sharia que se degladiam entre si. Agora abriram mais uma frente ao apoiar um movimento de extremistas na Ucrânia que logo após derrubarem um governo sufragado nas urnas suprimiram a língua russa nas partes russófonas.

Um conflito assim provocado, ainda que passasse do nível das sanções económicas, só pode fragilizar ainda mais uma UE que não acolheu a Ucrânia a quando da revolução laranja, mas agora parece ardentemente desejá-la no estado de falida, despejando nela os Euros que tanta falta nos fazem, ao invés, beneficia o complexo militar industrial americano, lançando a Europa do leste no caos que se vê na Síria e no Iraque, mas que pode muito bem servir para esconder as debilidades económicas de mais uma previsível “débacle” como a de 2008 o que pode acontecer se a China deixar de comprar a dívida americana que já ultrapassou 100% do PIB ou passar a vendê-la.

MSantos disse...

O meu vizinho do 5º esquerdo também apoia a Rússia.

Cumpts
Manuel Santos

MSantos disse...

Ah, e esqueci-me de o referir, ele é um tipo bera.

Cumpts
Manuel Santos

MSantos disse...

Agora a sério: qual será o problema para as virgens ofendidas se um Estado falhado for repartido pelos respectivos povos que ocupam, se essas mesmas virgens andaram desde 1991 a retalhar países e a redesenharem fronteiras de régua e esquadro, impondo novas ordens mundiais, "democracias" e tudo o resto?

Cumpts
Manuel Santos

Buíça disse...

Uma delícia a parte sobre a Ucrania "talvez" perder uma guerra contra a Rússia...
Na sequência do golpe de estado do Ocidente em Kiev que deixou efectivamente a Ucrania sem governo eleito e mais de metade do país sem representação, as regiões de maioria Russa sabem bem quem são os fantoches que os Americanos deixaram em Kiev e que começaram logo por lhes ilegalizar a língua.
Naturalmente preferem passar a fazer parte da Rússia do que ficar à espera da balcanização do costume. E temos todos que agradecer aos russos o compromisso forte de intervir em caso de agressão à população pro-russa, que é o que tem evitado a guerra civil. Uma guerra fratricida (onde tipicamente toda a gente cega e acaba tudo em valas comuns) às portas da Europa num país com 5 ou 6 centrais nucleares devia ser a única coisa em que o senhor milhazes devia estar interessado.

A política externa/energética americana na última década tem batidos verdadeiros recordes. Iraque, Afeganistão, Libia, Egipto, Síria, Venezuela e podemos até somar o faroeste a céu aberto que é o México ali mesmo ao lado com 100 mortos diariamente. Só mesmo os Milhazes deste mundo é que ainda acreditam que há direito internacional quando está perfeitamente evidente que o maior complexo militar do planeta está completamente ao serviço dos interesses energéticos e financeiros das empresas que há muito controlam washington.
Cumps,
Buiça

Nuno Rolo disse...

A Russia acabou de invadir uma Vila na Ucrania fora da Penisula da Cimeia o MNE da Ucrania ja havisou que poderá utilizar todos os meios para retirar as forças russas dessa vila, cada vez mais perto da guerra.

PortugueseMan disse...

começa conversações com a UE e os EUA com vista a manter as posições conquistadas.

Não vai começar conversações com ninguém, passa a ser território russo e ponto final.
Conversa para quê? o que vão os americanos ou europeus fazer?

...visto que as forças armadas da Ucrânia parecem não ter capacidade de resistir...

Eu confesso, já li e reli esta frase e interrogo-me no que vai nessa mente. Estou a detectar um desejo lá no fundo de ver os ucranianos a darem uma "lição" aos russos?

Mas você está bem a ver o que acontecerá à Ucrânia se os militares começarem a agir? a guerra não vai ser em território russo a guerra será em território ucraniano.

Você não deveria ter dúvidas sobre a capacidade de resistência das forças armadas ucranianas, que felizmente parecem-me que têm melhor senso do que aquele que você está a mostrar.

As forças armadas ucranianas nem sabem o que pode acontecer internamente se forem lutar contra os russos.

As forças armadas ucranianas sabem, que se entram a matar, o país transforma-se num Iraque, numa Líbia, numa Síria.

Se as forças armadas ucranianas sentissem que estavam a ser invadidos por alguém, que mais motivos precisam umas forças armadas para defender as suas terras, as suas gentes, as suas familias, as suas crianças?

Mas não é o caso, o caso aqui é que as suas gentes, as suas famílias, estão divididas. E as forças armadas não foram criadas para intervir neste tipo de situações.

As forças armadas SÃO estas gentes, SÃO estas famílias.


...O outro cenário possível é a continuação da expansão do poderio militar russo ao Leste e Sul da Ucrânia...

O outro cenário possível, é esses ucranianos DESEJAREM a intervenção dos russos, este é que é o cenário. Os russos têm demonstrado educação, entram depois de pedir licença.


...A julgar pela correlação de forças militares, o Kremlin poderá vencer, mas com graves custos para ambas as partes do conflito...

O Kremlin já venceu meu caro. Mas pronto se já fez as contas aos custos, já deve ter percebido como é que vai a Ucrânia vai ficar. E não é para ambas as partes, meu caro, é para TODAS as partes envolvidas no conflito.

Nós os europeus vamos pagar bem caro, esta aventura para onde fomos arrastados.

Neste caso, não se pode excluir o apoio em armamentos por parte da NATO ao governo ucraniano de Kiev, o que poderá dar dimensões ainda maiores ao conflito.

Está a brincar? num contexto de guerra onde a Rússia está envolvida, a NATO fornecer armamento? Tem a noção que isso implicaria uma guerra NATO/Rússia?

...quando os caixões com soldados russos começarem a chegar à Rússia...

Quando isto acontecer, terá uma Ucrania em chamas. A Rússia recebe soldados russos, para enterrar, os ucranianos nem terão tempo de arranjar caixões para famílias inteiras dizimadas.

Estamos a falar de guerras e neste caso de uma guerra civil. Olhe para a Síria meu caro e percebe porque as forças armadas ucranianas estão relutantes.

É que há gente que apesar de não gostar de Putin, não vê nisso justificação suficiente para destruir um país.

EJSantos disse...

Noticias da democracia ucraniana:
"Como será possível encarar a sério tal hipótese se, mediante um dos primeiros decretos, o parlamento ucraniano legitimou, de fato, a proibição do uso da língua russa? No fim-de-semana passado, os deputados invalidaram a Lei de Línguas Regionais, adotada em julho de 2012. A partir dai, a nível oficial, deverá ser usado, única e exclusivamente, o idioma ucraniano. A UE não protestou contra isso. Nem enviou protestos após as declarações do líder do partido Svoboda (Liberdade), Oleg Tyagnibok, sobre “a necessidade de se livrar do poder dos russos e judeus”.

Leia mais: http://portuguese.ruvr.ru/2014_02_24/EU-e-EUA-procuram-montar-uma-nova-Ucr-nia-0263/

Tuga disse...

O Pravy Sektor já anda a abater russos desde o dia 10 em Luhansk
http://www.youtube.com/watch?v=YhDuVhh0yUs

Ontem pelos visto foi em Kharkov.
http://www.youtube.com/watch?v=TCOHQHtuwkI

http://www.youtube.com/watch?v=LJBMYCu505w

Depois de dia 16 a coisa vai piar fininho para estes arruaceiros financiados pelos EUA, o Putin vai pô-los na linha.

O que me mete impressão na europa é como é que há gente que não percebe que os americanos são uns irresponsáveis, que andam a brincar ás primaveras e que nos arranjaram um grave problema na europa.

É que até aqui era em Africa e no Medio oriente, agora já é na europa.

Ou nos pomos finos ou os yankies dão cabo disto.

antónio m p disse...

«Agora Obama tem um problema: como pode ir em segurança à Ucrânia quando no governo e no parlamento (vai encontrar) tantos "democratas" nazi-fascistas que o consideram de raça inferior».

Isto é apenas um excerto de um artigo bem desenvolvido em "Praça do Bocage": http://pracadobocage.wordpress.com/

Nuno Rolo disse...

DrºMilhazes
Gostava de perguntar se depois de 21 de Março os militares ucranianos irão se retirar da Crimeia ou vão lutar contra os russos?