sábado, setembro 27, 2008

Presidente Lukachenko tenta agradar à Europa com eleições pouco democráticas



A Bielorrússia vai a votos no próximo Domingo a fim de eleger 110 deputados do Parlamento. 270 candidatos, nomeadamente 71 da oposição, participam numa corrida que os adversários do Presidente do país, Alexandre Lukachenko, dizem ter regras viciadas.
O escrutínio neste país situado entre a União Europeia e a Rússia, irá decorrer numa situação inédita. As autoridades juram que as eleições irão ser democráticas, a oposição não acredita nessa promessa, mas, não obstante, participa na campanha eleitoral e vai às urnas.
Alexandre Lukachenko, político com manias ditoriais, mas interessado em se aproximar da UE, declarou num encontro com embaixadores estrangeiros em Minsk: “Talvez também não nos agrade tudo o que se passa nos vossos países, mas nós nunca vos pedimos contas, pretendemos que façam o mesmo em relação a nós”.
“A nossa ditadura – continuou – não incomoda ninguém. Pelo contrário, somos um parceiro obrigatório, resolvemos muitos problemas da Europa Ocidental”.
Lukachenko precisou que tinha vista a luta contra a imigração ilegal, contra o tráfico de droga e de componentes nucleares: “Todos os anos, capturamos componentes nucleares. E não se trata de um caso único”.
“A Europa recebe metade do petróleo, do gás natural através da Bielorrússia. Exportamos (mercadorias) mais para a Europa do que para a Rússia”, frisou.
O dirigente bielorrusso ameaçou: Não vamos de joelhos pedir que nos deixem entrar na casa europeia. Se a Europa não nos aceitar, poderemos desviar as nossas relações, principalmente económicas, para Estados como a Venezuela e Irão”.
A oposição não acredita na justeza do escrutínio e aponta a votação antecipada, que começou a 23 de Setembro, como uma das formas de falsificar os resultados.
“Eu participo nas eleições ou para vencer, ou para apanhar o batoteiro com as mãos na massa”, declarou aos jornalistas Serguei Kaliakin, dirigente do Partido dos Comunistas da Bielorrússia e das Forças Democráticas Unidas, organização que reúne partidos da oposição.
“Não duvido que as irá haver falsificações e sérias. Num dos círculos eleitorais, votaram antecipadamente 30 por cento dos inscritos. Claro que aí já não é preciso realizar eleições, porque o candidato do poder vai vencer”.
Por outro lado, Kaliakin considera que a oposição teve mais possibilidades de fazer propaganda eleitoral.
“Por isso, a avaliação do Ocidente será mais ou menos esta: as eleições não corresponderam às normas do Conselho da Europa e da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa, mas há mudanças positivas”.
A oposição, reunida em torno da organização Carta 97, apela ao boicote do escrutínio.
“Nas condições em que não se observa qualquer liberalização, é impossível esperar que as eleições parlamentares sejam democráticas e livros. Por isso, dizemos: Boicote à farsa eleitoral”, Boicote ao regime de Lukachenko! Boicote à ditadura!”, lê-se num comunicado publicado no sítio electrónico da Carta 97.
A oposição já prometeu acções de protesto para Domingo, mas Lukachenko já declarou que não irá permitir contestação.
A Bielorrússia, país com uma população de cerca de 10 milhões de habitantes e uma área de 207,6 mil km2, faz parte da Comunidade de Estados Independentes e da União dos Estados da Rússia e Bielorrússia, organização que não tem passado do papel.

29 comentários:

Anónimo disse...

sr. josé milhazes o objectivo foi conseguido, parabens, escolheu a fotografica certa.

Jorge Pinto disse...

e eu que vou a minsk no próximo fim de semana. espero que não haja conflitos. É verdade que a barreira da bielo russia esteve fechada?

Pippo disse...

JM, daquilo que sabe, parece-lhe viável uma integração plena da Bielorússia na Rússia? Se sim, em que condições e dentro de quanto tempo; se não, porquê?

Anónimo disse...

não é o seu presidente corupto e vendido ou os russos da Belarus que podem opinar sobre a integração na Rússia, são os próprios bielorussos.

zeca

Anónimo disse...

tenho a sensação que isto está a caminhar para todos os países serem integrados na U.E.
alguns diplomatas portugueses, sobretudo euro-deputados, dizem 1 coisa muto interessante, que em privado, os diplomatas russos afirmam que a russia deseja integrar-se na U.E, não pensam é que, seja a altura certa para o fazer e tambem não querem ouvir um não, mas no fundo é o que pretendem alcançar.
Uma U.E com a russia será concerteza novamente o centro da ordem mundial.

A russia vai ter 3 opções,

1-integrar-se na U.E(desejavel)

2- Aproximar-se a asia( para mim seria a destruição da russia tal como a conheçemos)

3-Não integrar nenhum bloco, o que tornará a russia num estado instavel e alvo de perigosas jogadas estrategicas dos americanos/judeus como foi o caso da georgia.

bruno.

Pippo disse...

De certo modo, não concordo com nenhuma das informações antecedentes, e ao mesmo tempo estou em concordância. Caricato? Sem dúvida, mas passo a explicar:

1 - A Rússia na UE iria alterar brutalmente o sistema de votos. Falamos de um país com uma área monstruosa, com mais população que a Alemanha e com um potencial a todos os níveis impressionante. Se uma das razões para se torcer "oficialmente" o nariz à entrada da Turquia na UE é o desequilibrio que isso poderia provocar, a entrada da Rússia obrigaria a uma violenta restruturação do sistema de voto na UE. Se as "pequenas" alterações que obrigaram ao Tratado de Lisboa já são o que são, podemos imaginar o resto...
1.1 - SE económicamente a adesão poderia trazer vantagens à Rússia, políticamente esta seria espartilhada pela míriade de normas emanadas de Bruxelas e pelo controlo exercido por Estrasburgo. Ora, se a Rússia gosta de jogar com oDI, já não me parece que queira ver-se controlada por uma organização internacional...

2 - A orientação asiática é interessante e inevitável, face aos novos mercados, mas não terá carácter de exclusividade. A Rússia é verdadeiramente o Hinterland, e irá jogar com os dois pontos cardeais.

3 - A alternativa, evidentemente, é não integrar nenhum ds blocos existentes e reforçar a CEI, com vista a uma eventual maior aproximação dos países que a compõe. É possível que, por exemplo, a Bielorrúsia venha a fazer parte de uma Rússia alargada. Não sei qual é a posição da sua população, mas se calhar até nem se chateiam. Quem sabe, entretanto, o que pode ocorrer no Cazaquistão, e assim por diante? O Uzebequistão já sabe com quem pode contar, bem como o Tadjiquistão. POde ser esse o futuro, ou seja, uma nova União, não das Repúblicas Socialistas Soviéticas, mas das Repúblicas Euro-Asiáticas. Duvido muito que tal União se tornasse um foco de instabilidade ou fosse alvo de "diabólicas conspirações judaico-maçónicas"....

PS - Bruno, quando referiu "perigosas jogadas estrategicas dos americanos/judeus", esqueceu-se das jogadas estrategicas dos franceses/alemães, que também lá estavam a dar instrução militar aos soldados do Saakashvili ;o)

Jose Milhazes disse...

Caro Jorge Pinto, desde que tenha visto, pode entrar na Bielorrúsia à vontade.

Jorge Pinto disse...

Sim, já tenho o visto. Inicialmente estava planeado ir neste fim de semana, mas fui informado que a fronteira estava fechada durante este período. Assim só dia 10 vou a Minsk. Tenho um certo interesse em saber a opinião (real) do povo de Minsk relativamente ao seu chefe de estado/governo.

MSantos disse...

Boa tarde
Pegando no tema das integrações, na minha opinião o objectivo último da Rússia é o ressurgimento da União Soviética, tavez com outro nome, ou talvez não. Os sinais estão todos lá. O próprio Putin afirmou que a desintegração da URSS tinha sido o maior desastre geoestratégico depois da
2ª Guerra Mundial (ou algo parecido). Acho que vão ser as seguintes nações, a peça chave para essa nova união: Bielorússia, Ucrânia e Cazaquistão, ficando os estados da Quirguízia, Turquemenistão e Uzbequistão de fora, embora aliados, como "tampão" ao islamismo, assim como os do Cáucaso, Geórgia e Azerbeijão.Relativamente aos Bálticos, a ruptura foi definitiva, havendo só pressão por causa das comunidades russas. Logicamente tudo dependerá de como as coisas evoluirão nos ditos países-chave.

Pippo disse...

Neste ponto parece que estamos de acordo, MSantos...

Pippo disse...

Neste ponto parece que estamos de acordo, MSantos...

Jorge Pinto disse...

msantos, encontro-me actualmente a morar na Lituânia (não em Vilnius onde a comunidade russa é forte, mas sim em Kaunas) e a grande maioria das pessoas aqui não gosta nem da rússia nem dos russos. Felizmente, com a adesão à UE, o países do Báltico estão protegidos. Uma questão complexa para a Lituânia é que no final do próximo ano vai ter que fechar a sua central nuclear (reactor similar ao de Chernoby e que fornece 80 % (!) da energia ao país) fazendo com que muitos combustíveis fósseis tenham que ser importados dessa mesma Rússia. A ver vamos como a UE vai apoiar a Lituânia neste caso.

MSantos disse...

Caro Jorge Pinto
Um problema que os antigos satélites e estados soviéticos têm, é de serem liderados por gente com mais emoção do que razão (partindo do princípio que não há influência externa, o que é obviamente questionável). Estes países têm todos os motivos para não gostar dos russos. A minha pergunta é: será necessário, para não dizer sensato, entrar numa política de confronto e hostilização? Não bastaria apenas neutralidade? Mais ainda: não valeria mais apena engolir algum orgulho inútil e considerar o imenso mercado russo em todo o seu potencial? e não se lucraria mais com isso? e a própria Rússia não se integraria mais no pensamento ocidental, causa disso?
Relembro ainda o episódio da Ucrânia, que comprava gáz a um terço do preço de mercado, á Rússia. Depois de se terem virado para os EUA e insistido na integração da Nato, os líderes ucranianos acharam escandaloso a Rússia querer aplicar o justo preço do mercado. Isto é um exemplo de afronta que atropela toda a rasonabilidade. Os bálticos aderirem á UE penso não ser grande problema (desde que não hostilizem ou marginalizem a Rússia). Relativamente á NATO, já será outra conversa. Última pergunta: O Jorge afirmou que ao aderirem á UE os Bálticos estão protegidos. Se a Rússia envredar definitivamente na paranóia e no militarismo, acredita mesmo que isso é verdade? Acha que hoje em dia a UE transmite segurança a alguém?
Cumpts

Jorge Pinto disse...

Percebo o que quer dizer. Mas vejamos, como países autónomos, não terão direito de dar a sua opinião? A neutralidade a que se refere não será mais subserviência? Quanto ao governar com mais emoção do que razão, não será o mesmo na Rússia? Por fim, é certo que a Rússia pode enverdar por uma ofensiva militar nos países do Báltico, mas aí não estariamos a falar de uma guerra da Geórgia, mas sim de uma 3ª grande guerra, o que, sinceramente não me parece que a Rússia queira para já.
Saudações

Anónimo disse...

erro, o putin não deseja a união soviética

O que ele disse foi;

"Não sentir a falta da união soviética é não ter coração, deseja-la novamente é não ter cerebro"

MSantos disse...

Acho que neutralidade (ou indiferença), subserviência e hostilidade são conceitos totalmente diferentes. Subserviência e hostilidade são os extremos, como tal no meio está a virtude. A Rússia, no conflito da Geórgia, claramente reagiu com a emoção de quase 20 anos de humilhações engolidas. O facto de que estes atritos poderão, no futuro, provocar um confronto Ocidente-Rússia é mais uma razão que deveria ser o Ocidente e a Nato a serem comedidos nas suas novas admissões, caso contrário partiremos para a 3ª guerra mundial só para salvar a face, de aventuras militares mal-sucedidas dos Schakashvillis deste mundo.
Mas obviamente isto é só a minha opinião.
Cumpts

Anónimo disse...

A probabelidade de uma guerra mundial acontecer é muito reduzida, ninguem é louco ao ponto de ser responsavel pelo fim da humanidade.
Só 1 exemplo,
Um submarino nuclear estratégico americano ou soviético carrega cerca de 20 misseis intercontinentais, cada um desses misseis, tem 10 ogivas, significa que 1 só submarino pode disparar 200 ogivas, cada uma direccionada para uma cidade inimiga diferente. Cada 1 dessas ogivas é suficiente para exterminar 1 cidade da dimensão de nova iorque.
Imaginem então o resultado de um ataque de um só submarino russo a 200 cidades norte americanas, era o fim dos EUA.
e estou a falar apenas de um submarino estratégico.

Bruno.

Pippo disse...

Sou outros exemplos como "neutralidade" difere de "subserviência":
A Suíça é neutral há mais de um século. É ela subserviente a alguém? Não. Nem mesmo durante a
2ª GM ela foi subserviente à Alemanha, pois fez uma espécie de "Linha Maginot" nas montanhas (incontornável ou inatacável por paraquedistas, como a sua congénere francesa) e armadilhou as passagens de montanha, as quais faria explodir em caso extremo. E de tudo isto fez questão de informar a Alemanha. Resultado: foi deixada em paz.
A Finlândia, de pois da 2ªGM, foi neutralizada (deixou de ter FA relevantes). Não se meteu em chatices, não foi chateada, prosperou...
A Suécia é neutral à anos. Tem boas FA, com bom material, é autónoma militarmente e até exporta. Económicamente é o que se sabe. Não se meteu em chatices nem foi chateada.
A Austria idem.

Estes países todos são respeitados, tem um excelente nível de vida (tão bom - e tão chato - que o pessoal até se suicida!), têm boas prestações económicas, culturalmente é o que se sabe...

São subservientes a alguém? Não.
São neutrais? Sim.
Querem mudar o seu estatuto de neutralidade? Não.

MSantos disse...

Esses brilhantes exemplos de neutralidade, só podiam vir de alguém que costuma fazer análises tão correctas e racionais como o Pippo. Permita-me acrescentar que no caso da Suécia, conseguiram até, manter á distância a influência e domínio dos Estados Unidos. Essa é a principal razão porque têm programas de desenvolvimento e construção militares próprios ( o caça Gripen, as corvetas Vidby e os submarinos). Á exepção dos 3 maiores países europeus e de alguns tímidos casos, a influência norte-americana aniquila qualquer indústria local que lhe possa fazer concorrência. Portugal foi um exemplo disso ao trocar a participação no avião europeu Airbus A400M pelo "revamping" dos C-130 com 30 anos (logicamente feito pela Lockeed).

Pippo disse...

MSantos, ainda me faz corar :o)

De facto a Suécia, apesar de ser totalmente independente sob o ponto de vista militar (o que não ocorre com a Suíça, que tanto quanto sei só produz as SIG), tem excelentes relações com os países escandinavos e economicamente, e até culturalmente, não fica atrás de ninguém. E é um país cujo nome, só por si, é símbolo de elevado nível de vida. Isso é de facto esclarecedor.
A postura neutral será uma política exequível pela Geórgia ou pela Ucrânia? Com outros dirigentes... talvez.

Pippo disse...

Uma correcção à gralha: as corvetas são da classe "Visby". E temos as Göteborg, as Stockholm, e toda uma marinha de guerra construída nos estaleiros nacionais.
Ao nível terrestre temos o IFV CV90, a AK5, e todos os sucessos saídos da fábrica Bofors.
Basicamente, os suecos só importam Carros de Combate (Leopard) e helicópteros.
E contudo, são neutrais e estão sempre na primeira linha das operações de manutenção de paz...

Anónimo disse...

É difícil ser neutro quando seu país é constantemente ameaçado de invasão, como no caso da Ucrânia.


zé carlos

Pippo disse...

A questão é saber porque é que a Ucrânia é sempre "ameaçada" de invasão (que eu saiba ainda não o foi, mas enfim, consideremos que está sujeita a isso...) e a Finlândia, que fica logo ali ao lado, não o é. Terá a ver com algum tipo de postura por parte dos dirigentes destes dois países? Ou terá que ver com a História e geografia?
A Suíça, durante as duas Guerras, manteve-se neutral, apesar de estar sujeita a invasões. A Áustria, que ficava bem no meio das rotas de invasão soviéticas, não aderiu à NATO.

SE calhar até nem é assim tão difícil ser-se neutral. Mas quando um governo toma claramente partido contra o país vizinho, aí, de facto, sujeita-se.

Anónimo disse...

Obviamente o fator histórico e geográfico.
A Rússia nunca aceitou uma Ucrânia verdadeiramente independente, dona do seu destino, queria que esse país fosse sempre submisso aos seus interesses como é hoje a Belarus. Sempre com o mesmo papo, são países irmãos, mesma origem, somos todos iguais, etc...mas claro, que quem manda somos nós, os grandes russos!
É possível ser neutro quando o país vizinho oferece vistos e cartas de cidadania ou quando ele estimula a sua minoria a se revoltar (Criméia)?

O que muitos não entendem, é que os ucranianos querem ser donos de seus próprios destinos. Tem o direito de não querem viver no quintal de ninguém, ou se querem...tem o direito de escolher qual!



zé carlos

Anónimo disse...

E para acabar com "achismos" não existe nada melhor que dados.
Essa pesquisa mostra a percepção negativa em relaçao aos russos na europa

"The percentage of population with a negative perception of Russia was 62% in Finland, 42% in the Czech Republic and Switzerland, 37% in Germany, 32% in Denmark and Poland, 23% in Estonia."

http://www.hs.fi/english/article/International+poll+Anti-Russian+sentiment+runs+very+strong+in+Finland/1076154202275

In Finland 62% of respondents had a "very negative" or "fairly negative" view of Russia. Coming behind Finland were the Czech Republic and Switzerland, where the figure was 42%.


62% SURPRESO? os finlandeses são o povo com maior percepção negativa em relaçao aos russos!

Será por acaso?


zé carlos

Anónimo disse...

"Just nine percent of Finns say that they have a very positive or fairly positive attitude toward Russia."

zé carlos

Anónimo disse...

A neutralidade da Áustria e Finlândia não foi uma opção, foi uma imposição da URSS. Era ser neutro ou entrar no bloco soviético.


peter

MSantos disse...

...no entanto a URSS acabou. E esses países continuam neutros, felizes e orgulhosos disso. Dado a essa política de neutralidade, esses mesmos países estão mais seguros que Polónias, Georgias e outros estados obcecados em odiar e humilhar a Rússia devido a ressentimentos do passado. Como tal, estão condenados a revivê-lo (esse mesmo passado).

Pippo disse...

Nem mais...