sábado, abril 26, 2014

A longa sombra do Chornobyl



"No mais um aniversário do trágico acidente na estação nuclear ucraniana de Chornobyl, queremos vós contar sobre o projeto do jornalista fotográfico americano Gerd Ludwig. Nos últimos 20 anos ele 9 vezes visitou a zona do Chornobyl. O seu trabalho chamado «Long Shadow of Chernobyl» ele dedicou às numerosas vítimas do acidente nuclear.

No dia 26 de abril de 1986 os operadores do reator № 4 da estação nuclear do Chornobyl cometeram uma série de erros graves durante a execução dos testes no equipamento de  fornecimento de energia elétrica de emergência. Essas ações levaram ao maior acidente nuclear no mundo até o momento.

Pela primeira vez Gerd Ludwig visitou Chornobyl em 1993, como repórter da «National Geographic». Naquele momento ele investigava o tema da poluição industrial do meio ambiente, em resultado ele escreveu o artigo  «Soviet pollution: a lethal legacy».

Na zona de exclusão do Chornobyl Ludwig filmava os idosos ucranianos que apesar da radiação voltaram às suas casas, para poder morrer na sua terra natal.

Nas vésperas do 25º aniversário da catástrofe, em 2011, apoiado pela comunidade Kickstarter, Ludwig novamente visitou Chornobyl, como resultado desta visita foram organizadas as exposições em diversos países da Europa e nasceu a aplicação para  IPad The long shadow of Chernobyl, que reúne mais de 150 fotos, vídeos e vistas panorâmicas interativas.

A sua última visita ao Chornobyl foi em 2013. O fotógrafo dedicou os seus esforços à parte da estação nuclear que será coberta pelo novo sarcófago. Desta vez Ludwig penetrou o mais profundamente à estação, do que fez até ai. Todos osrelógios pararam na hora exata do acidente — 01:23:58.

Já em 2014, com ajuda da comunidade Kickstarter, o fotógrafo reuniu os fundos para publicar o livro fotográfico trilíngue «The long shadow of Chernobyl: a photo book», que já pode ser encomendada online.

Fontes: Fonte 1 (ucraniano), Fonte 2 (inglês)

Recorda-se o ex-pugilista e político Vitaliy Klychko:

26 de abril de 1986. Eu ainda não tinha completado 15 anos. Lembro-me de um dia ensolarado de abril, primavera em força. No dia seguinte, o pai, militar, voou algures de emergência. Nós não sabíamos o que aconteceu. Quando ele voltou, disse que houve um grande acidente e de casa não se deveria sair sem a extrema necessidade. Muito perigo. Mas isso era amanhã. No dia 26 de abril fomos para a escola, planeamos as férias de verão. Em Kyiv floriam as castanhas...

Para a minha família o Chornobyl se revelou na dor e na perda muitos anos depois. Não conseguimos salvar o nosso pai das consequências da catástrofe...

Tradução@Dmytro Yatsyuk, jornalista e blogueiro"

5 comentários:

Anónimo disse...

O que foi pior Chornobyl ou Fukushima?

Roberval Pereira Rosa disse...

Chernobyl deixou de ser a maior catástrofe nuclear desde o evento de Fukushima, por pior que fosse na época Chernobyl foi controlado e a radiação contida ou ao menos diminuida, o mesmo não podemos falar de Fukushima que continua a contaminar a água do oceano Pacífico

Astromac disse...

Caro Roberval,

Não fale do que não sabe. Chernobyl for ordens de grandeza pior que Fukushima. Em Chernobyl, um acidente só possível na União Soviética, um reactor de design antigo e com poucos mecanismos de segurança foi operado de maneira irresponsável por operadores sem formação. O resultado foi um incêndio incontrolável cujo fumo transportou directamente Cs 137 e I 131 pelo ar, numa nuvem que se espalhou por uma área enorme, bastante populada e com consequências devastadoras para a agricultura de vários países.

O acidente de Fukishima, consequência de um acidente natural de uma escala nunca antes vista, lançou a maior parte da radiação no oceano por via da refrigeração dos reactores. Embora tenha lançado cerca de 5 vezes menos radiação que Chernobyl, fê-lo numa zona do oceano pacífico com fortes correntes que transportam a radiação e a diluem numa área gigantesca. Mas para a maior parte das pessoas é difícil explicar este conceito de diluição. O nível de radiação na água mesmo na zona de Fukushima é relativamente baixo, ao contrário de Chernobyl que lançou um monte de radiação perigosa directamente no ar e sobre pastagens. Como a União Soviética só decidiu anunciar o desastre dois dias depois, a maior parte dos seus cidadãos foram expostos a quantidades letais de radiação antes de terem tempo de fazer algo.

Portanto, não tem mesmo comparação.

tron disse...

Quando o acidente aconteceu, tinha eu acabado completar 7 anos um par de semanas antes e quando soube do acidente de Chernobyl pelo Telejornal fiquei com medo e assutado e depois como desde dos 5 anos sou viciado em leitura e desarrumei alguns livros e encilopédias da minha mãe e li quais as consequências de uma reacção nuclear em cadeia descontrolada e me lembrei das bombas nucleares da II Guerra Mundial e que poderia afectar Portugal.
Fukushima não deixa de ser mas violento sobretudo porque ainda não tem a radiação controlada mas aparentemente teve menos consequências humanas do que Chernobyl e depois a situação da Ucrânia ainda nos deixa mais com o coração nas mãos, apenas espero que não repitam outros acidentes semelhantes

Carlos Caseiro disse...

Para aqueles que pensam que Chernobyl afetou somente a Ucrânia, deixo aqui um link com o mapa da Belarus.
http://s012.radikal.ru/i319/1102/77/ddb31d432b20.jpg