quinta-feira, agosto 21, 2014

Quem se lixa é a Mc'Donalds


Mais um comentário meu publicado no jornal eletrónico: www.observador.pt 

Na Rússia, a política de sanções é para continuar e Vladimir Putin não pretende fazer figura de fraco, mesmo que para isso tenham de ser os cidadãos russos a pagar a factura. Até ao início das sanções decretadas contra a Rússia pelo Ocidente devido à intervenção militar de Moscovo na Ucrânia, a cadeia de restaurantes McDonald’s era um exemplo de higiene, organização do trabalho e por aí adiante A empresa crescia a bom ritmo, possuindo 435 restaurantes e mantendo cerca de 3000 postos de trabalho nas mais diferentes regiões da Rússia.
Porém, agora que o Kremlin necessita de responder ao Ocidente, as autoridades sanitárias russas, a Rospotrebnadzor, mandaram encerrar três dos mais conhecidos restaurantes dessa cadeia no centro de Moscovo e realizaram inspeções em dezenas de outros por todo o país.
“Durante a inspeção foram descobertas numerosas violações das exigências da legislação sanitária”, lê-se num comunicado publicado pela Rospotrebnadzor, um dos organismos estatais russos mais corruptos e “politizados”. No campo alimentar, nada entra ou se vende na Rússia se os funcionários desse organismo não receberem “a sua parte”. No campo político, ele entrou em acção quando foi preciso proibir a entrada de águas minerais da Geórgia, ou os vinhos da Moldávia. Ou seja, a Rospotrebnadzor funciona como uma espécie de cacete político contra os países que ousem dizer “não” ao Kremlin. Como não podia deixar de ser, os produtos agrícolas ucranianos têm sido das principais vítimas da “defesa da saúde do consumidor russo”.
Quem irá ganhar com o encerramento dos restaurantes da famosa cadeia? Para já, as numerosas barracas de rua que vendem frangos assados, shaurmas ou sandes em condições de higiene muito pouco adequadas, mas que a Rospotrebnadzor teima em não ver.
Em 1990, tive oportunidade de ver a abertura do primeiro restaurante dessa cadeia em Moscovo. Não consegui entrar, porque a fila de clientes dava a volta à enorme Praça Pushkin. Nesse dia, foram servidas 31 mil refeições e esse acontecimento foi visto por muitos como um sinal da abertura da então URSS ao mundo. O McDonald’s tornou-se um símbolo de como podia ser normalmente servido o consumidor, uma alternativa aos refeitórios públicos soviéticos que não primavam pela higiene ou pelo bom ambiente.
Certamente que serão muitos os que irão ficar radiantes com mais esta medida contra o “imperialismo norte-americano”, mas ela tem um alcance bem maior, não só puramente alimentar, mas também político. A política de sanções é para continuar e Vladimir Putin não pretende fazer figura de fraco, mesmo que para isso tenham de ser os cidadãos russos a pagar a factura.
P.S. As autoridades russas já se deram conta que foram longe demais nas sanções contra os produtos alimentares europeus e norte-americanos e decidiram fazer marcha atrás, visto que há produtos proibidos que a Rússia não produz e são essenciais. Entre eles estão o leite e produtos lácteos sem lactose, sementes de batata e de grão.

11 comentários:

Anónimo disse...

Qualquer dia os Blogs avessos também irão ser objectos de sanções nomeadamente os autores que dão entrevistas ao Semanário português "O Diabo". Ai que querido é para eles o José Milhazes...Tratam-no tão bem bem como se trata uma criança inocente e mal compreendida.
J. Corvo

antónio m p disse...

«A política de sanções é para continuar e Vladimir Putin não pretende fazer figura de fraco, mesmo que para isso tenham de ser os cidadãos russos a pagar a factura».

Isto é: A política de sanções iniciada pelo "Ocidente" contra a Rússia é para continuar mesmo que para isso tenham de ser os cidadãos russos a pagar a factura.

antónio m p disse...

BUDAPESTE (Reuters) - A União Europeia prejudicou a si mesma com as sanções impostas à Rússia por conta da crise na Ucrânia, disse nesta sexta-feira o primeiro-ministro húngaro, Viktor Orban, pedindo por uma reconsideração.

Os comentários de Orban acontecem um dia após seu homólogo eslovaco, o premiê Robert Fico, ter criticado as sanções como “sem sentido”, dizendo que elas ameaçam o crescimento econômico do bloco europeu, composto de 28 países.


Artigo de Gergely Szakacs / Reuters Brasil

Anónimo disse...

Justino disse:

Qualquer país só tem a ganhar com a debandada das cadeias de “fast food” fornecedoras de alimentação hipercalórica e hiperglicémica. Os empregos que se perdem com a debandada dessas cadeias seriam compensados pela sustentabilidade de restaurantes duma gastronomia local tantas vezes mais saudável, além da drástica diminuição de gastos públicos e privados relacionados com uma imensidão de obesos, diabéticos, hipertensos e demais cardiopatas,etc.., para não falar dos escândalos que têm vindo a público com a inclusão de carnes não bovinas, ou subprodutos destas, na confeção dos incontornáveis “double”, “triple”, o que quer que seja, desses gordurentos e liquefeitos hambúrgueres a pingar de colesterol.

Preocupam-me mais os agricultores portugueses que deixaram de exportar para a Rússia em função de uma guerra de sanções iniciada pelo bloco Washington/Eurocratas que também iniciaram o conflito ao apoiarem o derrube do governo legítimo da Ucrânia.

As sanções económicas impostas pelo ocidente democrático deveriam passar pelos parlamentos dos respectivos países afectados ( se ainda tiverem réstia de soberania para tal ) e não apenas decididas por Washington e pelos aparentemente feudalizados eurocratas, estes que, ao invés de uma recomendável neutralidade, são useiros e vezeiros em darem tiros nos pés agravando a crise das economias do Euro, preferindo antagonizar a Rússia a quem está geográfica, histórica e economicamente ligada, tudo isto em função duma Ucrânia que cada vez dá mais provas de ser um estado falhado , de que são sinais evidentes a recente demissão do governo e ilegalizações de partidos, capturada que foi pelos ímpetos geoestratégicos e purgas oligárquicas internas.

Receio mais uma escalada de sanções à ordem do Tio Sam agravando a crise dos países do Euro e empurrando cada vez mais a Rússia para um fortíssimo bloco económico com a China, Índia e quase toda América Latina ao invés da UE aproveitar os recursos naturais daquela.

Conseguirão neste particular os eurocratas da UE alguma política própria que não passe por prejudicar os seus cidadãos (e até os cidadãos americanos)?

O panorama actual do Iraque, Síria, Líbia, Afeganistão, são bons exemplos do que pode resultar da brilhante geoestratégia do Tio Sam ao qual só a UE parece dar ouvidos e bovinamente ( já que falamos em hambúrgueres) obedecer.

Anónimo disse...

P.S. As autoridades russas já se deram conta que foram longe demais nas sanções contra os produtos alimentares europeus e norte-americanos e decidiram fazer marcha atrás, visto que há produtos proibidos que a Rússia não produz e são essenciais. Entre eles estão o leite e produtos lácteos sem lactose, sementes de batata e de grão.

?????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????????

Então a mais maior superpotência do mundo não tem leitinho ?!?!? Como dizia o Pippo o quirquistão não vai aumentar a sua produção?? Os Turcos não estavam prontos para vender aos seus amigos russos?! Os países ocidentais não vão todos à falência como defendia o cin naroda ?!!?

Alias uso a expressão do último ...

"A Europa na conjuntura presente precisa da Rússia como de pão para a boca" ...

Em jeito de homenagem..

"A Russia na conjuntura presente... e futura ... precisa da Europa como uma criança precisa de leitinho...

porque mesmo sendo grande só com a ajuda de todos se pode crescer...


N. Amorim disse...

S Dnem Flaga, senhor Milhazes.

Aqui em SPB, as prateleiras do Lenta24 nao apresentam problemas de stock.

As sancoes da Russia colocaram demasiado desconforto em diversas economias europeias, por isso e como a EU tem de continuar a salvar a cara, devido ao - act first, think later - ... leia a marcha atras assim: acordos por baixo da mesa entre a EU e a Russia.

Quanto ao McD..who cares, junk food em qualquer lado do mundo.

Manuel Galvão disse...

Por cá passa-se um caso semelhante, com a CMVM a investigar à lupa os movimentos dos mexicanos que querem comprar a Esp.Santo Saúde.
Durante anos estiveram ceguinhos aos movimentos do GES!!!

Guilherme Antonio Morgado disse...

Interessante você num País como o nosso escrever e chamar ao sistema de controlo de sanidade Russo "um dos organismos estatais russos mais corruptos e “politizados”.
Em que País pensa que está para chamar aos outros corruptos?
Não vê o que se passa à sua volta? Qual é a sua moral?

Jonatan Souza disse...

http://m.br.rbth.com/economia/2014/08/21/quatros_filiais_do_mcdonalds_sao_fechadas_por_problemas_sanitarios_27021.html

Jonatan Souza disse...

http://itar-tass.com/ekonomika/1396014

Manuel Goncalves disse...

No meu modesto entender parece que Putin quer tambem ele dar uma licao aos EUA banindo o macdonalds um verdadeiro simbolo americano da Russia. Nada mais tem importancia nem mesmo os 3000 postos de trabalho dos mais de 400 restaurantes espalhados por toda a Russia mas o que mais vira a seguir. Sera Putin capaz de proibir a bebida da coca cola ou o uso dos jeans da levis. Pergunto e que porque razao o governo russo e o propio Kremlin vao continuar a aceitar e a gostar tanto de dolares americanos?