sexta-feira, março 28, 2014

Se não é para mim, não é para mais ninguém



Victor Ianukovitch, para alguns ainda Presidente da Ucrânia, desta vez não aparece em público, mas divulgou uma sua declaração, através da agência oficiosa russa ITAR-TASS, em que apela à realização de um referendo em cada região da Ucrânia sobre o seu estatuto nela.
Enquanto Presidente, que está convosco de pensamento e alma, apelo a cada sensato cidadão da Ucrânia a não se deixar enganar por impostores! Exijam a realização de um referendo sobre a definição de cada região no seio da Ucrânia”, defende Ianukovitch.
Segundo ele, “só um referendo nacional, e não eleições presidenciais extraordinárias poderão, em medida significativa, estabilizar a situação política e conservar a soberania e a integridade do país”.
Se alguém tinha dúvidas de que Ianukovitch não se preocupou, nem se preocupa com a integridade do seu país, elas desaparecem completamente depois de uma declaração destas.
Ela parece ter sido escrita segundo o princípio “ou a Ucrânia é minha, ou não será de ninguém”. Depois de não ter dito uma palavra sobre a anexação da Crimeia pela Rússia, o “Presidente ucraniano para alguns” o que propõe, no fundo, é a desmantelamento completo do seu país e a abertura de novas possibilidades de as tropas russas entrarem no Leste e Sul da Ucrânia e anexarem também essas regiões ou imporem aí regimes fantoches.
É absolutamente compreensível que o protesto que aumenta no Sudeste da Ucrânia é a reacção natural de uma região industrial densamente povoada ao golpe de estado armado”, frisou.
Este comunicado parece não ter surgido hoje por acaso. A sua divulgação coincide com o anúncio oficial, por parte de Moscovo, de que não reconhecerá a legitimidade das eleições presidenciais ucranianas, marcadas para 25 de Maio.
Além disso, a sua publicação coincide com a agudização do confronto entre o Governo de Kiev e os radicais do Sector de Direita. Estes exigem a demissão do ministro do Interior da Ucrânia, acusando de estar por detrás do assassinato de um dos seus líderes, e, na véspera, tentaram mesmo tomar de assalto o edifício do Parlamento da Ucrânia.
Além da Rússia, na desestabilização da situação no país estão interessados também a velha nomenclatura corrupta e alguns oligarcas, cujos negócios ilegais começam agora a ser investigados.

Por isso, é cada vez mais difícil acreditar que o actual e fraco governo de Kiev consiga levar o país até uma eleições presidenciais representativas de todo o país e continua a ser muito alto o risco de desintegração do país e de guerra civil.

16 comentários:

Nuno Rolo disse...

Pois a Russia esta a concentrar tropas nas fronteiras da Ucrânia, segundo fontes do governo uvcraniano são perto de 100.000 militares russo prontos para entrar na Ucrânia.

Viriatus disse...

A entrada do FMI na Ucrânia e as medidas que sempre lhe estão associados não indiciam nada de bom. Não serão vistas com agrado por aqueles que fizeram a "revolução", esperançados que o Ocidente lhes iria abrir os cofres sem exigir nada em troca. O Partido das Regiões, contudo, parece que não está interessados em capitalizar os ganhos que esta situação lhe pode trazer. Incompreensivelmente são já 4 os candidatos do partido às eleições presidenciais. Ao que parece todos se conformam com uma final entre Poroshenko e (provavelmente) Timoshenko, para optarem por Poroshenko, um homem que nunca esteve ligado ao Partido «Pátria», da Julinha Malvada...

Pippo disse...

JM, face à actual situação, o que é que proporia?

- Simples eleições presidenciais?
O JM sabe perfeitamente que está a ser exercida coacção física, com uso de violência, sobre aqueles que não partilham os ideais dos revoltosos. Até governadores legítimos de cidades do Leste estão a ser detidos, em Kiev, por crimes de consciência (tiveram a lata de propor um sistema federal para o país, vá-se lá imaginar tal coisa!)

- Governo de Salvação Nacional?
Será que os russófilos se sentariam à mesma mesa com os russófobos radicais do Partido Social-Nacional Ucraniano (aka Svoboda) e o Sector da Direita que os perseguem?

À partida, e poderemos dizer mesmo
"à chegada", haveria um lado que iria perder "de caras". Os resultados, aliás, são mais que óbvios.
E depois, que consequências acha que adviriam de tal votação? Quais seriam os honestos habitantes do sul e leste do país, que têm a sua História e cultura próprias, que quereriam ser governados por membros de partidos corruptos ou, pior ainda, por pugilistas ou por fanáticos chauvinistas?
O que é que lhe parece que aconteceria a seguir?

Poderia haver outro modelo, por exemplo, um modelo federal de administração, com cada região a governar-se e com uma política externa e de defesa necessariamente consensual entre as regiões? Se calhar é isso que propõe o Ianukovitch.

É que parece-me que sem esse modelo federal, os conflitos agravar-se-ão, e chegará o momento em que o "governo" de Kiev quererá impor a sua autoridade, pela força, às regiões desavindas, e aí sim, as tropas russas terão de fazer algo.

Por fim, achei interessante a sua reflexão acerca dos interessados na desestabilização da situação no país.
Então e nós, do Ocidente, esqueceu-se de nós?
Quem é que apoiou, perdão, CRIOU o UDAR? Foi a Rússia? Foi o Putin, já agora!
Quem é que se reuniu, em público e tudo, com o líder do social-nacionalista Svoboda? Foi o Lavrov, não?
Quem é que reconheceu Oleksandr Turchynov como presidente interino da Ucrânia, ainda a cadeira vaga não estava fria? Foi o Putin?
Quem é que apoiou e, diz-se, financiou a revolta contra o presidente legítimo do país? Foi a Rússia?
Quem é que correu à força com deputados eleitos democráticamente e começou de imediato a produzir leis "à Nuremberga" que, mais dia menos dia, voltarão a estar na ordem do dia?

Gpstaria que me respondesse a estas questões.

PortugueseMan disse...

As condições que vão ser impostas pelo o FMI, são tão duras que naturalmente vamos ter umas eleições complicadas.

O actual governo não é governo nenhum. É algo de transição até irem a eleições. Não se podem comprometer com nada e o próximo governo legitimamente eleito, não é obrigado a reconhecer o quer que seja que as pessoas que lá estão tenham feito.

Portanto a desintegração territorial do país, não deveria ser visto como algo negativo.

Seria bem mais simples para todos os envolvidos, a UCrânia, Rússia, UE, EUA, FMI que se pudesse aliviar os encargos do território.

Uma parte seguia a sua vida com o FMI, a outra com gás subsidiado russo.

Isto, se fosse esta opção de quem lá vive.

Afinal um dos desfechos possíveis das eleições poderá ser este:

Ianukovitch, também se candidata, quem votou nele volta a votar e ainda pode acontecer que quem tem medo da entrada do FMI no país e da volta que o país vai levar, vote nele, voltando à situação original.

Ou seja, a não avançar com um acordo com a UE, e pedir à Rússia mais tempo com o gás subsidiado.

Anónimo disse...

E eu pensando esse tempo todo que o José Milhazes moderava os comentários, afinal estava enganado.

O insulto é permitido aquí?

José Milhazes disse...

Peço desculpa pela falha

Carlos Caseiro disse...

Candidatos a gastar o cheque já se vê que há muitos. Só ainda não se sabe quem o vai passar. Até maio de certeza que ninguém o vai assinar e depois de maio não se sabe. É que em maio nós vamos a votos para o Parlamento Europeu e, com o descontentamento que para aí vai, pode acontecer a U.E. mudar de ideia.
Em relação à importação de energéticos do outro lado do Atlântico, falta primeiro assinar um novo tratado comercial entre os EUA e a UE que, segundo os especialistas, não estará pronto antes de Agosto do próximo ano.
O incrível é que todos os ucranianos com quem falei acreditam que a U.E. lhes vai abrir as portas e que vão receber ajuda económica em breve. Consideram que a declaração de intenções é o equivalente a ajuda garantida.
No meio deste impasse todo, o único país que estava disposto a empresar dinheiro à Ucrânia sem condições era a Rússia. Mas isso era com Yanukovich. Não se sabe como será com um novo presidente.

Pippo disse...

JM, tem conhecimento desta notícia?

http://rt.com/news/anarchy-ukraine-train-robbery-873/?utm_source=browser&utm_medium=aplication_chrome&utm_campaign=chrome

Ricardo Break disse...

http://rt.com/news/tymoshenko-calls-destroy-russia-917/

Vejam a realidade somos portugueses temos acesso a verdadeira informação que são PROVAS este senhor só fala o que importa !

Pippo disse...

Acho que a leitura desta reportagem interessa a todos. Recomendo-a especialmente ao PM e, claro, ao JM.

Mera propaganda? Penso que não.

http://rt.com/op-edge/russia-switches-to-brics-sanctions-357/

Anónimo disse...

Para o RB.. desde quando a RT é algum exemplo de falar verdade? Mas estamos a brincar?

Pippo disse...

Na frente da Ásia Central, a Rússia investe fortemente no Quiquizistão e garante que os EUA não voltarão a por lá os pés:

http://asia.nikkei.com/magazine/20140327-REMAKING-THE-MAKERS/Politics-Economy/Russia-tightens-hold-on-Kyrgyzstan

Tripalio disse...

Agora a Ucrânia está aflita com a extrema direita? Chamem a UE, para os vir ajudar. A extrema direita foi apoiada por grupos económicos em fazer ajoelhar a Ucrânia. Dai o empréstimo do FMI, e daí a austeridade que vai cair em cima do povo ucraniano. Quando isso suceder o cenário vai agudizar-se

PortugueseMan disse...

Caro Pippo,

Já tinha falado por aqui, sobre as alternativas russas e o perigo para a Europa se a Rússia desiste desta em detrimento de outras nações.

Eu identifico-me com esse artigo. Ou seja, é bastante complicado atacar economicamente a Rússia.

Ricardo Break disse...

Meu amigo não se trata do canal de televisão tratasse da conversação !!! A minha esposa é russa-ucraniana e ela traduziu a conversa e garante estar correto !!! Lol vai dizer que a minha esposa não fala russo tbm ?
Pois o exemplo de falar a verdade é a sic e a TVI lol e lol outra vez . Vamos utilizar um pouco a lógica meus caros essa mulher e completamente desequilibrada todo mundo sabe isso !!

Anónimo disse...

Digam-me só uma coisa:acreditam mesmo que estão reunidas as condições para haver eleições presidenciais na Ucrânia em 25 de Maio? A minha posição é esta: esqueçam.Pode haver muita coisa na Ucrânia sob o ponto de vista político,mas eleições a 25 de Maio,digo novamente,ESQUEÇAM.