quarta-feira, setembro 17, 2008

Fixem este nome: Arseni Iatzeniuk


Arseni Iazteniuk apresentou hoje a demissão do cargo de presidente da Rada Suprema (Parlamento), alengado que a coligação democrática que o elegeu se desintegrou na véspera.
“Eu cheguei aqui exclusivamente em confornidade com valores e ideiais democráticos. Todo o poder deve entrar com dignidade e saber com uma dignidade ainda maior”, declarou Iazteniuk, ao anunciar a sua demissão na sessão da Rada Suprema.
“Apelo a todos os deputados para que sejam honestos perante si próprios e perante as pessoas que nos elegeram”, concluiu.
Iazteniuk continuará a dirigir a Rada Suprema até que os deputados escolham um novo dirigente.
A crise política na Ucrânia agravou-se ontem, quando foi anunciado o fim da coligação parlamentar Bloco Nossa Ucrânia-Autodefesa Popular e Bloco Iúlia Timochenko, que servia de base ao Governo da primeira-ministra Iúlia Timochenko.
Em conformidade com a Constituição da Ucrânia, as forças políticas têm agora 30 dias para criar nova coligação governamental. Caso contrário, o Presidente Victor Iuschenko poderá convocar eleições parlamentares antecipadas, o que os analistas apresentam como o cenário mais provável.
A demissão de Arseni Iatzeniuk, segundo alguns analistas ucranianos contactados pela Lusa, pode estar ligada precisamente à preparação para eleições antecipadas.
Iatzeniuk poderá abandonar o Bloco Nossa Ucrânia-Autodefesa Popular e vir a dirigir uma nova força política. Entre outros dirigentes desta poderá estar Raísa Bogatariova, secretária do Conselho da Segurança e Defesa da Ucrânia, que foi recentemente expulsa do Partido das Regiões (pró-russo).
A nova força política poderá ter o apoio de Renati Akhmetov, o homem mais rico da Ucrânia e um dos financiadores do Partido das Regiões.

Quanto à primeira-ministra Timochenko, ela recusa-se a seguir o exemplo de Iatzeniuk e a demitir-se do cargo.

“Não somos um rebanho de carneiros que saltam para o precipício se um dos carneiros saltou”, frisou ela.

3 comentários:

José disse...

Boas!

Na pele dela, com a Rússia a assistir, não deve ser assim tão complicado esticar a corda... O braço de ferro continua a endurecer!

osátiro disse...

A questão parece ser: se houver eleições o novo governo será pró UE e NATO ou manterá uma neutralidade tipo Finlândia da era URSS?
Será que há sondagens sobre a popularidade de Yushenko?
Pedia ao José Milhazes se nos poderia esclarecer.
Grato

Jose Milhazes disse...

Caro osátiro, a julgar pelas últimas sondagens, a correlação de forças não deverá aumentar muito, mas ainda falta tempo até às eleições. As sondagens dão a Iuschenko 06% dos votos, mas esse número poderá subir, dependendo do desenvolvimento dos acontecimentos.
A julgar pelo que os dirigentes ucranianos têm feito até agora, eles, primeiramente, são a favor de si próprios, e só depois a favor da UE, NATO ou Rússia.
Se eu fosse ucraniano, lutaria pela assinatura de um pacto de regime entre as principais forças políticas do país para conseguir alguma estabilidade política. Esse documento deveria, obrigatoriamente, incluir as bases de uma reforma constitucional que esclareça as prerrogativas dos vários braços do poder.
Defenderia também uma aproximação mais rápida à UE do que à NATO e tentaria ter relações civilizadas com a Rússia, deixando sempre claro que a Ucrânia é um Estado com soberania completa.