quarta-feira, junho 18, 2008

Assembleia Municipal de Grândola condena Holodomor


Recebi do Dr. Luís Matos Ribeiro, estudioso que muito tem feito para que o crime do Holodomor seja conhecido dos portugueses, o documento que abaixo publico. Embora eu continue a considerar que o Holodomor não é um acto de genocídio, pois não visava exterminar um povo em concreto, mas tratou-se de um dos numerosos crimes do estalinismo contra os mais variados povos (a arma da fome foi utilizada não só contra ucranianos, mas também contra russos, cazaques, judeus, etc., por isso pode ser classificado de crime contra a Humanidade), levo ao conhecimento dos meus leitores este documento importante, pois trata-se de um acto feito pela Assembleia Municipal de Grândola, terra de grandes tradições democráticas. "MOÇÃO. A ASSEMBLEIA MUNICIPAL DE GRÂNDOLA Considerando:
1)Que o município de Grândola, em coerência com o seu Passado de luta pelos valores da Liberdade e Democracia, assume particular responsabilidade na defesa e promoção desses valores; 2)Que a Convenção das Nações Unidas para a Prevenção e Punição do Crime de Genocídio, de 9 de Dezembro de 1948, declara o genocídio como um crime contra o Direito Internacional; 3)Que esta Convenção foi aprovada pela Assembleia da República, através da Resolução n.º 37/98, de 14 de Julho, publicada no Diário da República, I Série-A, n.º 160/98 e ratificada pelo Sr. Presidente da República, através do Decreto n.º 33/98, de 14 de Julho, publicado no Diário da República, I Série, n.º 160/98; 4)Que, no âmbito do 75.º aniversário da Fome da Ucrânia de 1932-1933 (“Holodomor”), o Presidente da Ucrânia e a Comunidade Ucraniana em Portugal apelam ao seu reconhecimento como um acto de genocídio; 5) Que o genocídio de 1932-1933 na Ucrânia, ao provocar a morte de milhões de ucranianos, visou a exterminação de estratos sociais que desempenharam um papel fundamental na cultura e na existência distintiva da nação ucraniana; 6) Que a Ucrânia, remetendo para os actos e os princípios do Direito internacional, apela à comunidade internacional para que seja restabelecida a justiça histórica; 7)Que diversas organizações internacionais, como a Assembleia-Geral das Nações Unidas (7 de Novembro de 2003); a UNESCO (1 de Novembro de 2007); a Assembleia Báltica (24 de Novembro de 2007) e a OSCE (30 de Novembro de 2007), manifestaram o seu repúdio por este crime contra a Humanidade; 8) Que o Parlamento da Ucrânia, em 28 de Novembro de 2006, bem como os parlamentos nacionais da Argentina; Austrália; Brasil; Canadá; Chile; Colômbia; Equador; Eslováquia; Espanha; Estados Unidos da América; Estónia; Geórgia; Hungria; Letónia; Lituânia; México; Paraguai; Peru; Polónia e República Checa condenaram a Fome da Ucrânia de 1932-1933 (“Holodomor”); 9) Que a Assembleia Parlamentar do Conselho da Europa, em 25 de Janeiro de 2006, aprovou uma resolução de condenação internacional dos crimes, nos quais se inclui a Fome da Ucrânia de 1932-1933 (“Holodomor”); Delibera:
1)Associar-se a todos aqueles que já o fizeram, condenando os crimes nos quais se inclui a fome na Ucrânia de 1932-1933 (Holodomor).
2)Manifestar a sua solidariedade para com o povo ucraniano e a sua comunidade residente em Portugal; 3)Endereçar uma cópia da presente moção ao Embaixador da República da Ucrânia em Portugal.
Paços do Concelho de Grândola, 14 de Junho de 2008
. O Presidente da Assembleia Municipal, António Gamito Chaínho"

10 comentários:

Zé de Almada disse...

20% de analfabetos, 9% de desempregados… e, outras «liberdades» e tão preocupados com a Holodomor (o que disse?).
Grândola sempre à frente com Beato em presidente.

Embaixada disse...

Leitor Zé Almada, há gente que inventa sempre razões para desviar os olhares do povo dos problemas nacionais! E um deles sou eu, não é assim?
Será que não se deve falar de mais nada enquanto existirem analfabetos e desempregados em Portugal?

Jose Milhazes disse...

Não sei qual a razão que levou o meu computador a definir-me como embaixada. Trata-se de um erro. O comentário anterior foi feito por mim, José Milhazes

Comu-nistas disse...

Os comunistas foram os responsaveis por esses e outros crimes horrendos.Alias, foram sempre esses os seus metodos para manter o poder a todo o custo.
paco

Anónimo disse...

ganda bronca, milhazes. com que entao embaixada?

Jose Milhazes disse...

Caro anónimo,acontece.

Anónimo disse...

José Milhazes/Embaixada
Claro que pode falar do que quiser… o blogue é seu.
Mas acho que também posso questionar: será os eleitos da AM de Grândola não têm mais nada para discutir? Ou será a ditadura da maioria a impor a agenda? Ou será que é a isto que chama «terra de tradições democráticas»
Zé de Almada, não Zé Almada

Naguib disse...

Não tem nada para dizer da visita de Dmitri Medvedev à Biolorússia? Parece que o motivo da visita é a homenagem às vítimas da agressão fascista à União Soviética?
Que paradoxo: um «democrata» a comemorar conjuntamente com um «ditador» a agressão fascista
O Mundo está uma confusão, não é?

Jose Milhazes disse...

Caro Naguib, eu também acho um pouco estranho, mas a isso chama-se real politike. Lukachenko já demonstrou admiração por ditadores como Estaline e Hitler, mas, como a Bielorrússia foi dos países que mais sofreu com a invasão nazi (veja-se o filme "Vai e vê"), o homem vai fazendo demagogia com os veteranos da guerra. Da parte da Rússia, o Kremlin teme perder mais um vizinho e um dos seus principais corredores para a Europa, por isso aposta em políticos da laia de Lukachenko. O sistema que actualmente existe na Bielorrússia sobrevive quase só e exclusivamente à custa de Moscovo. A isto chama-se pragmatismo.

Anónimo disse...

Ficam sempre incomodados quando se fala dos massacres que perpetraram. Nunca pediram desculpa e acham as atrocidades legítimas. Não é para esquecer a insanidade que esta ideologia levou ao mundo: fome, deportações (um deles terminou numa enorme fogueira onde foram queimadas vivas centenas de pessoas), repressão, salários de miséria, negação dos direitos dos trabalhadores, eliminação de sindicatos, marasmo e decadência científica, militarismo desenfreado ... enfim. Os amanhãs nunca cantaram ... apenas se ouvia o crepitar da metralhadora para impor a burguesia bolchevique.