sábado, maio 24, 2008

Serão lusófono em Moscovo

Os serões de língua portuguesa não são um acontecimento frequente na capital russa, mas, graças à actividade e energia de pessoas como a Dra. Graça Pereira, ministra-conselheira da Embaixada de Portugal da Federação da Rússia, realizou-se um na sexta-feira, na residência da própria.
Numerosos alunos e professores de língua portuguesa, bem como representantes das embaixadas da Guiné-Bissau e Brasil e, como não podia deixar de ser, jornalistas participaram no serão, cada um à sua maneira. Aqui deixo algumas fotografias, por mim comentadas, para que os meus leitores possam ver e sentir o bom ambiente reinante nesta reunião de lusofonia.



Evgueni Muravitch, correspondente da RTP, meu "forte concorrente" e amigo, troca com a Dra. Graça Pereira, hospitaleira dona da sala da reunião, impressões sobre uma peça de cerâmica.



Anton, aluno de português do Instituto de Relações Internacionais de Moscovo (MGIMO), "serviu um aperitivo musical", um blues, melodioso e calmo.



Logo a seguir, o mesmo Anton acompanhou a sua colega de curso Catarina, que brindou o auditório com uma bela canção de amor brasileira (se é que no Brasil há outro género de canções). Aqui tenho que reconhecer, para grande vergonha minha, que perdi o papel onde tinha escrito o nome da canção e, por isso, peço desculpa aos leitores. Mas vamos em frente.



É de sublinhar que a Dra. Graça, como sempre, se esmerou nos manjares e vinhos que mandou servir neste evento. Não podiam faltar o "bacalhau com natas", os rissóis, o peixe de carril e o feijão fradinho. Tudo isto foi seguido de sobremesas também portuguesas, como pudins, etc., e acompanhado de vinho tinto e branco da Bairrada e Madeira.



Gostaria de sublinhar que a cozinha esteve a cargo de uma senhora russa que, além de cozinhar excelentes pratos do seu país e da Ásia Central, domina perfeitamente a culinária portuguesa. Se não acreditam, olhem para o apetite dos hóspedes.



Depois da refeição, Luis Felipe Fortuna, chefe do Departamento Político da Embaixada do Brasil na Rússia, recitou o poema "Apodo", do poeta Drummond Andrade e fez uma exposição interessante sobre esse soneto do seu conterrâneo. Um dos pontos altos da reunião.
Muravitch pegou na viola e interpretou vários temas, entre os quais a canção "Cruzeiro do Sul", que recorda a sua passagem por Moçambique, onde trabalhou como tradutor.
Aproveito para revelar um segredo. Além de jornalista, o Muravitch tem uma banda de música e já editou três CD's.




A foto seguinte é apenas mais uma prova do ambiente reinante neste serão lusófono.




E, finalmente, uma nota para o gato da Dra. Graça, que só apareceu no fim do serão.

17 comentários:

CÁ FICO disse...

Eu vou aderir ao boicote de 1 - 2 -3 de Junho à Repsol, BP e GALP

Jose Milhazes disse...

Caro leitor, mesmo estando na Rússia, estou de acordo consigo e apoio a iniciativa. O que se passa com o preço da gasolina e do gasóleo em Portugal (na Rússia, é o mesmo) constitui uma autêntica falta de vergonha, um sinal claro de fraqueza do Governo face às petrolíferas

Eduardo Ribeiro disse...

Viva José Milhazes,
Um serão a repetir, espero eu.
Um grande abraço,
Eduardo Ribeiro

Jose Milhazes disse...

Caro Eduardo, seria muito bom que assim fosse.

Fomá_Fomitch disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Fomá_Fomitch disse...

Grande convívio Luso caro José. Fazem muito bem. Engraçado o facto da presença do vinho madeira, parece que é muito apreciado na Rússia, já aparecia na sociedade retratada no romance "Almas Mortas" do Nikolai Gogol e também no romance "Irmãos Karamázov" do Dostoievski. Bom gosto dos Russos (e dos Portugueses que vivem na Rússia), infelizmente em Portugal nem nos apercebemos do impacto histórico de muitos dos nossos produtos.

Jose Milhazes disse...

Caro Fomá, a festa foi bonita, mas no que respeita à presença de Vinho da Madeira, é de sublinhar que este era verdadeiro, enquanto que o que aparece nas obras literárias dos clássicos russos é, as mais das vezes, feito a martelo. O Vinho da Madeira era muito caro e só muito poucos podiam bebê-lo, por isso, começaram a falsificá-lo e a fabricá-lo a martelo na Rússia, a partir de frutos silvestres, etc.
O "madera" figura em Gogol, Dostoesvski, Tchekhov, Ostrovski, mas é a imitação barata. Escrevi um artigo sobre isso para uma revista portuguesa de vinhos: Blue Wins, mas não sei se já foi publicado.

Fomá_Fomitch disse...

Caro José, desconhecia esse facto. É surpreendente.

lourrain disse...

Bom dia!
Fico satisfeito ao saber que na Russia há o interesse em aprender a lingua portuguesa. Porém, fico na dúvida se realmente há um interesse na lingua, cultura e história de Portugal, ou se este interesse se deve à influência das telenovelas e música brasileira. Segundo numa reportagem apresentada na televisão portuguesa (não me lembro em que estação televisiva), os russos aprendem o portugues não por qualquer interesse por Portugal, mas sim pelo imenso fascínio que a cultura e modo de vida que o Brasil oferece. Se me permite, gostava que me informasse se for possível e se tem conhecimento do seguinte; Se há muitos russos a aprender portugues? As suas motivações? Opinião e conhecimento dos russos relativamente a Portugal. Obrigado

Jose Milhazes disse...

Caro leitor Lourrain, segundo dados aproximados, na Rússia, estudam português entre 200 a 300 alunos em Moscovo e São Petersburgo. Não se pode deixar de reconhecer que a maioria dos estudantes estuda a língua portuguesa para depois trabalhar e ganhar dinheiro com ela e, nesse sentido, o Brasil e Angola abrem mais perspectivas para os russos do que Portugal.
Isso acontece também porque Portugal, contribuindo, e bem, para o estudo do português na Rússia através do Instituto Camões, não sabe colher os frutos.
Um exemplo, nos anos 70, 80 e 90 do século passado, na URSS formaram-se em língua portuguesa cerca 10 mil pessoas, que iam trabalhar para as ex-colónias portuguesas que enveredaram pela "via socialista": Angola, Moçambique, Guiné-Bissau, São Tomé, Cabo Verde. Porém, depois da queda da URSS, Portugal nem sequer tentou utilizar essas pessoas para penetrar nos mercados dos novos países nascidos das ruínas da URSS.
Trata-se de uma falha grave, até porque alguns deles ocupam cargos importantes nas estruturas do poder desses país. Na Rússia, por exemplo, um dos homens mais próximos de Putin, Iúri Setchin, primeiro-vice-primeiro-ministro, sabe muito bem português, pois trabalhou para o KGB em Angola e Moçambique. Serguei Iastrejembski, que até à pouco tempo foi o assessor de Putin para as relações com a União Europeia, também fala português e escreveu várias obras sobre História de Portugal. Uma biografia de Mário Soares por ele escrita foi recentemente publicada nesse país.
Este lista é muito longa e engloba influentes homens de negócios, deputados da Duma, etc.
Claro que não podemos disputar com o Brasil ou Angola, mas podemos fazer muito mais, falta apenas táctica e estratégia.

Almir disse...

UM PROTESTO:
José Milhazes apresentou a quase todas as pessoas presentes à confraternização, inclusive o gato, mas deixou de nos apresentar as belas raparigas anônimas da platéia. Espero que ele se dê conta e repare o gravíssimo erro!

Sobre os falantes de português da Rússia, há que se considerar a grande quantidade de Ucranianos (e também muitos russos!) que emigraram para Portugal nos anos difícieis pós final da URSS e que agora retornam à Rússia para desfrutar de mais abundantes oportunidades de trabalho, com ganhos mais generosos do que em Portugal. Estive recentemente várias vezes em Lisboa, e encontrei alguns desses ex-emigrantes russos, que falam o português com desenvoltura e com o talento que têm os russos para as línguas estrangeiras.

Almir disse...

Corrigindo erros do post anterior:

onde escrevi: "José Milhazes apresentou a quase todas"
Leia-se: "José Milhazes nos apresentou quase todas"

Onde se lê: "Estive recentemente várias vezes em Lisboa"
Leia-se: "Estive recentemente várias vezes em MOSCOU"

Jose Milhazes disse...

Caro Almir, peço desculpa pelo erro, mas emendarei logo que possível.

Anónimo disse...

Iii...que preocupação de Lourrain..afinal falamos português e comemos as mesmas iguarias servidas. Por um lado é mais bonito falar sarau em vez de serão e por outro rissóis é melhor que risole.
Carioca

lourrain disse...

Bom dia Sr. Milhazes!
Obrigado pela informação. Lamento que o governo portugues não apoie mais fortemente e incentive de uma forma mais extensiva a apendizagem do portugues no estrangeiro. Tirando o IC e as iniciativas das embaixadas, pouco mais se faz. Soube à pouco tempo que na Republica Checa e na Hungria o portugues já aparece como lingua alternativa no ensino secundário, como também em algumas universidades. Num site da embaixada potuguesa em Vilnius na Lituania, iniciativas de divulgação do portugues são postas em prática, mas nem sei se é com a participação do IC. Porém, parece-me que estas propostas de divulgação da lingua são um pouco amadoras, carecendo, provavelmente de um maior incentivo e intervenção do governo portugues, exactamente como faz a Espanha através do Instituto Cervantes, chegando ao ponto de convidar os alunos de lingua espanhola a visitarem Espanha durante uns dias. De qualquer forma, não deixa de ser louvável as iniciativas das embaixadas portuguesas nestes países, como pude constatar através do seu artigo. Não sei se este encontro de alunos de portugues teve o apoio do IC conjuntamente com a embaixadora de Portugal Dra Graça, mas seja como for, as minhas felicitações.

Jose Milhazes disse...

Caro Leitor Lourrain, estou de acordo consigo. Gostaria que na Rússia existisse uma representação do Instituto Camões como existe o Cervantes ou Goethe. Mas acho pouco real, pois Portugal tem menos meios. Talvez fosse possível criar um instituto de português com o apoio de todos os países de expressão portuguesa, mas não sei se isto está nos planos de alguém.

Joao Teixeira disse...

Caros senhores,

Gostaria de lhes pedir o contacto de alguem que faça trabalhos de interprete de russo para portugues.
Vou em viagem de negocios para moscovo no proximo dia 18 e estou com algumas dificuldades em encontrar quem me possa prestar esses serviços.

O meu endereço de email e jpbrt@maexpa.pl

Obrigado,

Joao Barros Teixeira