quinta-feira, agosto 14, 2008

Saakachvili dá mais "um tiro no pé"


No conflito na Ossétia do Sul, nem autoridades georgianas, nem russas, nem ossetes "ficaram bem na fotografia". O facto de não terem usado o período entre 1992 e 2008 para resolver o conflito por via diplomática e terem sacrificado centenas de vidas inocentes em prol das suas ambições políticas mostra é sintomático.

Mas ainda é mais grave o facto de os dirigentes das partes da guerra continuarem a empolar a situação, com declarações e actos cada vez mais explosivos.

Hoje, dia 19 de Agosto, o Presidente georgiano, Mikhail Saakachvili, deu mais "um tiro no pé" ao fazer calar no seu país um dos poucos canais de informação independentes da Rússia: a RTVi.

O Governo georgiano bloqueou a transmissão do canal televisivo RTVi, o único canal em língua russa cuja transmissão não foi proibida por Tbilissi depois do início do conflito na Ossétia do Sul.
As autoridades georgianas enviaram uma carta à direcção do canal, onde comunicaram a decisão de suspender a transmissão do sinal televisivo, depois desse canal ter emitido uma entrevista com Serguei Lavrov, ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia.
Nessa entrevista, Lavrov fez duras críticas à política de Mikhail Saakachvili, acusando o Presidente da Geórgia de ser “um projecto virtual dos Estados Unidos”.
A RTVi foi criada em 1997 pelo magnata russo de origem judaica, Vladimir Gussinski, adversário de Vladimir Putin que encontrou refúgio político em Israel.
Este canal de televisão, que chega aos telespectadores da América, Europa, Médio Oriente, Norte de África e Austrália, através de cabo e satélite, é uma das poucas vozes independentes do Kremlin em língua russa.
A RTVi realiza vários programas conjuntos com a estação de rádio Eco de Moscovo, que também destoa na onda de propaganda anti-georgiana dos media russos.
Em declarações à imprensa, Alexei Venediktov, redactor-chefe da Eco de Moscovo, considerou a suspensão da transmissão desse canal e de outros meios de informação na Geórgia uma tentativa de “esconder a verdade dos seus cidadãos e salvar a cara”.
“Só regimes autoritários e totalitários receiam meios de informação independentes e profissionais” – concluiu.
No início da guerra, os dirigentes georgianos impediram a transmissão, por cabo e satélite, de quase todos os canais de televisão em língua russa, bem como cortou o acesso aos sítios russos na Internet.

8 comentários:

Nuno Pinto disse...

“Só regimes autoritários e totalitários receiam meios de informação independentes e profissionais”

Isto diz tudo...

O desenvolvimento de uma sociedade humana mede-se também e principalmente por este factor. é fácil fazer a correlação entre Liberdade-Democracia-Imprensa Livre no mundo e descobrir onde estão as sociedades humanas mais avançadas...

Parabéns pelo seu trabalho e pelo seu blog, é uma das poucas vozes em Moscovo em que ainda acredito.

analisedasemana disse...

Muitos parabens pelo seu blog.

Realmente das questõe que fez à dias, continuo sem responder a muitas... Quando chegar o dia para responder ficarei contente se puder deixar a sua opinião.
Não percebo mesmo o timing e a necessidade do ataque e a forma como a NATO está a agir. Será que vão desencadear uma nova guerra fria como muitos sugeriram? Não creio.. Mas se assim não é, qual o objectivo?

sérgio disse...

Mikhail Saakachvili esteve mais uma vez mal. Quem não deve não teme.

Wandard disse...

Saakachvili agiu conforme o esperado, mais uma atitude que mostra o seu desespero, mais um erro. Muito bom para quem quer se tornar mais um pau mandado dos Estados Unidos. Sinto imensamente pelo povo da Geórgia.

Joel disse...

Não concordo com a atitude, mas tente-se compreender um líder nacional em queda livre, com uma guerra com 3 frentes: a de batalha propriamente dita, a diplomática e de alianças e a manutenção da ordem no território (que se perde se o seu líder cair repentinamente). A emissão da entrevista do Lavrov mina a mais importante frente: a de manter os georgianos unidos, pelo menso em torno do líder e, à face deste argumento, pode fazer sentido esta atitude anti-democrática. Em tempos de guerra, são, infelizmente, cometidas as mais diversas atrocidades. Esta ainda não é, seguramente, uma das piores. Preparemo-nos, pois, para as outras...

Jose Milhazes disse...

Caro leitor com a assinatura analisedasemana,é preciso descobrir quem deu o primeiro tiro, pois ainda não é linear e não ficou provado que se tratou do Pr. Saakachvili.
As três partes do conflito estavam interessadas num conflito do tipo: os dirigentes da Ossétia do Sul há muito que iam trabalhando para provocar uma coisa destas, pois esperavam que o problema se resolveria mais depressa (o que, aparentemente, está a acontecer).
Os dirigentes georgianos estavam fartos de revelar impotência, pois não conseguiam resolver o problema dos separatismos sozinhos. Alé, disso, o Pr. Saakachvili tem problemas políticos internos sérios. Quanto aos dirigentes russos, estes estavam cheios de vontade de dar uma lição a um dos vizinhos para mostrar a sua força a eles e ao mundo.
A NATO pouco vai fazer além da retórica verbal. Os EUA, e muito menos a UE, não têm capacidade de recorrer a outros meios que não as palavras.
Claro que as relações entre a Rússia e a NATO sofrerão alterações, mas continuará o diálogo.
Será um erro crasso se o Ocidente tentar isolar a Rússia. Penso que, pelo contrário, é preciso desenvolver os laços económicos, culturais, etc., fazer com que os russos continuem a ver o mundo

Anónimo disse...

Acho melhor a Geórgia aceitar a dominaçao russa, a russificação do país é o caminho. Paises pequenos precisam aceitar estar em orbita de um pais maior. Como Portugal aceitou estar na orbita da Espanha faz muito tempo

Antonio Nunes

Anónimo disse...

Porque é que ninguem fala disso em Portugal?