sexta-feira, maio 30, 2014

Qual o futuro da União Económica Euroasiática?


Na quinta-feira, os presidentes da Bielorrússia, Cazaquistão e Rússia: Alexandre Lukachenko, Nussultan Nazarbaev e Vladimir Putin, assinaram o tratado de criação da União Económica Eurasiática (UEE), que eles próprios classificaram de “acontecimento epocal”.
Claro que a ideia predominante entre os analistas políticos russos consiste em que a criação da UEE tem como objectivo a formação de um contrapeso à União Europeia, ou mais precisamente, uma organização que visa travar o alargamento da UE a países da antiga URSS, bem como reforçar a influência russa no “estrangeiro próximo”.
Os dirigentes dos países membros da UEE sublinham que esta é organização é puramente económica, mas alguns analistas consideram que esta pode ser também um contrapeso à NATO no mundo pós-soviético.
O futuro mostrará se a Rússia, enquanto motor deste processo de integração, conseguirá realizar esses objectivos ou se o destino da UEE não será mais um análogo a organizações semelhantes como a amorfa Comunidade de Estados Independentes.
Importante, agora, é analisar os interesses de cada um dos membros da nova organização.
Moscovo pretende mostrar que não está sozinho, isolado depois da anexação da Crimeia e do apoio aos separatistas na Ucrânia.
Trata-se de uma medida necessária: a Rússia, tendo como fundo os acontecimentos ucranianos, precisa de provar que ela não está sozinha”, considera Nikolai Bardul, redactor-chefe do jornal “Finansovaia gazeta”.
É de salientar que a actual crise na Ucrânia teve como uma das suas causas a oposição da Rússia à aproximação de Kiev à UE. Quando chegou a hora de assinar de o Acordo de Parceria com a União Europeia, Victor Ianukovitch recusou-se a fazê-lo por pressão de Moscovo, que se dispôs a conceder substantivos empréstimos financeiros à Ucrânia em troca do afastamento em relação a Bruxelas e da aproximação à futura UEE.
Porém, este não é o único motivo que leva o Kremlin a criar uma organização onde ele, por um lado, irá ser o principal protagonista, mas, por outro lado, irá ser o principal financiador, pois é evidente que a UEE não é uma aliança entre três parceiros iguais.
A Rússia tenciona também evitar o avanço económico impetuoso da China na Ásia Central. Vladimir Putin e a direcção russa não se cansa de publicitar a parceria estratégica entre Moscovo e Pequim, mas a realidade é bem mais pragmática.
São os interesses russo e chineses nem sempre coincidentes que levam Nussultan Nazarbaev a manobrar entre dois gigantes e a adesão do Cazaquistão à UEE parece ser uma forma de ele proteger o seu futuro político e a integridade territorial do seu país. Periodicamente, na Rússia elevam-se vozes que fazem lembrar a Nazarbaev que significativa parte do território do Cazaquistão (mais de um terço) pertenceu à Rússia e foi ilegalmente transferido do território dela pelos dirigentes comunistas. Essas vozes soaram no momento em que Moscovo, sob o mesmo pretexto, engoliu a Crimeia.
Além disso, o desenvolvimento dos acontecimentos no Afeganistão fazem recear uma onda de instabilidade que poderá provocar grandes dores de cabeça aos dirigentes dos países da Ásia Central. Se assim for, a Rússia deverá ir em ajuda para evitar que a “chama islâmica” entre no seu território.
Claro que a política russa na Ásia Central visa também enfraquecer a presença americana nessa região.
Quanto à Bielorrússia, Lukachenko garante a sua continuação no poder, bem como vai tentar continuar a ganhar com o processo de integração, nomeadamente, adquirindo petróleo e gás russos aos preços praticados no interior da Rússia. Depois, refina o petróleo e vende esse combustível e seus derivados à Europa a preços internacionais.
Além disso, o dirigente bielorrusso tem presente o exemplo da Ucrânia e não quer arriscar o seu cargo.
A Arménia é um dos países que já se encontra na lista de espera da UEE. Sob forte pressão da Rússia, Erevan renunciou à assinatura do acordo de parceria com a UE. Mais do que os interesses económicos, os dirigentes arménios orientam-se por interesses estratégicos. Eles receiam perder o apoio de Moscovo na luta por Nagorno Karabakh, enclave arménio no território do Azerbaijão. Baku, de tempos a tempos, recorda à comunidade mundial que poderá recuar à força para readquirir esse seu território.

O futuro mostrará se a UEE conseguirá transformar-se num núcleo de integração viável e duradouro.

10 comentários:

PortugueseMan disse...

...Baku, de tempos a tempos, recorda à comunidade mundial que poderá recuar à força para readquirir esse seu território...

Por alguma razão não o fizeram até hoje.

E a Geórgia está ali bem perto para recordar o que acontece...

chukcha disse...

PROPAGANDA ALERT:
A União Euroasiática é o Futuro! Enquanto a UE se desintegra por falta de solidariedade e com excesso de imposições de normas formais/morais, na União Euroàsiática sobeja a Solidariedade, e não há chantagem moral e política!

(E os Sírios vão aprender Russo, e os Chineses são nossos amigos. O trade off é simples, Cazaquistão pela Mongolia...)

Outra coisa. A Rússia não quer os territórios do Cazaquistão por dois motivos:
1. Língua de comunicação intercultural
2. O Nursultan, não e mau tipo, até diria, que é um bom tipo, apoia o Kazakh, mas não esquece a influência Rússa, que lhe deu o Cazaquistão que existe hoje.

Jonatan Souza disse...

Mas moscou não esta sozinha com relação a crimeia outros paises se posicionaram em seu apoio como a india a nicaragua a argentina esta inclusive denunciou os padrões duplos do ocidente em relação aos referendos da crimeia e malvinas a onde um o ocidente reconheceu como legitimo mesmo que apenas voltaram os de cidadania britanica e o outro negaram a legitimidade afirmamdo que foi realizado na ponta do fuzil,o referendo no donbass não foi na ponta do fuzil teve uma participação gigantesca da população mesmo com os tiroteios contra as pessoas nas filas de votação mas o ocidente foi rapido em incriminar este e absolver os pistoleiros que tentavam impedir os votantes de expor a sua vontade os "maidans poderam né"alem destes paises nenhum dos chamados brics condenou moscow brasil china e africa do sul se abstiveram e continuam tendo e ate almentando o comercio com a russia,o "yats"foi a alemanha e foi vaiado pelos nativos ao som de não queremos mais uma guerra na europa pelo visto os germanicos entendem que a o dedo sujo de washignton nesta crise o eleitorado europeu não é bobo e votou em candidatos que se posicionaram contra esta empreitada na ucrania liderada por whashignton sera que foi depois do "fo**-se" a união europeia ?

Anónimo disse...

Justino disse:

Salvo melhor opinião, o ideal da UE será o de continuar as boas relações com os EUA e até favorecer o estabelecimento de um bloco económico comum atlântico correspondendo à ideia americana, sem todavia descurar as relações ancestrais com o maior país europeu e importante fornecedor de recursos naturais vitais que é a Rússia.

Isto sem subserviência a alguma das partes e sem que um bloco atlântico pressuponha uma hostilidade ao bloco euro asiático, porque se fosse esta a essência de uma união económica atlântica a mesma estaria ferida de volatilidade em função das agendas da “real-politik” da superpotência americana cuja tentação hegemónica é directamente proporcional ao valor do seu orçamento militar que é bem superior ao somatório dos orçamentos militares de todos os países da UE, Rússia, Japão, China, Brasil, Canadá, etc. etc. traduzido em 41% da despesa militar universal, orçamento só explicável perante uma ameaça extra-terrestre do tipo do filme “Independence Day” ou por ímpetos de hegemonia ao estilo napoleónico, “ falar em paz e agir com a guerra”.

No fundo, tratar-se-ia da UE estar bem com gregos e com troianos, aproveitando o melhor de cada um destes, mediando e mitigando um indesejável clima de nova guerra fria por blocos concorrentes e antagónicos, pelo contrário , harmonizando-os dissuadindo o confronto.

Estarão os dirigentes europeus à altura deste grande desafio ?

A pior opção será a da UE tornar-se um peão subserviente e sem voz própria ao serviço da estratégia de um actor de outro continente alimentando uma guerra civil no coração da Europa cujas repercussões será a primeira a sentir e não o actor mandante que se encontra confortavelmente bem mais longe.

João Pedro disse...

Segundo pude perceber (com alguma dificuldade, é certo) pelo comentário de Jonatan Sousa, nas Malvinas " apenas voltaram os de cidadania britânica e o outro negaram a legitimidade afirmando que foi realizado na ponta do fuzil"; tendo em conta que todos os habitantes dessas ilhas têm nacionalidade britânica, e que não há um único argentino, gostava de saber quem foram os pobres ameaçados. Já dizer que não houve ameaças dos organizadores do "referendo" no Donbass é uma boa piada: não só se realizou sob a mira das espingardas como nem sequer tinha cadernos eleitorais (cada um votava quando e quantas vezes quisesse) e as urnas eram transparentes. Mas claro, comparar a "democracia" das milícias do Donbass com o Reino Unido (esse país totalitário e sem tradições de liberdade, como todos sabem)é capaz de não ser muito fácil

Jonatan Souza disse...

É joão Pedro você esta serto os kelpers são todos cidadões britanicos realmente cometi um erro,mas ainda acho que as malvinas pertecem a argentina pois esta administrou a ilha de novembro de1820 a janeiro de 1833 quando os primeiros ingleses chegaram a ilha entre a saida dos espanhões e a chegada dos argentinos caçadores de focas habitavam a ilha,bom com relação ao referendo no leste da ucrania vi nos jornais que pessoas estavam sendo baleadas nas filas de votação na crimeia isto não foi relatado,com relação a legitimidade observadores foram convidados,não foram fazer o que hora?ficar de braços cruzados enquanto a democracia da salvas de artilharia sobre o telhado de suas casas ou lhes encendeião em sindicatos,graças a deus que a russia enterveio na crimeia,provavelmente isto tambem estaria acontecendo lá

Pippo disse...

Isto tudo é peanuts pois agora começou, em Copenhaga, a verdadeira reunião que decide tudo por esse mundo fora: a Conferência Bilderberg.

E olha que amigos tão chegados eles são: políticos, banqueiros, homens de negócios, think-tankers, e claro, a corja do The Economist...
Olha que coisinha mai linda!

http://www.theguardian.com/world/2014/may/30/bilderberg-copenhagen-2014-osborne-mandelson-balls#

Já agora, JM, eu enviei-lhe umas três vezes um artigo, para publicação, sobre a autoria dos homicídios em Krasnoarmeysk. Passou-se alguma coisa para não o publicar?
Enviei mais uma vez o artigo para o caso de se ter perdido no "hiperespaço".

Pippo disse...

http://www.theguardian.com/world/2014/may/31/ukraine-russia-porous-border-guns-fighters

Uma coisa que continua a surpreender-me é o porquê dos "terroristas" ainda não terem realizado um ataque em força, com recurso a armas anti-carro, etc., contra estes postos fronteiriços. Aparentemente, não têm falta de gente disponível, mas terão falta de equipamento, ao passo que as forças de Kiev estão bem equipadas e beneficiam do apoio (confirmado pelo BND) de mercenários a soldo de empresas norte-americanas.

Também acho curioso que ainda ninguém em Moscovo se tenha lembrado de criar uma empresa de "contractors" (com sede fora da Rússia, é claro!) para entrar na lide ao lado do Dombass.

PortugueseMan disse...

...Também acho curioso que ainda ninguém em Moscovo se tenha lembrado de criar uma empresa de "contractors" (com sede fora da Rússia, é claro!) para entrar na lide ao lado do Dombass.

Meu caro,

Moscovo a meu ver está a actuar a nível económico, com a questão do gás.

Vamos ver qual o desfecho da situação da energia.

Penso que o desfecho irá afectar a situação dos separatistas.

Hugo Dionisio disse...

Aliás, o que o blogguer Pipo refere, relativamente a um possivel apoio militar russo aos "terroristas", "separatistas" e "pro-russos", vem provar que o Ocidente nada mais faz que mentir sobre este assunto. Quem vir as nossas TV's corporativas fica com a impressão de que o Putin tem lá militares, misseis, bombas e todo um arsenal de gente e armas à disposição dessa gente "beligerante". Mas, a verdade é que que não tem, e a realidade relatada pelo Pippo comprova-o definitivamente. Ao contrário dos EUA que têm lá de tudo um pouco (como costumam ter). E o autor do blogue nada diz sobre istp e não mostra um centésimo da indignação que mostra com as supostas acções russas. Por outro lado, algo que o JM não refere e que para mim tem grande importância, tem a ver com o facto de os povos "pró russos" apelidarem o governo de Kiev e a sua guarda nacional de "fascisti" e de acusarem a UE e EUA de mais não quererem do que servir-se da riqueza da Ucrânia. Também já conhecemos esta realidade: vide America Latina e actualmente o Sul da Eurpa com os "nazis" Alemães a sugarem-nos o tutano enquanto gente como o JM os idolatra ou, pelo menos, branqueia. Bons e maus nas guerras? Isso é coisa que não existe. Mas, mal por mal, junto de nazis é que nunca me hão-de ver. Agora, chamem-me o que quiserem, mas "nazi" e fascista... Estarei sempre do outro lado, o que quer dizer, que nesta situação, prefiro estar do lado dos...