quarta-feira, março 05, 2014

“Pequenos” pormenores que podem ajudar a explicar a crise entre Rússia e UE



A situação na Crimeia continua estagnada, o que joga a favor de Moscovo, que vai, a pouco e pouco, pela calada, ocupando aquela península ucraniana. Serguei Choigu, ministro da Defesa da Rússia, diz que na Crimeia não há soldados russos, mas deve pensar que as pessoas são idiotas. Pois caso contrário, essas pessoas chamam-lhe mentiroso.
Entretanto, gostaria de chamar a atenção para um pormenor que, pode não ser visível à primeira vista, mas é importante neste jogo de xadrez político-militar entre a Rússia, de um lado, e a UE, outras estruturas europeias, por exemplo, a OCSE, e EUA de outro: a origem social e política dos políticos russos e europeus. Deixo de lado os dos EUA, porque não conheço suficientemente bem a situação.
Do lado russo, é cada vez mais evidente o domínio avassalador dos “siloviki”, antigos ou actuais agentes dos serviços secretos russos, e dos seus descendentes nas estruturas do poder político e económico. Ao realizar a política externa actual, Putin, outro ex-KGB, materializa o sonho de desforra desse clã político. Depois da queda da URSS, esse foi um dos sectores da sociedade que mais humilhado foi, porque era o mais odiado pelos soviéticos.
Porém, como os novos poderes na Rússia não fizeram uma lustração, nem tomaram qualquer atitude especial contra esses agentes, estes rapidamente voltaram a sentir a sua força, principalmente depois da chegada ao poder de Vladimir Putin.
Com os pais dos ex-KGB´s, vieram os filhos e netos, com a mesma vontade de desforra pela citada humilhação. Dmitri Rogozin, actual vice-primeiro-ministro do governo russo, encarregado pelo complexo militar-industrial, é um dos exemplos mais notórios da nova geração. Nacionalista, xenófobo, não esconde que o principal objectivo é modernizar o complexo militar-industrial russo de forma a fazer com que este país, como ele diz, “seja respeito” a nível internacional, ou seja, recupere o poderio do passado soviético.
Claro que tudo isso é feito a pretexto dos “interesses nacionais”, “da defesa dos cidadãos russos estejam onde estejam”, etc. A justificação da sua política externa está bem patente na Crimeia: se os outros fazem (os EUA no Iraque, Afeganistão, Líbia), nós também podemos fazer, tanto mais na “zona de interesses particularmente vitais” da Rússia no antigo espaço soviético.
Do outro lado da “barricada”, temos a União Europeia, a OSCE e outras organizações europeias, principalmente depois do alargamento da UE ao Leste da Europa. Durante este processo, nessas estruturas ingressaram numerosos funcionários e dirigentes originários de países do antigo campo socialista: Polónia, Hungria, Roménia, Lituânia, Estónia, etc.
Ora este sangue novo injectado na decrépita Europa é indispensável, mas trouxe um problema. Muitos desses funcionários e políticos do Leste da Europa guiam-se, nas suas actividades, também pelo ajuste de contas com a Rússia, que, às vezes, têm raízes seculares. E é inútil dizer-lhes que a Rússia já não é a URSS, que o comunismo foi enterrado, que o actual povo russo não é culpado dos crimes do regime estalinista, como o povo alemão não é culpado dos crimes do nazismo.
É minha modesta opinião, que o choque entre estes dois campos é um dos factores que tem vindo a dificultar o diálogo entre a Rússia e a União Europeia.
O diálogo foi incomparavelmente mais fácil nos anos de 1990, quando as forças pró-ocidentais na Rússia estavam no poder e os siloviki ainda não tinham recuperado o poder. Mas, as forças pró-ocidentais russas mostraram ser o que foram: a criação de um regime oligárquico, e a UE e, principalmente os EUA, aproveitaram a onda para fazer irresponsáveis experiências sociais e políticas na Rússia, não se coibindo de humilhar os russos. Afinal, segundo a grande “onda intelectual” então na moda, a História acabou e a vitória da democracia e dos valores ocidentais estava no papo.
O resultado está à vista e, por isso, é urgente a cooperação das forças que na UE e na Rússia defendem uma política mais sensata, equilibrada e calma. Afinal, todos somos europeus e o que nos une é mais do que o que nos desune.


P.S. Isto é uma opinião para discussão, não é uma verdade absoluta.

28 comentários:

PortugueseMan disse...

...é urgente a cooperação das forças que na UE e na Rússia defendem uma política mais sensata, equilibrada e calma. Afinal, todos somos europeus e o que nos une é mais do que o que nos desune...

Essa cooperação existe. As ligações entre a Rússia e a UE têm aumentado e não estou a falar em termos energéticos.

O problema é que a UE não tem uma política de segurança europeia.

É aqui que se chocam.

E enquanto a UE não se definir a nível militar/segurança europeia, vamos continuar a ter estas tensões no palco europeu.

Isto é coisa para décadas. Terá que ser para outras gerações de europeus, que vão crescer na UE e terão uma visão diferente do mundo.

Não será para as actuais gerações, com todo o seu passado recente associado.

PortugueseMan disse...

Durão Barroso: Comissão Europeia vai ajudar Ucrânia com 11 mil milhões de euros

O pacote, especificou José Manuel Durão Barroso em conferência de imprensa, combina verbas do orçamento da União Europeia, do Banco Europeu de Investimento (BEI) e do Banco Europeu para a Reconstrução e Desenvolvimento (BERD).

Do orçamento da UE vão sair três mil milhões de euros nos próximos anos, 1,6 mil milhões de ajudas macrofinanceiras (empréstimos) e 1,56 mil milhões de ajuda ao desenvolvimento (subvenções)...


http://www.jornaldenegocios.pt/economia/europa/detalhe/durao_barroso_comissao_europeia_vai_ajudar_ucrania_com_11_mil_milhoes_de_euros.html


Estou sem palavras.

Mas afinal é aquilo que já pensava há muito, nós vamos pagar o gás ucraniano.

Numa altura em que a Europa ainda pensa em sacar dinheiro de depósitos bancários, para pagar dívidas, ENTERRAR dinheiro num país que nem pertence á UE, é no mínimo uma vergonha.

E agora falta ver a reacção dos europeus a esta pouca vergonha.

Isto da Ucrânia vai levantar coisas bem mais graves no seio da Europa.

Tinhamos que ir meter o nariz na Ucrânia.

PortugueseMan disse...

Estou a espumar com esta brincadeira.

Isto vai dar asneira. Vários países europeus com problemas financeiros e agora vamos enterrar dinheiro na Ucrânia?

Bom, se um país pobre, cheio de problemas económicos, com uma moeda a desvalorizar, cheio de corrupção, etc, etc como a Rússia, CONSEGUIU pagar as contas ucranianas, bom, qual é o problema para uma gigantesca e florescente União Europeia?

E pensava eu que o BPN era um problema...

Quantos BPNs a Ucrânia significará?

Anónimo disse...

Não, não. O que nos desune é muito mais do que aquilo que nos une.
O senhor corre meio mundo e parece saber pouco e até é um pouco ridicularizado como hoje, por exemplo, um comentador do DN se referia à guerra das 5 da manhã que o Milhazes tinha anunciado porque a Rússia ia invadir a Ucrânia e nada disso aconteceu.
Zeca Diabo

J.L. Véritas disse...

Caro JM. Há muito que acompanho esta sua página, sempre lamentando o facto de a mesma não ser mais activa e com melhor informação sobre esse país gigante onde o JM vive. Desconhecemos muito do que se passa na Rússia, e esse desconhecimento, aliado ainda ao "medo" que nos vem do facto de durante quase 3/4 de século associarmos a Rússia à mais cruel das ditaduras (e em parte assim era), faz-nos ainda tremer quando ouvimos falar da Rússia. Putin é um "siloviki", quando José Milhazes tão bem nos explicou, mas o Putin e a Rússia são coisas diferentes, e em certa medida os comentários de JM tornam-nas iguais. O que foi feito a Khodorkovsky é imperdoável, tal como é imperdoável o que está a ser feito a Navalny. Mas sejamos claros: neste jogo geo-político Putin está a jogar de forma mais aberta que o designado Ocidente. Haveria seguramente informações de que a Ucrânia se preparava para aderir à NATO (e veremos como uma qualquer forma de associação vai acontecer em breve) obrigando a Rússia a largar a base de Sebastopol. Preocupação com os russófonos? Tv. sim, tv. não. Este é um jogo geopolítico, e aqui tudo vale. Os EUA não têm uma história semelhante, primeiro no Vietname, depois nas Honduras, Granada, Panama, Nicarágua, Iraque e Afganistão? Mas têm Hollywood, e aprenderam todos a ser bons actores. O mundo perdoa-lhes por isso...

José Milhazes disse...

Anónimo, onde é que o José Milhazes anunciou o início da guerra às 5 horas? Vou ler esse comentário.

José Milhazes disse...

Anónimo, diga qual o comentário.

José Milhazes disse...

"J.L. Véritas disse...
Caro JM. Há muito que acompanho esta sua página, sempre lamentando o facto de a mesma não ser mais activa e com melhor informação sobre esse país gigante onde o JM vive".
A solução é simples: escreva você mais e melhor. Eu não ganho nada com este blog e escrevo porque gosto, se o senhor não está contente com o que consome de graça, tem muitas alternativas.

MSantos disse...

Você bem quer levar a água ao seu moinho mas vem esta malta e cai-lhe tudo em cima.

:)

Cumpts
Manuel Santos

J.L. Véritas disse...

Caro JM. Não pretendia criticá-lo. Sou seu admirador, aprecio o seu trabalho, e embora não concordando sempre com as opiniões expressas (o JM, vivendo na Rússia, certamente está por dentro de realidades que nos escapam, cá na ponta da Europa) tenho por si um grande respeito. Desconhecia que o Público não lhe pagava por este excelente serviço. As minhas desculpas, o meu abraço solidário, e a certeza de que tentarei - sempre que possível - dar a minha colaboração neste seu blogue. Conte comigo!

J.L. Véritas disse...

A NOVA “GUERRA” DA CRIMEIA
Neste jogo de propaganda (informação, desinformação e contrainformação), onde não raras vezes a mentira e a verdade se encontram e confundem, eis que nos surge mais uma informação interessante, que os media ocidentais têm procurado esconder: o insuspeito Ministro dos Negócios Estrangeiros da Estónia, Urmas Paet, país que como sabemos não morre de amores pela Rússia, teve recentemente uma conversa “sigilosa” (agora tornada pública) com a Alta Represente para os Assuntos Exteriores da União Europeia, Sra. Catherine Ashton, onde o dito ministro lhe dá conta de que os snipers de Maidan (que tantas vítimas fizeram durante a “Batalha de Kiev”) afinal estavam às ordens dos libertadores e não dos opressores. Mas sobre este facto – que vem dar razão ao Putin, ora que chatice – ninguém fala. O silêncio, quando nos convém, é de oiro…

Sérgio disse...

Boa tarde Sr. Milhazes, os meus parabéns pela sua análise a esta crise/invasão que é exata e reflete aquelas que sãos as intenções do Sr. Putin (e portanto da atual Rússia, já que é ele quem manda). E o senhor já vem alertando há muitos anos para as mesmas, bem me recordo por aqui das discussões acaloradas aquando da invasão da Geórgia pela Rússia e do que muitos insistiam em defender a posição já aí assumida e muito clara da Rússia, coisa que sempre me fez confusão confesso, pois sendo Português e Europeu não consigo compreender como se possa defender a posição de um país ou dos seus governantes que pretendem de uma forma clara e óbvia ascender mais uma vez na cena internacional à custa dos seus vizinhos e dos próprios interesses da União Europeia (ou seja em última análise dos nossos próprios interesses). Comentários como o do PM embora inevitáveis não nos conduzem a lado algum e demonstram uma falta de solidariedade que seguramente não lhe ficará muito bem, nem a nós Portugueses e Europeus se os seguíssemos. Então quando entramos para a União Europeia precisamos e quisemos a solidariedade dos Europeus, desde logo que se deu a revolução de Abril, ajudando a consolidar a democracia neste país, (democracia sim, eu já sei das criticas que vou levar por esta afirmação mas essa é outra história) e agora da mesma forma iriamos negar esse apoio a um país Europeu que está a fazer a sua revolução e quer consolidar a sua democracia e não viver em regimes autoritários e oligárquicos como os da Bielorrússia, Cazaquistão e a Rússia. É claro que não vivemos tempos fáceis, mas também a UE no seu conjunto e usando dos mecanismos internacionais, ainda tem os meios para apoiar a Ucrânia e deve faze-lo, e é claro que o povo Ucraniano deve-se pronunciar o quanto antes sobre aquilo que quer para o seu país como está previsto nas próximas eleições para Maio deste ano. Não podemos é compactuar com o envio de militares sob o anonimato para território estrangeiro a ver o que acontece, se as coisas até correrem bem (entenda-se para Putin) de uma forma progressiva e favorável estender a anexação da ultima província da Rússia, leia-se Crimeia, para a partir dai abocanhar o restante Leste e Sul da Ucrânia.
p.s. - Aliás isto era tão previsível que já aquando da crise da Geórgia aqui se falou no que se seguiria mediante o comportamento demonstrado pela Rússia, e já o Sr. Milhazes alertava para o risco do alastrar das reivindicações e intenções Russas à Ucrânia com a Crimeia à cabeça.

Fernando Negro disse...

Quanto à UE,

Acho "dispensável" a existência da mesma. Pois, não falando sequer do que está planeado em que esta se torne e do facto da liberdade na mesma estar a ser aos poucos abolida, toda a gente sabe que, quanto mais concentrado estiver o poder, menos democrática é uma sociedade.

Para além disso, nunca foi preciso, no Passado, abolir fronteiras e soberanias para que houvesse comércio entre nações. E, a abolição das mesmas na Europa, está já a levar a sérios problemas sociais, causados pelas migrações em massa a que isso levou. Migrações essas, feitas maioritariamente por pessoas que têm a atitude cobarde de fugir para outros países onde os outros tiveram o trabalho de lutar por melhorar as coisas - em vez de lutarem estas, nos seus próprios países, também por melhorar as coisas e fazer das suas nações sítios tão bons quanto, ou ainda melhores do que, os outros para se viver.

Quanto ao que aconteceu na Rússia, nos anos 1990,

Foi uma tentativa de destruição propositada da mesma, feita pelo Ocidente, com a conivência do bêbado-fantoche do Ocidente, Boris Ieltsin. (Destruição essa, tão propositada como a que está agora a ocorrer na Europa e na América do Norte.)

E, não tivesse o Putin tomado as rédeas do poder, deveriam as coisas ter acabado mesmo muito mal. (Razão pela qual, ainda que seja eu contra lideranças políticas, seja eu pertencente a um campo político que agora não é o dele e saiba eu bem que ele não é nenhum "santo", tenho este líder russo em consideração - e sei que, a ser alguma vez escrita uma história honesta do que aconteceu e está ainda a acontecer - caso consigamos todos sobreviver a uma possível Terceira Guerra Mundial que se avizinha, isto é - ficará Putin para a História como o homem que salvou a Rússia de ser destruída pelo Ocidente.)

Pippo disse...

Tal como o PM, fiquei escandalizado, ainda que não surpreendido, com as afirmações do José Manuel Borroso.

11 MIL MILHÕES???
ALGUÉM irá pagar esta factura!
ALGUÉM que, neste momento, já vive com a corda no pescoço!
ALGUÉM que, neste momento, já tem de viver "acima das suas possibilidades" porque, desde 2008, lhe têm vindo a cortar essas possibilidades!

ALGUÉM vai pagar para que os ucranianos do Oeste - repito, do Oeste! - possam viver "em liberdade" com o seu governo nacionalista, russófobo, anti-semita (ah, mas pró-Ocidental!), livres do "bicho-papão" russo que (ainda) lhes vende energia a preço de amigo.

Falam aqui em "solidariedade europeia"? Quando a solidadriedade é paga com o sacrifício dos outros, até calha bem, mas pessoalmente, não estou disposto a viver na miséria para que os meninos do Svoboda e do Pravi Sektor tenham a sua famigerada "liberdade"!

Europeísta disse...

Não adianta Pippo, esse luta já está perdida! A Rússia pode, no máximo, recuperar uma parte da Ucânia, mas a Ucrânia toda ela não terá NUNCA MAIS! A Rússia só perdeu! É a grande derrotada. Viu seu espaço de influência diminuir.

Eu entendo os ucranianos. A ucrania é uma país europeu. Os ucranianos querem ser europeus e não asiáticos. Deixe que Putin leve os russos para a Ásia, se é isso que eles querem... o que eu duvido muito. Não demorará o povo russo vai enxotar o Putin do poder. Ele não dura mais dez anos.

Pippo disse...

Ahahah! Boa, "Europeísta", agora já cantas vitória! Mas quem é que ganhou a Crimeia? E para que lado pende o Leste da Ucrânia?

Europeus? Sabes lá tu o que é um europeu? Já estiveste na Rússia para saber se os russos são ou não asiáticos?

É só rir! :)

O que me faz chorar é que, à conta das jogadas de bastidores e dos interesses geoestratégicos de americanos e alemães, eu tenha agora de descontar mais uns 5% do meu salário para pagar as continhas do gás a esta malta da Galícia!

Eles querem ser "livres, democráticos e europeus", e eu, que sou europeu, mas pelos vistos não livre e democrático, vou ser ROUBADO escandalosamente!

Onde está a minha liberdade para poder dizer se quero ou não pagar uma conta que não é minha??? Onde está a democracia???

Anónimo disse...

Zeca Diabo responde colocando o comentário do DN e cuja veracidade das 05h00 da manhã pode ser comprovada ou o JM esquece-se do que escreve, ou faz copy past doutros lados? Com todo o respeito cá vai o comentário do Zé Seringa::
»Afinal a poderosa Russia não atacou a Ucrãnia ás 05:00h da madrugada no dia 3 de Março, como dizia o jornaleiro tendencioso José Milhazes aos orgãos de des-informação no passado Domingo. Estou desolado, afinal paguei o meu bilhete para ver em directo essa transmissão televisiva, como na guerra do Iraque, mas nada. Chatice. Parecia já estar a ver os bombardeiros Antonov 225, os Antonovs An-70, os Misseis Katyusha sairem aos milhares das suas rampas, em direcção ás cidades ucrânianas, reduzindo-as a cinzas, mais as barragens de Misseis de longo alcance disparados pelos submarinos nucleares Kursk, enfim, uma guerra aterradora para consumo televisivo a fazer subir as audiências...mas, afinal nada de guerra. Que chatice sr. Milhazes...!"
Como vê as coisas estão assim a modos que a resvalar para o ridículo.

José Milhazes disse...

Anónimo, você nem sequer se deu ao trabalho de verificar se eu disse ou escrevi isso de que me acusam. O seu anonimato é sintomático. E deixo aqui um aviso a todos os anónimos: este blog não vai publicar nem mais um comentário anónimo.

Antonio Cristovao disse...

Sem duvida um bom post que nos dá uma perspectiva diferente da propaganda anglosaxonica: E que bem precisamos dela já que a UE é um ninho de gatos gordos e burocratas que giram a volta do umbigo próprio. como se viu tirando o governo alemão que actuou rapido no sentido de excluir os palhaços resultantes dos 5 mil milhoes de dolares do investimento americano e ingles para a "democracia" ucraniana, das conversas dos homens serios os nossos "comissarios" europeus só dizem e fazem banalidades que não zanguem muito os compinhchas de Londres/NY - alias onde se arranjamos bons empregos futuros.

Nuno Rolo disse...

Dr.Millhazes, gostaria de perguntar uma coisa vocês acha mesmo que a Russia pensa invadir a Ucrânia, ou so é uma manobra politica para chamar a atenção ao resto do mundo que a Russia ainda existe?

José Milhazes disse...

Nuno Rolo, a Rússia já invadiu a Ucrânia, ou pensa que os soldados que estão na Crimeia não são russos?

Nuno Rolo disse...

Eu sei que os soldados da Crimeia são russo, mas referia me ao resto da Ucrânia, dividindo a Ucrânia em duas, mesmo que isso leve a uma guerra total no território ucraniano, e se nesse cenário ocorresse qual seria o papel da NATO, devia colocar forças na Polónia, pois os refugiados tentariam entrar na Polónia.

José Milhazes disse...

Nuno Rolo, é muito difícil fazer prognósticos.

Joao Gil Freitas disse...

Pippo,
Não quer contribuir para a Ucrânia? Olhe eu não me importo. De bom grado contribuo para tal. Agarre numa bandeirinha russa e vá protestar para a porta da representação da Comissão Europeia em Lisboa. Organize uma manifestação (ou mais do que uma) como os ucranianos fizeram. Isso sim seria de valorizar. Primeiro era o sarcasmo porque a UE não estaria disposta a ajudar a Ucrânia e só a Rússia o poderia fazer, e depois a reação histérica porque o fez. Presa por ter cão, presa por não ter.

Pippo disse...

Este artigo é interessante e acutilante.

http://www.theguardian.com/commentisfree/2014/mar/05/clash-crimea-western-expansion-ukraine-fascists

Europeísta disse...

Pippo,

da mesma maneira que teu país foi ajudado financeiramente. Os alemães não se perguntaram se tinham que pagar para os gregos, portugueses e irlandeses. A Europa é uma família. Está unida por laços históricos de amizade e confraternidade. É natural a colaboraçao e a ajuda mútua.

João José Horta Nobre disse...

Caro José Milhazes,

O Putin não é um ex-KGB, pois ele próprio disse há anos que "there is no such thing as a former KGB man"...

Publiquei: http://historiamaximus.blogspot.pt/2014/03/pequenos-pormenores-que-podem-ajudar.html

Cumpts,
João José Horta Nobre

Contacto: historiamaximus@hotmail.com

Pippo disse...

"Europeísta", o meu país não foi ajudado financeiramente para poder hostilizar os países de quem depende economicamente. Portugal não recebeu fundos comunitários - porque pertencia à UE, ao contrário da Ucrânia! - para morder a mão e cuspir na cara de quem o sustentava.

Se a Europa é uma "família", unida por "laços históricos de amizade e confraternidade", então menos se compreende ainda a atitude chauvinista ucraniana (do Oeste), pois Rússia e a Ucrânia têm a mesma génese.

Contudo, a Ucrânia depende da Rússia e foi, durante anos, levada ao colinho pelos russos. E agora, devido a um laivo de nacionalismo oitocentista, chauvinista e xenófobo, a Ucrânia (Ocidental)quer à força ser "da Europa" (como se a Europa não se estendesse até aos Urais!) e hostiliza ferozmente um país irmão.

Ora, se é para isto, lamento mas não estou disposto a pagar sequer um cêntimo do meu bolso!