terça-feira, abril 08, 2014

Quem é que empurra a Ucrânia para a guerra civil?


Texto enviado pelo leitor Pippo


"Os mais recentes acontecimentos em solo ucraniano lançaram o espectro da guerra civil no país entre, por um lado, a facção pró-Rússia, concentrada sobretudo no Leste e Sul do país, e a facção revoltosa, empossada como governo legítimo por uma parte da comunidade internacional.

Mas a quem é que interessa uma guerra civil ucraniana?


Afirmação do poder na ordem interna
Presentemente, e como é do conhecimento público, as autoridades saídas da revolta da Maidan estão a afirmar, pela força, a sua opção política e o seu poder, quer através da criteriosa eliminação de elementos-chave das facções “incómodas” aliadas ao poder, quer através da detenção (ou rapto) dos contestatários à presente ordem “constitucional” sob a acusação de promoverem “actividades ilegais relacionadas com separatismo, organização de distúrbios e atentado à saúde de terceiros”, como o refere o Ministério do Interior ucraniano.

Da mesma forma que efectuam estes “ataques cirúrgicos”, as novas autoridades usam a força, ou a ameaça do seu emprego, para impor uma pretensa unidade nacional – que é inexistente – e a segurança da integridade territorial do país, país esse, obviamente, submetido aos critérios e opções dos revoltosos, sem qualquer possibilidade de contestação ou discussão de uma eventual alteração da Constituição e da estrutura política do país.

Os ataques aos contestatários do Leste por parte dos facciosos do Oeste poderão espoletar, de facto, uma guerra civil, mas isso, à partida, beneficiaria sobretudo a facção que tomou o poder em Kiev, isto é, a facção Ocidental.

Ao contrário do anterior poder ucraniano, as novas autoridades de Kiev não hesitam em usar forças especiais fortemente armadas para contestar e retomar aos “revoltosos” do Leste os edifícios governamentais que estes ocuparam, nomeadamente em Kharkov. Tais “operações anti-terroristas” têm total aprovação por parte dos mesmos elementos da comunidade internacional que criticaram fortemente as “operações anti-terroristas” lançadas pelo anterior governo contra os revoltosos violentos que acabaram por tomar o poder em Kiev.
Como seria de se esperar, estas acções armadas não reúnem o consenso em Kiev. Hoje mesmo o líder do Partido Comunista ucraniano, Petro Symonenko, elevou os ânimos na Rada ao afirmar, referindo-se à ocupação de edifícios no Leste, que os nacionalistas tinham criado esse precedente no início deste ano ao tomar de assalto edifícios do governo um pouco por todo o centro e Oeste da Ucrânia, e que agora, grupos armados atacavam pessoas que procuravam afirmar os seus direitos pela via pacífica, reforçando ainda as suas afirmações dizendo que o actual governo “faz tudo por intimidar as pessoas, efectua prisões e combate todos aqueles que têm uma opinião diferente da sua”. Naturalmente, e de forma bastante “democrática”, Symonenko foi expulso pela força do palanque de onde discursava por deputados do Svoboda.
Às novas autoridade ucranianas também interessa provocar confrontos que levem a uma eventual intervenção militar russa, ou ameaça, real ou imaginária, de intervenção. Isso servirá de arma política extra para apressar uma intervenção da NATO e da UE no país e cimentar, com a ajuda armada estrangeira, um poder que é intensamente contestado na ordem interna.


Cofres e gás
Uma das causas mais profundas da crise ucraniana – talvez a mais profunda – é a incapacidade que o país tem revelado em reerguer a sua economia. Durante anos, esta foi mantida artificialmente à tona por via da ajuda de Moscovo, que não só concedia empréstimos como fornecia gás natural muito abaixo do preço praticado a outros países. Evidentemente, não há almoço grátis e a Rússia esperava, legitimamente, obter benefícios políticos e económicos por parte de Kiev. Contudo, o volte-face verificado na Ucrânia e a tomada do poder por uma facção fortemente hostil à Rússia deitou por terra tais expectativas.

De momento, e num futuro a médio (10 anos) ou longo prazo, a economia ucraniana não reúne condições para se reerguer. A Rússia, já se viu, irá ser a principal perdedora, pois dificilmente irá recuperar o investimento feito a não ser, eventualmente, numa situação de federalização do país, com a metade Leste e Sul - mais desenvolvida - a cooperar estreitamente com Moscovo. Mas na emergência de uma guerra civil, as estruturas produtivas destas regiões poderão ser destruídas e a sua recuperação será ruinosa. Nada que perturbe o Oeste, que só poderia contar com tais unidades produtivas numa situação de absoluto controlo das mesmas, ou o “Ocidente” (leia-se UE), que nunca terá verdadeiramente contado com essas empresas para investir na Ucrânia, ou seja, para encetar um programa de “reestruturação económica” similar ao criado para “auxiliar” Portugal e a Grécia.

Com o “fecho da torneira” do gás subsidiado e o fim dos empréstimos concedidos pela Rússia, o único país com verdadeiro interesse em empenhar dinheiro na Ucrânia pois os outros, até ao momento, apenas anunciaram intenções, é duvidoso que a Ucrânia recupere economicamente para um nível sequer aproximado ao do existente antes do início dos protestos na Maidan.

Contudo, numa situação de guerra civil, a intervenção da comunidade internacional que está do lado da facção do Oeste terá de ser real pois “a NATO e a EU não podem deixar o país ficar dividido como a Alemanha” nem “deixa-lo ficar sob a alçada de Moscovo”. Enterrar copiosas quantidades de dinheiro nos cofres de Kiev poderá ser a tábua de salvação para o novo regime o qual, face à escassez, poderá sempre invocar que “a culpa é dos moskali”.


Em jeito de conclusão
A tomada do poder por parte dos revoltosos da Maidan foi uma violação da ordem constitucional da Ucrânia que abriu a Caixa de Pandora de todas as reivindicações no país. A afirmação de uma ideologia chauvinista e etnicamente definida, violentamente hostil não só a um país vizinho como a 1/3 da população do seu próprio país, bem como a assumpção de uma identidade nacional “ucraniana” exclusivista que a retira ao “outro”, provocou uma crise de enormes proporções no segundo maior país da Europa.
Contudo, tal como acontece com qualquer novo poder, há sempre a necessidade de afirmação, quer na ordem interna, quer na externa. Derivado do apoio internacional que precedeu as manifestações na Maidan, as novas autoridades ucranianas, cuja legitimidade é duvidosa, adquiriram-na de imediato, ainda antes de serem poder, pelo menos para uma parte da comunidade internacional. No entanto, o que é verdade (parcial) na ordem externa não o é na ordem interna, onde subsiste a contestação.
Privados, logo à cabeça, da “jóia da coroa” estratégica que era a Crimeia, as novas autoridades lutam agora para afirmar o seu poder – usando a força armada – no que resta do seu território, mau grado os anseios de parte da população que não se revê no novo poder.
Simultaneamente, a braços com uma bancarrota, o novo poder de Kiev sabe que, tendo mordido na mão que alimentava o país, terá de captar novos investidores. Nada como provocar uma emergência para captar rapidamente esses fundos.

Ao provocarem confrontos com uma comunidade que é retratada, quer para a metade Oeste do país, quer para parte da comunidade internacional, não só como alógena como constituinte de uma “5ª coluna”, os revoltosos de Kiev  esperam obter a “legitimidade” para, mais uma vez, usar a violência para atingir os seus objectivos. Ao mesmo tempo adquirirão o estatuto de vítimas, reais ou potenciais, de uma intervenção armada russa “que viola o Direito Internacional”, podendo assim obter, de forma pronta e desabrida, a ajuda militar e económica de que presentemente carecem.

Parece assim claro que uma guerra civil, com todo o seu cortejo de horrores, beneficiará apenas a facção actualmente no poder em Kiev, e o Ocidente, mais uma vez, demonstrará nada ter aprendido com a História, podendo vir a colher os amargos frutos da sua semeia."

31 comentários:

Miguel Dias disse...

A coisa está a descambar no Leste.

Em Nikolaev a coisa já se resolve ao tiro, com os Pró-russos a ser atacados pela trupe do Pravy Sector mandada para lá de autocarro.

http://www.youtube.com/watch?v=dkcCZ12T0Ds&feature=player_embedded

Em Kharkov a policia já nem consegue sair dos autocarros e já há confrontos.

Policia apedrejada.
http://www.youtube.com/watch?v=Og6xCPLCqAs&feature=player_embedded

Confrontos em Kharkov
http://www.youtube.com/watch?v=z73wHyEvJng&feature=player_embedded

Em Donetsk é porrada forte e feio, e o edifício regional está barricado.

http://www.youtube.com/watch?v=iQoALJqv45A&feature=player_embedded

Ou seja, estamos perante um Maidan II no Leste da Ucrânia.

Com a vantagem dos de Leste se insurgirem contra um governo de golpistas não eleitos, enquanto que em Kiev se insurgiam contra um Presidente eleito.

Em Kiev, os acólitos do sistema, insurgiam-se contra a violência policial, quero ver o que vão dizer agora.

O que tem mais piada é que as acções de anti-terrorrismo se fossem tomadas por Yanukovitch eram consideradas abomináveis, pelo contrário se tomadas por esta tropa fandanga não eleita de Kiev aí já são fortemente justificáveis.

Para terminar, fica aqui um vídeo que representa bem a "democracia" á moda dos golpistas nazis de Kiev, incidente relatado no texto do Pippo.

O deputado Petro Symonenko, do Partido Comunista diz no parlamento que o que se está a passar no leste do pais é resultado do golpe de estado e do Euromaidan, e que os activistas pró-russos tem o direito a mostrar a sua indignação, e estão a fazer o mesmo que fizeram os activistas do Euromaidan em Kiev, afirmando que os interesses americanos e traidores ao seu serviço destruíram a Ucrânia.

O deputado foi atacado por 2 seguranças e depois começaram todos á batatada, seguranças e deputados.

http://www.youtube.com/watch?v=GlKMVFtPsFI&feature=player_embedded

Parecia o parlamento da Coreia do Sul.

Acredito que no Kremlin os planos de contingência já foram todos previstos e equacionados, e qualquer que seja o cenário e a evolução das coisas na Ucrânia as decisões já estão tomadas.

Face á escalada da violência, é cada vez mais que certo um cenário de pré-guerra civil na Ucrânia, a Rússia não vai aceitar um cenário destes nas suas fronteiras e vai ter que intervir militarmente para a coisa não se prolongar no tempo, com os Russos a ocupar o Leste e Sul da Ucrânia.

O que sobrar será um estado falhado sem acesso ao mar com terras de cultivo que serão vendidas ao desbarato ao ocidente e aos chineses, uma Moldávia das grandes.

José Milhazes disse...

Caro Pippo, o problema é que a Rússia copia ao risco os erros cometidos pelo Ocidente na Ucrânia.
Quanto ao preço do gás, você sabe que não é bem assim. A Ucrânia pagou durante muito tempo mais pelo gás do que qualquer outro país europeu.

Ricardo Break disse...

Muito bom considero o sr um homem bastante inteligente e que sem dúvida fala a verdade gostaria que I sr tivesse um blogue que podesse seguir pois o sr JM para mim é um zero

Noé Rocha disse...

preço do gás em 2012 para a Europa em 2012

http://ampp3d.mirror.co.uk/2014/04/04/russia-puts-ukraines-gas-bill-up-by-80-but-its-still-less-than-what-poland-paid/

Anónimo disse...

Rogério Silva

É curioso como o JM está sempre à procura da nesga para incriminar os Russos.
O Pippo fala nos erros da europa numa análise que considero muito sóbria, mas... o JM apressa-se a trazer à coação que os Russos também cometem os mesmos erros. Fantástica esta cegueira anti-russa.

Anónimo disse...

Rogério Silva

Quando é que o JM terá a coragem de afirmar que tudo isto é consequência da prepotência dos EUA e UE que após os êxitos da Juguslávia, da Libia... acharam que poderiam mudar o poder (mesmo o legitimo e alicerçado em eleições) em qualquer parte do mundo através dos métodos que achassem necessários sem qualquer oposição. O JM considera que os Russos deveriam ficar quietinhos, caladinhos com a NATO nas suas fronteiras. pois... parece-me que a culpa e o erro de cálculo aqui foi dos EUA e da europa.

José Milhazes disse...

Rogério Silva, leia com atenção o que eu escrevi desde o início do conflito sobre as acções da UE e EUA.

José Milhazes disse...

Ricardo, não falte ao respeito, sua besta quadrada. E, para que saiba, não publicarei mais nenhum comentário seu. Estou farto...

Pippo disse...

"Caro Pippo, o problema é que a Rússia copia ao risco os erros cometidos pelo Ocidente na Ucrânia."

Nem por isso, JM. O Ocidente não tem contiguidade geográfica com a Ucrânia, não tem minorias étnicas que por lá vivem nem está a ser geopoliticamente ameaçado perto das suas fronteiras, que é o que acontece com a Rússia em relação à Ucrânia. Portanto, não pode sequer haver cópia pois as consequências das acções ou inacções, para uns e para outros, são muito diferentes.

Se o Ocidente nada tivesse feito, as manifestações na Maidan não teriam passado de protestos com umas cargas policiais aqui e ali. Tudo normal como acontece por cá.
Mas se a Rússia nada tivesse feito, neste momento o acordo relativo às bases na Crimeia já estaria rasgado e queimado, as bases cercadas por tropas ucranianas com a NATO a servir de "escudo" a tais actuações. E aí, a Rússia já nada poderia fazer a não ser alardear o "Direito Internacional" e demais patacoadas sem sentido.

O Ocidente interveio activamente na Ucrânia, não do lado da legalidade mas do lado dos seus interesses, que eram o de depor o governante eleito e instaurar um regime pró-Ocidental.
A Rússia contra-atacou ocupando a Crimeia (que é e sempre foi russa) e obviamente está a apoiar as manifestações, tão legítimas como as da Maidan, no Leste e Sul da Ucrânia. Caso não o fizesse, teria a NATO às portas.

Eu sei disso tão bem quanto o JM, por isso não vale a pena iludir-mo-nos quanto a esse respeito.

Os "erros" que a Rússia possa estar a cometer na Ucrânia, de alienação de parte, repito, parte do país, em nada se comparam com o erro que cometeria em, mais uma vez, confiar na "Comunidade Internacional" como o tem feito nestes últimos anos.

Dinheiro: será que isto irá afectar a economia russa? É possível. E para já, negativamente. Mas no futuro, quem sabe? Não se trata de uma ocupação similar à do Iraque ou do Afeganistão, pois não?

--------------

Caro Ricardo, não diga isso do José Milhazes.
Posso estar em desacordo com ele em muitas destas questões, contudo, é um homem que respeito e admiro, entre outras coisas porque teve a coragem de criar este blogue que tem sido, para mim, um excelente espaço de debate nestes últimos 7 anos.
Quem me dera ter a capacidade que ele tem em fazer todo este trabalho ao longo de quase uma década.

Pippo disse...

Calma, JM, calma!

Não sei o que é que o Rogério poderá ter escrito antes, mas olhe que... até eu, e outros, já lhe fizemos a mesma crítica! :)

Ou seja, na minha opinião, acho que o JM é demasiado ácido em relação à Rússia (do Putin) mas critica muito de passagem o Ocidente. Por exemplo, não me lembro de ter visto notícias suas aqui no blogue com o título "Vitaly Klitchko, a criação da Alemanha de Merkel" ou "Senador norte-americano apoia os revoltosos", etc., etc.

MSantos disse...

A par disso multiplicam-se as mensagens de ódio dos deputados "democratas" da Maidan. Hoje uma dessas senhoras afirmou que os revoltosos tinham de ser fuzilados.

De notar que será do pleno e total interesse dos EUA que a Rússia se envolva num conflito militar sangrento de desgaste que fragilizasse o poder no Kremlin de modo a provocar uma Maidan russa. A Rússia tornou-se no maior impecilho ao domínio global dos EUA e estes estão determinados em neutralizá-la. A ofensiva começou ainda com os jogos de Sochi com um ataque e demonização extremos da Rússia.

Com todos estes povos movidos por ódio extremo, com nacionalismos e neonazismos à mistura, essa entidade subserviente e amorfa chamada UE pode vir a ser responsável por uma batalha de proprções catastróficas em pleno coração da Europa.

Cumpts
Manuel Santos

Anónimo disse...

Possível futuro mapa da Ucrânia.

http://ic.pics.livejournal.com/eccleziast/15961743/410263/410263_600.jpg

O Oeste passaria para os Polacos, os Galegos nazis de Lvov, Rovno e Ternopil ainda vão chorar pela Ucrânia, vão ser vassalos dos Polacos como nos tempos da Comunidade Polaco Lituana.

A Transcarpatia vai para a Hungria e a Bukovina para a Roménia.

O Sul e Leste para a Rússia.

A Ucrânia ficaria reduzida á parte central.

Carlos Caseiro disse...

Lei do mrrcado: quem consome mais e paga a horas tem as coisas sempre mais baratas.

Carlos Caseiro disse...

Estou convicto de que se o J.M. vivesse nos EUA, era anti-americano.

EJSantos disse...

Pippo disse: "...não diga isso do José Milhazes."
Grandes senhores (Pippo e José Milhzes). Podemos discordar, mas o debate faz-se com factos e ideias.

Anónimo disse...

Dado que revolução em Kiev era sobre a ordem constitucional e atual rebelião no leste é contra a integridade territorial do país, é natural que Ocidente apoiou a revolução e apoia as decisões de Kiev.

Anónimo disse...

Zé Pedro:

Este texto está desactualizado quando afirma que não há ninguém interessado investir na Ucrânia, uma vez que na semana passada FMI/UE já aprovaram uma ajuda de 20 bn Euros à Ucrânia nos próximos 2 anos.

PortugueseMan disse...

...Quanto ao preço do gás, você sabe que não é bem assim. A Ucrânia pagou durante muito tempo mais pelo gás do que qualquer outro país europeu...

Meu caro, você tem uma maneira muito peculiar de ver a realidade...

Depois de anos a falar deste tópico aqui no seu blogue, não poderia deixar passar uma afirmação destas.

O que diz não é verdade.

Sinta-se à vontade para me explicar, quando é que a Ucrânia pagou o que afirma, QUANTO pagou e o que é para si "muito tempo".

Uma vez mais volto a afirmar, NUNCA o vi preocupado com o dinheiro que a Rússia enterra num outro país, mas SEMPRE o vi preocupado com o estado da economia russa e de como o dinheiro é mal gasto.

Mas continua a insistir numa realidade que deve existir noutra dimensão.

A Ucrânia VIVE e AINDA VIVE de gás subsidiado.

MOSTRE-ME que estou errado.

PortugueseMan disse...

Lei do mrrcado: quem consome mais e paga a horas tem as coisas sempre mais baratas.

Pois concerteza. Isto é algo que o JM não está a querer ver.

E no caso da Ucrânia, nem se pode falar em aplicar as leis do mercado, porque os valores são artificiais, ou seja, SUBSIDIADOS.

MSantos disse...

Caro PortugueseMan

Você vai adorar este texto. Ainda por cima publicado pelo anti-Kremlin extremo "The Moscow Times":

http://www.themoscowtimes.com/opinion/article/why-russia-isnt-afraid-of-us-gas-exports/497672.html

Cumpts
Manuel Santos

Anónimo disse...

Caros,

Não sei se este comentário será publicado mas concordo plenamente com o que aqui foi escrito pelo Pippo de forma bem coerente, séria e imparcial, assim como são as intervenções do PM. Pena que no Blog perdemos o dinamismo das discussões motivo que me levou a estar apenas como leitor. Acho que ofensas e insultos ao Sr. Milhazes são uma forma errônea de expressão pois se perdermos o respeito, perdemos a razão e o comportamento civilizado, além disso ele não merece nem como profissional e muito menos como ser humano. As divergências de opinião e posicionamento fazem parte da característica humana e é direito de cada um. De todos que aqui frequenta e outrora já escreveu eu talvez seja o que ele menos dispense qualquer atenção e talvez trate com maior ironia mas isso não é motivo para subir o tom ou descambar para um tratamento agressivo, depreciador ou jocoso, vamos manter a linha e aproveitar o espaço, que considero muito importante para os que possuem conhecimento, intimidade e ligações com a Rússia.

Wandard

PortugueseMan disse...

Caro MSantos,

Sim, eu identifico-me bastante com o artigo, ou não falasse eu tantas vezes acerca destes temas.

A questão do gás vindo dos EUA, está bem explicada e é uma pena as pessoas não lerem este tipo de análises em vez de artigos que populam nas notícias de como o gás vindo dos EUA, vai resolver a coisa.

Como se a coisa fosse assim tão simples.

Caro JM, arranje um pouco de tempo para ler este artigo, e leia com atenção. Não se resolve o problema da energia na Europa, sem a Rússia e este artigo tenta explicá-lo. E está correcto.

MSantos,

Relativamente a um parágrafo desse artigo:

...For Gazprom to maintain that market share as overall gas demand rises on the continent, it must complete the South Stream pipeline across the Black Sea despite objections from Brussels. Customer countries, such as Bulgaria, are in favor of South Stream because it bypasses the troublesome transit route through Ukraine. For the same reason, Germany wanted the twin-pipe Nord Steam connection which delivers 55 bcm of Russian gas directly into its industrial heartland...

Dê uma espreitadela a este post:

http://portugueseman.blogspot.pt/2014/04/europa-e-russia-juntas-na-energia.html

E veja a parte que fala da Bulgária, que aconteceu agora em plena crise da Ucrânia e que tudo se "fala" para evitar a dependência energética dos russos.

ponho aqui 2 bocadinhos:

Economy Minister: Let’s unite for the South Stream

Bulgaria has to direct all efforts to the South Stream to become energy- independent in any future interstate conflict

"Rich countries in Europe already have the Nord Stream, so let the poorer southern get the South Stream"

Anónimo disse...

"Rusia sigue subsidiando la economía de Ucrania a pesar de que no reconoce el Gobierno ilegítimo de Kiev, pero esta situación no puede prolongarse "eternamente".
"La Federación rusa no reconoce la legitimidad del Gobierno de Kiev, pero sigue proporcionando apoyo económico y subsidiando la economía de Ucrania con miles y millones de dólares. Esta situación no puede durar eternamente," dijo el presidente ruso.

La deuda total de Ucrania a Rusia asciende a 16.600 millones de dólares, de los que 2.200 millones de dólares corresponden a deudas por gas, según ha informado el primer ministro ruso, Dmitri Medvédev.

Medvédev precisó que esta cifra tiene tres orígenes. "3.000 millones de dólares corresponden a la deuda de Ucrania; la deuda acumulada por el gas es de 2.200 millones de dólares, y lo que consideramos beneficios no recibidos alcanza los 11.000 millones de dólares," explicó el primer ministro. Además el primer ministro subrayó que según el contrato Rusia podría haber adoptado ya el sistema de pago anticipado, pero no lo ha hecho debido a la difícil situación que vive Ucrania.

Este miércoles el ministro ucraniano de Energía e Industria del Carbón, Yuri Prodan, ha dicho que Ucrania actualmente no consume gas de los gasoductos rusos por no poder acordar con Rusia el precio.

Kiev insiste en que la Flota del Mar Negro rusa continúa en territorio ucraniano, de manera que los descuentos de gas según los Acuerdos de Járkov siguen en vigor. El 1 de abril el legislativo ruso denunció el acuerdo que rige los términos de la estancia de la Flota del Mar Negro en Crimea y el acuerdo del 21 de abril de 2010 que prolongaba 25 años la dislocación de la Flota del Mar Negro en Crimea y proporcionaba a Ucrania descuentos por el gas.

El presidente de la compañía rusa Gazprom, Alexéi Miller, había anunciado anteriormente que desde el 1 de abril de 2014 el precio del gas para Ucrania será de 485,5 dólares por metro cúbico. "


Texto completo en: http://actualidad.rt.com/economia/view/124768-rusia-ucrania-deuda-gas

-Que diz a isto Sr. Milhazes.

AFerreira

PortugueseMan disse...

Caro Wandard,

Mas acaba por ser importante a sua prestação. Imagine este blogue sem as participações do Pippo, por exemplo.

No meu caso, sempre que aparece um post do Pippo, eu leio.

Ou seja, há pessoas que leio sempre e acho importante o que dizem.

Por exemplo, se aparece algo seu, do JM, do Pippo, do MSantos eu leio. Também existem mais posts que leio, existem outras pessoas que colocam coisas muito interessantes.

As contribuições enriquecem o blogue do JM, estamos a ver como outros pensam, sobre o mesmo assunto. Mesmo o facto de ele ser do "contra", "obriga-me" a participar mais, a querer explicar e a explicar o meu ponto de vista.

Ainda no outro dia, um outro utilizador tirou-me um dúvida que me estava a fazer muita confusão: como raio é que a Rússia estava a enviar tanques por transporte ferroviario? como era possível??

O Roman, esclareceu-me de vez.

É importante participar. Participe meu caro.

PS: Caro Msantos, você também devia participar mais :-)

PS2: Só é pena de facto, o delay das mensagens, que muitas vezes mata a discussão.

Carlos Caseiro disse...

Aqui está um pequeno texto traduzido de um artigo da RIA NOVOSTI
-----
Poroshenko contou como a Ucrânia pode recuperar a Crimeia

"A Ucrânia não será capaz de libertar rapidamente a Crimeia e recuperar o seu controlo", - disse na sua entrevista de 27 de março à BBC-Ucrânia o deputado da VERKHOVNA RADA Pyotr Poroshenko.

"Na Crimeia, não se deve dar esperança às pessoas que amanhã ela será rapidamente libertada. A Crimeia foi ocupada, ocupada como resultado de agressão, é uma situação muito pesada e complicada para a Ucrânia", - disse o político.

"Precisamos de usar todas as medidas: por um lado, as sanções que tomam os nossos parceiros internacionais, por outro – a posição firme dos ucranianos, e terceiro -. O sucesso económico. Quando um residente na Ucrânia demonstrar que vive muito mais feliz do que um residente da Crimeia, tenho a certeza de que os habitantes da Crimeia ficarão desapontados... Apenas a combinação de todas estas iniciativas nos permitirá fazer o que hoje declaram o povo e os políticos: a Crimeia será sempre ucraniana, o mundo nunca reconhecerá a anexação da Crimeia "

Ao mesmo tempo, ressaltou que se as tropas russas passarem para além do limite da Crimeia, o exército ucraniano terá que abrir fogo. "Não podemos mais ser tolerantes ou demonstrar fraqueza nas ações" - disse Poroshenko.
---
Disse o provável candidato a vencer as próximas eleições presidenciais na Ucrania.
É um bom comentário ao artigo

Noé Rocha disse...

Cheguei a ler este artigo acerco do famoso gas que os EUA nos querem (EU) impingir, mas como não sou engenheiro na matéria, não sei até onde a verdade sobre a produção de shale vai, mas se o artigo estiver correcto, espero que os lideres desta Europa decadente ainda tenham alguma moralidade para dizer não a este produto.

http://cluborlov.blogspot.pt/2012/05/shale-gas-view-from-russia.html

Pippo disse...

Rapaziada, eu leio praticamente todos os artigos que aqui são publicados. Sei, por experiência, que há comentadores/leitores (PM, M Santos, Wandard, e mais alguns) que são mais imparciais do que outros e cuja informação veiculada é séria.
Infelizmente, esses pouco publicam.

Há depois outros que são absolutamente parciais e fazem aqui propaganda pura e dura. Destes, há um ou outro cujas publicações leio, mais para me divertir do que para extrair algum sumo. Há outros que não me fazem perder tempo.

Em todo o caso, a participação, activa, inteligente e sóbria, de todos é muito importante, caso contrário este blogue deixa de fazer qualquer sentido.

PS - À conta do artigo sobre a detenção de "espiões do FSB" na Ucrânia (um dos tais que me fazem rir!), enviei para o JM um outro, já com mais ou menos uma semana, sobre a captura de 25 agentes do SBU (ucraniano) na Rússia :)

Flv disse...

Que consequências poderão advir?

Viriatus disse...

A Rússia, isolada na cena internacional, continua a ter de lutar contra a "máquina de propaganda" ocidental. Não há jornal que se preze que não faça dos Russos os demónios, o que irá recriar em breve o velho conceito do «perigo russo», tão caro aos tempos da Guerra Fria.

Mas meus senhores, com as mortes de Bin Laden, khadafi e Hugo Chavez, e o adocicar do tom dos Iranianos, os generais da NATO começavam a bocejar, e havia a necessidade de encontrar de novo um «inimigo». Ora aí o Sr. Valdimir Putin a jeito para se odiar e ressuscitar as estratégias e os estrategas ocidentais... e para permitir a venda de mais akgumas centenas de aviões e alguns milhares de tanques. Olhem o perigo russo, meus senhores.

Mas que ninguém esqueça que há Rússia para além de Putin. E ainda bem. O Rússia Unida começa a estalar, e o poder começa a fugir-lhe por entre os dedos. Há pouco foi Novosibirsk, onde um grupo alargado de oposicionistas se juntou num pacto para votarem todos no mais bem posicionado. E esse homem foi um comunista. E não houve problemas para ninguém. O comunismo também já não mete medo, nem sequer na Rússia, mas as alternativas e as alternâncias de poder começam a ser procuradas.

Seja como for, a "ditadura" russa não é assim tão medonha. E a democracia, embora tímida, começa a dar os seus passos seguros. Ainda bem.

Flv disse...

Ministro da Energia da Ucrânia revela que o país não bombeará mais gás russo, como retaliação da medida do aumento do preço da matéria-prima.
http://www.ptjornal.com/2014040922242/geral/mundo/ucrania-nao-bombeia-gas-da-russia-ameacando-abastecimento-da-europa.html
Mas...
http://pt.euronews.com/2014/04/09/gas-russia-nao-vai-exigir-pre-pagamento-a-ucrania-por-agora/

MSantos disse...

Caro PM

Obrigado pela parte que me toca mas na maioria das vezes, o que pretenderia vincular, tanto você como o Pippo fazem-no muito melhor do que eu. Para expressar o que eu penso e que já aqui expús tantas vezes tornar-me-ia repetitivo e isso eu vejo em outros comentadores que mesmo concordando com eles, para mim tornam-se aborrecidos e maçadores.

Para dizer asneiras, prefiro estar calado.

Mas de vez em quando sairá um ou outro desabafo e sempre que possa trazer algo novo ou importante para a conversa.

Abraço
Manuel Santos