sexta-feira, dezembro 05, 2008

Alexis II, o Patriarca dos compromissos com o poder


A morte do Patriarca de Moscovo e de Toda a Rússia é uma grande perda para o país, considerou hoje o primeiro-ministro russo, Vladimir Putin. Alexis II, que dirigiu a Igreja Ortodoxa Russa (IOR) durante mais de 18 anos, faleceu durante a noite de insuficiência cardíaca.
“Era um santo. A sua morte é uma grande perda. O falecimento do Patriarca é um acontecimento muito trágico e triste. Alexis II era um verdadeiro Patriarca, o Patriarca de Moscovo e de Toda a Rússia”, declarou Putin durante um encontro com o homólogo arménio, Tigran Sarkissian.
O Presidente russo, Dmitri Medvedev, que se encontra em visita à Índia, adiou a visita a Itália, no sábado, para participar nas cerimónias fúnebres.
A polícia de Moscovo reforçou as medidas de segurança junto dos templos ortodoxos da capital russa a onde começaram a chegar numerosos crentes ortodoxos, principalmente junto do Templo de Cristo Salvador, onde se irão realizar as cerimónias fúnebres, e do Mosteiro Donskoi, onde Alexis II deverá ser sepultado.
“Alexis II entrará na história da Igreja como o Patriarca construtor. Ele recebeu a Igreja quase completamente destruída no início dos anos 90. Hoje, vemos a Igreja como a mais poderosa organização social da Rússia, a mais dinâmica”, disse à Agência Lusa o director do Centro de Estudos Estratégicos da Religião e da Política Moderna, Maksim Chevtchenko.
Iakov Kotov, sacerdote da Igreja Ortodoxa das Catacumbas, que não reconheceu o poder comunista, ao contrário da IOR, considerou que “a tragédia da vida de D. Alexis consistia em que ele vacilava juntamente com a linha do partido (Partido Comunista da União Soviética)”.
“Se o partido ordenava excomungar o padre Iakunin (sacerdote ortodoxo dissidente), ele fazia-o, se mandava chamá-lo à Igreja, ele chamava-o. Aqui, o partido é, antes de tudo, a Lubianka (sede dos serviços secretos soviéticos, KGB). Foi precisamente o KGB que, em meados dos anos 70, começou activamente a realizar o projecto 'Ortodoxia em substituição do comunismo'”, defendeu o sacerdote em declarações à Lusa.
Alexis II foi acusado várias vezes de ter sido informador dos serviços secretos russos, acusação que sempre negou.
O Patriarca reconheceu, todavia, que as autoridades religiosas se viram obrigadas a chegar a alguns acordos com o governo comunista e pediu perdão e compreensão a todos aqueles a quem a cumplicidade da IOR pudesse ter prejudicado.
Após ter anunciado a morte de Alexis II, o sítio electrónico oficial da IOR foi vítima de um ataque de piratas informáticos, que impediram o acesso durante várias horas.

9 comentários:

Afonso Henriques disse...

Em relação á Igreja Ortodoxa/Comunismo:

É verdade que eu não sei muito bem o que se passou mas não é menos verdade que Alexis, ao que parece, tentou providenciar o melhor serviço possivel aos crentes em circunstancias extremas.

lusa-russa disse...

Foi muito bem dito Zé Milhazes! Amen.
Cristina.

Anónimo disse...

O cardeal já vai tarde!

Aliocha disse...

Alguma ideia quanto ao possível sucessor?

O patriarca Kirill seria uma escolha com consequências importantes a nível do diálogo ecuménico Catolico-Ortodoxo.

Jose Milhazes disse...

Caro Aliocha, penso que sera Kirill, mas duvido quanto a rapidez do dialogo.

Anónimo disse...

JM, pode informar-se do que se passa com a visita de Kiril a Portugal?
Vejam bem a situação: a visita histórica, marcada para 8 a 14 de Dezembro, onde iria a várias cidades e se encontraria com o poder político e religioso, que ajudaria ao tal diálogo, agora como fica? Com a morte de Alexey II, Kiril é o Patriarca interino e o funeral é a 9.
Resumindo: vem mais tarde? Manda um subordinado? Espero que venha ele, até porque tudo indica que é provisório definitivo e vai ser o escolhido, e nestas coisas da religião entre Portugal e a Rússia, depois de Fátima eu já acredito em tudo...e mais vale jogar pelo seguro.

Jose Milhazes disse...

Se Kirill for eleito, duvido que vá dentro em breve a Portugal.

Pippo disse...

Já agora, qual era o objecto desta visita? Eu sei que as hierarquias tentam uma tímida aproximação, mas há muito ainda por sanar.
É o resultado das belas asneiradas que culminaram no saque de Constantinopla, em 1204... :o(

Anónimo disse...

JM
que pessimista, sempre a depreciar o interesse russo cá pelo pequeno burgo...
A eleição é só daqui a seis meses. Não acha que o Kirill vem cá antes disso?
Vai uma apostinha? Olhe que eu com o esclarecimento do Putin acertei!