segunda-feira, agosto 25, 2008

Organização de Cooperação de Xangai toma posição ambígua face à política russa no Cáucaso

A Organização de Cooperação de Xangai (OCX), cuja cimeira se realizou hoje em Duchambém, capital do Tadjiquistão, apoiou o papel de paz da Rússia, mas defendeu o princípio da inviolabilidade das fronteiras.
Numa declaração publicada depois da reunião, os dirigentes dos Estados membros da OCX apoiam “o papel activo da Rússia na contribuição para a paz e a cooperação nessa região (Cáucaso)”.
“Os Estados membros da OCX manifestam profunda preocupação face à tensão surgida recentemente na questão da Ossétia do Sul e apelam às partes do conflito a resolverem, através de um diálogo pacífico, os problemas existentes, a fazeram esforços para a reconciliação e o início de conversações”, lê-se no documento aprovado.
“Os Estados membros da OCX saudam os seis princípios de solução do conflito na Ossétia do Sul, aprovados a 12 de Agosto em Moscovo, e apoiam o papl activo da Rússia na contribuição para a paz e a cooperação nessa região”, consideram os dirigentes da Rússia, China, Cazaquestão, Uzbequistão, Tadjiquistão e Quirguízia.
Por outro lado, no comunicado sublinha-se que os países da OCX consideram “inabalável a integridade territorial dos Estados e sem perspectivas a aposta na força como meio de solução dos conflitos locais”.
No documento não se aborda a questão do reconhecimento da independência da Ossétia do Sul e da Abkházia e nenhum dos países da OCX declarou individualmente o seu apoio à decisão de Moscovo.
O Ministério dos Negócios Estrangeiros do Cazaquistão fez hoje saber que “não é tempo para se falar nisso”.
O Presidente russo, Dmitri Medvedev, agradeceu aos seus colegas “pela avaliação objectiva dos esforços de paz da Rússia”, sublinhando que uma posição solidária dos países da OCX terá “grande ressonância internacional e servirá de sinal sério para os que tentam apresentar o preto como branco e justificar a agressão realizada pela direcção georgiana”.

8 comentários:

sérgio disse...

Isto é que foi uma resposta rápida Sr. José Milhazes. E quanto aos possiveis futuros menbros da OCX não houve desenvolvimentos.

Jose Milhazes disse...

Caro Sérgio, tenha calma. Não sou de ferro, mas responderei logo que puder. Um abtaço. JM

Pippo disse...

A posição foi mais favorável à Rússia do que aquilo que eu esperava. Evidentemente, reafirmam-se os princípios do DI, mas a solidariedade face à Rússia, em lugar de uma condenação "diplomática", parecem-me bem evidentes.

Jose Milhazes disse...

Caro Pippo, cada um lê as coisas como quer

antonio everardo disse...

Ora, ora. Com tantas facetas económicas a vigorar nas américas, não seria interssante para a OCX insistir na idéia de laços mais profundos. Se é bom observador, o G-7 é quem está a perder se discordar da Russia seja em qualquer esfera de relações; prova disso é a expansão da NATO. Se o crescimento da China beira os 11% sem invadir as terra alheias, é sinal que "o capital" ressurge bem mais trabalhado, ordeiro, embora sujo e poluidor, mas independente de americanos e europeus, que mesmo travando as relações comerciais, representaria algo em torno de menos de 20% para baixo na sua economia, o que logo logo, dentro de cinco ou dez anos se restabelecia. Para a China, "dependência" ou "independência" do ocidente tudo é uma porcaria só, assim eu penso.

Pippo disse...

Caro José, concordo consigo.

MSantos disse...

O mais engraçado de tudo é que a Rússia está a utilizar as "armas" da economia de mercado para combater o Ocidente

Jose Milhazes disse...

Caro MSSAntos, a Rússia é uma economia de mercado, que já nada tem de socialismo. Pode ter uns desvios de "feira da ladra", mas isso é normal em períodos de transição.