sábado, outubro 22, 2016

O problema é que não há novas alternativas




Alguns dos meus amigos socialistas dizem-me que a extrema-esquerda já não é o que era, é mais moderna, está integrada no sistema, etc.  E porque não pensar a mesma coisa de Marine Le Pen e de outros políticos do espectro político oposto?





É uma banalidade afirmar que, neste momento, o mundo atravessa um dos períodos mais perigosos da história depois da Segunda Guerra Mundial (1939-1945), mas o que agrava mais a situação é o facto de não surgirem ideias novas para a solução dos problemas cada vez mais graves que se colocam.

O mundo olha com receio para o imprevisível resultado das eleições presidenciais nos Estados Unidos. A maior potência mundial chegou a um ponto que os norte-americanos são convidados a votar ou num “muito mau” ou numa “muito má”.

A cantora norte-americana Madona prometeu que oferecia sexo oral a todos os homens que votassem em Hillary Clinton, frisando que “eu sou muito boa a fazê-lo. Eu não me apresso, faço contacto visual.” Não sei como é que os norte-americanos irão depois provar que votaram em Clinton, pois o voto é secreto. Mas se Madona acreditar na palavra dos homens, não irá ter tempo para satisfazer a todos os pedidos mesmo que viva ainda umas boas dezenas de anos. Talvez até Donald Trump se venha a por na fila.

O candidato republicano, se vencer, será certamente, uma verdadeira caixa de surpresas e, por isso, são muitos os que defendem que será melhor se Hillary Clinton vencer, pois é uma política que já passou pelos corredores do poder e, por isso, a sua acção é mais previsível. Podendo concordar com esta ideia, faço uma pergunta: mas que ideias inovadoras irá trazer ela se vencer a corrida? No campo internacional, será capaz de inverter a espiral de violência e encontrar forma de travar a “guerra fria” com a Rússia, de encontrar fórmulas novas para pôr fim às guerras no Médio Oriente e noutras regiões do mundo? Ou o seu mandato será apenas um adiamento da chegada do populismo ao poder nos Estados Unidos?

O mesmo problema já se coloca na Europa. Os actuais dirigentes da União Europeia, com a sua política de desunião e desatino total, estendem o tapete vermelho a regimes populistas de direita em vários países membros.  

Mas existe também populismo de esquerda, onde Portugal ocupa um dos lugares da frente. O actual governo e os seus aliados da extrema-esquerda prometem tudo e mais um queijo, não obstante ser evidente que não existem condições para realizar essas promessas, que por isso são demagógicas.

Eu gostaria de viver num país onde reinasse a igualdade, a liberdade e o respeito pelos direitos humanos, onde existisse pleno emprego, onde não houvessem pensões e reformas de miséria, onde as pessoas não soubessem o que era passar fome, onde todas as crianças tivessem a oportunidade de frequentar excelentes infantários, depois escolas e, depois, universidades. E acho que não haverá ninguém que esteja contra. Mas não acredito nesse tipo de utopias terrestres, outrora tão bem descritas e desenhadas em revistas como “Vida Soviética”, “Mulher Soviética”, “Sputnik”, etc.

Levado pelas revistas (e aqui não tenho vergonha de reconhecer que fui inocente), eu viajei para viver na mais “avançada” dessas utopias e deparei com uma sociedade falsa, desigual, mentirosa, onde a democracia, os direitos humanos e a Constituição eram espezinhados todos os dias.

Alguns dos meus amigos socialistas dizem-me que a extrema-esquerda já não é o que era, é mais moderna, está integrada no sistema, etc.  E porque não pensar a mesma coisa de Marine Le Pen e de outros políticos do espectro político oposto?

Para ver como o Partido Comunista mudou basta consultar a página da Internet Para a História do Socialismo (em http://www.hist-socialismo.com/ ) e ler alguns dos textos aí publicados, alguns deles assinados por membros desse partido e jornalistas do Avante, como é o caso de “A Democracia no País dos Sovietes”, de Domingos Mealha ( http://www.hist-socialismo.com/docs/DemocraciaSovietica.pdf).

Nessa página poderemos ler obras primas do marxismo-leninismo-estalismo como “Contribuições de Stáline para a Ciência Militar e Política Soviética”, “A última batalha de Lavrénti Béria”. Chamo particular atenção para esta entrevista de uma “historiadora” russa que escreveu um livro com o mesmo nome e onde tenta reabilitar um dos maiores carniceiros da história da humanidade (http://www.hist-socialismo.com/docs/Entrevista_Prudnikova_Beria_I.pdf). As orientações ideológicas da extrema-esquerda continuam a ser as mesmas.

Nesta situação, é imperativo que as forças democráticas e a sociedade civil encontrem alternativas a ideologias esfarrapadas e comprometidas, aos extremismos que conduzem a becos sem saída. A reforma do sistema político português deve obrigar os partidos a deixarem de ser “centros de emprego” e passarem a lugares de discussão, acessíveis a todos os cidadãos, é preciso abrir caminho à eleição de deputados independentes para a Assembleia da República através de círculos uninominais, é urgente lançar um combate sério e eficaz contra a corrupção, etc.

Claro que para os partidos e poderes instalados, essas e outras reformas poderão ser perigosas à sua sbsistência, mas, se não forem feitas, a situação criada será fatal para eles. A escolha não é grande.


5 comentários:

Nuno Rolo disse...

Boa noite,
Uma pergunta será que a Russia esta a preparar um confronto indirecto na Siria com o Ocidente, já que esta a deslocar uma frota significativa para esse país?

José Milhazes disse...

O confronto indirecto já está a ter lugar, embora de baixa intensidade. Penso que a Rússia faz demonstração de forças e prepara-se para o 8 de Novembro.

Anónimo disse...

Sª Rolo, voce deve ter andado a dormir. Qual foi o papel da França nos conflitos da Libia e Siria até hoje ? Confrontos indirectos têm tido lugar desde a destruição da Jugoslavia.

Nuno Rolo disse...

Srº Anonimo eu não ando a dormir sei que o papel da França nesses dois conflitos não foi para ganhar o prémio nobel da paz de certeza, só que a pergunta que eu fiz ao Srº Jose Milhazes foi com o sentido de um confronto indirecto era do tipo que acontecia na Guerra Fria, mas também não podemos esquecer que os "lider" de hoje talvez sejam mais perigosos do que nos anos da Guerra Fria, e uma má gestão dos acontecimentos pode trazer consequências imprevisíveis.

Manuel Galvão disse...

Desde que a USArmy deixou de ser comandada pelos circuitos formais do poder dos EUA tornou-se irrelevante quem ganhará as eleições. A Globalização vai prosseguir paulatinamente o seu "destino"... até ao estoiro final...