sexta-feira, outubro 19, 2007

Iniciativas culturais a propósito da Cimeira UE / Rússia em Portugal


Como já é oficial, o Presidente da Rússia, Vladimir Putin, irá estar em Portugal no dia 25 e 26 de Outubro para participar na Cimeira UE/Rússia, que terá lugar no Palácio Nacional de Mafra.
Durante a estadia no nosso país, Putin irá inaugurar, juntamente com o Presidente Cavaco Silva, a exposição "Arte e Cultura do Império Russo nas Colecções do Hermitage - de Pedro, o Grande, a Nicolau II", que estará patente no Palácio da Ajuda, até Fevereiro do ano que vem. Tendo em conta o que já foi noticiado, acho que valerá a pena visitá-la.
Mais abaixo publicarei um pequeno texto sobre a história do Hermitage, mas antes gostaria de chamar a atenção para a exposição "A Rússia na Biblioteca do Palácio Nacional de Mafra", que estará aberta entre finais de Maio deste ano e Fevereiro do ano seguinte. Estive no Palácio há uma semana atrás e fiquei surpreendido quando a Dra. Margarida Montenegro, directora do Palácio de Mafra, me informou que na biblioteca se encontram cerca de oitocentas obras sobre a Rússia. Penso que também vale a pena visitar essa exposição.
E agora aqui fica um pequeno texto sobre o Museu Hermitage de São Petersburgo:

"O Museu Hermitage, de São Petersburgo, é um retrato quase perfeito da história da Rússia, com dimensões gigantescas e riquezas artísticas incalculáveis.

A colecção de obras que constitui o seu acervo foi criada pelos czares russos e passou pelos mesmos momentos de glória e de humilhação atravessados pelo país.

O museu, aberto ao público em 1852, foi criado no Palácio de Inverno, residência oficial dos czares nas margens do Rio Neva.

Em 1764, a Imperatriz Catarina II adquiriu as primeiras obras de arte e a colecção foi crescendo ao longo dos tempos até ocupar actualmente cinco edifícios interligados, o que exige ao visitante uma enorme disponibilidade de tempo.

Quem quiser visitar as suas 1057 salas, contendo obras artísticas criadas pelo homem desde a pré-história até aos nossos dias, e parar um minuto para apreciar cada uma das peças expostas, precisará de onze anos para completar tal tarefa.

Os cerca de oitocentos quadros de pintura italiana e cem de pintura espanhola ficam obscurecidos pela impressionante colecção impressionista e pós-impressionista francesa, com 36 obras de Henri Matisse (1869-1954), 37 de Pablo Picasso (1881-1973), 15 de Paul Gauguin (1848-1903), quatro de Van Gogh (1853-1890), oito de Monet (1840-1926), etc.

A colecção holandesa e flamenga do Hermitage, exposta em seis grandes salas, num total de 500 obras, seria suficiente para criar um museu que não ficaria atrás do Rijksmuseum de Amsterdão. São 37 quadros de Peter Paul Rubens (1577-1640), 22 de Antoon Van Dyck (1599-1641) e 22 de Rembrandt (1606-1669).

Ao todo, o Museu Hermitage possui cerca de três milhões de obras de arte, estando expostas apenas 20 por cento. Daí a direcção do museu ter dado inicío à criação de "Hermitages itinerantes" em várias cidades da Europa e da América, incluindo Lisboa.

A colecção poderia ser ainda bem maior se o regime comunista (1917-1919) não tivesse vendido numerosas obras do Hermitage, bem como de outros museus russos, a coleccionadores estrangeiros a fim de conseguir moeda convertível para financiar a "revolução mundial". Calouste Gulbenkian está entre os magnatas que compraram quadros do Hermitage, que podem hoje ser apreciados no museu da sua fundação em Lisboa.

Uma inventariação iniciada em 2005 mostrou que mais de duzentas valiosas peças do museu desapareceram, a maioria das quais não foram recuperadas.

Porém, não obstante todas as dificuldades, o Hermitage continua a ser o maior museu do mundo e um dos grandes motivos de orgulho da Rússia."

3 comentários:

cainat disse...

Fica aqui uma correcção face à data de realização da Cimeira UE/Rússia, esta vai decorrer a 25 e 26 de Outubro .

cainat disse...

Dou os parabéns por esta informação em relação a um dos mais importantes museus do mundo e às suas valiosas obras de arte. De certeza que visitarei o Palácio da Ajuda para apreciar a exposição que de certeza deve ser magnifica...só não comprendo porque é que as entidades governamentais russas não se interessam em restaurar o Palácio Alexandre (última residência do Czar Nicolau II e sua familia,antes de partirem para o exilio) ao contrário do que fizeram com outros tantos palácios Como por exemplo o Palácio de Catarina "A grande" (que foi restaurado depois da II Guerra Mundial e se encontra situado nas proximidades do outro). Quem estiver interessado em ver o estado de degradação e abandono a que o Palácio Alexandre tem sido sujeito basta passar no youtube e ver as tristes imagens.

Jose Milhazes disse...

Caro leitor, obrigado pela correcção.