segunda-feira, junho 09, 2014

Assassinos de Ana Politkovskaia condenados a pesadas penas de prisão



Finalmente, oito anos depois do assassinato da conhecida jornalista russa Anna Politkovskaia, um tribunal de Moscovo condenou os organizador e executor do crime a pesadas penas de prisão.
O organizador, Lom-Ali Gaytukaev (na foto), e o executor Rustam Makhmudov foram condenados a prisão perpétua. Um dos intermediários, um antigo agente da polícia, Serguey Khadjikurbanov, e dois irmãos do executor foram condenados a penas entre 12 e 14 anos de prisão. Anteriormente, outro ex-agente da polícia, Dmitri Pavliutchenko, fora condenado a 11 anos de prisão porque decidiu cooperar com as autoridades policiais na investigação do crime.
À excepção deste último, todos os condenados são originários da Tchetchénia, república do Norte do Cáucaso russo. Como é sabido, Anna Politkovskaia foi uma crítica implacável das acções das tropas russas e dos dirigentes tchetchenos pró-russos contra a população civil durante as duas guerras da Tchetchénia (1991-1996 e 1999-2004).
Em resposta à reivindicação de independência por parte dos tchetchenos, Moscovo arrasou praticamente esse território e morreram dezenas de milhares de civis. Hoje, o Kremlin tem uma posição diametralmente oposta em relação à Crimeia, embora o presidente da Rússia fosse o mesmo durante a segunda guerra da Tchetchénia e durante a anexação da Crimeia. Afinal, só alguns povos têm direito à autodeterminação, ou mais precisamente, só o povo russo, os restantes não são abrangidos pelo Direito Internacional.
Os familiares de Anna Politkovskaia e numerosos jornalistas russos consideram que o caso não foi encerrado, pois falta saber quem encomendou o crime. Mas talvez isso nunca mais se venha a saber, como acontece com muitos outros casos de assassinato de jornalistas na Rússia.
Como o crime foi cometido a 7 de Outubro de 2006, no dia do aniversário de Vladimir Putin, alguns analistas apressaram-se a ligar os dois acontecimentos, mas nunca foram encontradas provas dessa ligação.
Quando ao dirigente tchetcheno pró-russo, Ramzan Kadirov, era conhecido o se ódio para com a jornalista, mas também não ficou provado que ele tinha sido o encomendador do crime.
A propósito, na Rússia, em casos idênticos, os encomendadores conseguem sempre fugir às malhas da justiça.

Anna Politkovskaia continua a ser para alguns um símbolo da luta pela verdade e a justiça no seu país, onde isso, por vezes, tem um preço demasiado elevado.

8 comentários:

Manuel Goncalves disse...

Um grande exenmplo de que a justica pode demorar mas acaba sendo realizada pelo menos uma vez na vida foi assim, ate mesmo na Russia, quanto a quem foi o mandante do crime penso que ninguem consegue provar quem foi mas todos sabem quem e, esta dentro do propio Kremlin.

Pippo disse...

"Afinal, só alguns povos têm direito à autodeterminação, ou mais precisamente, só o povo russo, os restantes não são abrangidos pelo Direito Internacional."

Aaaah, adoro este tipo de afirmações! É que, sob o ponto de vista da "comunidade internacional", é exactamente ao contrário: "só alguns povos têm direito à autodeterminação, ou mais precisamente, só os povos que não seja o russo, que não é abrangido pelo Direito Internacional."

José Milhazes disse...

Caro Pippo, por vezes duvido que os comentários sejam enviados pelo Pippo que conheço.

chukcha disse...

"Afinal, só alguns povos têm direito à autodeterminação, ou mais precisamente, só o povo russo, os restantes não são abrangidos pelo Direito Internacional."

Caro Milhazes,
você faz estas afirmações deterministas como se fossem verdade e o ónus recaisse SEMPRE sobre Rússia.

Note-se que as fronteiras estiveram minimamente estáveis após a WWII (na Europa e genericamente no mundo), e que foi a desintegração da URSS (por manifesta incompetência dos seus lideres e contra a vontade dos povos, exceptuando se calhar os bálticos e os da galícia que esses sim, tinham alguma ânsia independentista) e a da Juguslávia por manifesta e criminosa interferência ocidental, que criaram os precedentes para a Crimeia (que também não foi mais que uma acção reactiva contra o autismo dos construtores de coloridas revoluções).

Contrariamente ao que nos vendem, os propagandistas ocidentais, a questão separatista já lá vai. Nos ans 90 existia no Caucaso e no Tatarstão. No caucaso deu barraca, com apoio da jihad internacional (como na bosnia, diga-se) e no tatarstão, era chato, lembro-me que uma vez em viagem para os Urais, demorei mais 4 ou 5 horas, porque uns idiotas em Kazan decidiram que os comboios da FR não passavam por lá (terá sido em 93? ou 98?). De resto também nunca houve grandes peturbações no tatarstão.

Mas agora os Russos têm uma nova política para o Separatismo, que é bastante capitalista e eficaz: Atirar dinheiro para cima do problema. Grozni, pela imagens parece o Dubai, e Kazan é uma autêntica metropole Euroasiática, ao nivel do melhor que há.

E o Kadirov- o mais caro dos entertenimentos dos contribuintes Russos? Bom, pelo menos enche a imprensa com o seu bom humor, para além de ter libertado os 2 jornalistas de LifeNews presos por Kiev!

Por isso, a integridade territorial da Rússia está bem, recomenda-se e avança para uma União. Pudesse a Europa dizer o mesmo...

chukcha disse...

"quanto a quem foi o mandante do crime penso que ninguem consegue provar quem foi mas todos sabem quem e, esta dentro do propio Kremlin"

M. Gonçalves,
Convém ter algum cuidado com as conclusões sobre homicidios estatais, até na Rússia. A guerra na Chéchenia já etava resolvida e controlada (melhor até que na Inguchetia, p. ex.) e o princpal alvo das investigações de Poliatovskaya eram os clãs pró-Russos, com quem Moscovo se aliou e a quem despejou rios de dinheiro...

Mas que o Kadirov distribui malas de dinheiro aos noivos é um facto, não é preciso o Kremlin assassinar pessoas por causa disso. Até porque o "Caso" "poliatovskaya" tem reprecussões bem mais negativas que a cofirmação da bandidagem de clãs Chechenos pró-russos a mãos com uma insurgência radical islâmica, tal como o pseudo caso-Magnitski, Litvinenko e outros... e acho que ualquer idota sentado em Lubyanka sabe disso (eles hoje lêem jornais e tal, ouvi dizer)

nuno_inzaghi disse...

os agentes da cia que ajudaram os terroristas chechenos no ataque terrorista em volgogrado tambem deviam apanhar penas pesadas de prisao

nuno_inzaghi disse...

ja agora e por curiosidade parece que vai haver um referendo em volgogrado para mudar o nome da cidade para estalingrado em honra de uma batalha que la houve na segunda guerra mundial quando a cidade ainda tinha esse nome

Pippo disse...

Deixe estar que o espanto é mútuo, caro JM.

Continuo sem perceber como é que o JM pode condenar o combate à auto-determinação dos chechenos por parte dos russos e pró-russos, mas não condena o combate à auto-determinação dos russos por parte dos "ucranianos" e seus aliados; as suas críticas às acções dos russos são sempre muito mais ferozes do que às de todos os outros, apesar do primeiros, por norma, reagirem a acções/ameaças dos outros (como é o presente caso na Ucrânia); o JM critica brutalmente a "duplicidade" do Putin mas só de soslaio a duplicidade (sem aspas!) do Obama, da Merkel, do nojento do Borroso, etc.;

Em suma, parece que, para si, a Rússia só tem é de aceitar submeter-se à economia de mercado, e à democracia conforme planeado por outrém; tem de ter os líderes "que interessam" (e não os que interessam à Rússia); tem de aceitar ser rodeada por potências hostis e de se submeter aos ditames e às "necessidades" da "comunidade internacional" (a mesma que age como quer e bem lhe apetece); tem de aceitar até ser desmembrada, mas nem pensar em olhar para os territórios dos vizinhos onde vivem russos, pois estes, tal como a sua "Mãe-Pátria", só têm é que se submeter às autoridades nacionais, abandonando até, se necessário, a sua língua e cultura para se tornarem, por exemplo, mais ucranianos, etc..

Por tudo aquilo que escreve, a conclusão só pode ser esta. E ou sou eu que leio muito mal para chegar a estas conclusões, ou suspeito que muitos mais aqui pensam o mesmo.

Não lhe vou dizer o que e como é que deve escrever, mas talvez fosse mais giro publicar aqui artigos mais equilibrados, e se é para cascar, casque em todos por igual, e não sempre nos mesmos.
Só por uma questão de justiça.