quarta-feira, agosto 29, 2007

Kremlin continua a monopolizar espaço político


Não obstante o controlo quase total do Kremlin sobre a sociedade russa, os actuais dirigentes russos ainda receiam surpresas nas eleições parlamentares, marcadas para 17 de Dezembro, e, para que isso não aconteça, tentam enfraquecer os partidos que têm ainda alguma possibilidade de superar a barreira dos 7%, que permite a eleição de deputados para a Duma Estatal (câmara baixa) do Parlamento da Rússia.
Com a direita liberal completamente esfrangalhada, chegou a vez do Partido Liberal Democrático da Rússia, dirigido pelo nacional palhaço Vladimir Jirinovski. O alvo seguinte é o Partido Comunista da Federação da Rússia.
O deputado russo Alexei Mitrofanov (na foto), vice-presidente do Partido Liberal Demorático da Rússia (PLDR), abandonou as fileiras dessa organização e passou para a Rússia Justa, nova força criada pelo Kremlin para concentrar o eleitoral de esquerda. Os analistas políticos consideram que, desse modo, o Kremlin tenta reunir o eleitorado em torno de dois pólos por ele controlados: a Rússia Unida à direita e a Rússia Justa à esquerda.
O próprio Mitrofanov declarou que lhe doeu abandonar Jirinovski, que “possui uma intuição genial”, mas sublinhou: “a época da intuição e da improvisação genial chegou ao fim. É preciso criar um sistema bipartidário. Não há mais nada a fazer”.
“Do ponto de vista dos estrategas do Kremlin, o PLDR deixou de ser uma forma indispensável no Parlamento” – considerou o analista político Dmitri Orechkin, acrescentando que “Jirinovski está cansado por andar na corda bamba durante 15 anos”.
“Tudo isso se transforma numa palhaçada política. Fico muito espantado quando um partido é formado por fugitivos, traidores e expulsados” – considerou Guennadi Ziuganov, dirigente do Partido Comunista da Rússia.
“Os militantes do PC são pessoas de convicções, que passaram todas as provas e continuarão a trabalhar connosco” – concluiu Ziuganov, cujo partido tem sido alvo de ataques da Rússia Justa com vista a atrair militantes comunistas para as suas fileiras.
A política deste dirigente comunista é tão demagógica e o "poder de atracção" dos partidos criados pelo Kremlin são tão grandes, que o Partido Comunista arrisca-se a apanhar um forte arrombo nas próximas eleições.
As sondagens dão aos partidos criados pelo Kremlin: Rússia Unida e Rússia Justa a maioria constitucional nas próximas eleições parlamentares, marcadas para 17 de Dezembro. O Partido Comunista poderá superar a barreira dos 7%, necessária para eleger deputados.Os restantes ficam de fora.
Resta saber agora o que irá empreender o Kremlin para garantir que Vladimir Putin continue a controlar depois de abandonar o cargo de Presidente no ano que vem.


Sem comentários: