segunda-feira, setembro 15, 2008

Mistério de um artigo do diário Estrela Vermelha


A União Europeia apoia a realização de uma investigação do conflito no Cáucaso, declarou hoje Bernard Kouchner, ministro dos Negócios Estrangeiros da França.

Ainda bem, pois nem tudo ainda está claro. Longe disso. Aqui vai mais um exemplo que exige esclarecimento.


O sítio electrónico do diário Krasnaia Zvezda (Estrela Vermelha), órgão oficial do Ministério da Defesa da Rússia, retirou o artigo com as declarações do capitão Denis Sidristi sobre a entrada das tropas russas na Ossétia do Sul antes do ataque da Geórgia.
As declarações do militar confirmavam que o 58º Exército russo foi enviado para a Ossétia do Sul antes da “invasão georgiana”, ocorrida na noite de 07 para 08 de Agosto..
No dia 03 de Setembro, o diário Krasnaia Zvezda (Estrela Vermelha), órgão oficial do Ministério da Defesa da Rússia, publicou o artigo “A vida continua”, onde cita o relato do capitão russo Denis Sidristi, condecorado com a Ordem da Coragem pela operação na Ossétia do Sul.“Estavamos nas manobras. Isso teve lugar relativamente perto da Ossétia do Sul... Aí, depois da realização das manobras planeadas, foi instalado o nosso acampamento, mas, no dia 07 de Agosto, recebemos ordens para avançar na direcção de Tzkhinvali... Chegámos, aquartelámo-nos e, no dia 08 de Agosto, a situação já era tão quente que muitos de nós ficaram surpreendidos”, relatou o capitão.
Quando alguns órgãos de informação começaram, a 11 de Setembro, a divulgar essa contradição entre as palavras do capitão e a posição do Kremlin, entre eles o sítio electrónio newsru.com, o texto electrónico com as declarações do capitão foi sujeito a emendas com o objectivo de precisar as horas do dia: “Aí, depois da realização das manobras planeadas, foi instalado o nosso acampamento, mas, no dia 07 de Agosto à noite, recebemos ordens para avançar na direcção de Tzkhinvali… Chegámos, aquartelámo-nos e, na manhã do dia 08 de Agosto, a situação era tão quente que muitos de nós ficaram surpreendidos”.
Hoje, o artigo foi retirado, mas pode ser lido anida na versão do cache do Google.
Para quem saiba russo, pode ler o artigo original em:

http://74.125.39.104/search?q=cache:http://www.redstar.ru/2008/09/03_09/2_03.html

10 comentários:

sérgio disse...

Mesmo assim, se eu fosse Georgiano não queria mais nada com as regiões separatistas. Afinal, querendo a independencia ou uma união com a Russia, consideram-se mais Russos do que Georgianos.

Xico Ribeiro disse...

Como sempre a grande mentira que é a actual liderança russa. É nas praticas do passado que se reveem os actuais dirigentes.

Um regime,com uma triologia ideologia baseado, no autoritarismo/capitalismo/oligarquismo,que nada tem a oferecer de democratico e de respeito pelos direitos humanos. Vai ser um perigo permanete para paz no mundo.

Uma heroi disse...

Artigo de opinião de uma grande mulher cubana,que desmascara um regime podre e que retrata a realidade a partir de cuba.


Lindoro Incapaz
Escrito por: Yoani Sanchez en Generación Y , Septiembre,13,2008


Un personaje de cuello gordo y portafolio en mano aparece cada miércoles en el programa humorístico “Deja que yo te cuente”. El mismo espacio donde el profesor Mente Pollo –ya descrito en este Blog- suelta sus perogrulladas de sabio diletante. Lindoro Incapaz es el director de una empresa ineficaz y tiene un auto, con matrícula estatal, que jamás usa en beneficio de los trabajadores. Impecablemente vestido se acerca a sus subordinados y les advierte con ironía: “A mí me complace complacer”. Sus kilos de más y su elegante traje azul oscuro contrastan con el aspecto desaliñado y la improductividad de todo el taller “Bartolete Pérez”.

Este prototipo de jefe ostenta una frase que ha logrado insertarse en el vocabulario popular. Justamente, el epíteto con el que se refiere al ineficiente, apático y mal pagado grupo de reparadores de electrodomésticos que él dirige. Con su sonrisa Colgate llega y les pregunta “¿Cómo está este aguerrido colectivo?” a la par que anuncia alguna tarea impostergable o un nuevo absurdo burocrático. Lindoro Incapaz no es la caricatura de un dirigente, sino la suma de muchos de ellos, el retrato con tonos humorísticos de los que tienen algo de poder.

Por estos días he evocado frecuentemente al regordete director de empresa y su lenguaje triunfalista. En medio de una gripe, provocada por la lluvia que entró por todas las ventanas de mi casa, escuchaba en mi pequeño radio de dinamo a muchos Lindoros Incapaces. Hablaban precisamente de un “aguerrido colectivo”, donde yo sólo veo caras desesperadas. Llamaban a la calma y a la resistencia, desde sus cuellos gordos, desde sus autos secos. Algunos –los de más poder- sin personarse si quiera en los lugares del desastre y a través de una línea telefónica, intentaban hacer promesas tan huecas y vacías como las del personaje satírico.

Nuestros Lindoros Incapaces no quieren reconocer que la situación de emergencia creada por Gustav e Ike no es sólo culpa de los fuertes vientos y las lluvias, sino también del desastre productivo y habitacional que arrastraba esta Isla desde antes. Hoy en la mañana, después de dos horas de cola, pude comprar cuatro libras de boniato y un pedazo de fruta bomba, sin ver en la fila a ningún espécimen de dirigente. Para la carne de cerdo, hay que sacar turnos en la madrugada. En las tiendas en pesos convertibles las neveras vacías apestan por los pollos y las carnes que se echaron a perder. El tema alimentario toca fondo y aunque mi casa soportó los vientos y en mi zona no hay grandes estragos, la gente sólo sabe preguntar por comida. La subida del precio del combustible ya provocó que los taxistas privados duplicaran sus precios, por el tramo que antes costaba diez pesos ahora debemos pagar veinte. Pero la tele no ve ese lado de la crisis, sino a un pueblo enérgico y “aguerrido”, que hace votos de confianza y esperanza ante las cámaras.

¿Qué harán los Lindoros Incapaces cuando las consignas, gritadas hoy frente a los periodistas, se vuelvan frases de descontento y protesta? ¿Se esconderán entonces –con una reserva de comida- en el interior de sus portafolios?

Nuno Maurício disse...

Acredito que os russos souberam dos planos de invasão antecipadamente e prepararam-se. Por isso conseguiram numa questão de horas pôr os soldados georgianos (e alguns estrangeiros, segundo as más línguas) a bater os recordes de fuga (foram, digamos, os Jogos Olímpicos paralelos). Admito até que os tanques possam ter entrado no dia 7. Mas uma coisa é entrar para antecipar-se a um ataque planeado, outra é provocar esse mesmo ataque. São coisas diametralmente opostas. Não acredito que o ataque georgiano tenha sido uma mera resposta à invasão russa. O que provavelmente aconteceu é que os russos prepararam-se e armaram uma armadilha aos georgianos, mas isso não altera o facto que foram os georgianos quem meteu o pé na poça. O que eu acho condenável é que tenham atacado os civis, possivelmente com a intenção de provocar uma reacção violenta por parte da Rússia.
A propósito de artigos, neste artigo da Reuters, um ex-ministro da defesa georgiano, Irakly Okruashvili, acusa Saakashvili de ter planeado a invasão: http://www.reuters.com/article/newsOne/idUSLD12378020080914?pageNumber=4&virtualBrandChannel=0
A título de curiosidade, um russo contou-me que mês e meio antes dos acontecimentos, um grupo de pessoas andava à procura de alguém que fizesse convite a cidadãos georgianos. O que era anormal era a insistência e os valores relativamente altos que prometiam em troca do favor. Passado uns dias após a manif à frente da embaixada russa, imigrantes que trabalharam na Portela viram partir um grupo de pessoas que aparentavam ser da Geórgia. Ou seja, parte dos manifestantes, segundo a opinião desse russo, chegaram directamente da Geórgia, mas o curioso foi o prazo de antecipação.

Jose Milhazes disse...

Caro Maurício, a sua lógica tem apenas uma "pequena" falha. As autoridades russas afirmam que as tropas georgianas massacraram impunemente os civis ossetes e os capacetes azuis durante o dia 07 de Agosto e a noite para 08. Pergunto: o que levou as tropas russas a não reagirem?
Quanto à estória que conta da manifestação, analise logicamente o que lhe foi contado.
Eu li as declrações do ex-ministro da Defesa da Geórgia e não duvido que existisse o plano de resolver à força os casos separatistas pelas autoridades georgianas. Ele existiu ainda muito antes de Saakachvili se tornar Presidente.
Resumindo, caro Maurício, quem não deve, não teme. Por isso, apoio a realização de um inquérito internacional.

Jest nas Wielu disse...

Engraçado como alguns leitores teimam em arranjar todos e quaisquer desculpas para a ocupação & invasão russa da Geórgia. Já que o politicamente correcto não os permite dizer mal dos PALOPs, então pelo menos em caso da Geórgia podem apoiar os imperialistas sem serem acusados de xenófobos.

Nuno Maurício disse...

Caro José,

A sua versão também parece ter alguma falta de lógica: se a operação da Geórgia foi um contrataque para repelir as tropas russas que entraram na Ossetia, então porque é que não as atacaram, mas em vez disso atacaram as populações e as tropas que já estavam estacionadas? Em relação às contradições da minha versão: talvez a noticia da Krasnaya Zvezda seja falsa? Talvez seja verdadeira mas as tropas ficaram à espera de apoio aéreo para avançar ou talvez tenham ficado à espera de os Georgianos fazerem um numero de vitimas suficiente para ter matéria para acusar? Não sei. O que sugere?
Em relação à manif. só estou a transmitir a opinião do russo. Mas não a acho disparatada. Se não me engano em Portugal não existe embaixada nem consulado georgiano, também não existe nenhuma organização de imigrantes da Geórgia que funcione. Ora a manif pressupõe um nível de organização. Cartazes, palavras de ordem, etc. Lembro-me nas manifs por Timor e as primeiras foram espontáneas. Não havia nem slogans, nem cartazes, nada. Numa ocasião, lembro-me que houve alguém que trouxe latas de srpay e as pessoas pegavam e cada um escrevia o que lhe lhe vinha na alma, no asfalto, nos pilares dos viadutos, etc. Houve alguém que foi a casa buscar pano e começaram a fazer-se faixas. Lembro-me que às tantas andava à procura de uma corda para fixar uma faixa e abordava todas as pessoas desconhecidas que encontrava e a vontade de ajudar era tanta que havia pessoas quase dispostas a dar os atacadores dos seus sapatos. Ora a manif georgiana aparenta ter sido organizada. Em princípio não há nenhum mal nisso. O problema é, quem foi? Na falta de uma organização de imigrantes activa ou de uma embaixada que pudesse assumir esse papel, será disparate supor que a manif foi organizada fora de Portugal? O problema está no facto que isso, a se verdade, revela a quem pertence a iniciativa do ataque.

Jose Milhazes disse...

Caro Nuno Maurício, se eu defendo a realização de um inquérito internacional é porque tenho dúvidas, e não certezas. Eu não afirmei que foi a Rússia ou a Geórgia que começaram, apenas fiz perguntas e apresentei elementos para tentar responder a elas.
Quanto à manifestação, acha que os georgianos necessitavam de gastar muito dinheiro para se manifestarem em Lisboa? O que está situado na capital portuguesa em termos de centros internacionais de decisão ? Seria mais lógico gastar o dinheiro para transportar e concentrar georgianos para Bruxelas.

Nuno Maurício disse...

Tudo bem, que venha o inquérito. Só um reparo: a nossa comunicação social é fortemente tendenciosa, para não dizer manipuladora. Apesar disso, desde o primeiro dia nunca atribuíram a iniciativa do primeiro ataque à Rússia. Tentaram manipular, mas não conseguiram. Caso tivessem argumentos palpáveis não deixariam de os utilizar.

Em relação à manif, claro que Portugal é um país pequeno, foi por isso que a manif em Bruxelas foi muito maior do que em Portugal. Mas Portugal é membro da Nato e da UE, claro que não toma decisões importantes, mas ajuda a compor o sentimento geral, digamos assim, e o presidente da UE até é Português que não deixará de ter conhecimento da tal manif. Por poucas dezenas de milhares de euros, pagos por americanos, consegue-se ter tempo de antenas de uns minutos em vários canais, repetidos por várias vezes e isso não pode ser descurado.

Jose Milhazes disse...

Caro Nuno, eu sou jornalista e posso-lhe garantir que as suas acusações são incorrectas. Os jornalistas informam como podem. Sabe que as autoridades russas não permitiram aos jornalistas estrangeiros entrarem na Ossétia do Sul durante muito tempo? Será que talvez tivessem alguma coisa a esconder, mas agora vêem acusar os jornalistas estrangeiros de não informarem os seus auditório! Isto é ridículo!
Por que é que os jornalistas russos já estavam em Tzkhinvali quando a guerra começou e os jornalistas estrangeiros só puderam entrar muito tempo depois?
Caro Maurício, no mundo da internet, é difícil manipular, pois tem acesso a um sem fim de fontes. Eu, pelo menos, li numerosas posições e tirei as conclusões. Espero é que não veja no meu blog um meio de manipulação. Não tenho sonhos tão altos.