domingo, novembro 04, 2007

Desunião em Dia da Unidade Popular


A Rússia assinala no Domingo o Dia da Unidade Popular, que celebra a expulsão dos invasores polacos de Moscovo pelas tropas e voluntários russos a 04 de Novembro de 1612.
Institucionalizada pelo Presidente da Rússia, Vladimir Putin, com o apoio da Igreja Ortodoxa Russa, em 2005, visava fazer esquecer o dia 07 de Novembro, em que se celebrava oficialmente a revolução comunista de 1917.
“A ideia do Dia da Unidade Popular consiste em unir as pessoas em prol do desenvolvimento do país” – declarou Putin na capital russa.
“Só com a união de esforços é possível conseguir resultados no desenvolvimento do seu próprio país e fazer com que ele ocupe um lugar condigno no mundo. Por isso, a ideia contida nesta festa é muito importante e merece apoio” – acrescentou.
Ao responder à pergunta sobre os políticos estrangeiros que não gostam que a Rússia se transforma num Estado forte, Putin respondeu: “Antes de mais, quero sublinhar que o mundo que nos rodeia não é homogéneo e hostil. A maioria esmagadora dos habitantes do planeta olham para o nosso país de forma positiva e alguns, com esperança, porque vêem na Rússia a defensora dos seus interesses”.
Porém, recorrendo a calão empregue pela juventude russa, o Presidente Putin acrescentou: “Há pessoas, peço desculpa pelo calão juvenil, que perdem completamente o telhado (enlouquecem). Alguns falam constantemente da necessidade de dividir o nosso país e tentam, até agora, difundir essa teoria. Outros consideram que temos riquezas naturais demasiadas e devemos compartilhar. Claro que eles não querem compartilhar as suas riquezas e devemos ter isso em conta”.
Porém, a julgar pelo número de comícios, manifestações e iniciativas políticas que se estão a realizar em Moscovo, a sociedade russa está muito longe da unidade.
Os partidos nacionalistas: Movimento Contra a Imigração Ilegal, União Nacional Russa, Partido Nacional-Imperial da Rússia, realizaram uma “Marcha Russa” no centro de Moscovo. Segundo a polícia, na marcha participaram cerca de dois mil manifestantes, mas os nacionalistas falam em sete mil.
À cabeça da marcha via-se um grande pano onde estava escrito “Russos, em frente!”. Depois, um grupo de jovens tamborileiras, vestidas de branco e vermelho, davam o ritmo ao avanço dos nacionalistas, entre os quais se via numerosos “cabeças rapadas”, vestidos de preto, que faziam saudações nazis.
As palavras de ordem mais gritadas foram: “Rússia para os russos!”, “Poder russo ao povo russo!”
A marcha terminou com um comício junto do Hotel Ucrânia, situado numa das margens do rio Moscovo.
Na outra margem, podia-se ver um enorme pano preto onde estava escrito: “4 de Novembro – dia da unidade do poder com os fascistas”.
Os manifestantes foram acompanhados por um forte dispositivo policial transportado em 15 camiões e cerca de 20 autocarros, estacionados perto do local de reunião dos nacionalistas a fim de mostrar que as autoridades estavam prontas para qualquer eventualidade.
Como os nacionalistas russos estão divididos, ao fim da tarde, o Partido da União Popular decidiu realizar mais uma “Marcha Russa” no mesmo local.
Outra manifestação nacionalista realizou-se na cidade de Novossibirki, tendo nela participado cerca de 200 pessoas. Embora não tivesse sido autorizada pela polícia, ela decorreu sem incidentes, informa a rádio Eco de Moscovo.
O Partido liberal Iabloko decidiu responder às marchas nacionalistas com um comício contra “o nacionalismo, a xenofobia e o racismo”, pela “amizade entre os povos”, no qual participaram mais de 500 pessoas.
Segundo os organizadores do comício, a nova festa foi usurpada pelos nacionalistas e esse erro deve ser emendado. “Só o internacionalismo e a amizade dos povos conservarão a Rússia como um Estado uno e permitirão impedir a desintegração do país” – declarou Grigori Iablinski, dirigente do Iabloko.
O comício terminou com um concerto em que participaram artistas russos, georgianos, arménios.
Várias centenas de militantes das organizações juvenis “Nossos” e “Rússia Jovem, criadas pelo Kremlin, decidiram juntar-se no centro de Moscovo para doar sangue, iniciativa que será seguida de um concerto de apoio à política do Presidente Putin.

2 comentários:

antonio disse...

Zé Milhazes
Não escreve nada sobre a «Revolução das Rosas»… que parecem estar a murchar…

Jose Milhazes disse...

Caro António, espero ter satisfeito o seu pedido. Quanto ao murchar das rosas, não se precipite. As coisas são bem mais complicadas.Vamos acompanhando...
Peço-lhe desculpa pelo atraso, mas trata-se apenas de falta de tempo. Eu também tenho de trabalhar para dar de comer à família, não recebo subsídios do imperialismo, nem do social-imperialismo.