Estavamos com muitas saudades da neve e do frio, que tardavam a chegar a estas bandas. Mas quando chegaram! O mercúrio do termómetro está bem abaixo do zero, a neve não pára de cair.
Por isso, lembrei-me de um poema de Boris Pasternak, um dos maiores poetas russos do século XX e autor do romance "Doutor Jivago". A tradução é do meu saudoso amigo José Sampaio Marinho.
Por isso, lembrei-me de um poema de Boris Pasternak, um dos maiores poetas russos do século XX e autor do romance "Doutor Jivago". A tradução é do meu saudoso amigo José Sampaio Marinho.
Neve, neve por toda a terra,
Por toda a parte.
Em cima da mesa arde a vela,
A vela arde.
Tal como as moscas de Verão
Buscam a chama,
Voam os flocos lá do chão
Para a ventana.
A neve molda na janela
A roda e o dardo.
Em cima da mesa arde a vela,
A vela arde.
Do claro tecto nas cavernas
Sombras sem tino.
Cruzar de mãos, cruzar de pernas
E do destino.
Caem os sapatinhos dela
No chão varrido.
De cera as lágrimas da vela
Sobre o vestido.
E tudo a trava afoga e gela.
Pálida a tarde.
Em cima da mesa arde a vela,
A vela arde.
Agita a sombra lá no canto
Febre de luz.
E erguem-se duas asas de anjo
Postas em cruz.
É Fevereiro, a neve gela.
E cedo ou tarde
Em cima da mesa arde a vela,
A vela arde.
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