quinta-feira, maio 08, 2014

Será que Putin decidiu realmente recuar na Ucrânia?




Peço desculpa aos meus leitores, mas outras tarefas não me permitiram escrever diariamente. Uma delas, de grande agrado para mim, foi o acompanhamento de um grupo de estudantes meus do Centro de Cultura e Língua Portuguesas em Moscovo no nosso país. Fiz todos os possíveis para que se sentissem em casa.


Mas voltemos à política na Ucrânia, pois há sinais positivos que podem travar a grave espiral de violência nesse país.
Na véspera, depois de um encontro com a direcção da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa, o Presidente russo, Vladimir Putin, fez importantes declarações sobre a situação na Ucrânia que poderão ter um forte impacto positivo.
Putin lançou um apelo aos “adeptos da federalização”da Ucrânia para que adiem o referendo sobre o futuro administrativo das regiões do Leste e do Sul do país, considera que, se respeitadas determinadas condições, as eleições presidenciais na Ucrânia serão um “passo correcto” e declarou que as tropas russas se retiraram de junto das fronteiras com o país vizinho.
Trata-se claramente da mudança de discurso por parte do Kremlin, o que pode significar que Moscovo procura evitar o agravamento da crise, sem perder a face. Não se pode excluir também que a Rússia tenha recebido alguma proposta considerada viável para ela da parte da União Europeia e dos Estados Unidos.
“O referendo era a principal arma da Rússia e das forças com que ela se solidarizava no Leste e Sul da Ucrânia. A sua realização seria um passo decisivo para a divisão de facto do país. Se Vladimir Putin aceitou esconder, por enquanto, essa ara, isso pode significar que lhe prometeram algo sério sobre a organização futura da Ucrânia”, considera Fiodor Lukianov, director do Conselho para Política Externa e de Defesa.


Este e outros analistas russos frisam que a Rússia nunca tencionou enviar tropas para a Ucrânia, nem dividir este país, mas apenas impedir que a Ucrânia se aproxime da UE e da NATO.
Segundo alguns analistas russos, um dos objectivos dessas promessas é dificultar a actividade daqueles que exigem a tomada de novas sanções contra a Rússia.
Além disso, o Kremlin parece ter dado conta que se os “adeptos da federalização” avançarem para a realização do referendo, este não poderá ter êxito, visto que os separatistas não controlam nenhuma região de forma a puderem organizar um escrutínio minimamente credível.
Porém, os separatistas já anunciaram que irão mesmo avançar para a realização do referendo, a 11 de Maio, na chamada “República Popular de Donetzk”. Mas será que o Kremlin não controla este movimento?
O governo de Kiev também deu, na véspera, alguns passos positivos no sentido do desanuviamento da situação: foi libertado Pavel Gubariov, “governador do povo” da região de Donetzk, e Piotr Porochenko, o previsível vencedor das presidenciais de 25 de Maio, afirmou estar pronto a realizar o referendos nas regiões caso vença as eleições.
Hoje, Vitaly Iatzenyuk, propôs que na Constituição fique fixada a norma de que o estatuto da língua russa na Ucrânia seja determinado por cada uma das regiões.
Por outro lado, o Presidente interino, Alexandre Turchinov, mostrou-se aberto ao diálogo com os habitantes das regiões do Leste e Sul da Ucrânia, com os seus dirigentes, mas recusa qualquer contacto com os que recorrem à força das armas ou estiveram envolvidos em crimes de sangue.
Além do mais, foi anunciado que as autoridades policiais e militares irão continuar as operações de “combate” ao terrorismo no Leste e Sul da Ucrânia.
Surgem ténues sinais de que a situação na Ucrânia pode avançar para o desanuviamento, mas ainda é cedo para optimismos. Amanhã, 9 de Maio, Dia da Vitória do Exército Vermelho sobre o nazismo,poderá ser muito importante para este processo. Moscovo irá realizar celebrações grandiosas, onde não deverá faltar uma parada militar, para mostrar o seu poderio. Fala-se de que Putin poderá participar nessas celebrações na cidade de Sevastopol, na Crimeia recentemente anexada. Se tal se realizar, a sua presença será vista por Kiev como mais um sinal de expansionismo.
Quanto às autoridades de Kiev, elas prometem tomar todas as medidas para impedir provocações. Por exemplo, ataques a veteranos da Segunda Guerra Mundial, etc.
Será importante a forma como decorrerem essas comemorações, mas o optimismo não é muito.

18 comentários:

PortugueseMan disse...

Será que Putin decidiu realmente recuar na Ucrânia?

Não. O principal objectivo foi atingido, impedir o avanço da NATO.

...Este e outros analistas russos frisam que a Rússia nunca tencionou enviar tropas para a Ucrânia, nem dividir este país, mas apenas impedir que a Ucrânia se aproxime da UE e da NATO...

Concordo parcialmente.

Algo teria que ser feito para impedir o avanço da NATO. A situação política ucraniana, permitiu resolver de modo definitivo.

Não concordo com a visão de que a Rússia pretenda impedir o aproximar da UE e NATO. Ainda não vi um artigo em que seja feito a distinção de ambos.

A Rússia não quer a NATO. A UE é outra conversa.

A situacão não vai desanuviar. Putin ao fazer isto vai colocar mais pressão à junta, para que as intenções das regiões separatistas sejam consideradas. Algo vai ter que ser feito, algo como um referendo.

Pode-se esperar que o novo governo que aí venha, tenho esse compromisso, ou algo parecido.

Até lá a junta vai tentar resolver o problema dos "terroristas".

Só que duvido muito que consiga, dado que a situação foi longe de mais.

A junta não tem gente suficiente com vontade de lutar contra ucranianos.

E se um dia destes, tivermos mortes de crianças, temos o caldo completamente entornado.

E ainda falta um pormenor muito importante, que não está referido.

O pagamento da energia.

Kiev, não tem solução para o pagamento da energia, nem ninguém tem sem passar pela Rússia primeiro.

Ou seja, Putin só precisa de esperar, para ver o que Kiev/UE/EUA/FMI, vão fazer.

A dívida vai ser paga.

Resta saber como.

Carlos Caseiro disse...

Afinal quem são os terroristas?
Fico muito apreensivo com a facilidade com que se utilizam neste blogue determinados termos. Fui ao dicionário procurar definições que aqui reproduzo. Espero ser útil.
TERRORISTA - Pessoa partidária do terrorismo.
TERRORISMO
1. Conjunto de actos de violência cometidos por agrupamentos revolucionários.
2. Sistema, regime do Terror, em França (1793-1794).
3. [Por extensão] Sistema de governo por meio de terror ou de medidas violentas.

"terrorismo", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013.

PortugueseMan disse...

Gazprom: Ukraine Missed Payment Deadline as IMF Sends Aid

Russia’s natural gas exporter, said Ukraine failed to meet its deadline to pay for April supplies as the crisis-torn country begins receiving cash from an international bailout package.

Ukraine’s overdue debt climbed to $3.51 billion, including the bill for last month...

...The International Monetary Fund provided Ukraine $3.2 billion under a $17 billion bailout accord yesterday...

...Ukraine is prepared to pay the debt in 10 days following an agreement by Gazprom to amend the contract to return to the previous price of $268 per 1,000 cubic meters...

...Ukraine, which aims to limit its dependence on Russian gas, is seeking an “honest, market price” for it, Ukrainian Energy Minister Yuri Prodan said on May 2...


http://www.bloomberg.com/news/2014-05-07/gazprom-says-ukraine-missed-april-gas-deadline-as-imf-sends-aid.html

Portanto, temos aqui algo para pensar.

Dos 17 biliões de dólares, que o FMI vai emprestar, 20% desse empréstimo é direitinho para pagar a dívida acumulada de gás aos russos.

Ora se neste momento, não têm dinheiro nem para pagar valores subsidiados, para pagar valores de mercado, mais dinheiro do FMI terá que ser usado para pagar energia.

O dinheiro do FMI, não é para pagar contas de gás.

Quem o vai pagar?

A melhor solução será realmente ter gás subsidiado, neste caso o dinheiro do FMI poderá ser usado onde estes querem.

Para continuar a ter gás subsidiado, vão ter que negociar com os russos, ou seja fazer o que estes querem.

E mesmo assim vai ser complicado. As reformas do FMI, vão atirar os ucranianos para o chão.

A Rússia não precisa de fazer muito para ter o que quer, basta esperar que venham ter com ela e aceitar os termos desta.

Anónimo disse...

Justino disse:

Vale a pena alguma atenção ao insuspeito, vindo de quem vem, comentário que se segue:

“Recently a democratically-elected government was overthrown by violent protestors. That is the opposite of democracy, where governments are changed by free and fair elections. What is shocking is that the US government and its NGOs were on the side of the protestors! If we really cared about democracy we would not have taken either side, as it is none of our business”

“This $1 billion for Ukraine is a rip-off for the America taxpayer, but it is also a bad deal for Ukrainians. Not a single needy Ukrainian will see a penny of this money, as it will be used to bail out international banks who hold Ukrainian government debt. According to the terms of the International Monetary Fund (IMF)-designed plan for Ukraine, life is about to get much more difficult for average Ukrainians. The government will freeze some wage increases, significantly raise taxes, and increase energy prices by a considerable margin”.

“But the bankers will get paid and the IMF will get control over the Ukrainian economy.”

“ So the new bill passed by Congress will expand sanctions against Russia for its role in backing a referendum in Crimea, where most of the population voted to join Russia. The US, which has participated in the forced change of borders in Serbia and elsewhere, suddenly declares that international borders cannot be challenged in Ukraine”

“(...) war with Russia over a small peninsula that means absolutely nothing to the US or its security.”

Ora, o “homenzinho de verde” autor destas palavras - “surprise” - é Ron Paul, destacado e experiente militante do GOP (Great Old Party) ou Partido Republicano, esse mesmo, o partido de Nixon, Ronald Reagan e da dinastia Bush, por três vezes candidato à presidência dos EUA nas primárias do seu partido, então tido por muitos analistas como o mais lúcido e bem preparado dos candidatos, ex-membro do Congresso com seis mandatos no seu currículo, palavras que foram proferidas em elogio ao filho Rand Paul, igualmente congressista e destacado membro do GOP tido por presidenciável, por este ter votado contra o apoio financeiro à Ucrânia.

Podem conferir estas e demais palavras na sua página em:

http://ronpaulinstitute.org/archives/featured-articles/2014/march/30/aid-to-ukraine-is-a-bad-deal-for-all.aspx

Quem quiser refutar tais afirmações, por favor, chegue-se à frente.

José Milhazes disse...

Carlos Caseiro, recomendo a leitura de dicionários mais completos, pois o terrorismo evoluiu muito depois da REvolução Francesa.

chukcha disse...

Caro Milhazes,

Deixe lá as desculpas, que a sua vida não é isto. Não que não concorde com muitos comentadores, que nestes momentos de evolução rápida a dinâmica, a bem da discussão, deveria ser optimizada, mas tb ninguém lhe vai cobrar nada, bem pelo contrário!
P.S. Espero que a rapaziada tenha gostado cá da terreola ;)

Assim de repente, Putin, deixou o Ocidente às aranhas. Eu não me preocupo muito porque para a Rússia a Ucrânia é bem mais importante que para os "prceiros OCidentais", ou seja a rússia pensou bem mais nisto que o Obomba ou o Burroso, certamente e terá um PLANO! sIM, UM PLANO (ou 3 ou 5, PLANO... um plano... SR. BURROSO, sim sr obomba!).

Caro PM,

Totalmente de acordo com a sua análise geopolítica, apenas complementando:
A atitudde da Rússia é uma REACÇÃO. Na minha opinião, que vale o que vale (que é pouco), o END GAME dos USA (a UE foi atrás, acríticamente)era RETIRAR A rÚSSIA DA eUROPA:

1. Aniquilando a influência (política económica e militar) no mar negro (que parece que não para nós, no atlântico, mas é relevente).. como o próprio Putin admitiu no "presser" do mês passado.

2 Retirando Ucrânia da Equação com a sua geografia e população (influência, relcionamento etc.)

Bom, o 1º objectivo foi gorado, completamente. O 2º a ver vamos, mas não está a correr muito bem...

P.S. Tenho de arranjar tempo para comentar as suas analises económicas, com as quais concordo na generalidade, no entanto deixo, por cá, uma teoria humoristica:

"COnsta que Putin está a governar para os mercados"

- Ontem propôs adiar o referendo - hoje bolsa moscovo desce 4%.

- Quando coloca tropas em prontidão especial - bolsa sobe 6%!!!

- A Sorte é amanha, a 9 de Maio, a bolsa estar fechada ;)

Já agora: Feliz 9 de Maio, dia da Vitória sobre o Nazi-Fascismo a todos os que o comemoram!

chukcha disse...

E, caro Milhazes, neste ponto o Carlos Caseiro tem razão.

Tneho relatos suficientes para escrever um livro sobre o uso de camisas negras (Pravysector)que fazem o que as forças regulares se recusam a fazer, NA CIDADE MÁRTIR DE SLOVIANSK (não levem a mal a propagnda, estamos a 9 de maio ;))

Pippo disse...

JM, viu o artigo que lhe enviei para publicar?

Efectivamente, não entendo como é que, nos media, se continuam a designar as operações militares de kiev como "operações anti-terroristas". Os milicianos não cometerem qualquer acto terrorista (matança indiscriminada de civis, colocação de bombas, espalhar o terror). Já o governo de Kiev, esse sim, executou várias operações que podem ser classificadas como operações de terror, veja-se a esse título as mortes de civis em Slavyansk e sobretudo em Odessa às mãos de forças governamentais ou associadas ao poder, ou as acções relacionadas com a deposição do anterior regime (snipers revolucionários a matar a torto e a direito, aterrorização de deputados, etc).

Estas recentes notícias, apesar de tudo, poderão revelar mudanças operadas nas negociações, mas se Kiev não parar de imediato com as suas operações terroristas (que o são!), então não sei se se poderá negociar o que quer que seja.

José Milhazes disse...

Caro Pippo, reenvie-me, pois não recebi nada.

PortugueseMan disse...

...A atitudde da Rússia é uma REACÇÃO. Na minha opinião, que vale o que vale (que é pouco), o END GAME dos USA (a UE foi atrás, acríticamente)era RETIRAR A rÚSSIA DA eUROPA:...

Caro chukcha,

Sim, concordo com o que diz, com uma ligeira alteração:

o END GAME dos EUA é QUEBRAR as crescentes ligações que estão a acontecer entre a UE e a Rússia.

- O volume de negócios entra a UE/Rússia não pára de crescer.

- A ligação energética aumenta todos os anos.

- Os novos pipelines russos, contribuiem para o aumento da segurança energética europeia.

- Transferência de tecnologia e know-how (exemplo Sukhoi SuperJet e Mistrals)

- Parceria na àrea espacial (foguetões Soyuz na Guiana Francesa)

- Ligação terrestre entre Europa - Ásia via terrestre(ferroviária)/marinha (Àrtico) pela Rússia (o que corta a influência dos EUA, que domina os corredores Oceânicos)

- Uso do euro cada vez mais acentuado em detrimento do dólar.

- etc, etc...

Se não houvesse pelo o meio uma estrutura militar como a NATO, neste momento as ligações UE/Rússia estariam muito mais avançadas e com bastantes menos focos de tensão na zona.

Mas esta é a maneira dos EUA impedirem que a Rússia lhes faça o mesmo, ou seja QUEBRAR muitas das ligações entre EUA/UE.

N. Amorim disse...

Nyet Means Nyet: Russia's Nato Enlargement Redlines

http://cablegatesearch.net/cable.php?id=08MOSCOW265

Pippo disse...

Caro JM, já enviei.

E que tal uma reportagenzinha sobre a vinda desses alunos a Portugal, hã? Seria giro, mais que não fosse para "desenjoar" ;0)

Ab,

Pippo disse...

Andrei Paruby , que dirigiu a operação em Odessa, é um dos fundadores da "Svoboda" . Ele também é o organizador do "sniping" dos manifestantes e dos polícias na Maidan em Fevereiro passado. Actualmente é o chefe do Conselho Nacional de Segurança ucraniano. A reportagem mostra como o suposto grupo pró-Rússia que desencadeou os confrontos em Odessa eram, na verdade,policias à paisana que encaminharam os hooligans contra dezenas de manifestantes pacíficos que se reuniam em frente ao edifício dos sindicatos da cidade. A reportagem também mostra como os neo-nazis perseguiram aqueles que tentaram escapar.

Não se esqueçam de seleccionar as legendas em francês.

http://www.realpolitik.tv/2014/05/lotan-et-lue-a-loeuvre-a-odessa/

Roberval Pereira Rosa disse...

Antes de mais nada afirmo antecipadamente, não ser nenhum especialista em geopolítica, mas acredito que o Putin, mais uma vez mostrou ao mundo que é um exímio jogador de xadrez, enquanto a maioria dos falcões americanos e europeus demonstram que jogam damas, pois com esta mudança de estratégia de Putin não indica que o mesmo esteja concorde com os acontecimentos ou que esteja receoso de uma nova rodada de sanções americanas e europeias, mas sim Putin demonstra que conhece o tabuleiro da geopolítica muito bem e sabe que as eleições ucranianas ao contrário de normalizar a vida política no país , mediante a legitimação de um governo ilegítimo, somente fará efervescer ainda mais a conturbado sociedade ucraniana, pois e evidente que não mágica no mundo que faça com que ucranianos do leste e do sul convivam sobre o mesmo governo com os ucranianos do oeste.

Caso se confirme a hipótese de u fortalecimento político dos grupos ultranacionalistas ucranianos, este será o estopim para uma violenta revolução nas regiões sul e leste da Ucrania e é exatamente com isso que Putin conta, que as eleições ucranianas não seja um momento de união do povo ucraniano mas sim a ruína e ruptura do ténue laço que ainda une diferentes povos, diferentes culturas e diferentes desejos.

Assim Putin se livra da pecha de estar desestabilizando a Ucrânia e transfere toda a responsabilidade pela ruptura ao próprio povo ucraniano, ou seja, diminui a tensão entre Moscou Bruxelas e Washington, ao mesmo tempo que espera o momento certo de ressurgir como salvador da nação russa e dos preceitos do humanitarismo.

Mas esta e a opinião de um leigo apenas.

Roberval Pereira Rosa disse...

Antes de mais nada afirmo antecipadamente, não ser nenhum especialista em geopolítica, mas acredito que o Putin, mais uma vez mostrou ao mundo que é um exímio jogador de xadrez, enquanto a maioria dos falcões americanos e europeus demonstram que jogam damas, pois com esta mudança de estratégia de Putin não indica que o mesmo esteja concorde com os acontecimentos ou que esteja receoso de uma nova rodada de sanções americanas e europeias, mas sim Putin demonstra que conhece o tabuleiro da geopolítica muito bem e sabe que as eleições ucranianas ao contrário de normalizar a vida política no país , mediante a legitimação de um governo ilegítimo, somente fará efervescer ainda mais a conturbado sociedade ucraniana, pois e evidente que não mágica no mundo que faça com que ucranianos do leste e do sul convivam sobre o mesmo governo com os ucranianos do oeste.

Caso se confirme a hipótese de u fortalecimento político dos grupos ultranacionalistas ucranianos, este será o estopim para uma violenta revolução nas regiões sul e leste da Ucrania e é exatamente com isso que Putin conta, que as eleições ucranianas não seja um momento de união do povo ucraniano mas sim a ruína e ruptura do ténue laço que ainda une diferentes povos, diferentes culturas e diferentes desejos.

Assim Putin se livra da pecha de estar desestabilizando a Ucrânia e transfere toda a responsabilidade pela ruptura ao próprio povo ucraniano, ou seja, diminui a tensão entre Moscou Bruxelas e Washington, ao mesmo tempo que espera o momento certo de ressurgir como salvador da nação russa e dos preceitos do humanitarismo.

Mas esta e a opinião de um leigo apenas.

Anónimo disse...

Olhando hoje para a Ucrânia, alguém no seu juízo perfeito acredita que é possível organizar uma campanha eleitoral seguida de um peblíscito popular em 15 dias?

Campanhas efectuadas por partidos, devidamente organizados e legalmente financiados, com liberdade de associação, reunião e expressão? Eleições participadas livre e esclarecidamente por todo o eleitorado?

Não me façam rir...

Serão umas eleições à iraquiana e uma democracia à iraquiana.

Mas levarão a chancela da pátria dos livres e dos bravos, pelo que os recém-eleitos serão apresentadas ao mundo como a mais límpida e cristalina expressão da vontade do "povo ucraniano"

Entretanto, se necessário for, inventa-se uma 3.ª volta eleitoral ad hoc e ilegal, como já foi feito anteriormente, para se obter o resultado eleitoral desejado.

Claro está que nessa altura uns críticos das eleições e da democracia "a la Putin" virão cantar hosanas aos ventos de liberdade e democracia que da Ucrânia soprarão inevitavelmente sobre a Rússia.

A farsa é sempre a mesma.

Carlos Caseiro disse...

Alguém me pode dar uma definição de terrorismo atual? Será aquela que vem de Kiev? Federalista = separatista = terrorista? Ou será independentista = terrorista. No tempo de Salazar e Caetano aqueles que lutavam pela independência nas colónias portuguesas eram TURRAS. Será essa a defenição?

Carlos Caseiro disse...

Recomendo a leitura...http://www.dw.de/1794-robespierre-%C3%A9-executado-na-guilhotina/a-319705