terça-feira, novembro 20, 2007

RECORDAR O HOLODOMOR


A Ucrânia está a assinalar mais uma das datas negras da sua História: Holodomor, fome que, em 1932 e 1933, ceifou a vida de milhões de pessoas. Antes de endereçar os leitores para dois trabalhos escritos em português sobre o tema, gostaria apenas de deixar aqui umas notas. Estou entre os que consideram que o Holodomor não é um genocídio, pois as acções do regime comunista, dirigidas pelo ditador José Estaline, não tinha como objectivo liquidar os ucranianos como povo. Além disso, outros povos da antiga União Soviética foram atingidos da mesma forma e com as mesmas dimensões catastróficas.
Porém, não há dúvidas que o Holodomor é um crime contra a Humanidade e, como tal, merece uma condenação geral e incondicional. Trata-se um dos muitos crimes pelos quais a ideologia comunista deveria ser levada a um Tribunal Internacional, tal como foi levado o nazismo.
Recomendo a leitura dos artigos abaixo indicados, pois considero um contributo bastante completo em português para a história desse hediondo crime estalinista:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Holodomor e http://ucrania-mozambique.blogspot.com


2 comentários:

Thomaz Napoleão disse...

Concordo consigo sobre o Holomodor. Por mais grave e atroz que tenha sido, foi um crime contra a humanidade, não especificamente contra o povo ucraniano.

O termo "genocídio" é muito sério, tipifica um crime regulado por uma convenção internacional de 1948 e não pode ser banalizado. Em particular, acho lamentavel que a discussão sobre a natureza penal do Holomodor envenene as relações russo-ucranianas, como tem feito.

A sociedade e o governo russos deveriam condenar veementemente os crimes da URSS e em especial as atrocidades de Stalin; nisto também concordo. Mas acho que seria contraprodutivo organizar agora, quase 20 anos depois da queda do muro, um tribunal para condenar as lideranças comunistas nos moldes do Tribunal de Nuremberg. Lembra-me a "caça às bruxas" recentemente organizada pelos gêmeos Kaczinski na Polônia, com resultados catastroficos. O momento é de reconciliação.

Jose Milhazes disse...

Caro Thomaz, estou de acordo contigo em quase tudo. Eu falei da criação de um Tribunal para julgar o comunismo do ponto de vista moral.
Tens razão quando dizes que o momento é de reconciliação. Estou de acordo. Mas a reconciliação só pode ter lugar entre duas ou mais partes desde que elas estejam dispostas a isso, o que não acontece. Achas que uma pessoa que justifica publicamente, na imprensa, a existência do Muro de Berlim se quer reconciliar com aqueles que o atiraram abaixo?
Continuo à espera de escritos teus enquanto estás na Rússia. Não queres enviar um papel sobre a tua visão da camapanha eleitoral?
Um abraço