segunda-feira, agosto 25, 2008

Sanções económicas russas começam pelas "coxas de Bush"


A exclusão de 19 empresas norte-americanas da lista de empresas autorizadas a exportar carne de frango para a Rússia terá lugar no dia 01 de Setembro, lê-se num comunicado do Controlo Agrícola da Rússia hoje publicado.
Essa decisão foi anunciada ontem por Vladimir Putin, primeiro-ministro russo, numa entrevista ao canal televisivo CNN.
Putin sublinhou que essa decisão não está ligada à posição dos Estados Unidos face ao conflito entre a Geórgia e a Rússia, mas ao não cumprimento das normas sanitárias e veterinárias por parte das empresas norte-americanas.
O primeiro-ministro russo acrescentou que nessa lista poderão ser incluídas mais 29 empresas norte-americanas se elas não tiverem em conta os avisos das autoridades sanitárias de Moscovo.
Segundo o Controlo Agrário da Rússia, “em Julho e Agosto foi realizada uma inspecção conjunta russo-americana em aviários, que constatou que, numa série de casos, não são plenamente cumpridas as exigências apresentasas aos fornecedores que trabalham no mercado russo”.
Serguei Lissovski, vice-presidente do Comité Agrícola do Senado russo, considera que essa decisão de Moscovo não provocará o aumento de preços da carne de frango no mercado russo.
“Na Rússia há um excesso de carne da ordem das cerca de quatro mil toneladas e os importadores já tinham decidido, há um mês atrás, reduzir as compras em 180 mil toneladas”, declarou.
Além disso, o senador defende que a redução da importação irá “influir consideravelmente na qualidade no melhor sentido”.
“Na carne desses aviários, além de antibióticos e cloro, foi detectado arsénio, numa quantidade duas vezes superior ao nível autorizado na Rússia”, acrescentou.
Porém, Alexei Portanski, director do Bureau de Informação para a Adesão da Rússia à OMC, considera que a decisão do Governo russo pode provocar o aumento de preços da carne de frango no país.
“Por enquanto, não podemos satisfazer todos os níveis de preços. A Rússia produz frangos, de melhor qualidade que os importados, mas nem todos têm dinheiro para os comprar, falta carne de frango no segmento da carne barata”, explicou.
A carne de frango norte-americano começou a entrar na Rússia nos finais dos anos 80 na qualidade de ajuda humanitária. Como era vendida no mercado russo a baixo preço, gozava de tal procura entre as camadas mais desfavorecidas da população que foi baptizada de “coxas de Bush”, em honra de George Bush sénior, então Presidente dos Estados Unidos.Nos últimos anos, os produtores russos têm vindo a exigir a redução da importação de coxas norte-americanas, pois não conseguem concorrer ao nível de preços.
P.S. As pessoas que passaram por este país na fase final da URSS e anos 90 do séc. XX, sabem muito bem a importância fundamental que tiveram as "coxas de Bush" na alimentação dos mais necessitados. Era só descongelar, temperar e pôr a assar no forno. Sabia-se da sua qualidade duvidosa, tão baixo era o preço, mas não havia outro remédio em momentos de crise. Fui dos que as consumiu muitas vezes.

15 comentários:

antonio everardo disse...

Olha só, JM. A mudar de assunto, aqui tenho uma receita interiorana de minha autoria: frango assado, queijo e purê de batatas com arroz colorido. Sem vodka no final, optei pela cervejola. Incrivel por não dar sono.Experimente.

Nuno Bento disse...

Decobri recentemente as cervejas russas, ucranianas e polacas. A Boskarov e a Baltika 9 são muito boas. Cumprimentos!

Jose Milhazes disse...

Bons conselhos de culinária! Obrigado.
Caro Nuno, a publicidade da cerveja Baltika é filmada no Parque das Nações, em Lisboa

Anónimo disse...

Eu acho que todos devem respeitar a mentalidade do povo russo. Que sempre foi um povo submisso que sempre precisou de uma mão forte para determinar as suas vidas em tudo.
Nós temos um ideal que o governo deve temer o seu povo, por exemplo na maioria dos países escandinavos e no Canadá, o governo tem medo das reações do seu povo, por isso qualquer decisão é muito bem pensada.
Mas em outros lugares é diferente: são povos que gostam de temer um grande líder, de obedecer o "Grande Czar" da "Mãe Rússia"
A História da Rússia é cheia de casos do tipo: Pedro, O Grande, Catarina, Stalin e hoje Putin.
São povos que acham mais importante ter um grande e poderosos exército que qualidade de vida em seus países.

Em países assim a democracia nunca terá vez, ou será uma pseudodemocracia para agradar os olhos dos menos avisados (como é hoje na Rússia).

Mr.T

antonio everardo disse...

Interssante o que veio do Anónimo: Pedro, Catarina,...Putin, lá nos USA, aqui no Brasil o midia diz no horário nobre: "o homerm mais poderoso do mundo, o Snr. Presidente do USA...,blá, blá, bla´...", etc, vai ver, um imita o outro, não concorda? Abraço.

Pippo disse...

Nuno, gostou mesmo da Baltika??? Nâo achou demasiado forte?

Anónimo disse...

Concordo com o Mr T, os russos, como outras populacoes, nao sabem se guiar sozinhos. Por isso, como um rebanho de ovelhas, precisa sempre de um pastor.
Dizem que fraqueza de uma povo é inversamente proporcional à força do seu líder maior.

Nuno Bento disse...

A Baltika tem muitos números. A 9, a mais forte que provei, achei muito equilibrada. é claro que não da para estar a "mamar" umas quantas de seguida como fazemos com as "mines". Para além do mais, a garrafa leva 0,5 litros, ao passo que a vulgar cerveja em Portugal leva 1/3 de litro (0,20L a "mine"). Boa, e tem gosto! Venha mais outra!.. PS.: Ainda não vi a publicidade da Baltika, mas fiquei contente em saber que escolheram o Parque das Nações para o cenário da pub. Ao menos alguém que sonha no "west coast" da Europa!

Nuno Maurício disse...

Eu gostei da Tsingtao. é levezinha, apesar de não ser fraca.

Anónimo disse...

os ex-KGB do Kremlin continuam com os mesmos erros da URSS: gastar em armas em vez d melhorar o nível d vida do povo. Um dia estoira, apesar dos $,€, do petróleo e gaz. Muito interessante o post sobre os problemas étnicos nas repúblicas do Cáucaso: parece k a invasão da Geórgia ainda vai sair cara ao Kremlin. Ao ler isso, tive k sorrir com a ignorância do muito k se escreveu e disse por aqui a "compreender" e "desculpar" Moscovo na Geórgia. PS (não confundir...):afinal o Danny fez um grande jogo contra o Man Un!

Anónimo disse...

Mr T esse é o argumento querido dos ditadores em todo o Mundo. Tb pelo Salazar.

Range-o-Dente disse...

JM:

"anos 90 do séc. XIX, "

XIX?

.

Anónimo disse...

José,

Posso pedir-lhe o seu comentário politico à reportagem que o nosso Ministro dos Negócios Estrangeiros deu ao Expresso?

http://aeiou.expresso.pt/gen.pl?p=stories&op=view&fokey=ex.stories/397081

Os meus agradecimentos.

Jose Milhazes disse...

Caro Anónimo, consegui ler apenas a parte da entrevista do Ministro Luís Amado disponível na net. Em geral, estou de acordo com o que ele afirma.
Sempre saudei a posição sensata do Governo Português face ao Kosovo, estou de acordo em que as posições da Rússia foram substimadas (eu diria mesmo que Moscovo foi humilhado pela Europa e EUA nos anos 90).
Quanto à afirmação: "É um erro recriar na 'ameaça russa' a 'ameaça soviética'", concordo, mas com uma ressalva: a política externa russa adquire cada vez mais "traços soviéticos". O que não é de espantar se tivermos em conta que a política externa da União Soviética foi, em muitos aspectos, a continuação da política imperial russa.
Acho uma previsão pouco provável (infelizmente) as seguintes palavras: "Há que pensar a mais longo prazo na forma de aplicar o modelo de estabilização que se vem desenvolvendo nos Balcãs em toda a região do Cáucaso. É aí que vamos confrontar-nos com uma fase de grande instabilidade e insegurança que exige uma resposta responsável por parte da comunidade internacional e em particular da União, da Aliança Atlântica e da ONU".
Isto porque duvido que a Rússia permita, tão cedo, que alguém,com posições diferentes dela, participe na solução dos problemas do Cáucaso.

Esta declaração traz à cabeça a ideia de trocar o Kosovo pela Ossétia do Sul e a Abkházia. Ou seja, a Rússia reconhece o Kosovo e a Europa e EUA fazem o mesmo em relação à Ossétia do Sul e à Abkházia. E depois? Que medidas tomar em relação a conflitos semelhantes que, só na Europa, poderão ser dezenas?
É preciso encontrar soluções para estes conflitos que não provoquem novos conflitos. E que não haja dois pesos e duas medidas: o Kosovo, a Ossétia do Norte e a Abkházia tiveram direito porque eram apoiados pela força dos aliados, mas os tchetchenos tiveram o azar de combater sozinhos, e foram esmagados sem grandes cerimónias.
Além disso, é demasiadamente evidente a fraqueza de organizações internacionais como a ONU na solução dos novos problemas que se colocam ao Direito Internacional.

Anónimo disse...

sabiam bem ou menos?

Teodoro Sobral