terça-feira, fevereiro 19, 2008

O Kosovo e a Península Ibérica

O Kosovo proclamou unilateralmente a independência, decisão que está a ser recebida de forma diversa no mundo. O Afeganistão foi o primeiro país a apoiar Pristina, sendo seguido de vários países da União Europeia.
Por um lado, é lamentável constatar mais uma vez que a União Europeia está ainda longe de conseguir ter uma política externa comum. Mas, por outro lado, foi agradável ver que Portugal não apareceu no pelotão da frente dos apoiantes da independência, mas está ainda a ponderar a posição a tomar. Uma atitude louvável tendo em conta a nossa situação geográfica.
Como era de esperar, a Espanha manifestou-se claramente contra a proclamação unilateral da independência do Kosovo, pois conhece bem o problema dos separatismos e as consequências a que eles podem conduzir mesmo num país democrático e próspero como é o nosso vizinho do Leste.
No mundo actual, globalizado, o Kosovo, os Balcãs ficam a poucas horas de avião de Portugal e, enquanto membro da União Europeia, o nosso país tem fronteiras com essa complicada região do globo.
Porém, quando os nossos dirigentes tomarem uma decisão sobre a independência unilateral do Kosovo, deverão ter em conta factores tão pragmáticos como: a Espanha fica ainda mais perto, tem fronteiras com Portugal a Norte e a Leste, é o nosso maior parceiro comercial, etc., etc. Por isso, a paz nacional, social e política no Reino de Espanha é fundamental para o futuro do nosso país.
Neste sentido, só políticos marginais ou irresponsáveis podem desejar a desintegração do país vizinho em quatro ou cinco Estados. Só aqueles que desejam o caos na Europa e, consequentemente, a desintegração da União Europeia é que poderão apoiar grupos políticos separatistas e terroristas na casa do vizinho.
Por conseguinte, a posição mais sensata que Portugal poderia tomar seria solidarizar-se com a posição de Espanha de condenação da decisão kosovar. Também não seria mau se o Governo de Lisboa, pelo menos, não apoiasse a proclamação unilateral da independência do Kosovo.
Ia-me esquecendo de mais uma razão para Portugal não aprovar o separatismo kosovar. O nosso país tem duas regiões autónomas: Madeira e Açores.
Claro que podem dizer que estou louco ao admitir a separação dessas duas regiões em relação a Portugal. Talvez, mas a História dá tantas voltas que o melhor é mesmo não criar maus precedentes...


12 comentários:

Jose Milhazes disse...

Afinal não estou louco. O Parlamento da Madeira aprovou um voto de congratulação pela independência do Kosovo...

Pedro Leite Ribeiro disse...

Definitivamente não está louco, José Milhazes! São bem conhecidas as ideias separatistas de alguns (muitos?) madeirenses. Se o governo de Lisboa apoiar a independência do Kosovo, com que moral ficará para negar uma eventual declaração unilateral de independência das ilhas portuguesas? Se a independência do Kosovo for aceite pela comunidade internacional e pela ONU fará jurisprudência...
Cumprimentos e parabéns pelo doutoramento (na minha FLUP).
:)

Jose Milhazes disse...

Caro Pedro, obrigado pela sua saudação.

Carlos disse...

Achei este texto muito interessante sobre à independência de Kossovo e o futuro do conceito de soberania nacional.

Por: Francisco Carlos Teixeira Da Silva



http://www.tempopresente.org/index.php?option=com_content&task=view&id=2610&Itemid=124

Cumprimentos.

Jose Milhazes disse...

Caro Carlos, estou de acordo consigo. Vale a pena ler esse artigo.

FM disse...

Estou a pensar comprar uma casa em Ourique. Depois convido para lá uns 20 ou 30 mil ucranianos. Invocando que eles são a maioria da população proclamamos a independencia. Se Cavaco e socrates não aceitarem arranjamos uma forma de a NATO e os americanos bombardearem os tugas. Depois de alguns anos de administração da NAto estou certo que os americanos nos aceitarão como novo estado independente....

FM disse...

POsso tambem pensar em Guimarães...sempre é o berço da nacionalidade....tal como o Kosovo para os Sérvios...

Carlos disse...

Os Estados sempre se formaram com base em um princípio de territorialidade, e não de nacionalismo étnico.
Esta é a primeira vez que acontece algo assim.

José disse...

Ainda restaram kosovares na Sérvia?Pense que já estivessem todos em Portugal...Eles que vão para o Algarve e declarem a independência aí que o clima é muito melhor...ou então na Madeira hihihi

Almir disse...

Milhazes,
Estive lendo suas posições a respeito do Kosovo. Sinceramente, fica-se com a impressão de que você julga a pertinência e legitimidade da separação somente a partir das conveniências portuguesas. É preciso espírito mais generoso para abordar esse assunto levando em conta as consequências para os habitantes da Sérvia e do Kosovo - e não as conveniências ibéricas!

Jose Milhazes disse...

Caro Almir, eu abordei a perspectiva portuguesa numa postagem, mas tenho abordado de outros aspectos noutras postagens, e com bastante frequência. Veja o arquivo do meu blogue. Cumprimentos

Anónimo disse...

Então o senhor Milhazes sempre tão afoito a apoiar os EUA, em 2008 não apoiava a independencia do Kosovo, sendo esta independencia poiada pelos EUA?

Fiquei baralhado!

E a sua desculpa é que não o faz porque tem medo que a Espanha, esse pseudo-pais se disintegre?

Mas o que é que Portugal tem a perder com isso?

Nada, absolutamente nada, só teria a ganhar.

Em primeiro lugar porque se daria um equibrio de poder na peninsula, que beneficiaria Portugal e prejudicaria o poder imperial castelhano.

Só isto é motivo mais que suficiente para apoiarmos a independencia ad Catalunha, Pais Basco e mesmo Galiza.

Para além do mais, se Espanha se dividi-se os paises que dai saissem teriam menos poder, e por conseguinte seria muito mais fácil às empresas Portuguesas entrar no mercado agora designado de espanhol.

A independencia da madeira não passa de um folhetório ridiculo, os açorianos só lá iam se os americanos apoiassem.

Por tudo isto é que Portugal fez muito bem em apoiar a independencia do Kosovo.

Os argumentos que usa são os mesmos usados pelos estrategas de madrid.

Há e o Saramago também pensava assim, já me esquecia desse senhor.