segunda-feira, setembro 01, 2008

Moscovo propõe embargo à venda de armas a Tbilissi


Serguei Lavrov, ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia, propôs hoje a proibição da venda de armas à Geórgia até à queda do actual regime do Presidente Saakachvili.
“Para começar, seria correcto impor a proibição do fornecimento de armas a este regime, enquanto outro poder não transformar a Geórgia num Estado normal”, declarou Lavrov durante uma palestra no Instituto de Relações Internacionais de Moscovo.
O ministro russo sublinhou que “para proteger a região da repetição da violência, a Rússia deve continuar a tomar medidas para castigar os culpados, para que este regime nunca mais faça mal”.
Peritos russos ouvidos pela Lusa consideram que se trata de um sinal dirigido principalmente a Washington, que é acusado por Moscovo de estar a reorganizar e a reaquipar as forças armadas georgianas, e a Kiev, que, recentemente, manifestou a intenção de continuar a fornecer armas à Geórgia
“Estamos interessados na mais estreira cooperação com a OSCE, com a ONU, para dar garantias de segurança firmes à Ossétia do Sul e da Abkházia, tal como está previsto nos seis princípios avançados pelos Presidentes Medvedev e Sarkozy”, acrescentou.
O chefe da diplomacia russa considerou que “a opção pelo regime de Saakachvili em prejuízo dos interesses russos será um erro histórico dos Estados Unidos e seus aliados”.
Após declarar que a Rússia, no conflito na Ossétia do Sul e Abkházia, mostrou que “ela regressou à arena internacional como Estado responsável, que pode defender os seus cidadãos”, Lavrov frisou: “a Rússia e as suas forças de manutenção da paz seguiram “a tradição profundamente cristã de dar a vida pelos seus amigos”.
“A América, continuou Lavrov, tem de reconhecer o chamado mundo post-americano e começar a adaptar-se ao novo mundo. Nós iremos falar com Washington enquanto existir a mais pequena esperança de que nos entenderemos e chegaremos a acordo”.
E deixou um aviso: “Não nos deixaremos envolver de forma alguma no confronto, os amantes de configurações de confronto terão de passar sem nós. Se os nossos parceiros não estiverem para acções conjuntas, a Rússia será obrigada, a fim de defender os interesses nacionais, a agir independentemente, mas sempre na base do Direito Internacional”.

6 comentários:

Otilia Alves disse...

Tenho ouvido muitos comentadores que dizem que a UE está dependente da Rússia derivado ao petroleo e gaz natural.E em relação á segurança da Europa a Rússia não é um parceiro a ter em conta,as ameaças de hoje são diferentes das do seculo passado,nunca se sabe bem quando e quem nos pode atacar como se viu no 11/9.No Afeganistão a situação está a piorar todos os dias,no Paquistão não sabemos quem pode apoderar-se dos arsenais nucleares,ambos os Países estão mais perto da Rússia do que do resto da Europa,será aconselhável dispensar a Rússia da contenção destas ameaças?

Jose Milhazes disse...

Cara Otilia, acho que a Rússia deve participar profundamente em todos os processos internacionais, trata-se de um parceiro fundamental.

antonio everardo disse...

Bem posto, caro JM. Há diferença apenas nesse quadro de dependência, ou melhor, no atolamento da carroça energética a partir do petróleo na UE deveu-se aos "reinados". Os reis atrapalham muitas coisas, principalmente aquelas básicas importantes a classe B e C das populações. E reparem bem, quem são os que estão à frente na decisão do "embargo" à Russia? (Eles nem se importam, pois tem reis e rainhas a andar de charretes, desprezando o combutível). Um abraço.

José disse...

Boas!
Quanto ao embargo, embora seja mais uma tentativa de asfixia - e que asfixia provoca um fecho da torneira bélica - da actual presidência, parece-me uma atitude de elementar coerência.
Quanto às posições do ministro Lavrov apetece-me dizer que "eles só se baixam até se lhes ver o traseiro". São um parceiro incontornável, é certo, mas é-lhes perigoso continuar a jogar no limite como têm feito até aqui. é de salutar este "apelo2 ao direito internacional!

PS - Embora testem misseis de longuíssimo alcance...

Nuno Bento disse...

Mais uma posição para causar confusão entre a Europa, e entre esta e os EUA. Esse Sr. Lavrov é se calhar o melhor diplomata do mundo. Aquele que tem casos complicados a resolver e que sabe intervir com vantagem para o seu país. Fosse assim com os nossos políticos em Portugal. Até o Marcelo teve que chamar os "bois pelos nomes" quando esclareceu que o nosso ministro de agricultura era - e passo a citar - "o homem mais incompetente do mundo".

Anónimo disse...

isso é culpa da influencia de gorbatchev e o neo-czarismo do ministro putim