terça-feira, janeiro 27, 2015

A propósito da libertação de Auschwitz

Hoje, faz 70 anos que as tropas soviéticas, sublinho, os soldados soviéticos das mais diversas nacionalidades, libertaram os prisioneiros do campo de concentração de Auschwitz, uma das maiores máquinas de extermínio dos judeus criadas pelos nazis alemães.
O ministro dos Negócios Estrangeiros da Polónia, Grzegorz Juliusz Schetyna, declarou, na semana passada, que: "talvez seja melhor dizer que foram a Primeira Frente Ucraniana e os ucranianos que libertaram o campo de concentração. Porque foram precisamente os ucranianos que, nesses dias de Janeiro abriram os portões e libertaram o campo de concentração".
Claro que estas declarações pecam por crassa ignorância ou deturpação consciente da história da Segunda Guerra Mundial. É verdade que os presos de Auschwitz foram libertados pela Primeira Frente Ucraniana, mas este era formada por soldados de dezenas de nacionalidades. 
Não obstante a evidência do erro, Schetyna insiste, sublinhando que o primeiro a derrubar os portões do campo da morte foi o tanquista ucraniano Igor Pobirtchenko. Sim, mas os libertadores foram os soldados soviéticos e ninguém se deve esquecer disto. Se alguém tem de ajustar contas com Estaline ou o regime comunista, que as faça (e os polacos, tais como outros povos do Leste da Europa têm muitas razões para isso), mas isso não pode ser motivo para reescrever a história.
Tendo como pano de fundo a invasão da Ucrânia pelas tropas russas, o Kremlin ficou indignado com as declarações do ministro polaco e respondeu de uma forma no mínimo curiosa: tornar públicos documentos secretos relativos à libertação do campo de concentração. 
E que documentos? O Ministério da Defesa da Rússia publicou hoje, por exemplo, informações do comando da Primeira Frente da Ucrânia sobre esses acontecimentos, bem como relatórios de jornalistas do Pravda e Komsomolskaia Pravda sobre as primeiras impressões deles quando entraram em Auschwitz.
Além disso, e cito a página do mesmo ministério "relatos fidedignos sobre como os polacos receberam com alegria e admiração os combatentes do Exército Vermelho nos territórios libertados, considerando-os sinceramente seus libertadores e salvadores do jugo hitleriano".
Coloca-se aqui uma pergunta importante: que segredos contêm os documentos publicados para terem sido guardados a sete chaves durante 70 anos? Eu, enquanto pessoa, historiador e jornalista, não compreendo, mas já estou habituado a que tudo na URSS e na Rússia de hoje é secreto. 
Já se sabia que, na sua maioria, os povos da Europa de Leste que foram libertados pelo Exército Vermelho viram nos seus soldados os salvadores, libertadores. E isto é indiscutível.
História diferente é que Estaline, depois, transformou esse exército numa força de ocupação, e isto também deve ser estudado e dito. Como se deve dizer também que muitos dos prisioneiros soviéticos de campos de concentração nazis, logo a seguir à libertação, foram enviados para o GULAG soviético, porque não deviam ter sobrevivido aos horrores nazis.
E só mais uma nota. Vladimir Putin decidiu convidar, entre outros, o ditador da Coreia do Norte para participar nas comemorações da vitória da URSS na Grande Guerra Pátria (1941-1945) a 9 de Maio. Pergunto: quem quererá ficar ao lado do líder supremo Jim Jong-un? Será este o melhor representante do povo coreano que lutou contra a agressão nipónica ou estamos perante mais uma birra de Putin: quero, mando e posso?





10 comentários:

José Milhazes disse...

Um leitor que assina ZOGBuster, para esconder o seu nome, enviou um comentário a negar o holocausto. Eu não publico comentários desses por várias razões, uma delas é porque considero que isso é um crime. Quanto às restantes, são pessoais.

FSantos disse...

Caro José Milhazes, eu não tomaria como certeza o bom acolhimento dos polacos ao exército de "libertação", tendo em conta o que os polacos bem sabiam e sentiam sobre o pacto Ribbentrop/Molotov.

José Milhazes disse...

Caro FSantos, nos primeiros tempos, o acolhimento foi bom, pois a URSS prometia o restabelecimento do Estado polaco, havia acordos entre os aliados para formação de governos de coligação, etc. Os problemas aumentaram com a criação de governos comunistas ortodoxos, perseguições políticas, nacionalizações em massa, perseguição da Igreja Católica, etc.

FSantos disse...

Obrigado pela resposta.

ZOGBuster disse...


Ó senhor cobarde, não publicou os meus posts porque acha que é um crime negar o holoconto?

Então publicava para mostrar aos leitores o ridiculo que é o negacionismo do holoconto.
Mas não, porque teve medo que o pessoal ainda fosse acordar deste pesadelo totalitário/sionista em que meteram o ocidente.
Canalha!

Carlos Carapeto disse...

JM a sensação de estar ao lado do líder Norte Coreano é a mesma de estar numa manifestação em Paris ao lado de Natenyhau.

O conforto deve ser igual.

Carlos Carapeto disse...

JM a sensação de estar ao lado do líder Norte Coreano é a mesma de estar numa manifestação em Paris ao lado de Natenyhau.

O conforto deve ser igual.

Carlos Carapeto disse...

Diz que os países de Leste foram ocupados por os Soviéticos no pós guerra.

E qual é o poder de decisão que esses países têm hoje?

Não são os diretórios da NATO e da UE que impõem as suas regras nesses países.

Existiu algum tipo de consulta popular para a entrada nessas organizações?

Se antes não existia liberdade. Então acha que atualmente têm algum poder (autonomia mais concretamente) económico, politico ou financeiro?

Ou seja saltaram da fogueira meteram-se na fornalha.

Anónimo disse...

Não me lembro as condenações das palavras do huylo, quanto este disse que a Rússia ganharia a "GG Patriótica" mesmo sem Ucrânia; além disso, na Frente Ucraniana da RKKA entre 40 à 60% dos efetivos eram ucranianos, como tal, ministro polonês não feriu a verdade histórica.

Carlos Carapeto disse...

"Anonimo 00:29

além disso, na Frente Ucraniana da RKKA entre 40 à 60% dos efetivos eram ucranianos, como tal, ministro polonês não feriu a verdade histórica."

O anonimo tem toda a liberdade para escrever aquilo que mais lhe convenha não pode é (ferir) assassinar a verdade histórica.

Ponto 1: Como diz, a Primeira Frente Ucraniana comandada por Koniev era composta na sua maioria por efetivos Ucranianos.

Até posso concordar consigo se me conseguir dizer como era composta a Segunda Frente Ucraniana?

Ou está a tentar insinuar que foram os Ucranianos que venceram os Nazis?

A Primeira Frente Ucraniana só começou a ter esse nome depois da batalha de Krusk, antes foi denominada Frente de Voronej.


E quanto à segunda frente, chamava-se Frente da Estepe.

Precisa mais informações?