domingo, junho 22, 2014

Qual o objectivo das manobras russas?




Gostaria muito de acreditar que as manobras das tropas russas da Região Militar Central, que começaram ontem de manhã, estavam há muito tempo programadas, mas não posso. Assim como também não posso acreditar que elas não estejam ligadas à situação na Ucrânia.
Vladimir Putin, Presidente da Rússia, manifestou o seu apoio ao plano de paz do seu homólogo ucraniano, Petro Porochenko, mas, por outro lado, considera que ele “não deve ter o caráter de ultimato aos milicianos”.
É das poucas vezes em que estou de acordo com o dirigente russo no que respeita ao apoio do plano de paz de Porochenko, mas, quanto ao ultimato, gostaria de chamar a atenção para o facto de Porochenko estar a fazer exactamente o mesmo que fez Putin em relação aos destacamentos armados tchetchenos. O Kremlin exigiu e continua a exigir hoje dos guerrilheiros/terroristas que actuam no Cáucaso do Norte a rendição incondicional e a entrega das armas. Por conseguinte, do ponto de vista estritamente formal, Porochenko recorre ao mesmo princípio do Direito Internacional que utilizou Putin na luta contra os separatistas caucasianos: o direito à inviolabilidade das fronteiras.
No seu plano de paz, Porochenko garante descentralização do poder e um estatuto especial para a língua russa no sudeste da Ucrânia. É verdade que recusa a ideia da federalização, mas também aqui coincidiu com a política de Putin de pôr fim a qualquer autonomia das regiões e repúblicas da Federação da Rússia.
Para os dirigentes russos, os precedentes só são bons quando coincidem com os seus interesses. Verdade seja dita, isso não é um pecado exclusivo do Kremlin... Por isso, é difícil falar de santos e pecadores na política internacional.
Mas voltemos ao plano de paz de Porochenko. A ideia é isolar os separatistas e, se não se renderem e entregarem as armas, serem neutralizados. Porém, trata-se de uma tarefa muito complicada, porque, além de os separatistas estarem bem armados, as forças armadas ucranianas parecem não estar preparadas para combater.
Por isso, considero que não é possível conseguir a paz no sudeste da Ucrânia sem o diálogo directo com os separatistas pró-russos, mas esse diálogo será impossível sem a cooperação do principal fornecedor de armamentos, dirigentes separatistas e mercenários: o Kremlin. Nas mesmas conversações deverão estar também representantes da União Europeia e dos EUA, que também têm sérias responsabilidades neste conflito.
Na Rússia, o “partido da guerra”, ou seja, aqueles que defendem a intervenção militar russa directa na Ucrânia, é muito poderoso e influente, e, por conseguinte, a continuação dos confrontos na fronteira russo-ucranania pode terminar precisamente numa intervenção militar. Numa situação destas, a provocação de pretextos é um processo simples.
Além disso, depois da forte campanha ultra-patriótica e chauvinista realizada na Rússia, que, entre outras coisas, pretende apresentar o conflito na Ucrânia como uma luta entre fascistas e antifascistas, como uma espécie de guerra civil espanhola, Putin não pode abandonar os separatistas, deixando-os sozinhos nas “mãos dos nazis”.
Porém, pode ser uma minoria, mas há russos que compreendem que a intervenção militar directa da Rússia na Ucrânia poderá ser mais um passo fatal rumo à sua desintegração.


P.S. Há muito que não ouvia falar do Conselho Português para a Paz e a Cooperação (CPPC), mas eis que publica nas páginas do Avante, um comunicado onde “denuncia a «o autêntico massacre que as forças armadas ucranianas e grupos paramilitares nazifascistas estão a levar a cabo no Leste da Ucrânia» e responsabiliza os EUA e a UE pelo desencadeamento e agravamento da crise”. Mas será que os membros deste conselho consideram que Putin é o herdeiro da URSS na luta contra o imperialismo norte-americano e se prepara para “construir o futuro radioso da Humanidade”? Esta organização tomou alguma posição quando da guerra na Chechénia?

Na era soviética existia um Conselho Mundial para a Paz e a Cooperação, financiado por Moscovo para defender a política externa soviética e condenar o imperialismo norte-americano. Será que a história se vai repetir?  

25 comentários:

Carlos Caseiro disse...

Mas que desconfiado!

Jonatan Souza disse...

http://undhorizontenews2.blogspot.com.br/2014/06/e-por-tratar-de-ucrania-vamos-mais-uma.html?m=1

Anónimo disse...

depois de anos em contacto com os Russos e ter estado no país mais de uma vez e por meses entre 10 e 20 graus negativos, para lá das ligações afectivas às eslavas que dali provêm, foi fácil compreender que o problema entre a Rússia e o Ocidente é antes de tudo este: o Ocidente está a léguas de conhecer os Russos e ainda há quem pense que o Putin só pode ser mesmo comunista se fez parte do KGB...

Pippo disse...

O objectivo destas manobras, Caro JM, é exactamente o mesmo das manobras da NATO na Polónia e no Báltico, as quais "gostaria muito de acreditar que estavam há muito tempo programadas", mas também não posso.

Infelizmente, nada li aqui sobre, isto é, contra, as ditas manobras, cujo objectivo é o de intimidar a Rússia.

Mas claro que nenhuma crítica aqui lerei enquanto continuar a vigorar na sua mente que a União Europeia e os EUA "também" têm sérias responsabilidades neste conflito, em lugar da verdade dos factos, que é a de que a União Europeia e dos EUA são quem tem a PRINCIPAL RESPONSABILIDADE neste conflito.

Posto isto, e já que fez aqui paralelismos com a Chechénia, deve estar a falhar-me qualquer coisa mas sempre o li a criticar fortemente a Rússia por causa do tratamento dispensado a esta província, mas não o vejo a criticar a Ucrânia sobre o tratamento que está a ser dado ao Dombass.
Faz-me lembrar a sua apressada referência às palavras de Dugin, querendo-o comparar ao Yatsenyuk ao falar dos “sub-humanos” russos...
Bem sei que a pergunta ficará sem resposta, mas... pode esclarecer-me porque é que critica Moscovo com tanta veemência mas as raras críticas a Kiev são semre tímidas e vêm sempre acompanhadas por uma espécie de “mas na Rússia lincham os negros”?

José Milhazes disse...

Caro Pippo, você contnua a não ler com atenção o que escrevo. Não faltam críticas também ao outro lado, o que eu não entro é no jogo sujo da propaganda. Deixo isso para os outros.
Quero recordar-lhe que a Rússia está no início da crise na Ucrânia, quando tentou limitar a soberania esse país e impedir que ele assinasse um acordo com a UE. O acordo até pode ser mau, mas foi elaborado por ambas as partes e Moscovo não tem o direito de dizer o que Kiev deve fazer ou não.
Na actual situação, Moscovo pode ter apenas uma opção sensata: chamar os "separatistas" por ele enviados, desarmar os que armou e respeitar o território do país vizinho.
E claro que continuo a defender uma investigação internacional de todos os crimes, porque, como sabe o Pippo, a Rússia não ficou contente com o relatório da ONU, nomeadamente sobre os acontecimentos em Odessa.

chukcha disse...

Caro Milhazes,

"Quero recordar-lhe que a Rússia está no início da crise na Ucrânia, quando tentou limitar a soberania esse país e impedir que ele assinasse um acordo com a UE. O acordo até pode ser mau, mas foi elaborado por ambas as partes e Moscovo não tem o direito de dizer o que Kiev deve fazer ou não. "

Ai sim? E COMO é que a malvada Rússia fez isso?

Instigou alguma Revolução colorida colocando os seus agentes (como o Yats) no governo? Enviou o Lavrov para apoiar rebeliões e distibuir bolinhos?

NÃO? Então? Ofereceu um empréstimo de 15bi e preços hard discount?

Malvados este Rússos pá! Estão na génese disto...

José Milhazes disse...

Leitor Chukcha, o dinheiro foi para os ucranianos e eles deviam ter agradecido!Ingratos!

José Milhazes disse...

Leitor Chukcha, o dinheiro foi para os ucranianos e eles deviam ter agradecido!Ingratos!

Anónimo disse...

É claro que as manobras militares não estavam previstas e têm em mente dizer aqui estamos, preparados para o que der e vier.

Nada de novo e nada de diferente do que a NATO tem feito.

É igualmente claro que é possível estabelecer entre um paralelismo entre o princípio da integridade territorial dos Estados vs. princípio da auto-determinação das nações entre a secessão da Chechénia e o que se passa no leste ucraniano.

Em ambos os casos, esses princípios e o seu conflito são aplicáveis e debatíveis.

Contudo, descontados os benefícios que a reintegração da Chechénia na Federação Russa teve para a política interna desta, mormente a emergência e consolidação de Putin, a Rússia não poderia ter agido de outro modo dado que essa república islâmica exportava o fanatismo religioso e a jihad pelas suas fronteiras adentro, ameaçando a existência desse estado plurinacional, que conta com dezenas de milhões de muçulmanos e a segurança regional, e mundial.

As semelhanças entre a Chechénia e o leste ucraniano serão superficiais e aparentes. A Chechénia era uma República secessionista que fora capturada por fanáticos religiosos, que mantinham subjugada uma população tradicionalmente laica pela violência da sharia, que importava fanáticos de todo o mundo e exportava a jihad para alcançar uma califado nefasto.

O leste da Ucrânia é uma região sublevada por interesses ainda não inteiramente esclarecidos e resolvidos (federalização, secessão, integração na Rússia?), mas que se prendem com a insatisfação das populações locais diante o seu menosprezo político, económico e cultural por parte dos novos poderes instalados em Kiev.

A Chechénia independente ameaçava a Rússia como o Donbass não ameaçará o que reste da Ucrânia, caso logre a secessão.

O radicalismo da Chechénia, a par da debilidade das forças militares russas de então, não deixou outro remédio que não uma solução estritamente militar e muito violenta, infelizmente para os civis.

Nada de diferente do que os americanos e os seus aliados da NATO fizeram no Iraque e no Afeganistão, países que distam a milhares de quilómetros das suas fronteiras e sem qualquer relação histórica com essas potências beligerantes, mas o facto é que essas operações militares passam como intervenções de cariz humanitário e civilizacional, enquanto a operação russa é retratada como um massacre de civis.

O problema Ucraniano não exige resolução do tipo checheno, nem existe fundamento e legitimidade para tal, pelo menos enquanto o pessoal do Donbass não andar a degolar pessoas e a matar crianças em escolas para espalhar como armas de terror para criar um califado.

Não me parece que a Rússia tenha dito à Ucrânia para não assinar qualquer acordo comercial e limitado a sua soberania. Quem fez isso foi a UE. A Rússia limitou-se a dizer que teria de levantar taxas aduaneiras e "fechar as fronteiras" caso a Ucrânia assinasse com a UE sob pena de ela própria ser invadida por produtos da UE, o que é lógico e aceitável diante a eliminação da fronteira aduaneira na Ucrânia Ocidental.

O acordo que propôs à Ucrânia não violava a sua soberania, pois era livre de qualquer condição. Foi a UE quem impôs condições para acordar (FMI, fins de subsídios a gás e indústrias, cortes de pensões...). Foi a UE quem disse ou nós ou a Rússia. A Rússia nunca excluiu a UE dum entendimento comum sobre as taxas alfandegárias a respeito da Ucrânia. Limitou-se a constatar que o acordo da UE, como estava, era inconciliável com os privilégios alfandegários e comerciais concedidos à Ucrânia.

Anónimo disse...

Caro José Milhazes,

A Rússia emprestou dinheiro (a 1.ª tranche) à Ucrânia, enquanto república soberana.

Se o presidente da Ucrânia meteu o dinheiro ao bolso e este não chegou ao povo, é um problema interno da Ucrânia e do seu povo.

É como Portugal. Se o dinheiro dos fundos da UE servem para alimentar gândulos, o problema não reside na UE, mas sim em Portugal.

Isto sim é não ingerência em assuntos internos dos Estados.

Pippo disse...

" Não faltam críticas também ao outro lado"

Não, meu caro JM. Da sua parte, as críticas ao "outro lado" são sempre muito mais suaves e vêm sempre com um "também" à frente ou atrás.

Sinceramente, basta ler o texto que estamos a comentar!
Quantas linhas é que perde a criticar a UE e os EUA?
DUAS, meu caro. DUAS!

E em quantas é que critica a Rússia? Olhe, tirando essas duas, é quase do princípio ao fim do texto!

Quer ver mais? Na sua resposta ao seu comentario diz que:
1- a Rússia está no início da crise na Ucrânia, quando tentou limitar-lhe a soberania e impedir que ele assinasse um acordo com a UE;
2 - Na actual situação, Moscovo deve chamar os "separatistas" por ele enviados, desarmar os que armou e respeitar o território do país vizinho.

Face a isto:
1 - Ou o JM anda distraído ou pelos vistos não sabe que Moscovo não impediu nada. A UE, essa, é que impôs o "ou nós ou eles", ao que Moscovo disse, e bem, que se a opção fosse pela UE, acabava-se o dinheiro (que a UE não iria dar) e acabavam-se as benesses.
Portanto, quem lixou tudo foi a UE, mas o JM não abriu o bico a apontar o dedo. Porquê?
2 - Todos nós já sabemos que o Ocidente (Alemanha, UE, EUA) mexeram os cordelinhos para provocar a revolta, apoiando abertamente grupos fascistas (não nos vai dizer agora que o Svoboda é tudo uma cambada de democratas, ou vai?). Onde estiveram as suas acusações a estas provocações e ingerências?
O JM sabe, ou tinha a obrigação de saber, que o chefe da CIA foi secretamente a Kiev poucos dias antes do lançamento das tais "operações anti-terrorista". Onde é que publicou o seu artigo a acusar os EUA de promover a guerra na Ucrânia, que eu não o li?

Está a perceber o que eu lhe digo? As suas críticas ao Ocidente, que eu, pelos vistos não devo ler (nem eu nem ninguém!) não passam de meras notas de rodapé, duas ou três linhas perdidas no meio de textos, todos eles a acusar a Rússia de toda a espécie de banditagem. Como é que espera não ser criticado quando o tom de todos os seus textos são assim?

Porque é que nem sequer publicou o texto que lhe enviei sobre os assassinatos cometidos pela Guarda Nacional aquando do referendo no Dombass?
Nunca me deu uma resposta a isso.
Ou será que esse texto, por mostrar crimes cometidos pelos "bons", não interessava ser publicado aqui?

Anónimo disse...

JM, não queira comparar a guerra da Chechenia com a Ucrãnia, se a Russia não tivesse intervido no Caucáso hoje lá teríamos milhares de homens bomba como dos de Boston???? Agradeça aos russos por uma intervenção bem sucedida, já os americanos no Iraque .....

Anónimo disse...

JM, não queira comparar a guerra da Chechenia com a Ucrãnia, se a Russia não tivesse intervido no Caucáso hoje lá teríamos milhares de homens bomba como dos de Boston???? Agradeça aos russos por uma intervenção bem sucedida, já os americanos no Iraque .....

Jonatan Souza disse...

http://undhorizontenews2.blogspot.com.br/2014/06/presidente-putin-ordena-as-forcas.html?m=1

Jonatan Souza disse...

http://undhorizontenews2.blogspot.com.br/2014/06/russia-dando-passos-militares.html?m=1

Jonatan Souza disse...

https://www.youtube.com/watch?v=7IV-afERfpo&list=PLG4eXobJhDr-NYctMs5n635xdeQYzRhI-

PortugueseMan disse...

Quero recordar-lhe que a Rússia está no início da crise na Ucrânia, quando tentou limitar a soberania esse país e impedir que ele assinasse um acordo com a UE. O acordo até pode ser mau, mas foi elaborado por ambas as partes e Moscovo não tem o direito de dizer o que Kiev deve fazer ou não.

Não, não e não.

A Rússia está presente desde o início da crise na UCrânia? até antes.

A Rússia pode impôr a sua vontade à Ucrânia? sem sombra de dúvida.

Porquê? porque existe uma relação de dependência.

Portanto, a pressão exercida pela Rússia é expectável. O que não é expectável são países terceiros, que sabendo desse dependência, colocaram a UCrânia neste dilema.

A Ucrânia tem o direito de escolher o seu caminho? Tem.

Mas ao estar dependente de outros, a sua escolha está também ela sujeita a escrutínio.

Se os ucranianos não percebem a sua dependência da Rússia, o seu destino está traçado.

É isso que estamos a assistir.

Uma nação a desintegrar-se porque parte dessa nação, não percebe que não existe democracia sem economia ou alguém que a apoie economicamente.

A UCrânia vai assistir um retrocesso civilizacional, quando chegar o verdadeiro impacto económico das suas escolhas.

E por muito que se queira deitar as culpas na Rússia, a UE vai ficar muito mal vista nisto e vamos ter consequências. E a Ucrânia, tal como os viciados, antes de deitar culpas nos outros, deviam olhar para eles próprios e pensar que estarem viciados em gás russo barato, pode dar origem a uma overdose.

Chamem o INEM. A UCrânia está a ter um ataque.

PortugueseMan disse...

Mais um artigo interessante, para se pensar no rico sarilho onde a Ucrânia se meteu.

A Ucrânia depende de gás russo barato e a sua economia está muito dependente da Rússia. Além disso é posição chave na passagem de energia para a Europa e ganha dinheiro com isso.

Mas até este dinheiro estão a descobrir que vão perder...

Russia Halts Talks With Ukraine Over Gas Debt

Since June 16, Ukraine has received no gas from Russia because it missed a deadline for paying off nearly half its debt of more than $4 billion it owes for previous gas deliveries. Now it won’t even be able to talk to Russia about how to resolve the problem...

...In an effort to ensure the flow of gas to the West, Ukraine’s parliament is considering legislation that would allow the country’s gas transit and storage facilities to be leased as joint ventures with the United States or EU member countries. Under the proposal, Ukraine would have a 51 percent share and foreign investors would be offered 49 percent...


Alguém que me explique que investidores americanos ou europeus vão ter interesse em adquirir uma posição minoritária, num sistema de trânsito energético problemático onde passa gás russo...

...Kiev needs the income from delivering Russian gas to Europe and wants to make its transit system more reliable...

...acting Ukrainian Prime Minister Arseny Yatseniuk told parliament on June 19 that the joint venture, if approved, would mean an unbroken flow of fees from EU gas customers as well as investment income. He added, “If Europeans join this company, Russia will not build Southstream.”...

Southstream is a pipeline that ... would deny Ukraine of any transit payments it’s been receiving from the West.


http://oilprice.com/Latest-Energy-News/World-News/Russia-Halts-Talks-With-Ukraine-Over-Gas-Debt.html

Ou seja, o South Stream, retira à Ucrânia a sua posição privilegiada de país trânsito energético.

O South Stream retira da equação a Ucrânia e esta irá perder além de energia mais barata o lucro que obtem como país trânsito e terá ainda gastos para suportar a manutenção da maioria dos pipelines no seu território, dado que os mesmos são usados internamente.

A Ucrânia como a conhecemos até recentemente, está acabada. Se a Europa assiste a um fluxo de africanos a atravessar o Mediterraneo, em breve assitirá a um fluxo de ucranianos à procura de melhor sorte.

PortugueseMan disse...

E ainda relativamente ao South Stream, será interessante ver o que a Áustria tem a dizer sobre o assunto, afinal é um dos grandes
interessados/prejudicados.

Se a Bulgária é um ponto chave para o pipeline (curioso, não ver ninguém a acusar a UE de limitar a soberania a um dos seus membros, por este estar a tentar salvaguardar a sua segurança energética...), a Áustria será um dos

grandes prejudicados se o pipeline não fôr para a frente, e interrogo-me quando iremos ver certos países europeus a bater o pé, sobre algumas decisões europeias de caracter bastante duvidoso.

Vamos aguardar pela visita de Putin.

chukcha disse...

"o dinheiro foi para os ucranianos e eles deviam ter agradecido!Ingratos!"

A quem vão agradecer, não sei. Mas o doméstico Socrates dava tudo por um vizinho que lhe emprestasse os € sem o FMI. E os Portugueses também. Mas em Setembro quando se implementar a "austeridade" e quando os Ucrânianos tiverem que pagar a Energia ao preço dos alemães (com uma eficiência energética 4x pior), bom. Só espero que entretanto o bom povo do Donbass se consiga livrar da Junta e arranje um preço "anti-fascista" para a Energia!

Quanto à sua afirmação de da temível "ingerência" Russa, espero que todos estes comentários a desmistificar essa tese propagandistica o façam perceber que está bastante equivicado (no mínimo).

Paulo disse...

Se calhar o José Milhazes achava que quando caiu o muro de Berlim, as tias soviéticas portuguesas tinham morrido todas de diarreia ...
Errado: Estão vivas e continuam assanhadas.

O CPPC, é, como muitos outros organismos, um simples departamento do Partido Comunista Português.

Os comunistas (e há dois ou três especimens desses por aí, e são sempre os mesmos a vomitar os mesmos disparates) ainda têm encravada na goela a queda do muro e a derrota do sistema comunista, afogado no seu próprio visco corrupto e sangue pútrido.

Hoje, com a ascenção da ditadura russa, os comunistas portugueses têm novamente um regime viscoso, obsceno e criminoso para apoiar.

O ódio à democracia, à América, a essa invenção maligna que e a liberdade é tão vincado nessas pessoas, que estão dispostas a apoiar um governo que é apenas uma extensão da Máfia russa.

O atual regime da Máfia capitaneada pelo maior oligarca do mundo, Vladimir Putin, é para os comunistas russos, uma espécie de substituto da Russia Comunista que eles tinham como modelo.

A Russia comunista, que Cunhal elogiava como luz do sol na terra, embora vivesse em Paris, foi agora substituida pela russia fascista.

Mas para os comunistas portugueses, quem se oponha aos americanos à democracia e à liberdade é sempre bom.

MSantos disse...

Engraçada essa identificação automática da liberdade e democracia com a América...

Pippo disse...

"Engraçada essa identificação automática da liberdade e democracia com a América"

Toda a gente sabe que a América "is the land of the Free"! Basta visitar Guantánamo... ah, espera, isso foi fechado... quer dizer, vai ser fechado... era para já ter sido fechado... pronto, um dia, quem sabe, pode ser que talvez venha a ser fechado.

MSantos disse...

Nem me quereria referir de como a América trata estrangeiros, mas sim os seus próprios cidadãos.
E quem o diz (não sou eu) é quem lá vive e não está só em Wall Street ou Washington.

PortugueseMan disse...

Essa do fechado está boa, meu caro.