sexta-feira, janeiro 25, 2008

Sérvia recompensa apoio de Moscovo na questão do Kosovo com entrega à Gazprom do seu mercado de combustíveis


A Rússia e a Sérvia assinaram hoje na capital russa um documento sobre a compra pela Gazprom Nefti de 51 por cento das acções da companhia sérvia Naftne Industrije Srbije (NIS) e outro sobre a construção de um ramo do gasoduto “Corrente do Sul” e de um depósito subterrâneo de gás.
“Com a assinatura destes documentos, a Rússia e a Sérvia tornaram-se parceiros estratégicos no campo dos combustíveis” – declarou o Presidente Putin depois do encontro com dirigentes da Sérvia no Kremlin.
“Estes documentos têm uma importância de princípio para o posterior aprofundamento da cooperação bilateral. De facto, trata-se de da formação da base jurídica de uma parceria estratégica na esfera energética entre os nossos dois países” – frisou o Presidente russo.
Segundo Putin, “depois da assinatura destes acordos, a Sérvia torna-se um dos centros de transito fulcrais do sistema de fornecimentos de combustíveis russos ao Sul da Europa, que está a formar-se. O sistema é feito para funcionar durante muito tempo, é fiável, altamente eficaz e, o que é de extrema importância, reforça significativamente a segurança energética tanto da Sérvia, como de todo o continente europeu”.
O dirigente russo chamou também a atenção para o facto de na cerimónia de assinatura dos documentos russo-sérvios terem participado Boris Tadic, Presidente da Sérvia, e Voislav Kostunica, primeiro-ministro.
“Vemos na sua decisão de participar pessoalmente na cerimónia de assinatura destes documentos uma manifestação do desejo sincero de reforçar consequentemente as relações com a Rússia em todas as áreas” – concluiu Putin.
Tadic e Kostunica encontram-se em visita oficial a Moscovo, o que é visto pelos analistas russos como um sinal de que o Kremlin apoia a reeleição de Tadic na segunda volta das presidenciais sérvias, marcadas para 03 de Fevereiro, e para isso conta com a ajuda de Kostunica.
Boris Tadic, que na segunda volta terá de defrontar o nacionalista Tomislav Nikolic, visto como político mais próximo de Moscovo, reafirmou que a Sérvia não aceitará a independência do Kosovo.
“A Sérvia defende, como questão de princípio, os seus interesses no Kosovo, apoiando-se no Direito Internacional e jamais agirá de outra forma. Sem o apoio da Rússia, a Sérvia teria muitas dificuldades em defender os seus interesses no Kosovo” – declarou o dirigente sérvio.
Vladimir Putin reafirmou o seu apoio a Belgrado.
“Somos categoricamente contra a proclamação unilateral da independência do Kosovo. Isso provocará um sério prejuízo em todo o sistema do Direito Internacional, terá consequências negativas tanto para os Balcãs, como para a estabilidade noutras regiões do mundo” – sublinhou o dirigente russo em declarações aos jornalistas.
“Ao contrário de Boris Tadic, que manobra entre o Ocidente e a Rússia, Tomislav Nikolic tenta mostrar com toda a energia a sua política pró-russa e até afirma estar pronto a, em caso de vitória, instalar uma base militar russa na Sérvia... Desse modo, o dirigente dos radicais espera utilizar a Rússia como escudo geopolítico e militar no seu inevitável confronto com o Ocidente, mas Moscovo não precisa mais um novo foco de tensão nos Balcãs” – escreve o diário Kommersant.

1 comentário:

Jose Milhazes disse...

omentário enviado por mail por João Carlos Mendonça: "como ja foi dito e repetido, a comunidade internacional nao esta a medir as consequencias de uma eventual consequencia da independencia do Kosovo. Abre um precedente e e bem capaz de vir a dar azo aos mais descabidos desejos de independencia, ate mesmo no seio da comunidade europeia. Quem sabe se os ingleses e alemaes nao tentarao cobicar o Algarve outrora dos mouros, e que nao andarao a bulha entre eles para adequirir aquele quadradinho idilico a beira mar plantado? Para nem falar no Alentejo e beiras, que ja estao mais do que invadidas pelos espanhois. A Uniao europeia no seu ideario e um espaco de paz. Inicialmente os seus membros ate puseram em comum as materias primas com que se produziam armas para evitarem uma terceira grande guerra. Hoje em dia a politica externa da U.E so contribui para atear o rastilho de novos conflitos etnicos. A Russia, nacao multietnica por essencia (e defendora dos seus proprios interesses evidentemente) mantem isoladamente uma posicao coerente em relacao ao Kosovo. Neste ponto, a Russia racionalmente se pode entender."

Um abraco.